Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Artigo| OS CORAÇÕES DOS FRANCESES

20 de maio de 2014 0

FLAVIO JOSÉ KANTER
Médico

Escrevi “Os segredos dos franceses”, publicado na Zero Hora de 14 de março de 2001. Falava no paradoxo francês. A França apresenta menor mortalidade por doenças cardiovasculares. Usam na dieta manteiga, queijo, nata, ovo, fritura, óleo de oliva, foie gras, bebem vinho. Também se movimentam mais e vivem numa sociedade menos competitiva, preocupam-se menos com o futuro. Já o nosso modelo alimentar recomenda menos gorduras saturadas e mais carboidratos, e com isso não reduzimos as doenças arteriais. Temos que admitir: os modelos vigentes entre nós para dieta e medicamentos precisam ser repensados à luz do exemplo dos franceses. Não é só vinho o responsável pelos bons índices que eles ostentam. Chamamos de paradoxo porque eles conseguem o que nós não conseguimos adotando recomendações opostas.
A Dra. Rita Redberg é editora do Jama, o periódico científico da Associação Médica Americana, e chefia o serviço de doenças cardiovasculares em mulheres na Universidade da Califórnia em San Francisco. Ela assinala as inconveniências do uso crescente das estatinas (drogas para baixar o colesterol). Critica os novos critérios que incluem mais pessoas no uso desses remédios. Diz que o que previne doenças cardiovasculares são mudanças no estilo de vida.
Atividade física regular é indispensável. Ingerir calorias em equilíbrio com o consumo causa menos doenças. Não há dúvida de que não fumar e controlar a pressão arterial reduz risco.
Conhecimentos científicos estão em evolução. É preciso estar atento e ter humildade para reconhecer e incorporar mudanças. Há evidências de que o maior inimigo está nos carboidratos. Gorduras podem ser ingeridas em proporção balanceada. O conteúdo calórico total da dieta em equilíbrio com o que se queima, um cálice de vinho ao dia, meia hora de caminhada ou outro exercício são novos paradigmas.
Não é preciso olhar os franceses como paradoxais. Podemos aprender o que há de bom em seus hábitos, desvendar seus segredos. Quem sabe, seja hora de entender que não é paradoxo, e sim paradigma francês?

Envie seu Comentário