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Editorial| A AFRONTA DO GREVISMO

22 de maio de 2014 2

 

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É generalizada a sensação de que faltam leis, bom senso e autoridade no cenário criado pelas greves que se disseminam pelo país, algumas com objetivos difusos ou intenções políticas camufladas sob pretensas reivindicações pontuais. Motoristas e cobradores de ônibus pararam em São Paulo, com transtornos irreparáveis para a população, policiais civis fazem paralisações em 10 Estados, provocando o aumento efetivo da  insegurança, e técnicos-administrativos bloquearam o acesso à Universidade de Brasília. Ganha forma, com iniciativas das mais diversas categorias, de professores a garis, a anunciada onda de paralisações na antevéspera da Copa, o que caracteriza uma ação articulada dos que desejam afrontar governos, criar impasses para os últimos preparativos para o Mundial ou simplesmente transtornar a vida nas grandes cidades, para que a imagem do país no Exterior seja comprometida.
É evidente que a atitude desafiadora de grupos marcadamente oportunistas, resguardadas as exceções, foi viabilizada muito mais por uma sucessão de falhas do que pela coesão dos líderes paredistas. Falhou o governo ao não buscar a proteção de medidas capazes de assegurar o funcionamento de serviços essenciais antes e durante a Copa. Ignorou o Executivo as advertências de que deveria liderar uma mobilização no Congresso no sentido de finalmente definir os limites do direito de greve.
Falharam os parlamentares, que adiam indefinidamente a deliberação sobre esses limites, quando essa deveria, nas circunstâncias criadas por um acontecimento internacional, ser uma prioridade. E cometem falhas também os governantes estaduais e municipais, que não compartilharam esforços entre si e com o setor privado no sentido de evitar as paralisações ou pelo menos amenizar seus danos. É surpreendente que, no caso da greve dos profissionais dos ônibus em São Paulo, a reação mais categórica do prefeito Fernando Haddad tenha sido a de que o movimento é uma sabotagem com tática de guerrilha. O que se evidencia na paralisação dos motoristas e em outras de áreas essenciais é que os governos não sabem nem mesmo com quem negociar, porque as lideranças, divididas, confundem os administradores.
Não se admite que o governante da maior metrópole do país confesse que não dispunha de informações sobre a possibilidade de paralisação, assim como o governo federal não pode desculpar-se com o mesmo erro em relação às greves dos seus servidores. Os protestos estão sendo propalados há muito tempo e contaminam, por efeitos diretos ou indiretos, atividades produtivas e o direito de ir e vir. Entre outras falhas na preparação do Mundial, as autoridades devem confessar que erraram também na gestão de crises anunciadas. Mas, se houver vontade política, ainda há tempo para uma reabilitação.

Comentários (2)

  • Rodrigo Mateus Nickel diz: 22 de maio de 2014

    É preciso que o redator se defina quanto ao valor positivo ou negativo sobre “vontade política”. No início diz que o grevismo tem “intenções políticas camufladas”, negativando; no último parágrafo diz que tem que haver “vontade política”, positivando.
    A mim fica claro o posicionamento do editorial: é contrário a vontade política dos trabalhadores, incitando medidas de retaliação aos movimentos contestatórios destes.
    Em tempo: toda ação humana é política, toda vontade humana é política.

  • Milton Ubiratan Rodrigues Jardim diz: 22 de maio de 2014

    No início o editorial condena as paralisações, mas depois tenta nos confundir que quase todos tem razão em protestar e que a hora é essa. O grande culpado disso tudo é o governo anterior que a todo custo tentou e conseguiu que a copa do mundo fosse realizada aqui, mesmo sabendo que as condições não eram favoráveis para tal. Mas o mal está feito,e agora resta administrá-lo da melhor maneira possível, para que não passemos mais vergonha ante os outros países. E que sirva de lição para os próximos governos. Os que estão reivindicando sabem que se não for agora, talvez nunca mais tenham seus ganhos reajustados, a não ser pela vontade dos patrões e governos!

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