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Artigo| FALTA DE VERGONHA

24 de maio de 2014 2

PugginaPERCIVAL PUGGINA
Escritor
puggina@puggina.org

 

 

Lembram? Com o Papa no Brasil, militantes da falta de vergonha encenaram representações obscenas usando imagens sacras e tentaram invadir a área ocupada pela população que acorrera a Copacabana. Em Porto Alegre, certo grupo de teatro resolveu simular uma bacanal no Parque Farroupilha. Ante os olhos surpresos das famílias que desfrutavam do local, mulheres e homens, deitados sobre a grama, se contorceram em representações de sexo grupal e performances solo. Invasores da Câmara da capital gaúcha pelaram-se e fizeram o diabo dentro do plenário. No mês passado, ZH noticiou que em alguns locais de festas, alegadamente incomodadas pelo calor reinante, mulheres tiram a roupa e elevam em mais alguns graus a temperatura ambiente. A matéria informava que o spogliarello era interpretado como atitude política (algo supostamente relacionado com a libertação feminina) e que as dançarinas diziam-se contrariadas quando algum audacioso ensaiava passar a mão nos seus compartimentos. Nestes dias, circula na rede o vídeo de uma banda de mulheres que se assumem como “Putinhas Aborteiras” e executam, com bocas sujas e gestos desafinados, uma sucessão de abjeções supostamente musicais, tendo como mote a pessoa do papa Francisco. Tudo sob o patrocínio da TVE, a televisão educativa (!) da Fundação Cultural Piratini, que transmitiu o show.
Reflitamos sobre esse breve pot-pourri. A tolerância com o contraditório, com a diversidade, é uma virtude das sociedades civilizadas. Mas não é saudável a tolerância com quem, de modo arrogante, desrespeita os demais mediante grosserias, vilania e múltiplas formas de corrupção. Tolerância perante a arrogância desaforada de gente adulta não é civilidade. É frouxidão! Quando o presidente da Fundação Piratini sai em defesa das Putinhas Aborteiras e suas baixezas contra o Papa, afirmando que críticas “machistas e chauvinistas” não serão toleradas, ele está nos ameaçando com quê? Eis aí um bom exemplo de arrogância graúda, oficial, que insulta os pagadores de impostos.
Faz muito sentido que a baixaria proclame seu caráter político e que a política seja a baixaria que vemos. Uma e outra confirmam o fato de que somos alvo de um projeto de poder cuja consolidação exige a destruição de nossa cultura e de nossos valores. Por fim, e lateralmente, lembro às mocinhas e, especialmente a seus papais e mamães de “mentes abertas”, que todas devem ser respeitadas. E que um bom ponto de partida para isso está na regra de prudência que recomenda respeitarem-se elas a si mesmas.

Comentários (2)

  • Luis diz: 25 de maio de 2014

    Que espaço mal aproveitado. Tanta coisa acontecendo e o tocador de bumbo do OPUSDEI ficou chocado com um grupo de meninas. Tortura na época da ditadura ele considera normal. Também acha normal um representante do seu querido partido (PP) falar que homossexuais, negros e índios são tudo que não presta. Vale lembrar que o tocador de bumbo sempre silenciou sobre os escândalos de corrupção que envolvem o PP e o PSDB . Percival, sabias que já saiu a sentença do Caso Detran? Muitos amiguinhos envolvidos, né? Terás coragem de comentar o caso ou saíras de férias?

  • Rubem Prates diz: 25 de maio de 2014

    Percival Puggina é um daqueles colunistas que justificam minha assinatura de ZH. Lamento apenas que ele não escreva mais vezes. Lembro de uma coluna sua a alguns meses atrás, em que condenava os atos praticados pelos psicopatas torturadores da ditadura. Em sua coluna desse domingo, comentou um fato de alcance e indignação nacional, quando um grupo de desqualificadas performers reunidas sob o debochado titulo de Putinhas Aborteiras, referiam-se ao atual papa em atitudes vulgares e provocativas e, pelo que pude ver, alem de tudo, desafinadas. Ora, não é preciso ser careta ou moralista para perceber que tal performance extrapolava o que de mais escrachado e vulgar poderia existir em termos de apresentação pública. Mas o que chamou a atenção, foi que a dita apresentação(?) ocorreu dentro de uma emissora estatal sob o domínio do PT, e o simples motivo de ter sido criticada pelo ilustre colunista, levantou a ira de alguns comentaristas a soldo da Esquerda Caviar. Expor fatos que de alguma maneira possam desacreditar ou comprometer a já pálida imagem de decência, moralidade, honestidade que a Nova República Bolivariana, em franca atividade no Brasil, faz de si mesma, caro Percival Puggina, é despertar na militância seus mais primitivos instintos, é o mesmo que jogar xadrez com um pombo: não importam seus argumentos; o pombo vai derrubar as peças, defecar no tabuleiro e sair voando cantando vitória. Parabens pela coluna.

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