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Artigo| SEGURANÇA E LIBERDADE

24 de maio de 2014 0

GUILHERME AZEVEDO BACCHIN
Estudante

Aqui, li um artigo do jornalista Marcelo Beltrand, referente ao paradoxo dualista da segurança e liberdade, que se perde o homem ante o milênio, não dos maniqueísmos, mas das multiplicidades. Talvez outro paradoxo que se incite, este por vez mais condescendente, esteja adjacente ao delírio de solidão agudo que o homem caminha a passos desnorteados numa era onde se vê cada vez mais próximo do outro. Mas retomo em foco uma reflexão, pois acredito ser de  importância e vivacidade: segurança e liberdade, no olhar focal de nosso Brasil das insuficiências.
Nosso país se afunda numa cortina de insegurança pública. A vontade do brasileiro encontra sua extinção. Não há paradoxo que nos oprime, como na dualidade da segurança e liberdade, há a não definição do que somos, e como tratou Sartre, quando se exclui do homem a capacidade de definir-se, se expurga dele sua própria liberdade _ ele se coisifica. Somos um lapso parnasiano entre primeiro mundo e terceiro? Se discute a excelência Fifa na mão direita, e o direito de ir e vir na esquerda. Talvez no porvir da aurora filosófica, intelectual e política de nosso país se traduza um retrato com mais concretismo da multiplicidade do que hoje somos, coexistente à multiplicidade que habita na esfera global, para fundamentar nosso analfabetismo quanto a nós próprios. Nossa democracia ainda é ingênua, ou para entregar-se aos versos, ela ainda “vagueia o canto ante o mistério da amplidão suspensa”, como nos revelou Vinicius. Nossa democracia se vê no mistério da própria democracia, basta lembrar nossas memórias. Não se define, não é livre, basta lembrar Sartre. E no milênio da luz, o Brasil chafurda-se na própria escuridão, perdendo-se em incoerências sempre insuficientes de absurdos constitucionais que se autorroga. E não há dualidade paradoxal entre segurança e liberdade, pois aqui lacrimeja o analfabetismo de ambos numa democracia que não sabe ler ela própria. E então, sim, nos debatemos em nosso paradoxo: complexos, mas ingênuos, simplistas, pois despetalar-se com um dos espinhos que florescem na humanidade, nada mais é do que uma fantasia simbólica para o Brasil: a segurança e liberdade. Nos encontramos submersos à bipolaridades da Fifa e da democracia, reduzidos ao irredutível, esvaindo-se no presente e legando ao futuro o analfabetismo de nossa aurora. Me diz o que vês, Brasil, ao olhar-te no espelho?

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