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Artigo| SAÚDE DE GABINETE

27 de maio de 2014 0

PAULO ARGOLLO MENDES
Médico, presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers)

A Resolução 64/2014 da Secretaria Estadual da Saúde, restringindo partos e cirurgias em pequenos hospitais, é uma violação do direito de todos à saúde. Instituições poderão receber mais verbas se fecharem vagas. Em troca, terão de deixar de atender grávidas e fazer cirurgias. Esse pote de maldades travestido de resolução estabelece a morte anunciada de hospitais que surgiram, e se mantêm em pé, pelo esforço das suas comunidades. Pretende-se transformá-los em “hospitais clínicos” para “estabilizar” pacientes crônicos e idosos.
Quanto descaso, pois são justamente esses doentes que demandam cuidados mais complexos. Não é de hoje que gestores de gabinete agem para estrangular o atendimento nas pequenas localidades. No passado, o mecanismo foi a contratualização, que impôs a adesão a hospitais já combalidos pela baixa produção e remuneração. Que virem-se os hospitais, seus profissionais e a população!
A atual medida é um novo capítulo nessa asfixia ininterrupta. Sob alegação de caixa limitado (explicado pelo fato de o Estado aplicar menos de 12% da receita corrente líquida em saúde, que manda a Constituição Federal), leiloam-se verbas. É a mesma lógica institucionalizada pela estrutura insuficiente que se traduz em emergências superlotadas. Impõe-se a escolha de quem ocupará o único leito de UTI vago ou a maca no corredor, aos demais, cadeira ou colchonete no chão.
O governo estadual elegeu centros maiores para receber recursos iludindo quem esperava pelo fim da ambulancioterapia. A resolução promoverá ainda desemprego e mais barreiras à fixação de médicos no Interior, além de inviabilizar a rede local de assistência, que começa no posto ou consultório e se completa no pequeno hospital.
Postura autoritária adota o gestor que ignora essa realidade e opta pelo mais fácil: não tem verba, corta do mais fraco. O caminho deveria ser o de fortalecer os serviços, conectando-os aos demais. Ouvir as localidades prejudicadas seria um sinal de respeito. Até porque bem antes de correligionários preencherem cargos, comunidades construíram meios para cuidar da sua saúde.

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