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Artigo| CONCILIAÇÃO IMPOSSÍVEL

30 de maio de 2014 0

SÉRGIO DA COSTA FRANCO
Historiador

Já está nas livrarias, e com grande prazer compareci ao seu lançamento, o livro do jornalista Elmar Bones sobre o frustrado projeto da candidatura do professor Ruy Cirne Lima ao governo do Rio Grande do Sul em 1966.
O eminente professor _ a melhor cabeça entre o corpo docente da Faculdade de Direito da  UFRGS _ articulou-se com a Oposição, naquela quadra infeliz que sucedeu ao golpe de estado, para ser candidato ao governo do Estado. Entre os malabarismos institucionais que caracterizaram o período da hegemonia militar, houve um momento em que, suprimidas as eleições diretas, tocava à Assembleia Legislativa eleger o governador. E sucedera, contra todos os desejos dos detentores do poder, que a oposição civil estivesse com maioria entre os deputados estaduais. Porém os militares, embora se dizendo defensores da democracia, não toleravam candidato que viesse das fileiras do partido majoritário, o então Partido Trabalhista Brasileiro, que era o de João Goulart e Leonel Brizola, os derrotados pelo golpe de 31 de março. A única solução prática e aparentemente viável seria a escolha de um grande nome, que fosse garantia de eficiência administrativa e de imparcialidade política, com trânsito em todas as áreas da opinião rio-grandense. A solução apareceu, personalizada no professor Ruy Cirne Lima, que aceitou se candidatar pelos partidos da Oposição. Num Estado, marcado pelos sectarismos radicais, foi uma utopia imaginar na chefia do governo um cidadão que reunia à imparcialidade um elenco tão grande de virtudes cívicas, de capacidade administrativa e de cabedal cultural. A resposta dos poderes foi a cassação de deputados, de forma que a maioria se transformasse em minoria, e mais, com a invenção da regra da fidelidade partidária absoluta, se evitassem disssonâncias no seio da bancada “revolucionária”, que já eram previstas, de parte dos representantes do PDC, Marchezan e José Sanseverino, além do libertador Dario Beltrão. O candidato oficial, Peracchi Barcelos, fez o milagre de vencer a eleição com 25 votos, numa assembleia de 55 membros.
Desde muito se conhece que o saber de exceção, assim como as virtudes, não favorecem o êxito político. Em nosso Estado, seria a mediocridade um passaporte indispensável às carreiras triunfantes?  Só isso explica o malogro de candidaturas de homens sábios e virtuosos como foram Ruy Cirne Lima e Alberto Pasqualini.

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