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Posts de julho 2014

Interativo| Editorial: Você concorda que os custos das campanhas eleitorais precisam ser reduzidos?

31 de julho de 2014 14

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.

Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

 

concordadiscorda

Para participar, clique aqui

 

CAMPANHA DISPENDIOSA

Última a contar com as vultosas somas patrocinadas por empresas privadas, a campanha presidencial deste ano promete ser a mais dispendiosa da História, mobilizando um volume de recursos incompatível com as carências financeiras de um país como o Brasil. Se confirmadas as estimativas dos 11 postulantes à Presidência da República, o teto de despesas neste ano ficará em R$ 916 milhões. O montante significa um aumento de 382% em relação à disputa de duas décadas atrás, a primeira na qual empresas foram autorizadas a bancar candidaturas. Em qualquer país livre, democracia custa caro. A brasileira, porém, exige um volume cada vez maior de recursos nas campanhas para todas as instâncias da federação, situação para a qual o país precisa impor um limite, além de vetar de vez as doações de empresas.
Nos cálculos de um pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), com base no pleito de 2010, o custo per capita do voto no Brasil equivale a US$ 10,93. O valor é 24 vezes superior ao da França e quase cinco vezes o da Alemanha, embora fique distante do custo norte-americano, de US$ 19,89. O curioso é que a massificação do uso de recursos tecnológicos é apontada como fator de aumento de custo, não de redução, por exigir maior profissionalização das equipes. E, mais recentemente, ampliou-se o uso de recursos onerosos, como pesquisas quantitativas, marqueteiros caros e cabos eleitorais remunerados, o que também ajuda a pressionar o valor dos investimentos.
Além de incompatíveis com a realidade brasileira, os custos da disputa por votos à Presidência da República não têm mais como ser bancados por empresas do setor privado. Por iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Supremo Tribunal Federal (STF) já formou maioria pela proibição de contribuições de pessoas jurídicas, mas a votação ainda não foi concluída. A OAB, em conjunto com outras entidades, defende um projeto de reforma política prevendo apenas doações de pessoas físicas, até um determinado limite. Esse é o caminho. Os políticos em campanha não podem continuar sendo financiados por empresas que, depois de apurados os votos, apresentam a conta aos eleitos sob a forma de privilégios como favorecimento em licitações.
A campanha em andamento deveria se prestar para esse tipo de debate. A política precisa adequar seus custos à situação financeira do país, que recomenda austeridade.

 

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Editorial| O PAPEL DO ELEITOR

31 de julho de 2014 5

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Os candidatos à presidência da República e aos governos estaduais estão participando de uma verdadeira maratona de entrevistas, debates e sabatinas nestes últimos dias que precedem o início da propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão. Questionados por jornalistas e representantes de entidades classistas, eles vêm recebendo sucessivas oportunidades de expor ao eleitorado seus programas de governo e suas ideias de administração pública, invariavelmente sob o olhar e a crítica dos demais candidatos. Apesar da rigidez das regras estabelecidas e do tempo restrito em programas com muitos participantes, trata-se de uma forma transparente e democrática de avaliação de visões políticas.
Ainda assim, fica uma dúvida: será que o eleitor está aproveitando esses momentos de transparência e democracia para colher informações que lhes permita fazer uma boa escolha na hora de eleger seus governantes e representantes legislativos? As pesquisas eleitorais têm demonstrado que uma parcela expressiva do eleitorado simplesmente desconhece os pretendentes a cargos públicos nas suas regiões. Esse é um comportamento social que precisa ser modificado. Na sociedade do conhecimento e da comunicação instantânea, já não se justificam mais a alienação e a rejeição à política. Só teremos governantes e representantes dignos quando os cidadãos se interessarem pelo processo eleitoral e fiscalizarem com rigor tanto os candidatos que se oferecem ao pleito quanto os eleitos.
A atual legislação, infelizmente, não favorece o interesse dos eleitores pela campanha. Ao permitir coligações partidárias destituídas de identidade programática e voltadas apenas para o aproveitamento do tempo de tevê, acaba impondo aos eleitores uma programação comprometida apenas com a propaganda, cara e desvinculada da realidade. Ao mesmo tempo, restringe o trabalho jornalístico da mídia eletrônica.
Por isso, o eleitor brasileiro precisa fazer uso dos recursos que a tecnologia oferece para buscar informações independentes e para questionar seus representantes políticos pelos meios que estiverem ao seu alcance. Mesmo com propaganda suspeita e espaços jornalísticos cerceados, a democracia proporciona outras formas de acesso à informação e outros instrumentos para que o cidadão se transforme em protagonista efetivo do processo eleitoral.

Artigo| NEBRASKA É AQUI

31 de julho de 2014 1

JUAREZ GUEDES CRUZ
Médico

 

No filme Nebraska, o velho Woody Grant, amparado por seu filho David, cruza os Estados Unidos com o objetivo de resgatar um prêmio de um milhão de dólares. Woody fora vítima de uma dessas propagandas que alardeiam recompensas ao sujeito que comprar uma enciclopédia ou coleção de revistas. Quando pai e filho chegam à sede da promotora do evento, Woody fica sabendo que não fora “sorteado”. A funcionária que os atende, ao notar o desapontamento do ancião, lamenta sua credulidade e pergunta ao rapaz: “Ele sofre de Alzheimer?”. “Não, é que ele acredita no que dizem pra ele”, responde um desconsolado David.
Esse comovente diálogo nos serve de alerta para o período de propaganda política que vem por aí. Candidatos formatados por marqueteiros profissionais prometerão de tudo. Nos debates entre eles, não serão confrontados argumentos em torno de doutrinas sociológicas ou econômicas. Velhos chavões, lugares-comuns e levianas invocações da palavra “povo” inundarão nossos ouvidos.
Para os que se dispuserem assistir ao horário eleitoral, será proveitoso ler, como aquecimento, um pequeno livro de Arthur Schopenhauer: Como vencer um debate sem precisar ter razão. Trata-se de um breviário de patifaria intelectual, onde o filósofo desmascara 38 técnicas de argumentação falsa; artifícios úteis para aqueles que desejam persuadir o público de que dois mais dois são cinco. Entre as manobras elencadas por Schopenhauer encontram-se o uso intencional de premissas falsas e as mentirosas proclamações de vitória. Outra falcatrua é a de apelar para uma linguagem incompreensível e aturdir o espectador com frases sem sentido, explorando a crença de que, sob o dilúvio verborrágico, deve haver algo valioso para pensar.
Essas táticas serão muito usadas nos debates que assistiremos e é conveniente conhecê-las (não esqueçam que os políticos devem ter estudado no detalhe o referido manual) para saber um pouco melhor em quem estamos votando. Sob pena de nos tornarmos objeto de um triste diálogo: “Mas os eleitores brasileiros sofrem de Alzheimer?”. “Não, é que eles acreditam no que dizem pra eles”.

Artigo| POR UM DEBATE PROGRAMÁTICO NO RS

31 de julho de 2014 0

SEBASTIAO MELO
Vice-prefeito de Porto Alegre

 

O processo eleitoral começou no RS e no Brasil. Fazia tempo que as eleições não ocorriam numa conjuntura tão favorável ao debate programático, livre da monotonia “do quem promete mais”.
De fato, o Estado e o país encontram-se numa encruzilhada, como de resto grande parte das democracias no mundo. Combinadas, a crise econômica internacional que já contamina o país, e a política, que põe em xeque a capacidade de atualização das instituições clássicas da democracia.
Revisitando os debates realizados no parlamento gaúcho, ao longo da sua história, através da leitura da publicação Perfis Parlamentares, organizada pelo Memorial do Legislativo do RS, percebe-se o quanto perdemos em qualidade no trato das questões relevantes para o Estado.
Fosse pela voz de Gaspar Silveira Martins, fosse pela de Getúlio Vargas, as questões decisivas para a economia, política e sociedade gaúcha, eram tratadas com rigor e almejavam uma terra de homens iguais, livres e justos, para os quais os governos deveriam garantir o maior número de oportunidades. Foi da grandeza deste debate que emergiu um Getúlio presidente, capaz de transformar o Brasil num país industrial, com direitos trabalhistas assegurados.
Comparativamente, nossas últimas eleições têm sido pautadas pela quantidade. Creches e escolas são prometidas à profusão, mas não sabemos qual o modelo mais adequado para a educação das nossas crianças e jovens. Não por acaso, o analfabetismo funcional é a regra.
Paradoxalmente, há uma agenda política imensa e rica, originária da sociedade, que superam os particularismos dos partidos, indicando que o debate sobre o desenvolvimento do país e do RS deve ser realizado com a participação e a colaboração coletivas. É preciso pô-la na ordem do dia dos governantes e parlamentares.
Precisamos politizar a política. Dívida pública, financiamento do Estado, desenvolvimento sustentável, saúde, educação, segurança, entre outros temas, devem ser encarados como um conjunto de desafios qualitativos, que só poderão ser enfrentados por governadores e presidentes que gastem seu tempo olhando primeiro a floresta, para depois dar conta de cada árvore.

Artigo| É A ECONOMIA, IDIOTA

31 de julho de 2014 1

ALFREDO MARCOLIN PERINGER
Economista

 

Em 1991, na bem sucedida campanha eleitoral americana de Bill Clinton contra George H. W.  Bush, então presidente dos Estados Unidos e candidato à reeleição, o seu estrategista, James Carville, apresentou três temas
centrais de cunho político mercadológico para o seu pessoal trabalhar:   a)
mudança versus mais do mesmo; b) não se esqueça do sistema de saúde; e c) é a economia, idiota.
Na época, o prestígio do presidente Bush dentro da sociedade americana era alto. Havia ganhado a Guerra do Golfo, libertado o Kuweit e os Emirados Árabes Unidos da invasão iraquiana e feito isso num curto período de tempo
(02/08/1990 a 28/02/1991) e com baixa mortalidade de soldados americanos.
Não havia maneira de a sua organização política, o Partido Republicano, deixar de indicá-lo para concorrer à presidência dos Estados Unidos, fato que ocorreu inclusive com entusiasmo, na pressuposição, é claro, de que carregaria o seu prestígio às urnas, vencendo o pleito.
Ledo engano! Tinha a uma pedra no meio do caminho. A recessão, que iniciou no terceiro trimestre de 1990, avançou no ano de 1991, início da campanha, abalando sobremaneira a confiança dos americanos, principalmente nos seus governantes. Nem poderia ser diferente: as estatísticas do Ministério do Trabalho mostravam cerca de 1,6 milhão de trabalhadores desempregados no país.
Carville, um excelente estrategista, soube aproveitar politicamente a queda da atividade produtiva americana. Deixou de lado as demais táticas mercadológicas, passando a trabalhar apenas com o bordão “it’s the economy, stupid”, forma que sintetizava muito bem a depressiva situação econômica do país.
Embora fosse uma estratégia para o consumo interno do seu grupo de trabalho, o lema caiu no gosto da população, ganhando logo um lugar nos anais da história político-eleitoral americana, sendo usado até hoje por mercadologistas mundo afora, principalmente em países às voltas com problemas de desemprego e inflação, comum hoje em diversas partes do mundo.

Editorial| A REORGANIZAÇÃO DO FUTEBOL

30 de julho de 2014 2

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A estrutura arcaica do futebol brasileiro, que compromete a gestão de clubes e federações e praticamente todas as atividades ligadas ao esporte, está sob pressão dos maiores interessados em mudanças. Os atletas são os líderes de um movimento nacional contra a precariedade das administrações, as falhas nos calendários de competições e o desprezo até mesmo por direitos trabalhistas. Mas suas atitudes, que em síntese pregam a democratização do futebol, não são de interesse apenas dos diretamente envolvidos nas questões em debate. São do interesse da sociedade e de todos os que sustentam o futebol como entretenimento, como paixão e como patrimônio cultural do país.
Todos arcam com os custos da incompetência, mantida invariavelmente por dirigentes que se perpetuam nas entidades, repetindo erros, acumulando dívidas e maltratando o mais popular dos esportes. Nesse contexto, é inaceitável que o  débito total dos clubes com o setor público tenha chegado a fantásticos R$ 4 bilhões. É uma conta paga pela população, pois os danos são compartilhados entre todos. Os clubes devem impostos, recolhimentos previdenciários, Fundo de Garantia e outras contribuições, como se fizessem parte de um grupo protegido pela impunidade. A irresponsabilidade, agora denunciada com ênfase pelo Bom Senso Futebol Clube, vem fragilizando as entidades e suas relações com atletas, torcedores, patrocinadores e comunidades.
Não há como confiar em clubes que mantêm, em alguns casos por décadas, os mesmos dirigentes. Estes mandatários, por sua vez, são os que eternizam os mesmos nomes no comando de federações regionais e da CBF. É ilusório pensar que os desmandos daí decorrentes prejudicam apenas o futebol. A desorganização, muitas vezes sob a suspeita de irregularidades graves, conspira contra os interesses do público, das empresas e das instituições que sustentam, de alguma forma, as atividades esportivas.
Também é enganoso almejar mudanças a partir das federações e da confederação nacional. As transformações, que poderão desencadear reformas nas estruturas da ponta da pirâmide, devem começar pela base, pelos clubes de todas as divisões, que são o verdadeiro patrimônio do futebol. São os clubes que investem na formação de jogadores, nas categorias de base, e tentam preservar vínculos com torcedores. A maioria depende agora da solução de questões imediatas, como a renegociação das dívidas com o governo, desde que se submetam também a obrigações.
Entidades que não cumprirem exigências elementares da boa gestão devem ser responsabilizadas. É a vez de também os mantenedores do futebol se submeterem a penalidades impostas a qualquer atividade. A democratização, que exige igualmente maior participação dos associados dos clubes nas decisões, além de reformas nos critérios de escolha dos dirigentes da CBF, poderá finalmente sepultar um corporativo, que busca muito mais a perpetuação de poder nas entidades do que a prosperidade do futebol.

Artigo| É HORA DE TRANSFORMAR

30 de julho de 2014 1

JORGE AUDY
Pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento da PUCRS

 

Ao longo das últimas seis décadas, desde o surgimento do primeiro Parque Científico e Tecnológico, junto à Universidade de Stanford (EUA), ecossistemas de inovação se tornaram fatores críticos de desenvolvimento econômico e social onde atuam. Recentemente, o modelo baseado em espaços específicos, focados em pesquisa e inovação em parceria com empresas, está sendo desafiado por novos ecossistemas de inovação visando ao desenvolvimento urbano, transformando as regiões onde atuam em laboratórios vivos.
Este novo modelo inclui um ou mais parques, públicos e privados, incubadoras e aceleradoras, instituições de ensino e pesquisa, empresas e organizações orientadas para a inovação. Propõe intervenções urbanas, que integrem e criem um ambiente criativo e orgânico, introduzindo inovações às pessoas e às regiões.
Barcelona, com o Projeto @22, e Berlin-Adlershof atuam neste novo modelo e tornam-se referências para o mundo, assim como foi o Vale do Silício (EUA) por muitos anos. No Brasil, a experiência do Porto Digital, em construção no Recife, é o mais próximo deste novo modelo.
Os Parques Científicos e Tecnológicos podem e devem desempenhar um papel importante na construção de cidades e regiões que optarem por uma vida urbana mais inteligente e alinhada com o potencial da Sociedade do Conhecimento que vivemos. Emergem os governos como atores críticos nessa construção. Sendo o principal usuário desses benefícios, no conceito living lab, cabe também aos governos determinar os planos de investimentos e inovações, criando condições para o desenvolvimento de novas aplicações e tecnologias para a vida urbana. Aos parques e às empresas, cabem a discussão e as ações empreendedoras, direcionando parte de seus ativos intelectuais e físicos, possibilitando a experimentação de produtos e serviços desenvolvidos para as novas cidades inteligentes. Em pleno período eleitoral, discutir o futuro de nossa região sob esta perspectiva pode apontar novos tempos e um futuro mais promissor a nossa sociedade.

Artigo| COMPETÊNCIA NA GESTÃO PÚBLICA

30 de julho de 2014 1

ROBERTO FREDA
Médico

 

Palhaços são engraçados. Fazem rir. Transitam e habitam no lúdico mundo infantil. Seria no mínimo fora de contexto imaginá-los postulando um cargo público. Mas, por favor, sem preconceito. Afinal, quem tem competência, que se habilite.
E aqui, justamente, é que temos uma questão interessante. Quem de nós iria entrar em um avião cujo piloto não tivesse feito todos os cursos preparatórios e tivesse sido adequadamente avaliado por examinadores igualmente qualificados? Quem iria a um médico que não tivesse sequer passado pela porta de uma universidade? Quem entraria em um escritório de advocacia sem ter certeza de que o advogado conhece o tema das leis e seus meandros?  Quem contrataria um engenheiro sem a mínima formação universitária para comandar a execução de uma obra civil de alta complexidade? Todas estas ocupações  necessitam de formação profunda e extensa,  para se desempenhar, legalmente,  a atividade profissional.
Portanto, cabe a pergunta: qual a formação técnica formal que se exige de um postulante a ocupar um cargo público? Por que razão outras atividades seriam diferentes do gestor público? Como querer que alguém que não tem a mínima noção administrativa possa ser vereador? O que podemos, de fato, esperar? Gerir quantias astronônicas de dinheiro, fazer leis que impactam diretamente o cidadão comum, definir os rumos de cidades, Estados e do país inteiro, não exigiria um preparo técnico formal mínimo? E que mecanismos seriam empregados para qualificá-los? Não há mais espaço para leniência,  passividade e resignação. Da maneira como estão as coisas, qualquer excêntrico despreparado, semialfabetizado e que se apresente como um bufão histriônico durante o horário eleitoral pode ser eleito para alguma função pública executiva ou legislativa. Sem qualificação e desconhecendo o métier, prestará um desserviço enorme à significativa parcela da sociedade. Este servidor público, é intolerável. O cidadão brasileiro não o merece. Ele não faz bem algum. Não melhora a vida da coletividade. Contudo, indivíduos assim continuam sendo eleitos Brasil afora.
E nisto, não há graça alguma.

Artigo| POR FAVOR, ME AJUDE!

30 de julho de 2014 20

EMILIO BRKANITCH FILHO
Psicólogo e psicoterapeuta

 

Recebi, em meu consultório, uma menina de 14 anos. Após um breve silêncio, com o rosto cabisbaixo, caiu uma lágrima e ela falou: Por favor, me ajude, estou grávida!
A gravidez não programada, a maternidade ou paternidade na adolescência, interrompe a trajetória do desenvolvimento e é percebida como problema, evento precoce. Pode alterar significativamente a vida dos jovens e seus familiares, que em geral não estão preparados psicológica, econômica e socialmente. Afetando, principalmente, as áreas da educação, da saúde, das relações familiares e vínculos sociais.
É preciso aprimorar a educação sexual dentro de uma perspectiva socioeconômica, não apenas nas escolas, mas também por meio da integração com as unidades de saúde pública, e promover espaços mais acolhedores para os adolescentes discutirem sobre sexualidade.
Apesar do acesso às informações, ainda muitos adolescentes não fazem sexo seguro. A permanente busca de novas alternativas através de pesquisas na área da educação preventiva deve ser constante na sociedade. Com a proposição de novos recursos, é possível que as informações disponibilizadas nas escolas, unidades de saúde e mídias em geral passem a ser mais bem assimiladas, no processo de apropriação pelos jovens. De modo que isso se reflita nas suas atitudes e comportamentos, ou seja, na construção de um conhecimento proativo.
Falar sobre sexualidade na escola, apesar dos avanços experimentados nos últimos anos, não é ainda tão comum e simples, existem muitas e diferentes resistências. A abordagem da gravidez na adolescência pressupõe ações integradas, nunca isoladas, exigindo, portanto, articulação conjunta dos diferentes canais sociais, não cabendo apenas à educação a solução de todos os problemas sociais enraizados de longa data na sociedade brasileira.
Implica repensar preconceitos, quebrar velhos paradigmas e, sobretudo, superar hipocrisias presentes há muito tempo. O silêncio, o preconceito ou a indiferença social são as maiores dificuldades no diálogo entre pais, responsáveis, professores e os jovens.

Editorial| O CALOTE ARGENTINO

29 de julho de 2014 2

O Mercosul tem um teste decisivo para a sua relevância política e econômica, no encontro desta terça-feira em Caracas. Os cinco presidentes dos países que compõem o bloco estão sendo desafiados a debater, entre outras questões da economia regional, os efeitos de um eventual calote que a Argentina aplicaria em seus credores. A dívida argentina, questionada na Justiça, é assunto controverso. Tanto que, diante da deliberação da Suprema Corte americana, que determinou o pagamento do governo aos credores, a Casa Branca e o FMI têm sugerido cautela e persistência numa até agora pouco provável negociação. Há temor generalizado com as consequências que uma radicalização, de qualquer uma das partes, traria para a região e para os parceiros comerciais.
É inquestionável, sob o ponto de vista das normas internacionais para cumprimento de contratos, que dívidas devem ser quitadas nos prazos estipulados. No caso argentino, a polêmica envolve os chamados fundos abutres, que não teriam participado de uma negociação de reestruturação da dívida com o governo, a partir de 2005. O debate foi contaminado por posições ideológicas que, sobrepondo-se aos questionamentos legais, opõem os que são contra e a favor dos fundos ou do governo de Cristina Kirchner. Essa é uma discussão que não contribui para a solução do impasse.
O que o Mercosul deve buscar, para comprovar a razão da sua existência, é um esforço conjunto que contribua para o fim do imbróglio, porque o tema não está restrito aos interesses do vizinho. O bloco não se reúne há mais de ano e vem tendo sua importância questionada. A crise argentina é uma oportunidade única de demonstração de unidade dos cinco parceiros e da capacidade de reação a uma questão grave . O confronto entre a Argentina e seus credores não se presta a aparentes neutralidades, que seriam falsamente cômodas, mas improdutivas para todos. O ambicionado protagonismo do Mercosul _ e do Brasil em particular _, tão fragilizado, nos últimos anos, pelos desencontros políticos dentro do próprio mercado comum tem em Caracas uma chance que não pode ser desperdiçada.