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Editorial| O RIO GRANDE NÃO É RACISTA

03 de setembro de 2014 5

140903_PRINC_qua_WEB Há racismo no Brasil, isso é inquestionável. Há, igualmente, racismo no Rio Grande do Sul. Mas não se conhece qualquer estudo científico sério que comprove a incidência maior de preconceito racial em nosso Estado do que em outras unidades da Federação. Da mesma maneira, todos sabemos que existe racismo no futebol e também em outros esportes, tanto no Brasil quanto no Exterior. Até por isso, o abominável rótulo da discriminação não pode ser colocado na conta de um só clube. O Grêmio tem uma imensa torcida e a maioria dos seus torcedores, assim como a maioria dos gaúchos, abomina o racismo, defende a diversidade e a convivência harmoniosa entre todos os seres humanos. Não poderia ser diferente num Estado multirracial, que se orgulha de abrigar imigrantes de variadas origens étnicas. Neste contexto, não se pode aceitar que os gremistas e, por extensão, os gaúchos sejam tachados coletivamente de racistas, como vem ocorrendo desde o lamentável episódio do jogo entre Grêmio e Santos, no qual o goleiro Aranha foi ofendido com injúrias raciais por parte de um grupo de torcedores. Responsabilizar o Estado inteiro ou mesmo o clube pelo incidente é simplista, desproporcional e injusto. As pesquisas históricas desmentem essa generalização. Os gaúchos têm, entre outras referências acadêmicas importantes, uma obra exemplar para a compreensão da nossa formação. Capitalismo e Escravidão no Brasil Meridional, do sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é considerado um livro decisivo para o entendimento dos danos do escravismo não só no Estado, mas em todo o Sul do país. É também revelador da importância do negro na cultura gaúcha e da contribuição que os movimentos abolicionistas deram para o fim de uma chaga que perdurou por três séculos e meio. Tanto que, em meio a controvérsias, o Rio Grande do Sul decretou o fim da escravidão quatro anos antes da Lei Áurea. Um Estado marcado pela resistência ao escravismo e pela exaltação das liberdades, acentuadas com a chegada dos imigrantes, não pode ignorar esse acervo histórico e seus significados. Também a história contemporânea do Estado evidencia o equívoco da rotulação. O Rio Grande do Sul já teve como governador o negro Alceu Collares, eleito democraticamente com o voto da maioria absoluta dos gaúchos. Também é deste Estado a primeira Miss Brasil negra, a porto-alegrense Deise Nunes, eleita em 1986. O próprio Grêmio tem uma forte identificação com a população afrodescendente: a estrela solitária de sua bandeira homenageia o negro Everaldo, campeão do mundo em 1970; o hino do clube foi composto pelo negro Lupicínio Rodrigues e o clube mantém, desde o ano passado, uma campanha de conscientização denominada Azul, Preto e Branco: o Grêmio é contra o racismo. O racismo é inadmissível. Todas as práticas racistas, expressas ou veladas, devem ser combatidas, condenadas e punidas na dimensão exata dos danos que causam às vítimas e à sociedade. O Grêmio devem uma ação mais eficaz na repressão às manifestações dos torcedores que ofendem jogadores e torcedores adversários, seja por xingamentos diretos ou por cânticos injuriosos como o que costuma ser entoado pela torcida organizada Geral para provocar o rival Internacional. Mas é inaceitável que tais desvios de conduta sejam atribuídos a todos os gremistas e a todos os gaúchos.

NOSSAS POSIÇÕES EM 2014

Comentários (5)

  • Alceu S Grandi diz: 3 de setembro de 2014

    O Rio Grande não é racista. A água é molhada…
    Estados não são racistas.
    Agora, parte importante (grande) da população deste estado é.

  • flavio diz: 3 de setembro de 2014

    Esta história é macaquice brasileira, baseada em campanhas europeias contra o racismo nos estádios. Ou seja, a moça provavelmente está certa, há macaquice, mas não tanto nos estádios, mas nos meios de comunicação que fazem esta tempestade toda.

  • fontana diz: 3 de setembro de 2014

    O grande racismo vem do Brasil contra o RS, tudo que acontece aqui é motivo de indignação em todos os estádios chamam os juízes de macaco e jogadores mas no RS tem que punir e que sirva de ex. E parte disso que acontece éculpa da própria imprensa gaúcha que da respaldo a imprensa tendenciosa do resto do pais ex como o mau-caráter do aranha conseguiu ouvir aquela menina chamá-lo de macaco com o estádio cheio é um milagre da audição e ninguém questiona isso porque culpa é da imprensa que só sabe fazer sensacionalismo.

  • Vânia Doeler diz: 3 de setembro de 2014

    Acho também que o preconceito é do resto do Brasil com relação ao Rio Grande do Sul. E os meios de comunicação se aproveitam de qualquer pingo d’água para fazer um temporal. A culpa não é só da imprensa tendenciosa. mas das pessoas que adoram uma conversa maldosa. Não gosto do que a jovem fez no estádio, mas também não gosto de ver transformá-la em bode expiatório, visto que não foi a única. Penso que este assunto, e não minimizo a ofensa sofrida pelo goleiro, pois é um desrespeito, desvia dos problemas maiores que vêm por aí.

  • lisandro diz: 6 de setembro de 2014

    RACISTAS PORQUE? SE FOI AQUI O ÚNICO CASO DE PUNIÇÃO AO RACISMO, NO CASO DO ESPORTIVO DE BENTO E O MARCIO CHAGAS.NO CASO DO GOLEIRO DO SANTOS,TODOS OS GAÚCHOS DESAPROVARAM O ATO,O GRÊMIO IDENTIFICOU E PUNIU OS ENVOLVIDOS,A POLICIA GAÚCHA INDICIOU TODOS E A MENINA SE DESCULPOU PUBLICAMENTE.ENQUANTO TODOS OS CASOS DE RACISMO NO BRASIL E MUNDO AFORA FICARAM IMPUNES,OS GAÚCHOS É QUE FICARAM COMO SENDO OS RACISTAS.

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