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Artigo| UMA RENEGOCIAÇÃO MELHOR É POSSÍVEL

04 de setembro de 2014 0

DARCY FRANCISCO CARVALHO DOS SANTOS
Economista

 

Segundo o jornalista Ribamar Oliveira, em artigo publicado no jornal Valor Econômico de 28/08 passado, o ministro da Fazenda autorizou o BNDES a renegociar com o Tesouro dívidas no valor de R$ 194 bilhões, em condições muito mais favoráveis que às das dívidas originais.
Foram substituídos os diversos indexadores dos contratos originais (TR, IPCA e dólar), acrescidos de juros, pela TJLP, sem reajustes.
O novo prazo contratual será de 46 anos, sendo 26 anos de carência para pagamento do principal (início 2040) e de seis para os juros. Do sétimo ano ao 21º, será pago somente um terço da variação da TJLP. A partir do 22° ano os juros serão iguais à TJLP, limitada a 6%. Os juros não pagos nos primeiros 21 anos se incorporam ao saldo devedor.
Segundo o autor, isso poderia ser uma maneira de fazer um aporte de recursos ao banco, porque uma forma explícita poderia colocar em risco a nota de crédito do Brasil nas agências internacionais.
Tomo esse caso para comparar com a proposta de renegociação da dívida dos Estados, em que além dos juros de 4% mais IPCA, limitada à Selic, nenhuma outra vantagem foi oferecida. E nem assim está garantida.
Ela é melhor que nada, mas só reduzirá a prestação a partir de 2025. A vantagem está em abrir espaço para mais endividamento, que aumentará a despesa com a dívida.
Não sou daqueles que pensam que a União tenha que assumir toda a dívida dos Estados, porque isso seria contribuir para o desequilíbrio macroeconômico nacional, que não interessa a ninguém.
Nem atribuo à União a responsabilidade pelo endividamento dos Estados, como é comum se ouvir. Ela deve ser repartida entre ambos. Aos Estados, porque durante anos a fio gastaram mais do que podiam, gerando déficits em cima de déficits, e à União, por causa dos juros altos, pela redução das transferências e isenções sobre tributos de competência estadual.
A renegociação feita em 1998 foi favorável aos Estados, mas as condições existentes à época se modificaram, a começar pelo indexador que cresceu 38% acima da inflação.
Não pedimos vantagens iguais às concedidas ao BNDES, mas elas nos mostram  que uma renegociação melhor é possível!

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