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Editorial| O JOGO DA DESCONSTRUÇÃO

22 de setembro de 2014 8

EditorialAlgo está muito errado numa democracia quando a tática da desqualificação do adversário se transforma, pela insistência, no aspecto mais percebido das campanhas políticas. O cenário brasileiro indica que a troca de acusações parece ter ultrapassado, a duas semanas do pleito, os limites da crítica a possíveis defeitos e deficiências dos oponentes e de seus planos de governo. Tem prevalecido, na reta final, a retórica do ataque, não só entre os candidatos que lideram as pesquisas. O que fica dos debates e dos programas na TV e no rádio é a sensação generalizada de que as agressões se sobrepõem à apresentação de propostas. O objetivo é a imposição de uma pauta diversionista, que em nada contribui para a qualidade da campanha e o esclarecimentos de pontos de vista.
Compreende-se que, numa disputa acirrada, as posições críticas possam até preponderar, em determinados momentos dos confrontos. Tanto que, segundo os cientistas políticos, a ausência de duelos verbais numa eleição pode ser também o sinal do empobrecimento do debate e do distanciamento da população em relação ao que está em disputa. Por isso são aceitas, como parte da exposição de ideias, as atitudes de quem, na tentativa de impor suas ideias, deprecia a trajetória e as propostas dos adversários. Também é assim que se areja o ambiente democrático, ou a política seria uma atividade condenada ao tédio e à desimportância.
Mas a tática do ataque e da desqualificação não pode ter a hegemonia de uma campanha, como parece acontecer no Brasil, no instante em que as pesquisas indicam oscilações e as mais variadas possibilidades. Além de rebaixar o debate, a linha agressiva adotada por alguns candidatos retira do eleitor a possibilidade de avaliar as reais intenções dos concorrentes. São relegados a um segundo plano os que, eventualmente fora dos confrontos, ainda tentam defender uma postura propositiva.
O país fica sem saber o que os pretendentes à Presidência da República e aos governos estaduais defendem para questões específicas e urgentes, e os planos se diluem em abordagens genéricas, que poderiam ser defendidas por qualquer candidato. O dado positivo, indicado pelos analistas, é o do possível esgotamento da estratégia. O eleitor espera que os concorrentes retomem a apresentação de propostas, desde que não subestimem, com projetos evasivos, a inteligência de quem vai decidir a eleição.

Comentários (8)

  • Alceu S Grandi diz: 22 de setembro de 2014

    Velha técnica usada pela mídia – ZH inclusa, faz periódica e constantemente a desqualificação e desconstrução de seus “adversários”, aliás o que fez os dois representantes da empresa na disputa eleitoral aqui no RS, que atacavam e rebaixavam o debate durante anos, desqualificados que são para o Serviço Público. hoje querem colher o que?
    Pena não termos mais tempo para demonstrarmos a População a manipulação e a tática de desqualificação que usaram durante anos, de forma mesquinha e odiosa.

  • Milton Munaro diz: 22 de setembro de 2014

    Acontece que é mais fácil “alinhar” a mentira sem examinar o próprio rastilho. Muito da história está escondida de propósito, por interesse ou por ocultação da verdade, a exemplo da tortura de CELSO DANIEL, da deportação dos boxeadores, da entrega das refinarias ao falastrão da Bolívia, dos contratos internacionais secretos, da “venda” do petróleo pra China (finalmente), e por aí vai.

  • Augusto Impavidi diz: 22 de setembro de 2014

    O que tem de escondido, MESMO, que a mídia não noticia e, portanto, merece postagens de Cidadãos, são as falcatruas do PSDB e do PP – não vi na ZH o “caso” do CC da Ana Amélia enquanto era funcionária/laranja da RBS em Brasília, e mantinha um CC de 40h, no gabinete do marido; não vemos nada na grande mídia sobre o trensalão tucano em SP – o mair escandalo de propina do Mundo, junto com a Privataria Tucana, que de acordo com cáculos da PF devem chegar a 29 BILHÕES! Não vejo escandalizar os casos dos mensalões do DEM, do PSDB mineiro e PP na PTEROBRAS e em todas as esferas onde tem poder.
    Os outros escandalos, citados acima, são reais (menos essa história do Celso Daniel: a não ser que o comentarista tenha alguma prova e queira nos passar ou a PF!).
    Portanto, o correto é mostrarmos, nós Cidadãos, o que a mídia NÃO mostra!
    Quais são estes intéréssés que estão por trás de tamanha omissão (ou os intéréssés de quem mostra somente um lado?).

  • Alceu S Grandi diz: 22 de setembro de 2014

    Estranhíssimo e inaceitável a seletividade de alguns: a mídia chegou a parar tudo, inclusive as redes de TV – globonews eram 24 horas por dia, sobre os escandalos e corrupção dos petralhas e NÃO fazer o mesmo com a montanha de corrupção do PP, PMDB e PSDB!
    Sabemos que são equivalentes – só que mais antigas e frequentes: o PMDB está no poder desde sempre (e continuará!). O PP está nos últimos 40 anos (só mudou de nome, era arena) e tem os maiores corruptos da História (Maluf e outros 80! e agora temos estas “pequenas falcatruas da candidata ao governo gaúcho – CC do marido, fazendas e bens não declarados…), e o PSDB: mentores dos mensalões (incluindo o do DEM eo do PT), os tucanos são experts em propinodutos e o PIOR: tem o “corpo fechado”, tem o conluio da imprensa e de alguns “poderes”, tanto que já existe uma máxima: quer mumunhar, roubar, trampolinar e não ser julgado e preso? Filie-se ao PSDB!
    Por enquanto, infelizmente, só sobram os “nanicos” e o PSB da Marina (ESTE COM ALGUNS “ARRANHÕES”, COMO É O CASO MAL EXPLICADO DA compra do avião).

  • Sérgio Tell diz: 22 de setembro de 2014

    Desconstruir é aceitável apenas em debates e com argumentos. Desconstruir a partir de peças de ficção de marqueteiros é engodo, é tratar o povo como ignorantes. O que acontece hoje na propaganda eleitoral não é desconstrução, é assassinato da LÓGICA. Os argumento do PT contra os casos de denuncias de corrupção são os mais notórios assassinatos da lógica: O marqueiro diz: é o governo que está investigando, não colocamos nada para baixo do tapete e blá, blá, blá, ai a Presidente Dilma vai para a mídia e diz que não sabia de nada, especialmente dos malfeitos da Petrobras. Então, o governo está investigando e a presidente não sabe de nada? Quem investiga ou sabe ou, pelo menos, desconfia. Quem está mentindo? Como explicar que o governo é quem investiga se todos os últimos casos de corrupção que vieram à tona foi por intermédio da mídia investigativa? Então (novamente a lógica assassinada), o governo investiga e coloca os resultados para debaixo do tapete. E tem gente que acredita nestes tipos de falácia, querem enganar a quem? Por que menosprezam a inteligencia dos eleitores? Por isso sou a favor da extinção e substituição do Horário Político Eleitoral Gratuito, que, como a reeleição que é a mãe da corrupção, ele é o pai da aparelhamento do Estado, trocando cargos por tempo de TV e beneficiando quem já está no poder.

  • Luis diz: 22 de setembro de 2014

    Tadinha da Ana Amélia, tadinho do Lasier. Por favor, deixem os candidatos do PRBS em paz. O futuro da RBS depende deles.
    Quero só ver que moral terá essa empresa e os institutos quando na semana que vem as pesquisas começarem a informar a VERDADE. Quero só ver as explicações dos “analistas” do Grupo RBS.

  • Alemão Americano diz: 22 de setembro de 2014

    Dr. Sérgio,
    Concordo. Aproveito e cito a compra da reeleição pelo FHC e o tempo de poder que o PSDB está em SP (conhecido como Tukanistão): são 20 anos de tudo. Mais caro pedágio do Mundo (gerando BILHÕES de reais as concessionárias, que “auxiliam” nas reeleições dos tucanos; lá eles são imbatíveis, já nem necessitam do famoso Trensalão tucano e nem do mensalão tucano de Minas).
    Quanto aos outros p PMDB, PT, PP, PTB e DEM, não passam de “máquinas” que arrecadam bilhões em “comissões”… Propina, no português claro.
    Só não podemos ser seletivos, como citou um leitor acima. Fica flagrante a tentativa de esconder as mazelas e picaretagens dos tucanos do psdb, emplumadinhos, que, parafraseando o Grandi, foram “isentados” pela grande mídia e por alguns poderes.
    Resumindo: se tem um ranking da corrupção, NUNCA ficarão de fora PMDB, PSDB, DEM, PP, PT, PTB e PPS.
    Daí, quem quiser (e tiver estômago) retire alguns integrantes (verifiquem quem arrecadou MENOS para a campanha (deputados gaúchos estão entre os recordes MUNDIAIS de “arrecadação” – confiram no site do TRE e do TSE), poucos, e vá lá e vote (de nariz tapado!).

  • Luiz Fernando Diettrich diz: 23 de setembro de 2014

    Percebo, pelo teor dos comentários, que a desconstrução se estende aos simpatizantes dos partidos e cabos eleitorais informais.
    Desde que a “democracia” foi instituída no país, não vi nenhum benefício para a sociedade causado pelo choque ideológico entre duas legendas ou coligações. Muito pelo contrário, os partidos políticos apenas defendem seus interesses particulares, enquanto que alguns cidadãos, ludibriados por propostas fantasiosas, acabam abraçando as causas indecentes desses partidos, com a inocente ideia de que irão se beneficiar de alguma forma.

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