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Artigo| A ELITE ESTATAL E SEUS REFÉNS

06 de novembro de 2014 5

CLEBER BENVEGNÚ
Jornalista

 

A mais perversa das elites é a elite estatal. Ela quer que você compre um carro e diga: “Obrigado, governo. Como você é bondoso!”. Faça uma faculdade e diga: “Obrigado, governo. Eu te devo essa!”. Suba na vida e diga: “Obrigado, governo. Eu não seria nada sem você!”. Ela sequestra seu pensamento e inverte a lógica da vida social, fazendo parecer que você serve ao governo _ e não o contrário.
O protagonismo das pessoas é substituído pelo protagonismo do aparato estatal. Embalada no glamour da luta de classes, essa elite se apresenta como monopolista da justiça. Como se o dinheiro dos impostos, que subsidiam absolutamente todos os beneplácitos estatais, não viesse da própria sociedade. Como se o Estado, ele mesmo, gerasse riqueza e desenvolvimento.
A história é repleta de exemplos de elite estatal, à direita e à esquerda _ na América Latina, recentemente, esse último exemplo é mais vasto. Mistura supremacia coronelista com populismo assistencialista. Discursa para um lado e, com os seus, age para o outro. Enriquece nas barbas do poder. E legitima tudo em nome de um fim supostamente elevado.
É uma elite que verbaliza amor aos pobres, desde que estejam a seu serviço. Que prega integração dos negros, desde que julguem conforme seus interesses, sem trair a “causa”. Que quer conciliação, desde que ganhe as eleições. Que defende liberdade de imprensa, desde que os critérios disso sejam definidos por seus conselhos.
A elite estatal quer fazer crer que ela é o próprio bem. Quer substituir-se à ética universal. Quer que você se sinta em débito, creditando-a como um instrumento de solidariedade. Quer posicionar-se como indispensável até mesmo no ambiente privado. Se deixar, quer até mesmo dizer como você deve educar seus filhos. Quer que você devolva algo que simplesmente é seu, por direito natural e constitucional.
Não deixe que ninguém roube seus méritos e seu protagonismo. Nenhum partido é dono do seu destino. Nenhum. Quem faz acontecer são as pessoas, não o governo. Libertar-se dessa culpa social é um passo importante para evoluir. É o antídoto para evitar uma nação politicamente amorfa e culturalmente refém.

Comentários (5)

  • Marcio diz: 6 de novembro de 2014

    Legal

  • flavio diz: 6 de novembro de 2014

    Sinto dizer que isso vem da mentalidade religiosa, do “deus proverá”. Uma coisa é indissociável da outra. Somente isso explica o socialismo na Rússia, somente isso explica a facilidade de expansão socialista em países atrasados culturalmente.

  • Regina diz: 6 de novembro de 2014

    Muito bom este artigo. É um tapa na cara dos petistas que vivem culpando a “elite” que trabalha e produz pelas mazelas deste país.

  • Telmo Silveira diz: 7 de novembro de 2014

    Este artigo é um dos melhores dos últimos anos. Expõe, com clareza, a maior das verdades e a mais omitida, que o Estado não nos dá nada. Nós, os contribuintes esfolados, é que fazemos a máquina funcionar!

  • Julie diz: 11 de novembro de 2014

    Excelente artigo. Deus proverá não tem nada a ver com o Estado babá. Basta ler isso:
    https://padrepauloricardo.org/episodios/a-providencia-divina

    Este Estado quer ser Deus, quer que lhe rendamos homenagens e gratidão quando além de NÃO fazer o que lhe compete ainda quer fazer o que NÃO lhe compete, como dar “educação sexual” para nossos filhos. Aliás, chega a nos obrigar a mandar nossos filhos para suas escolas ideologicamente formatadas e ai dos pais que quiserem educar seus filhos onde por milênios eles foram educados: na família. Esta pseudo Estado tem que morrer e para isso é preciso que nasça cidadãos com consciência de seu papel na militância política.

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