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Editorial| A CRISE É DE TODOS, MAS TEM RESPONSÁVEIS

20 de novembro de 2014 2

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Na medida em que avançam as investigações sobre o escândalo da Petrobras, o país mergulha numa crise de indignação, incerteza e desconfiança que ameaça sua normalidade social e econômica, mas não pode prejudicar a sua normalidade institucional. A situação é grave. Nunca se viu um episódio de corrupção com valores tão elevados e tamanho potencial de danos à economia, à sociedade e à própria administração pública. Porém, as instituições democráticas estão sólidas. Se o Congresso, o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal cumprirem suas atribuições constitucionais, o Brasil certamente atravessará essa turbulência e sairá dela mais íntegro e mais respeitado. Por isso, cada brasileiro tem que acompanhar de perto o episódio para poder fiscalizar seus representantes e cobrar soluções.
Em primeiro lugar, não dá mais para esconder o lixo sob o tapete. O que já veio a público até agora, tanto pelas investigações da Polícia Federal quanto pelos primeiros depoimentos dos investigados, indica a existência de um esquema promíscuo entre agentes públicos, empresários e políticos, com revelações de pagamento de propina, extorsão, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro. Mostra, ainda, que os valores subtraídos da sociedade brasileira são muito elevados, deixando claro que nem o recrudescimento do rigor das instituições contra a corrupção nos últimos anos foi suficiente para intimidar corruptos e corruptores.
As informações conhecidas até agora sobre os montantes desviados dão uma ideia clara da desfaçatez. Basta lembrar que o mensalão _ o caso mais rumoroso de corrupção julgado até hoje pelo Supremo Tribunal Federal (STF) _ teria movimentado cerca de R$ 141 milhões no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, só o valor que apenas um ex-gerente da estatal se dispõe a devolver para alcançar os benefícios da delação premiada é de US$ 100 milhões. São mais de R$ 250 milhões, quantia muito superior à do mensalão. E não é improvável que os recursos gerados no esquema de superfaturamento na estatal tenham alcançado R$ 10 bilhões, total sem precedentes na história.
Nessas proporções, é certo que as consequências atingem  os brasileiros de maneira geral, e não se limitam aos bilhões de reais desviados. O desmonte do esquema já afeta em cheio grandes empreiteiras, ameaça descontinuar obras importantes por todo o país, o que pode gerar desemprego, afetar o sistema financeiro, além de desgastar a imagem da economia brasileira perante investidores e parceiros externos.
Os danos causados pelo esquema criminoso montado na Petrobras prejudicam a todos, mas têm responsáveis que as instituições estão desafiadas a identificar e punir. Nesse cenário desalentador, em que o Executivo tem grande responsabilidade pela omissão diante de fatos há muito conhecidos, a presidente Dilma Rousseff também está desafiada a dar respostas convincentes e objetivas, a começar pela escolha imediata de um ministério confiável, com atenção especial aos que precisarão enfrentar diretamente os danos provocados por esse esquema aterrador.

NOSSAS POSIÇÕES EM 2014

Comentários (2)

  • Gilnei diz: 20 de novembro de 2014

    Já dizia o grande Martin Luther King, O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.
    Espera-se que a justiça puna de forma exemplar e severa todos os envolvidos e que estes, nunca mais possam concorrer ou participar de licitações, a frustração que fica é que, talvez nem na justiça achemos alguém em que se possa confiar, para que de fato essa “farra” do dinheiro publico acabe de vez em nosso país.

  • Joel Segalla Robinson diz: 20 de novembro de 2014

    Responsáveis:
    1-de cima para baixo é a Presidente, depois o Congresso e o Judiciário.
    2-de baixo para cima o povo inerte e conivente, e a imprensa que só relata fatos e não investiga mais.

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