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Editorial| Mais protagonismo, menos hesitações

25 de novembro de 2014 2

EditorialSão legítimas e democráticas as pressões dirigidas ao governo por políticos aliados e da oposição no momento em que a presidente Dilma Rousseff, acuada pelo escândalo da Petrobras, hesita na definição do ministério para o seu segundo mandato. Integrantes do PT criticam abertamente os nomes indicados para os ministérios da Fazenda e da Agricultura, por considerarem o senhor Joaquim Levy e a senadora Kátia Abreu muito comprometidos com o mercado e com a elite ruralista e pouco com as políticas sociais das administrações petistas. Ao mesmo tempo, lideranças oposicionistas no Congresso ameaçam o governo com CPIs e até mesmo com a possível abertura de um processo de impeachment _ exatamente quando o Planalto tenta aprovar um projeto que altera a meta fiscal, iniciativa com potencial para gerar intranquilidade em relação ao cumprimento de compromissos da dívida pública. O pano de fundo desta situação desconfortável para o governo continua sendo a investigação das irregularidades bilionárias cometidas na Petrobras.
O que pode fazer a presidente em meio a esse bombardeio? Pode _ e deve _ assumir o protagonismo que o país espera dela, cumprindo os compromissos de transparência e combate à corrupção que assumiu na recente campanha eleitoral.
No caso da Petrobras, já não basta alegar que as instituições fiscalizadoras, especialmente a Polícia Federal e o Ministério Público, nunca tiveram autonomia para fazer o seu trabalho. Ora, isso não é concessão do governo _ é uma garantia constitucional que o Executivo sequer pode reivindicar. O que se espera da presidente Dilma Rousseff é que mexa imediatamente no sistema de governança na estatal, a começar pela substituição da presidente da empresa, que não conseguiu promover a depuração planejada nem combater a promiscuidade entre empreiteiras e dirigentes políticos.
Sobre a equipe econômica do governo, não há mais margem para hesitações. Depois da negativa do primeiro convidado para o ministério da Fazenda, senhor Luiz Carlos Trabuco, um outro recuo seria danoso demais para o mercado. Cabe à presidente, portanto, enfrentar as resistências ideológicas e confirmar logo os nomes anunciados extraoficialmente, até mesmo para que os escolhidos comecem a planejar o que farão para tirar o país da crise.
O Planalto precisa sair do imobilismo e tomar as decisões que o país aguarda em casos como o da Petrobras e da definição da equipe econômica.

NOSSAS POSIÇÕES EM 2014

Comentários (2)

  • Milton Munaro diz: 25 de novembro de 2014

    Será pura insanidade, aliada à sede de poder e à fome de dinheiro a aprovação da alteração da meta fiscal. Sugiro para o “novo” ministério: Dr. José Dirceu pra Fazenda; o Dr. José Jessuíno pro Banco Central; e como administrador dos Cartões Corporativos o Dr. Pizzolato; e para o Planejamento o Dr. Luiz Inácio. Pronto, os que mandavam continuam mandando, o que estiver errado “eu não sabia”, e para fechar a conta que se aumentem os impostos, coisa que o PT sabe fazer.

  • André diz: 25 de novembro de 2014

    Sejamos realistas: quem assumir qualquer ministério pleiteia outro objetivo senão melhorar o setor.É muita hipocrisia achar que quem quer que assuma algum órgão, o fará em prol da população.É óbvio que a “briga” pelas ” pastas” tem cunho político e financeiro.

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