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Posts de dezembro 2014

Artigo| LAVAR O BRASIL

29 de dezembro de 2014 2

LASIER MARTINS

Senador eleito (PDT-RS)

 

Asociedade nauseada vem assistindo a escândalos em série. Algo endêmico no país, que acabou culminando no maior de todos. As implicações da roubalheira na Petrobras, contudo, são mais sérias do que se possa imaginar. Os desdobramentos das investigações comprometem a credibilidade das instituições. A primeira resposta e a mais dura tem que ser dada pela chefe do Executivo. Mesmo após a vitória nas eleições, Dilma Rousseff continua acossada não só pela economia cambaleante, mas também por conta das denúncias envolvendo a maior estatal do país, orgulho nacional, que se transformou em vergonha. Não basta repetir o mantra de que não tolera os “malfeitos”. É pura figura de linguagem, com intuito de amenizar o que todos sabemos tratar-se de corrupção, um verdadeiro assalto. O governo federal precisa de pulso para conter os desmandos na Petrobras. Dilma não pode hesitar mais.

Do Judiciário, espera-se a mesma independência externa e interna que pautou o julgamento do mensalão e que vem norteando até aqui a atuação do juiz Sergio Moro, condutor exemplar do processo que implodiu a máquina de irrigar dinheiro de políticos corruptos de todas as correntes, boa parte de PT, PMDB e PP. Essas siglas precisam promover uma limpeza nos seus quadros. Por fim, cabe ao Legislativo – onde estarei a partir de fevereiro, eleito senador com o voto dos gaúchos – trabalhar para extirpar o câncer. O número de parlamentares envolvidos pode superar três dezenas, uma bancada inteira sob suspeita de envolvimento na Operação Lava-Jato. O clima é de alta tensão nesta virada de ano. A classe política estará sob os holofotes e a repercussão obviamente é negativa. Não basta apenas cassar o mandato dos envolvidos. É preciso encontrar soluções, e mais uma vez estamos diante do desafio de promover o que o Congresso vem se recusando nos últimos anos, a reforma política. Entre outros temas vitais, é o momento para discutir urgentemente um dos itens mais importantes dessa reforma: o financiamento das campanhas eleitorais. O Congresso não pode mais prolongar esse assunto, sob pena de estar sendo conivente. Afinal, boa parte do dinheiro desviado irrigou campanhas eleitorais em todo o país. A desonestidade dos cartéis de empreiteiros ricos, dos intermediários espertos e dos políticos desonrados precisam do devido castigo e de remoção aos lugares apropriados aos grandes delinquentes. Suas ações comprometeram verbas vultosas que fazem falta à sociedade carente. O Brasil precisa de respeito.

Artigo| O QUE RESTOU DO ANO?

27 de dezembro de 2014 1

Tavares

 

 

 

 

FLÁVIO  TAVARES
Jornalista e escritor

 

O prêmio da Mega Sena da Virada é tão estrepitoso que parece uma conspiração para que o povo esqueça o novo ministério da presidente Dilma e o secretariado do futuro governador Sartori. Embolsar R$ 200 milhões de uma só vez conseguiram apenas os graúdos da Petrobras e seus cúmplices _ ministros, parlamentares, governadores ou empresários. A 72 horas do sorteio, cada brasileiro já se sente milionário, planeja em que gastar, esquece agruras ou dores e só pensa em flores. Não há espaço mental para analisar, sequer, os nomes do “governo novo”, como Dilma definiu sua reeleição. E o melhor é esquecer!
Por que lembrar que pelo menos quatro novos ministros, todos do PMDB, respondem a processos judiciais? Não é preciso sequer que o procurador-geral da República quebre o “sigilo de justiça” e forneça nomes de implicados em desvios e corrupção. Basta consultar o sabichão Dr. Google e a internet mostrará velhas falcatruas pendentes de julgamento!
O novo ministro da Aviação Civil, nosso conterrâneo deputado Eliseu Padilha, livrou-se (meses atrás) de continuar réu na roubalheira da merenda escolar em Canoas, pois o Supremo Tribunal considerou que o inquérito policial não tomou em conta que tinha “foro privilegiado”. Mas ele é réu no “escândalo dos precatórios”, as milionárias indenizações falsas pagas a terceiros quando Padilha foi ministro dos Transportes no governo Fernando Henrique. Em agosto de 2013, um programa da Rádio Gaúcha revelou (com base no “site” do STF) que 12 deputados federais gaúchos respondiam a ações judiciais e o próprio Padilha admitiu estar implicado em quatro processos.
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Nem Padilha nem ninguém integra quadrilha só por estar processado. Mas, até demonstrar inocência, todo denunciado é suspeito e suspeição não credencia a nada, menos ainda agora, quando vivemos a chaga obscena do assalto à Petrobras.
Outros três novos ministros estão em situação similar. O senador Eduardo Braga (que não se elegeu governador do Amazonas) responde por crime eleitoral no STF, mas será titular de Minas e Energia, que comanda a Petrobras. O novo ministro da Pesca, Hélder Barbalho, está denunciado na 5ª Vara Federal do Pará por desviar recursos que o Ministério da Saúde destinou a municípios paraenses. Em 2001, o pai, Jáder Barbalho, renunciou à presidência do Senado para evitar ser cassado por fraudes na Superintendência da Amazônia. Voltou ao Senado em 2011 e hoje responde no STF a seis processos por desvios de mais de R$ 200 milhões. O filho Hélder, de 35 anos, perdeu a eleição para governador do Pará e foi indicação pessoal de Lula.
Outro processado no STF é a nova ministra de Agricultura, Kátia Abreu, denunciada por uso indevido de contribuições dos afiliados à Confederação Nacional de Agricultura, que preside desde 2008. Kátia é a mais bizarra e estranha escolha de Dilma. Senadora de Tocantins pelo DEM (passou para o PSD e, depois, para o PMDB) fez férrea oposição a Dilma, da qual se aproximou na elaboração do Código Florestal.
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Há outras escolhas difíceis de entender. Aldo Rebelo, do PC do B, passa de obscuro ministro do Esporte a ministro de Ciência e Tecnologia. Construir estádios e aplaudir Neymar será credencial para coordenar a área científica? O ministro de Educação, Cid Gomes, governador do Ceará, passou por quatro partidos (hoje é do PROS) sem ter tido, porém, qualquer experiência na área educacional.
Quisera despedir-me de 2014 sem melancolia. Mas, o que dizer quando, além das esperanças, roubam até o bronze da Carta Testamento de Getúlio Vargas, em plena Praça da Alfândega, a três quadras do QG da Brigada Militar?
Do ano, só restará a Mega Sena?

Artigo| NO REINO DE PINDAHYBAS

27 de dezembro de 2014 1

Marcelo Rech blog

 

 

 

 

MARCELO RECH
marcelo.rech@gruporbs.com.br
Jornalista do Grupo RBS

 

Era uma vez um reino chamado Pindahybas, onde um povo cordial habitava 11 das 30 cidades mais violentas da Terra. Naqueles dias, havia enorme excitação pela segunda coroação da Rainha Rousséve. Temida pelos ataques de cólera, mas também obstinada e disciplinadora, Rousséve II acabara de galardear com títulos de ministros mais uma grande parte da nobreza. Era assim que ela acalmava os nobres que a cercavam, sempre a conspirar contra o trono. Na capital dos mil e um palácios, um grupo especialmente traiçoeiro e influente era conhecido como Les Picarettes.
A rainha havia chegado ao poder pelas mãos de seu criador, o grande mago Lulalá, seu oráculo nas horas mais difíceis. Lulalá vivia numa caverna revestida de cetim e ouro onde cozinhava a poção mágica com a qual encantava os aldeões. Feita de folhas de populismo, uma árvore típica da América Latina, raízes de socialismo, pitadas de capitalismo selvagem e doses fartas de cargos e favores aos súditos mais fiéis, a poção vinha dando resultados até que a fonte dos desejos começou a secar.
A fonte era uma imenso poço de óleo no qual Les Picarettes jogavam moedinhas e viam seus desejos virarem bilhões. Imaginando que o reino proveria tudo para todos para sempre, a corte divertia-se com os folguedos do povo em alegres desfiles de rua e torneios de bolas. Tudo ia bem até que um grupo rebelde escondido na Fôret Fédérale capturou o tesoureiro secreto do reino, Doleur Yousséve. Assustado e ansiando pela própria liberdade, Yousséve traiu os companheiros dos Les Picarettes, outras cabeças rolaram e a fonte deixou de jorrar.
Tanto já se tinha desperdiçado e desviado, porém, que o temível dragão da inflação despontou nas fronteiras de Pindahybas. Enfraquecida e angustiada, Rousséve II convocou os Três Mosqueteiros, liderados pelo sorridente mas implacável Príncipe Levy, até pouco antes um inimigo a ser combatido. E é neste momento, na véspera da coroação, que nossa história sofre uma abrupta interrupção. Seu desfecho depende agora da luta de Levy contra dragões, poções e a influência de Les Picarettes. E assim, com os olhares voltados para o futuro do reino, fica em suspense a esperança do bom povo de Pindahybas de que não precise viver tenso para sempre.

Artigo| COMUNICAÇÃO PLENA, UMA VIAGEM SEM VOLTA

27 de dezembro de 2014 1

Nelson Mattos

 

 

 

NELSON MATTOS
nelson.m.mattos@gmail.com
Doutor em Ciências da Computação, gaúcho, residente no Silicon Valley, Califórnia

 

Hoje vamos abordar a terceira grande transformação causada pela Revolução Digital: a transformação da forma pela qual nos comunicamos. Sem a menor dúvida, a internet se tornou o meio de comunicação mais poderoso da história do mundo. Em 2014, 40% de todas as ligações internacionais foram feitas no Skype _ um aplicativo que permite que ligações e videoconferências sejam feitas de computadores, tablets, ou celulares através da internet. WhatsApp, um aplicativo para enviar mensagens (como SMS) por intermédio da internet, já possui 600 milhões de usuários ativos, enviando 27 bilhões de mensagens diariamente. Twitter, um serviço de rede social que permite a usuários enviar mensagens de 140 caracteres chamados “tweets”, tem 284 milhões de usuários ativos enviando 500 milhões de tweets todos os dias. Facebook, a rede social mais popular do mundo, já tem mais de 1.2 bilhões de usuários ativos, dos quais 757 milhões acessam o site diariamente. É impressionante que em tão poucos anos bilhões de pessoas passaram a usar a internet como o principal meio se comunicar.  Isso sem falar dos 2.5 bilhões de usuários de e-mail e de mensagens instantâneas.
Obviamente, com essa mudança profunda, não só as pessoas, mas também empresas estão usando a internet como um novo meio de comunicação em massa. Praticamente todas as empresas têm uma presença no Facebook, muitas usam WhatsApp para se comunicar com seus clientes e fornecedores, uma grande quantidade faz ligações através do Skype e estão inclusive modificando seus processos e estratégias para aumentar sua fatia de mercado. Ferramentas sociais, por exemplo, permitem que tais empresas interajam com os seus clientes de uma forma muito mais pessoal. Já em 2012, Starbucks e Coca-Cola recebiam respectivamente 19,4 milhões e 22,5 milhões de visitantes em suas páginas no Facebook todos os meses. Pense nisso _ cerca de 20 milhões de visitantes por mês! Que mídia consegue atingir esse número de pessoas pelo custo mínimo de manter uma presença no Facebook? Isto está levando muitas empresas a repensar suas estratégias de relações com clientes e redefinir completamente suas formas de interagir com as pessoas.
Assim, não é de se surpreender que as empresas de tecnologia vejam a comunicação pela  internet como algo estratégico, tentando permanecer na frente de seus concorrentes. Por exemplo, em maio de 2011, a Microsoft pagou US$ 8,5 bilhões pelo Skype e, em fevereiro desse ano, o Facebook desembolsou US$ 19 bilhões pelo WhatsApp.
E, se você acha que o uso da internet como meio de comunicação no mundo é impressionante, você deveria dar uma olhada no Brasil. Aqui o uso é muitíssimo maior! Na verdade o Brasil possui os internautas mais conectados do mundo. Os brasileiros estão muito mais conectados que os moradores de países onde a internet está bem mais desenvolvida como no Japão e nos Estados Unidos. Noventa e dois por cento dos internautas brasileiros estão conectados por meio de redes sociais _ um recorde mundial! Em países mais desenvolvidos economicamente, os internautas gastam muito mais tempo em sites de e-commerce, gastando muito menos tempo se comunicando em redes sociais. Além de mais conectados, somos também os mais ativos nos meios de comunicação da internet: 58% dos brasileiros passam a maior parte do tempo em redes sociais; 76% acessam redes sociais todos os dias e o pico de uso é às 20h, tanto nos dias úteis quanto nos fins de semana.
Certamente alguns já estão apresentando dependência das redes sociais. De acordo com uma pesquisa feita pelo Hospital de Clínicas de São Paulo, 8 milhões de brasileiros devem estar viciados no uso da internet. A dependência atinge 10% dos usuários de computadores e 20% das pessoas que têm smartphones, fazendo com que sejamos os maiores viciados na internet do mundo. Os números não negam:  51% dos internautas do Brasil passam conectados o dia inteiro. Essa taxa é duas vezes maior que a média nos Estados Unidos que é de 25% ou no mundo como um todo, que é de 28%.
Claro que devemos nos preocupar com aqueles que possam estar sofrendo com o vício em internet. Porém, não podemos entrar em pânico e sim aprender com o passado.
Quando a imprensa foi desenvolvida no século 15, as pessoas se preocuparam de que iria prejudicar o ensino e causar uma sobrecarga de informação. Pessoas morreriam tentando ler todo o material impresso. Críticos do telefone temiam que iria desvalorizar a interação social, e se preocupavam com conversas privadas sendo ouvidas. Quando o rádio foi introduzido, as pessoas temiam que isso iria expor as crianças a conteúdo não apropriado a elas e distraí-los de leitura.
Será que isso soa familiar?
Tais temores pareciam perfeitamente razoáveis quando essas tecnologias estavam sendo adotadas, mas, eventualmente, eles desapareceram à medida que as pessoas se adaptaram a utilizar essas tecnologias de forma saudável.
Embora devamos levar a sério qualquer forma de vício, e vício de internet não foge à regra, eu tenho certeza que a mesma evolução vista em tecnologias passadas vai acontecer com a internet. Afinal de conta, a internet já está amplamente adotada e seus benefícios são simplesmente muitos para voltarmos atrás. Assim como aconteceu com as tecnologias passadas, eu acredito que as pessoas irão aprender a utilizar a internet de forma cada vez mais positiva e útil. Isso é tão verdadeiro para os consumidores como é para a indústria e governos. Não há volta!

NELSON MATTOS ESCREVE MENSALMENTE NESTE ESPAÇO

Sentenças| FRASE DA SEMANA

27 de dezembro de 2014 0

Papa“Como qualquer corpo humano, a Cúria sofre de doenças, e é preciso aprender a curá-las.”

PAPA FRANCISCO
Ao criticar as falhas da Santa Sé e pedir mais empenho do alto clero da Igreja ao trabalho de evangelização

Artigo| O HOMEM DO ANO

27 de dezembro de 2014 0

moises

 

 

 

MOISÉS MENDES
moises.mendes@zerohora.com.br

 

O homem do ano é Francisco. Não só porque enfrenta a burocracia da Cúria Romana, que tenta fragilizá-lo, mas porque provoca seus inimigos com ironia. O Papa disse, ao enumerar as 15 doenças da alta cúpula da Igreja, que falta humor aos pregadores do catolicismo, e não só aos poderosos da Santa Sé.
O religioso, disse Francisco, referindo-se aos servidores em geral, padres, bispos, cardeais, “deve ser uma pessoa amável, serena e entusiasta, uma pessoa alegre que transmite alegria”. Francisco não quer saber de rabugentos.
A Igreja é mal humorada. Ficou pior com João Paulo II, o papa anticomunista, brutalizado pela Guerra Fria. Simpático, terno, viajante, mas conservador demais, previsível, repetitivo em suas pregações.
Seu sucessor, o cardeal Joseph Ratzinger, o burocrata da Cúria que virou Papa, tentou convencer a todos que era um intelectual da Igreja. Bento XVI seria um pensador à espera da chance para brilhar como guardião dos dogmas do Vaticano. Era um pregador quase medieval, com um sorriso pela metade e zero de comunicação e humor.
E aí veio Jorge Mario Bertoglio. O argentino disse, na primeira entrevista, que os cardeais que o elegeram foram buscá-lo “no fim do mundo”. Imagine um brasileiro eleito Papa dizendo que o Brasil é o fim do mundo.
Há uma sucessão de tiradas de humor nas falas do Papa. Ele distensiona a relação com os fiéis e desarma os que estão prontos para agirem como seus algozes dentro da Cúria. Francisco os enfrenta quase com deboche.
Um dia, ao defender que todos têm direito à terra, teto e trabalho, afirmou: “Se eu falo disso, o Papa é um comunista”. No ano passado, quando veio ao Brasil, brincou com nossos exageros: “Vocês querem tudo. Vocês já têm um Deus brasileiro, queriam um papa brasileiro também?”
Este ano, pediu que seus liderados abandonem a obsessão de pregar contra os gays, numa Igreja constrangida pela ação dos pedófilos. Francisco disse: “A Igreja deve ser uma casa aberta a todos, e não uma pequena capela focada em doutrina, ortodoxia e em uma agenda limitada de ensinamentos morais”.
Queria ver o Papa inspirando líderes em geral que exercem o poder pelo comando, com ortodoxia, hierarquias, organogramas. Você, aí na repetição ou na firma, sabe que ainda é assim, que a retórica mudancista muitas vezes protege inseguros com o próprio discurso da mudança.
O Papa reformista nos instiga sobre ideais e relações que deveriam ser menos dogmáticas e ainda se lastreiam em princípios que Ratzinger tentava preservar como guardião do atraso. Há muita pregação, fora das igrejas, em lugares que até o diabo se nega a frequentar.
Num mundo em que a sisudez perde espaço (e em que os que se levam a sério demais extraviam a capacidade de passar mensagens), o Papa manda recados com a inteligência e o humor que nos socorrem em meio a tanta besteira dita com o disfarce da sobriedade.
A mediocridade odeia o humor. Os reacionários têm mil motivos para odiar o Papa. Eu acredito mais em Francisco do que em Obama. Até porque o argentino me diverte muito mais.

Editorial| A POLÍTICA DO APARELHAMENTO

27 de dezembro de 2014 3

edi sabado

Na medida em que a presidente Dilma Rousseff confirma a formação do seu ministério para o segundo mandato, os brasileiros constatam que a política do aparelhamento da administração em troca de apoio político continua predominando nas escolhas. Foi uma ilusão imaginar que a indicação de técnicos capacitados para as pastas da Fazenda e do Planejamento, no fim de novembro, representava uma mudança de rumo no sentido da qualificação do primeiro escalão. Nada disso. Com o único propósito de satisfazer os aliados partidários que lhe dão sustentação no Congresso, a presidente vem promovendo intensas negociações com as siglas e entregando ministérios a políticos sem qualquer afinidade com as áreas que comandarão.
Não é muito diferente do que ocorre também no governo do Rio Grande do Sul, que está sendo formado na base dos arranjos políticos. Diante da grave crise econômica do Estado, o mínimo que se poderia esperar era um núcleo de gestores eficientes, com capacitação profissional e ideias inovadoras. Mas o governador José Ivo Sartori está entregando as secretarias a políticos indicados pelos partidos aliados, muitos deles sem qualquer experiência administrativa e outros sem sequer um currículo que justifique a escolha.
Infelizmente, o modelo político-eleitoral vigente no país acaba transformando os governantes em reféns das organizações partidárias que lhes dão sustentação. Nada impede, porém, que os recém-eleitos façam uso da legitimidade conquistada nas urnas para romper esta dependência e para imprimir mais objetividade e eficácia em suas administrações.
O que se tem visto até agora é muito decepcionante, talvez com a  exceção dos ministros escolhidos para a área econômica. Estes, entretanto, só poderão desempenhar a contento suas atribuições se não forem obstaculizados pelos interesses políticos que tendem a prevalecer quando os governantes se submetem à política nefasta de   partilha de cargos em troca de apoio.
O aparelhamento do Estado está na origem do inchaço da máquina pública, dos gastos excessivos e também da corrupção.

Artigo| OS 50 TONS DE UM PROTESTO

27 de dezembro de 2014 0

FÊCRIS VASCONCELLOS
Jornalista, editora de Entretenimento ZH Digital

 

Tudo parece ser preto ou branco no Rio Grande do Sul. Não tem meio termo, tom de cinza. Em 2013, quando a onda de protestos começou, havia quem aplaudisse e quem reprovasse. Certos ou errados _ ou ambos_, aqueles jovens conquistaram mudanças. Uma, é a cruzada que faz hoje a prefeitura da Capital por novas empresas que operem o transporte coletivo _ desejavelmente com mais competência e preços mais justos. Outra, foi a certeza de que gritar dá resultado. Mas agora não são apenas os universitários que trancam avenidas e impõem toques de recolher. Gente que não tem luxo, ou mesmo o básico _ luz e água em casa _, sai às ruas porque sente que precisa acordar os dormentes e pesados tentáculos do poder público.
Quando, em outubro, os moradores das ilhas do Pavão e dos Marinheiros trancaram a BR-290, eu estava de plantão no jornal. Atendi a dezenas de ligações de gente _ com justiça _ indignada porque seus familiares estavam presos em um congestionamento monstruoso. Contudo, uma ligação chamou a atenção. Era um homem que fazia parte da manifestação avisando que o preço para pôr fim ao sequestro da rodovia não era um helicóptero, como se vê em filmes, mas algo bem simples: que a CEEE comparecesse para religar a energia, perdida dias antes por conta de um temporal. Uma hora e meia depois de contatada pela Polícia Rodoviária Federal, me disse um agente, a empresa apareceu.
O próximo grande temporal foi na segunda semana deste mês. Mais uma vez, a falta de luz assombrou milhares de famílias no Estado. Mais uma vez, meus colegas de ZH e eu conversamos com dezenas de pessoas ao telefone. Elas relatavam que, ao contrário do nosso, o da CEEE ninguém atendia. Mais uma vez, dias depois, os moradores da região das ilhas_e de outros lugares_ ainda não tinham luz. Isso só mudou depois que, mais uma vez, eles trancaram a BR-290. Parece que não adianta pagar a conta: a luz só volta por lá mediante a dolorosa tarefa de fazer a população refém. Eles são reféns do descaso do governo; quem passa de carro é refém deles.
Em vez de discutir o vermelho e o azul da história dos protestos nas estradas, o meu pedido para 2015 é que a energia seja gasta respondendo à pergunta: quem é causa do problema original? E como nós podemos, em vez de criminalizar, ajudar essas pessoas para que ninguém se veja obrigado a prejudicar seus iguais em troca de um serviço que lhe é de direito? O protesto não é o problema principal, mas sim, a necessidade de um.

Artigo| PEQUENO VAREJO, GRANDE PROMESSA

27 de dezembro de 2014 1

SIMONE LEITE
Presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Canoas

 

Além de equilibrar as contas públicas e apostar no desenvolvimento econômico para manter os empregos e renda, o governador Sartori terá que manter as empresas abertas no RS. Seguindo este raciocínio temos um grave problema para ser resolvido: o chamado Imposto de Fronteira precisa cair para os optantes do Simples porque o setor varejista está em franca desaceleração e as micro e pequenas empresas podem fechar _ já não conseguem mais nem sobreviver, o que dirá crescer.
O peso que carregamos está insuportável. Aqui no Estado, tropeçamos nos fatores geográficos, na falta de infraestrutura, no aumento de 16% na folha de pagamento, na alíquota de ICMS _ uma das mais caras do Brasil _ e caímos na incidência do Imposto de Fronteira, que ilegalmente está sendo cobrado.
A Difa ou Imposto de Fronteira obriga os pequenos e micro empresários enquadradas no Simples Nacional a desembolsarem 5% de ICMS na compra de produtos de fora do Estado. A sua derrubada é prioritária para garantir a sobrevida do setor varejista de micros e pequenos e a sua competitividade. A lei que termina com o pagamento do diferencial foi aprovada por unanimidade pelos deputados em setembro de 2013, mas nunca cumprida pelo governo Tarso Genro.
Agora, diante de um novo governo, que prometeu na campanha  eleitoral cumprir a lei, sim, o senhor José Ivo Sartori  assumiu esse compromisso, reascende a esperança dos heróis gaúchos que não medem esforços para manter seus negócios de portas abertas porque sabem que suas empresas são um bem social pois empregam mais de 180 mil pessoas.
Aliás, constata-se aqui mais uma ironia porque  os pequenos estão sendo falsamente responsabilizados pelo fracasso da indústria. Esta falácia é um absurdo pois a indústria, mesmo com a Difa em vigor, vem sucumbindo a cada ano. Enquanto a caravana passa, indústria e comércio desaceleram por outros fatores e quem decide o que comprar é o cliente e, em sua óbvia sabedoria optará sempre pelos produtos com a melhor relação custo x benefício, nem que a compra seja de varejistas de outro Estado via e-commerce, e nesse caso todos perdem. Os micro e pequenos varejistas do RS precisam ser competitivos _  com a Difa isso é impossível.

Artigo| INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NO VESTIBULAR DA UFRGS

27 de dezembro de 2014 0

JAQUELINE FERREIRA
Psicóloga

 

No início de janeiro, quase 40 mil vestibulandos estarão se candidatando a uma das 3996 vagas dos 90 cursos de graduação oferecidos pela UFRGS. É neste momento que surgem dúvidas sobre como se preparar nos últimos dias antes das provas. Os especialistas sugerem fazer as provas dos vestibulares anteriores e revisar os resumos das disciplinas. Sem dúvida, esta é uma metodologia eficiente, mas, nem sempre é suficiente para alcançar os acertos necessários à tão desejada aprovação. Estudos de neuroaprendizagem, a nova ciência da cognição, apontam para uma técnica que visa aprender com os próprios erros. O cérebro humano tende a repetir padrões de comportamentos aprendidos e esta característica se aplica também para modelos de raciocínio, que definem nosso modo de agir e de pensar. Assim, ao analisar este padrão, observamos uma tendência a repetir a construção de um modo de pensar e elaborar respostas para um estímulo. Ou seja, se o vestibulando analisar cada um dos erros cometidos nas questões do Enem, ­­­­­­­em simulados, ou ainda em vestibulares anteriores da UFRGS, vai perceber a predominância de um padrão de erros cometidos. Estes podem ser de interpretação, por ter compreendido mal a pergunta, ou por falta de atenção, que provoca um raciocínio parcial; ou ainda por precipitação, que é aquele erro ocasionado pela ansiedade de responder rapidamente às questões, aliviando assim um pouco da tensão. É claro que também existem os erros cometidos por falta de conhecimento do conteúdo, mas estes são mais os simples de resolver. Para os vestibulandos, nada é mais frustrante do que errar uma questão por falta de atenção, ou ainda, cometer erros por excesso de autoconfiança, já que, ao ler as primeiras frases do enunciado, ele tende a responder automaticamente, sem a devida reflexão. Assim, ao analisar e compreender cada um dos erros cometidos anteriormente, em uma próxima prova, é provável que o cérebro emita um sinal de alerta, de atenção, a fim de evitar a repetição do comportamento identificado. Estas habilidades são exatamente o que refere a inteligência emocional: identificar e compreender pensamentos e sentimentos, exercer o controle das emoções e  dirigi-las ao serviço de um objetivo. Por isto, sim, creio que inteligência emocional cai no vestibular da UFRGS e em muitos outros desafios na vida dos  vestibulandos. Mãos à obra, ainda dá tempo para praticar.