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Artigo| CHARLIE HEBDO E A SUA TIMELINE

13 de janeiro de 2015 3

MAURICIO TONETTO
Jornalista pós-graduado em Novas Mídias, repórter de ZH
mauricio.tonetto@zerohora.com.br

A primeira medida que um governo totalitário adota ao chegar ao poder, seja ele de esquerda, direita ou fundamentalista religioso, é a mordaça à liberdade de expressão, com o fechamento de jornais, revistas e publicações que se atrevam a contestar sua ideologia. Nós vivemos isso durante a ditadura militar (1964-1985), quando muitos profissionais pagaram com a vida defendendo a imprensa livre. Não há dúvida de que o jornalismo independente é um pilar da democracia, e o atentado à sede da revista satírica francesa Charlie Hebdo _ que terminou com o assassinato de chargistas que ironizavam o profeta Maomé _ foi uma recado contra a tolerância.
A publicação é uma referência da liberdade de expressão, algo tão valorizado na progressista França, e por isso mesmo foi covardemente atacada pelos fanáticos. Em alguns países muçulmanos, onde nasceram e se fortaleceram a Al-Qaeda (autora do ataque em Paris e do 11 de Setembro) e o Estado Islâmico (que tem decapitado jornalistas ocidentais), há um terror permanente contra a informação. O que esses grupos pretendem é calar as vozes que não concordam com suas políticas manipuladoras. Com a religião como pano de fundo, eles assassinam pessoas simplesmente porque elas ridicularizam ou questionam ideias que envergonhariam até mesmo os governantes pré-Iluminismo. É um momento de reflexão, de as instituições e os governos mostrarem total apoio e fortalecimento aos veículos de comunicação que se propõem a fiscalizar, denunciar e ironizar. É um momento de você, leitor deste artigo, parar para pensar se, de alguma forma, também não tem contribuído para disseminar a intolerância nas redes sociais.
Quando alguém pede a volta da ditadura no Facebook, por exemplo, também não está sendo fundamentalista? Quando alguém pede que o jornal A ou a revista B sejam boicotados porque têm visões para lá ou para cá, também não está sendo fundamentalista? Quando alguém apedreja a sede de uma empresa de comunicação e promove o linchamento público de um jornalista porque eles seriam representantes de uma grande conspiração, também não está sendo fundamentalista? É um momento de refletir. Sem uma imprensa livre, o caminho está aberto para os ditadores, e todos nós somos responsáveis por isso.

Comentários (3)

  • guilherme diz: 13 de janeiro de 2015

    Direito de ironizar?

    E o direito de zombar, haverá?
    E o direito à chacota, idem?

    A que ponto chegamos hein: direito de ironizar?!

    Nem tudo é motivo de riso. E esta é “só” a minha opinião.

  • Joel Segalla Robinson diz: 13 de janeiro de 2015

    E a imprensa fundamentalista do Brasil? E os articulistas e comentaristas fundamentalistas do Brasil? Incluso os chargistas? Mataram na Nigéria, na última semana, mais de 2 mil pessoas, mas como com certeza não tinha nenhum “jornalista” como vítima, só o povo, não se vê ou se viu tamanho protesto ou passeatas. Je suis Charlie uma ova. Sou contra o terror e sou contra este “terror” da mídia que se faz de vítima sozinha, principalmente no Brasil.

  • Guilherme Corrêa diz: 19 de janeiro de 2015

    Jornalismo que mente e manipula a opinião pública defendendo sempre um único lado em tudo que notícia, usando de edição forçada, meias verdades e preconceitos subliminares, enquanto do outro lado só mostra o que pode defender, pra mim, também não é jornalismo. Em empresas como a RBS e a Rede Globo, o que menos um jornalista tem é liberdade de escrever o que pensa. Se isso não é um ataque muito pior à liberdade de imprensa, então que atirem a primeira pedra.

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