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Artigo| MEU PARTIDO É O RIO GRANDE?

26 de janeiro de 2015 3

JEFERSON FERNANDES
Deputado estadual (PT)

 

 

O atual governador José Ivo Sartori ganhou a eleição utilizando esse slogan, sem o ponto de interrogação acrescentado no título. Uma afirmação simpática ao senso comum, conformado com a idéia de que partido é uma instituição não merecedora de crédito. Irremediavelmente embutida no slogan, estava a premissa de que, uma vez eleito, não utilizaria o espaço público para acomodar partidos em detrimento do interesse do conjunto da população.
O próprio Sartori alegava não ser conhecido do grande público. Daí que ao trocar PMDB, seu partido de fato, por “Rio Grande”, o referido slogan criou condições ao então candidato de se apresentar como alguém não submetido a interesses partidários, mas disposto a governar com uma equipe técnica e não política.
Já na campanha eleitoral, alertávamos que era contraditório a alguém que milita politicamente desde a juventude depor contra partidos. Nossa denúncia, contudo, soou como mera reclamação de opositores. Mas analisando, agora, a montagem do novo governo há condições de afirmar que a tal frase de efeito não passava de um embuste semântico eleitoral.
Aos fatos: 1- o governador assume que seu partido é o PMDB porque é essa sigla que ocupa oito secretarias; 2- ao descartar um secretário técnico até para a Secretaria da Fazenda, Sartori demonstra que não está nem aí para o não político; 3- as pastas estaduais estão divididas entre seis partidos da coalizão governista e o perfil de boa parte dos novos secretários pouco ou nada tem a ver com as áreas específicas que assumiram; 4- a diminuição de 10 secretarias é pura fachada. Exceto os cargos dos secretários, nenhum outro CC ou FG foi extinto.
O constatado não é nenhum absurdo, não fosse o fato de há tão pouco tempo o candidato Sartori falar o contrário do que faz agora. Paradoxalmente, a falácia do marketing usado contribui para aumentar ainda mais o descrédito nos líderes e nos partidos.
Então, mais do que reafirmar o logro do povo gaúcho _ que terceiro turno não há _ , nossa tarefa é encontrar formas de fortalecer a democracia, melhorando nossos partidos e apresentando bons programas de governo (ao invés de omití-los), sem o medo de dizer que, sim, uma administração se faz com gestores políticos que não menosprezam o conhecimento técnico.
O contrário é engodo ou ditadura. Aliás, essa também é um engodo porque geralmente os ditadores estão sob a égide de um partido, mesmo que seja o único.
Mesmo correndo o risco de romper com aquele entendimento tácito tradicional de que não se deve criticar um governo antes dos seus primeiros cem dias, torna-se imperioso alertar o povo gaúcho de que o seu novo governador é, sim, um político. E dos mais tradicionais. Daqueles que não se enrubescem mesmo quando confrontados com a maior das contradições. Sartori despolitizou a campanha para partidarizar o governo.

Comentários (3)

  • Alberi Petersen diz: 26 de janeiro de 2015

    Muito bem caro deputado. Sartori e o PMDB gaúcho deseducam o eleitor, despolitizam a política, prestam um imenso desserviço a democracia. Lamentável que os gaúchos tenham caído neste papinho pra lá de manjado!

  • Milton Munaro diz: 26 de janeiro de 2015

    A deportação dos boxeadores, na calada da noite, foi um embuste semântico paradoxal, assim como a tortura de CELSO DANIEL, até hoje, tudo “escondido”. Ademais, quanto foi pago a título de anistia pros aparentados de CELSO DANIEL que estiveram asilados na França por perseguição do des governo lulla. Do petrolão e do mensalão, nada houve, ninguém surrupiou nada. O poder cega qual a ignorância explícita, tudo pra ludibriar o proletariado obreiro pagador de impostos extorsivos.

  • Joel Segalla Robinson diz: 28 de janeiro de 2015

    Mas é muita acra de pau deste deputadozinho pestista. Esta frase copiada, “O contrário é engodo ou ditadura. Aliás, essa também é um engodo porque geralmente os ditadores estão sob a égide de um partido, mesmo que seja o único.” foi dita contra o seu partido caro deputado, que se acha o único, ou se achava. Vai cuidar de legislar em prol do nosso estado RS que esta falido e mal pago. Voces não tem mais moral para falar nem bem e nem mal de ninguem. Vá fazer o que o Tarso recomendou: refundar o PT. Va bene?

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