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Editorial| SACRIFÍCIO COMPARTILHADO

30 de janeiro de 2015 3

 

editorial 31

A entrevista do secretário da Fazenda, Giovani Feltes, à Rádio Gaúcha, ontem, não deixou dúvida: a situação financeira do Estado é tão calamitosa, que o governo terá de exigir novos sacrifícios da população e assim mesmo sem a certeza de evitar o pior. E o que seria pior? Evidentemente, a falta de recursos para pagar servidores, para cumprir compromissos com fornecedores e, especialmente, para investimentos em obras e serviços para os contribuintes. Pela previsão da equipe econômica, o Estado terá este ano um déficit de R$ 5,4 bilhões e não está descartada a possibilidade de atraso no pagamento do funcionalismo já a partir do mês de março.
Sempre que um governante desenha quadro de tamanha dramaticidade, fica a impressão de que ele está colocando o bode na sala para chancelar medidas amargas. No caso, porém, o levantamento do governo sucede a cálculos ainda mais assustadores de uma auditoria independente e ambos convergem para o mesmo ponto: os gastos serão muito superiores à arrecadação.
Esse cenário desafiador, quase catastrófico, evidencia ainda mais a incoerência do governador, que perdeu a oportunidade de vetar recente reajuste para as categorias melhor remuneradas do serviço público. Nada impede, porém, como admitiu o próprio secretário, que essas categorias sejam agora chamadas a contribuir com a sua cota de sacrifício. Embora desfrutem de autonomia orçamentária, o Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Tribunal de Contas devem entender que estão no mesmo barco dos demais gaúchos e precisam aliviar o próprio peso para evitar o anunciado naufrágio. Ou esses poderes se juntam ao mutirão pelo salvamento do Estado, ou vão faltar recursos para todos.
O importante é que o tema das finanças estaduais, que vinha sendo mantido em sigilo, seja tratado com a transparência demonstrada pelo secretário na entrevista referida. Se os números não forem exatos, que sejam questionados. Se são esses mesmos, que todos os setores da sociedade sejam chamados, conscientizados e mobilizados para participar do esforço pela sobrevivência coletiva.

Comentários (3)

  • Milton Ubiratan Rodrigues Jardim diz: 30 de janeiro de 2015

    Mas se alguém pensa que o Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e Tribunal de Contas vão abrir mão do aumento de salário, é porquê não sabem com quem estão lidando. É mais fácil não pagar o restante do funcionalismo, os aposentados, não honrar as dívidas, que ninguém vai ter para quem se queixar. É só rezar e esperar um milagre, se é que existe!

  • Nelson Bilhar Hackmann diz: 30 de janeiro de 2015

    O editorial é muito bem postado e justo, mas duvido que causará efeito nos ouvidos moucos do judiciário, legislativo e executivo. Se eles não abriram mão dos auxilios moradia, mesmo já tendo a casa própria, dos salários extras de início e fim de mandato legislativo, do aumento do srs. secretários, mais carro a disposição com gasolina paga por nós contribuintes, correspondência gratuita, telefones e outros penduricalhos, duvido muito que eles cooperem. Isto é questão de consciência e, a deles , são impenetráveis para este tipo de apelo, nós estamos bem, que se danem os demais inclusive o Rio Grande do Sul, que paga os seus polpudos salários. Queira “DEUS”, que esteja errado, e que todos deem a sua contribuição, judiciário, legislativo e executivo, inclusive nós, os já explorados e mal servidos contribuintes. Este Estado já foi exemplo para o país, em desenvolvimento, cultura e política partidária, mas infelizmente nesses últimos trinta anos, o nosso querido Rio Grande, só vem caindo, caindo até atingir o fundo do posso. Acorda gaúcho, vá as ruas exigindo seriedade e responsabilidade de nossos três poderes, chega de irresponsabilidade, desmando e soberba, achando-se inatingíveis.

  • Paulo Carvalho diz: 30 de janeiro de 2015

    Promotores e Juízes tem certeza que estão acima, mas muito acima, do cidadão comum. Gente poderosa e sem moral.

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