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Artigo| OPÇÃO PELO RISCO

31 de janeiro de 2015 0

DANIELA DAMARIS NEU
Mestre em Teoria da Literatura

 

Adrenalina é palavra-chave para boa parte da sociedade. Muita gente precisa de emoções fortes para se sentir viva, ativa, aproveitando cada instante. Na falta de emoções que brotam da alma e do coração, as mais simples e atualmente as mais inalcançáveis _ porque já pouco se valorizam alma e coração _, produzem-se emoções, muitas delas potencialmente perigosas. A escala vai de exposição em ambientes de risco, passando por alguns esportes (radicais ao extremo), até o uso descontrolado de drogas (lícitas ou ilícitas).
O dia a dia nas ruas já não é perigoso o bastante? Qual a dificuldade em prezar as coisas simples da vida, a serenidade, a introspecção, a quietude? Por que tamanha necessidade das pessoas de se exporem a situações de risco, imprimindo alta velocidade nas estradas ou escalando montanhas, descendo cânions, entrando em vulcões e consumindo drogas?
O resultado é previsível _ e por isso há mais adrenalina. São vivências extremas e arriscadas, que desafiam a morte. A ironia é que, na tentativa de viver ao máximo a vida, o que se dá é um distanciamento cada vez maior dela. Ao voltar ao mundo real depois de cada aventura, o sentimento de incompletude e insatisfação aumenta. E assim a busca se torna cada vez mais ávida e o perigo é potencializado.
Já não somos mais capazes de sentir frio na barriga e coração acelerado em situações do cotidiano, diante de uma notícia feliz, de um amor correspondido, de um trabalho bem-sucedido, de uma reunião lúcida com os amigos ou a família _ e sim, praticando esportes, mas sem desafiar nossas limitações? Talvez estejamos nos esquecendo de que somos humanos.
Afinal de contas, o que buscamos? A missão mais árdua do ser humano neste século talvez seja se (re)encontrar consigo. E para isso não é necessário viajar, literal ou metaforicamente, nem correr risco de vida. Ali adiante, talvez adrenalina seja sinônimo de emoções que hoje são relegadas a segundo plano.

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