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Posts de janeiro 2015

Artigo| O BROTHER

30 de janeiro de 2015 0

MOISÉS MENDES
Jornalista

 

 

Quem vê o Big Brother ou 10 vezes um filme dos irmãos Coen, ou quem come torresmo com cerveja sem álcool não tem que prestar contas a ninguém.
Que vejam o Big Brother porque tem gente bonita, tem sexo ou faz passar o tempo. Não se desculpem por isso. Eu só vi um programa, com o Jean Wyllys e a Grazi Massafera, há 10 anos. Estava de férias e tinha interesse científico na investigação do fenômeno de geração de uma celebridade.
Claro que você não acredita na minha conversa, assim como não precisa levar a sério os que dão mil desculpas para ver ou não ver o Big Brother. Assisti àquele de 2005 e não me viciei.
Agora, me interessei de longe pelo caso Luan Patrício. É que todos os sites têm uma chamada na capa sobre o moço que participa da casa neste ano.
Luan, para quem não sabe, é ex-soldado do Exército do Rio e já contou em detalhes, ao vivo, por duas vezes, como teria matado um jovem de 16 anos. Atirou no adolescente a distância, com a ajuda de uma luneta, quando as forças de segurança entraram no Complexo do Alemão, em 2010.
Seu relato: “Acertei um tiro na cabeça e ele caiu, eu tremia. Não só de adrenalina, mas de nervoso por ter matado a primeira pessoa na minha vida”. Luan é de família pobre e negro e diz que “preto rouba mesmo, já tá acostumado”.
É a estreia para todo o país do ex-favelado exibicionista que se apresenta como matador (em nome da lei, da ordem e dos medos) de gente do morro de onde ele mesmo saiu.
Mas pode estar blefando. Diz que atuava pelo 8º Grupo de Artilharia, mas era da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada. E talvez nunca tenha participado de expedição a morro algum.
O moço seria apenas um garganteiro tentando pegar as gurias da casa com uma conversa que faz bem a muitos brasileiros. Mas, se mentiu, agora pode ser tarde demais. Luan já deve ser o herói de muita gente. Só falta escolher o partido.

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Agora, imagine um big brother só com dois, num elevador empacado.
É o que se vê na peça 5º Andar, por Favor, com Heitor Schmidt e Lu Adams, hoje, sábado e domingo (21h), no teatro do Centro Histórico-Cultural da Santa Casa. Com texto de Artur José Pinto e direção de Néstor Monasterio.
Eu já vi o duelo do Heitor e da Lu. É mesmo de trancar elevador.

Artigo| O LUGAR DA EDUCAÇÃO

30 de janeiro de 2015 1

REJANE DE OLIVEIRA
Ex-presidente do Cpers

 

O sistema capitalista, para sobreviver, precisa subordinar a educação aos seus interesses. Sua pretensão é garantir a aceitação passiva do sistema que explora o trabalho. O papel da educação é libertar o ser humano do determinismo neoliberal, desenvolver uma alternativa de sociedade igualitária e emancipadora.
Infelizmente, os governos têm contribuído com isso. A falta de investimento, a não valorização profissional, a ausência de uma política de acesso no ingresso e na permanência na escola têm colocado a educação numa situação de vulnerabilidade frente ao ideário neoliberal.
A presidente Dilma, no seu discurso de posse, anunciou o lema: “Brasil, pátria educadora”. Busca com isso alimentar ilusões. Inicia seu governo fazendo cortes na educação e nomeando como ministro Cid Gomes, engenheiro, consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento, um perfil claramente neoliberal. Como político, mostrou a porta da rua da educação pública para os educadores que lutavam por direitos.
A pátria educadora será para o mercado e para o capital.
No Rio Grande do Sul, o novo governador, Ivo Sartori, busca a marca do grande negociador, sorrisos, abraços e nenhum resultado concreto. Aliás, na ausência de iniciativas e propostas, vem sempre o “mantra” da negociação. Não paga o piso nacional, não nomeia professores e funcionários, demitiu contratados e a política de cortes vem no mesmo sentido do governo federal. Ora! O vice da presidente Dilma é do mesmo partido do governador Sartori. Tudo junto e misturado!
O discurso do governo estadual é a falta de dinheiro, e responsabiliza o governo anterior. A gestão que começou em janeiro terá que responder por suas ações, ou ausência delas. Explicar como aumentou os salários do governador, vice, secretários, parlamentares, juízes etc., e não tem para cumprir a Lei do Piso. Não adianta transferir responsabilidades, terá que assumir suas escolhas e, pelo que vejo, a educação não será sua prioridade. Caberá a nós, educadores, colocar a educação em primeiro lugar… lutando.

Artigo| NOSSA TVE

30 de janeiro de 2015 0

FLÁVIO DUTRA
Jornalista

 

Entre tantos assuntos candentes deste tórrido janeiro, surpreende que a TVE figure como fonte de debates e polêmica. De um lado, questiona-se a suspensão do edital para a produção de séries para TV, devido à falta de previsão de recursos para as contrapartidas; de outro, critica-se a drástica redução orçamentária da Fundação Cultural Piratini, o que inviabilizaria boa parte das produções das suas emissoras, a TVE e a FM Cultura. Na raiz dos problemas, está a precária situação financeira do Estado, a exigir sacrifícios de todos os seus órgãos.
Entretanto, o debate não se esgota na dificuldade financeira, que é episódica, nem envolve o uso político dos canais, como em passado recente. Questiona-se agora a própria vinculação das emissoras à estrutura estatal, sob a alegação de que não é função do Estado manter veículos de comunicação. Uma posição que não leva em conta experiências bem-sucedidas de canais públicos, como a PBS nos EUA, a BBC inglesa, a TVE espanhola e mesmo a TV Cultura-SP.
Diferente do amigo e confrade David Coimbra, acredito firmemente que as emissoras públicas têm papel relevante a desempenhar. No caso da TVE e da FM Cultura, o de expressar toda a diversidade e riqueza da cultura gaúcha, dos concertos da Ospa aos eventos tradicionalistas, da literatura às produções audiovisuais e de dramaturgia, do Carnaval ao hip hop, com espaço para a cidadania, a educação, programas infantis, e até para a informação e o debate, por que não? O Rio Grande precisa se ver e ser visto na TVE, à qual cabe exibir o que as emissoras comerciais não mostram porque estão focadas no entretenimento para as grandes audiências.
Foi o que busquei construir nas minhas três passagens pela Fundação, duas delas como presidente. E é na condição de quem se sente comprometido com o futuro da instituição que confesso o quanto me dói cada vez que ouço que só os governos do PT valorizaram os dois veículos, enquanto as outras administrações só querem sucateá-los e forçar sua privatização, mais uma besteira recorrente. A verdade é que cada dirigente que por ali passou deu o melhor de seus esforços, mesmo diante das adversidades, para que se consolidassem como inalienáveis emissoras públicas dos gaúchos.
Conhecendo a atual presidente, a jornalista Isara Marques, profissional experiente, com liderança e comprometimento diante dos desafios propostos, tenho absoluta certeza de que ela conseguirá dar a volta por cima e fazer da TVE e da 107,7 verdadeiras expressões da nossa cultura e patrimônios de todos nós. Especialmente se contar com a mobilização dos servidores e o apoio do Conselho e de seu público _ que não é massivo, mas é fidelíssimo.

Editorial| A PEÇA QUE FALTA

29 de janeiro de 2015 1

 

editorial dia 30

Embora faça parte de um evidente esforço para transferir responsabilidades, a manifestação do advogado de defesa do doleiro Alberto Youssef, operador do esquema de corrupção da Petrobras, merece atenção. O senhor Antônio Figueiredo Basto diz que seu cliente não pode ser condenado por corrupção passiva porque cumpria ordens de agentes políticos para fazer o pagamento da propina. Os chamados “agentes políticos”, que a Polícia Federal e a Justiça evitam nominar enquanto o procurador-geral da República não apresentar denúncia ao Supremo Tribunal Federal, seriam governantes e parlamentares que se locupletavam com o desvio do dinheiro, mas tinham como maior objetivo manter-se no poder.
Esta é a peça que está faltando no tormentoso quebra-cabeça da Petrobras. Enquanto os corruptos que estavam na ponta do esquema não forem identificados, todo o processo estará incompleto. Já não resta dúvida de que, além dos diretores da Petrobras que já confessaram delitos, há mais beneficiados pelo esquema. São os que, como padrinhos dos servidores indicados para cargos de comando na estatal ou como base de sustentação partidária da máfia dos desvios, recebiam parte das comissões pagas pelas obras superfaturadas.
São nomes que, em algum momento, terão de aparecer, para que a identificação dos responsáveis pela degradação patrimonial da Petrobras seja concluída. Destaque-se, ao mesmo tempo, que a responsabilização dos políticos não pode significar atenuante para os corruptores, como adverte o ex-ministro do Supremo Ayres Britto. Todos, os empreiteiros, os dirigentes e servidores da Petrobras e os políticos envolvidos nos delitos, devem prestar contas à Justiça na exata medida de seus atos.

Editorial| A COPA PELA METADE

29 de janeiro de 2015 0

Estão sendo confirmadas as expectativas dos mais pessimistas em relação à conclusão dos legados da Copa do Mundo na Capital. Como mostrou levantamento apresentado ontem por Zero Hora, grandes obras anunciadas muito antes do evento estão incompletas. De 15 projetos do sistema viário, apenas três foram concluídos. A população convive com o transtorno de trabalhos que andam e param, alguns com sérios prejuízos para o trânsito, para o comércio do entorno e para moradores. Frustram-se os otimistas que, em defesa do acontecimento e de seus efeitos diretos e indiretos, esperavam melhorias imediatas na qualidade de vida dos porto-alegrenses e dos que transitam pela cidade.
Os entraves vão desde questões burocráticas sempre presentes em situações similares até o fluxo inconstante de recursos. São aceitáveis alguns argumentos, como os que envolvem obstáculos com desapropriações, por terem componente social importante. Mas não é razoável que esse tipo de problema, perfeitamente previsível, se transforme numa barreira crônica a qualquer projeto que passe pela remoção de famílias.
A reacomodação de moradores deve cumprir os trâmites previstos, para que os danos sejam reduzidos e governos e prestadores de serviços se submetam ao que determinam as leis. Mas nesse e em outros casos, o que sobressai é a incapacidade dos gestores de agilizar soluções dependentes da regularização de áreas atingidas, mesmo que muitos casos sejam emperrados pelos trâmites judiciais. Em meio aos atrasos, ressalte-se a comprovação de que a cidade contará de fato com avanços importantes que não existiram sem a Copa.

Editorial| Você concorda que o desperdício também está na origem da falta de água?

29 de janeiro de 2015 11

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.
Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

 

concordadiscorda
Para participar, clique aqui

O PAÍS SEM ÁGUA

Começa a assumir dimensões assustadoras a escassez de água na Região Sudeste, onde se localizam os Estados mais populosos do país. Não é mais um problema apenas de São Paulo, que está prestes a iniciar um drástico racionamento, nem cabe mais a politização da questão, como ocorreu na última campanha eleitoral. A falta de água e a iminente crise energética são problemas nacionais, que precisam ser enfrentados não apenas pelos governantes mas também pela população. Se as torneiras secas denunciam incompetência administrativa por parte das autoridades, também evidenciam o despreparo dos cidadãos para o consumo responsável de água e energia.
Embora o Brasil tenha a maior reserva de água doce do mundo, está à beira de um colapso sem precedentes. E não foi por falta de aviso: em 2002, o Tribunal de Contas da União promoveu uma auditoria em 19 regiões metropolitanas, que abrigam um terço da população, e denunciou o risco de colapso em todas elas, num estudo conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Agência Nacional de Águas e o Ministério do Meio Ambiente.
Na ocasião, os técnicos constataram que a crise de água não era consequência apenas de fatores climáticos e geográficos, mas principalmente do uso irracional dos recursos hídricos. E apontaram as causas: omissão das autoridades para tratar a água como um bem estratégico no país, falta de integração entre a política nacional de recursos hídricos e as demais políticas públicas, carências na área de saneamento básico e consumo inadequado de água, visto que muitos brasileiros a consideram um recurso infinito.
Não é, agora se vê com absoluta clareza.
Sem desconsiderar o descaso dos administradores, a falta de visão e de investimentos na criação de recursos e na geração de energia, é preciso reconhecer que o desabastecimento também se deve ao desperdício, ao consumo descontrolado, à poluição ambiental e à urbanização irracional _ comportamentos que dependem mais dos cidadãos do que propriamente das autoridades, embora estas não possam se isentar da responsabilidade pela inexistência de programas educacionais.
Pois agora é urgente uma revisão nacional das estratégias de manejo da água, que introduza no cotidiano dos brasileiros a economia, o reúso, os cuidados ambientais e investimentos em novas fontes energéticas.

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Artigo| O "CASO NISMAN"

29 de janeiro de 2015 0

LÉO GERCHMANN
Jornalista, repórter especial de ZH

 

Bons tempos aqueles em que falávamos “vamos trocar ideias” e realmente o fazíamos. A expressão surrada entrou em desuso. Uns chamam outros de “petralhas” e estes vomitam “coxinhas”. “Argh!”, para ambos. Raros se abrem ao contraditório. Para haver troca, é necessária, por definição, a vontade de dar argumentos e recebê-los, com honestidade intelectual até para eventualmente ser convencido.
Mas, apesar de termos entre nós quem justifique as medalhas da Marisa ou a seca do Alckmin, não vou falar sobre o Brasil. Vou falar sobre a Argentina. A morte do procurador Alberto Nisman com um tiro na têmpora direita às vésperas de depor ao Congresso acusando o acobertamento do governo à suposta participação iraniana em atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) foi um tsunami que cobriu Puerto Madero e rebentou na Casa Rosada. Poucos creem em simples suicídio. Como disse o jornalista Jorge Lanata, “por favor, crianças” _ não sejamos ingênuos.
Os indícios de homicídio ou indução ao suicídio são eloquentes como provas concretas. Nisman vinha sendo ameaçado e não teve mãos sujas de pólvora. Não deixou carta de despedida, mas escrevera a lista de compras. E por aí vai.
A coincidência da morte com o dia anterior ao depoimento é reveladora do quanto seria delirante imaginá-lo decidindo pôr termo à própria vida. Mas o governo insinua, acompanhado de acólitos, que opositores poderiam ter provocado a morte de Nisman para incriminar a presidente Cristina Kirchner. Textos de realismo fantástico inundam a mídia chapa-branca. Parte da intelectualidade perdeu o rumo.
O atentado à Amia, em 1994, deixou 85 mortos. Somados aos 29 do ataque à embaixada de Israel, dois anos antes, são 114. Muitos dizem que Nisman foi a 115ª vítima. Gente da pesada queria seu silêncio, não necessariamente gente do governo. Será que ele se limitaria ao documento de 300 páginas? A tendência é de que o “Caso Nisman” fique pendente, como os da embaixada e da Amia. Pelo menos, a comunidade judaica local decidiu não enterrar Nisman como suicida. Foi um gesto de altivez e desagravo. E, depois de tantas mortes, a vida segue a mesma.

Artigo| REAÇÃO EM CADEIA

29 de janeiro de 2015 0

JOSÉ ALBERTO WENZEL
Geólogo

 

 

São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, os três maiores fluxos de bens e serviços do Brasil, acusam desalentadora falta de água. No país dos recursos hídricos a locomotiva econômica emperrou. São Paulo, uma cidade global, já pensa em cinco dias de racionamento de água por semana.
Com menos água, diminui a produção de energia, estabelecendo-se a cadeia do abalroamento. Altas temperaturas evaporam ainda mais água dos solos e plantas, com reflexos diretos sobre agricultura, indústria, comércio e serviços. Quadro visibilizado por torneiras secas, mas de moldura muito mais abrangente. Quando se mexe na sanga, interfere-se no mar.
Constrangedoramente, como humanos da virtualidade tecnológica, nos assemelhamos aos nossos ancestrais, que tinham por urgência a satisfação das suas necessidades primordiais: água, abrigo e alimento. Seu atendimento dependia essencialmente da natureza. Observando, os animais sabiam onde encontrar fontes e córregos. Assim como, então, pode faltar tudo, menos água. Indubitavelmente ainda nos mantemos como corpos hídricos movidos a energia solar, inseridos na cadeia da fotossíntese.
Quando definham gigantes como os reservatórios da Cantareira e de Paraibuna, a sequência natural dos eventos tende à aceleração incontrolada, uma vez que não são meramente os depósitos em si que secam, mas revelam as condições das suas bacias hidrográficas.
Se sabe que o leito de um rio ou o armazenamento de água não dependem exclusivamente de chuvas, que por sua vez resultam de uma série de fatores concatenados. Quando as florestas viram campos, lavouras e cinza, quando o petróleo que levou milhões de anos para se formar no subsolo é jogado em poucas décadas para a atmosfera, quando as concentrações urbanas modificam as densidades da superfície terrestre e impermeabilizam os terrenos e, quando imensas massas de água derretidas das geleiras se misturam a correntes marinhas; quando a tudo isso se somar as pequenas inconformidades quotidianas de cada um de nós, precisamos perguntar: “Até quando?”.

Artigo| UM OLHAR SOCIAL SOBRE A CAPITAL

29 de janeiro de 2015 0

MARCELO SOARES
Presidente da Fasc _ Fundação de Assistência Social e Cidadania do Município de Porto Alegre

 

Uma pesquisa quanti-qualitativa, a ser realizada no primeiro semestre, irá atualizar a dimensão e o perfil da população em situação de rua na cidade de Porto Alegre, visando adequar e aprimorar o planejamento e a intervenção das políticas públicas necessárias. Esta é uma das tantas ações que serão colocadas em prática em 2015 pela Fundação de Assistência Social e Cidadania.
Para que a sociedade entenda o papel do poder público na superação das condições de vulnerabilidade em que vivem muitos porto-alegrenses, é importante esclarecer a rede socioassistencial que se movimenta para suplantar, através de um trabalho intersetorial, a complexidade dos casos.
Educadores e técnicos sociais saem a campo no intuito de criar vínculos e convencer as pessoas a deixarem as ruas, apresentando alternativas para a construção de uma nova vida. Para isso, a Fasc conta com uma rede de espaços próprios e conveniados que ofertam serviços durante o dia, à noite e em tempo integral, possibilitando gradual autonomia e independência dos cidadãos.
Um desafio diante do aumento significativo do consumo de substâncias psicoativas, do tráfico de drogas, da violência doméstica e de outros fatores que expulsam famílias inteiras das comunidades. Casos que limitam ações da assistência social e alcançam esferas de outras políticas públicas como a da saúde, segurança, habitação, entre outras.
Uma ação integrada entre as políticas públicas, representantes da população em situação de rua e sociedade civil é pauta constituída para buscar alternativas às mudanças neste cenário. É dever do poder público, sim, mudar essa realidade e temos nos empenhado muito para que isso aconteça.
Estaremos investindo nos próximos meses valores que superam R$ 1,5 milhão na melhoria e qualificação de espaços de acolhimento para essa população; um concurso público será realizado ainda neste ano para suprir o quadro técnico; além do chamamento de mais de 70 novos servidores. Só para citar algumas das ações que buscam maior resolutividade, diante da complexidade do cenário que se apresenta.
O olhar é crítico sobre a realidade, mas o trabalho social é árduo para superação das dificuldades.

Editorial| O CUSTO DA CORRUPÇÃO

28 de janeiro de 2015 3

editorial 29
Foi previsível a reação do mercado e de todos os que acompanham a situação da Petrobras, depois da divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2014 da empresa. O sentimento generalizado com a decisão da direção de não contabilizar as perdas de patrimônio representadas pelos delitos sob investigação é o pior possível. O maior grupo brasileiro, que construiu reputação internacional pela qualidade técnica de seus quadros, sucumbiu a uma gestão desastrosa e aos que se reuniram para saqueá-la. A bolsa foi empurrada para baixo ontem, prevalecendo o desencanto com a incapacidade de reação do comando da estatal até na elaboração de um balanço, o que, em tais circunstâncias, não será nunca uma formalidade.
Falharam a direção da Petrobras e o governo na preservação de um patrimônio público que é compartilhado, direta e indiretamente, entre os brasileiros e principalmente entre os que viam em suas ações em bolsa uma possibilidade real de obter ganhos financeiros. A confiança perdida significa também o acúmulo de perdas para cidadãos comuns, estimulados pelo próprio governo a confiar parte de suas poupanças à histórica prosperidade representada pela empresa.
É por isso que o balanço parcial agora divulgado não abala apenas a própria Petrobras, o Estado que é o seu controlador, os grandes investidores e as empresas que dela dependem. Pequenos investidores, incluindo os que que aplicaram parcela importante de seu FGTS na compra de ações, também são vítimas dos desatinos da corrupção. A máfia que se apoderou da Petrobras conspira, com os altos custos de suas fraudes, representadas por superfaturamentos e propinas, para perdas que muitos levarão anos para recuperar, desde que isso seja de fato possível.
Apenas como exemplo das perdas patrimoniais ainda não apuradas, há o caso da construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Calcula-se que o investimento deveria custar o equivalente a US$ 7 bilhões. Consumiu mais de US$ 18 bilhões. Os danos causados pelos crimes não são, portanto, apenas uma questão de mercado _ interessam a todos os que apostavam na Petrobras como expressão do que o país tem de melhor. A corrupção destruiu parte da crença dos brasileiros, desconstruiu a imagem da empresa no Exterior e comprometeu para sempre a credibilidade dos que deveriam defendê-la como um bem de todos.