Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts de fevereiro 2015

Artigo| O QUE É, DE FATO SERÁ?

28 de fevereiro de 2015 1

Flávio TavaresFLÁVIO TAVARES

Jornalista e escritor

O desdém rege nossas vidas? Por isto nos conformamos com as aparências ou damos às explicações fáceis a hierarquia de dogma sagrado?
Faço a pergunta a partir do gesto daquele juiz federal do Rio de Janeiro que usou o automóvel Porsche, confiscado a Eike Batista, para “dar uma voltinha”. Tudo foi tão escancarado e expôs o juiz aos mais desprezíveis adjetivos, que me indago se não poderia ter sido uma manobra dos advogados do bilionário falido para desintegrar o processo.
Antes de ter resposta, a procuradora federal que atua no caso pediu o afastamento do juiz e “a anulação de todas as decisões”. As fraudes de Eike Batista podem voltar à estaca zero, como se nada tivesse sido investigado. E o juiz? Meu tocaio Flávio Souza já foi afastado do processo e poderá ser aposentado com vencimentos integrais!

***

Há séculos, aparência e realidade competem entre si mais do que jogadores e torcidas no Gre-Nal.
Não é preciso conhecer o teatro grego nem filosofia ou psicanálise para saber como o ser humano usa a aparência e a mentira para montar uma “realidade” distante da verdade concreta. O engano começa naquela maçã que não era maçã, com a qual a serpente seduziu a ingênua Eva. Mocinha e solitária, sem pai nem mãe nem emprego ou crédito na praça, Eva não pode sequer comprar um computador em 24 cotas para consultar o Dr. Google e descobrir o ardil.
De lá para cá, a civilizada tecnologia acentuou tudo. A truculência de um lado, o oportunismo e a ladroagem organizada de outro, tornam a sociedade moderna um instrumento do engano e da farsa. O que parece, nem sempre é. Ou nunca é, como na peça de Pirandello, “Cosi è, se vi pare” (“Assim é, se te parece”).
Bastam alguns fatos dos últimos dias para mostrar como o irreal comanda a realidade. A TV mostrou a cena brutal do menino assassinado pela polícia numa favela carioca “porque corria” _ com o celular, ele filmou sua morte, ao filmar a brincadeira de correr com dois amiguinhos. A polícia viu nisso “uma fuga” e atirou para matar, amparada na mentira que oficializou “troca de tiros com bandidos”.

***

Condenado a seis anos de prisão no escândalo do “mensalão”, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, está em casa. Repôs R$ 600 mil fraudados e usufrui de “prisão domiciliar”, saindo à rua durante o dia. Entre nós, o advogado Maurício Dal Agnol, acusado de locupletar-se com R$ 100 milhões de 30 mil clientes, teve a prisão revogada pelo Supremo Tribunal e voltará a advogar.
O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa (operador do PP, que coordenou a fraude na empresa) voltou a avisar que a “delação premiada” avalizada pelo Supremo lhe garante 1% de comissão sobre as roubalheiras alheias que delatar. Desde o governo do PSDB, antes da maré de Lula e do PT-PMDB, ele é o núcleo da roubalheira. Quando condenado, cumprirá a pena em casa, em meio ao$ milhõe$ da comi$$ão…
A “delação-premiada” premia o crime?
A Procuradoria Federal quer que as seis grandes empresas envolvidas nos subornos da Petrobras devolvam 4 bilhões e 475 milhões de reais desviados ou superfaturados. Quem crê nisso?
A greve dos caminhoneiros pode paralisar o país, mas seguimos reféns deles. A partir da ditadura direitista, terminaram-se as ferrovias e hidrovias, anularam o transporte barato e rápido para atravancar as estradas com caminhões gigantes. Na Europa, China e EUA, caminhão é apenas para curta distância. Aqui, a soja de Mato Grosso embarca nos portos de Santos e Paranaguá…
Nosso Alegre Porto se alegra com os planos do futuro metrô. Durante anos, diferentes prefeitos prepararam a cidade para os automóveis, com as tais “perimetrais” e viadutos ou “elevadas” de concreto. Agora, furarão as ruas, como modernos tatus.
E o leite envenenado?
 

Artigo| TENHO LIDO CADA UMA!

28 de fevereiro de 2015 0

PugginaPERCIVAL PUGGINA

ESCRITOR
puggina@puggina.org
Numa ponta da meada do petrolão, lideranças de um governo que afunda de nariz empinado falam como se a Petrobras fosse tesouro de quem o encontrou ao pé de promissor arco-íris. E o dia, durante 12 anos, nasceu feliz. Na outra ponta, até quem manteve as mãos distantes do óleo grosso quer transferir culpas. O sujeito cumprimentou cordialmente um jornalista da praça _ “Como vai, fulano?”, e este revidou: “E o efeagacê? E o efeagacê?”. Calma, rapaz, um simples bom-dia basta.
Não lembro de período com tanta sandice no noticiário. Li que o ministro da Justiça aferrolhou a porta e conversou com o advogado de uma empreiteira que entrou nervoso e saiu tranquilo. Li exaustiva lista relacionando, com ufania, quatro (!) petistas que teriam desentranhado sua contrariedade com a corrupção em curso. A virtude é assim, tão contagiante? Quatro gotinhas tornam potável a água mais impura? Li que na versão marota do “regime de partilha”, na qual 3% dos contratos abasteciam os partidos da base (2% para o PT e 1% para o PMDB e o PP), tudo era feito “em nome da governabilidade”. Bom, para o país, não? Li que um grupo de 50 “intelectuais” partiu para o ataque afirmando que: 1) a operação Lava-Jato põe em risco nossa soberania e a democracia; 2) seus alvos são a Petrobras e o pré-sal; 3) as investigações estão “dizimando” empresas de alta tecnologia; 4) desenha-se um projeto golpista no país. Com intelectuais assim, quem precisa de tolos?
Ouvi Lula em ato para salvar a Petrobras. Falou como quem mata e vai discursar no velório. Disse que os achados da Lava-Jato nas águas profundas do governo são tema de quem quer criminalizar a política. Ensinou História, afirmando que tais ações acabam em ditadura (certamente lembrou de seus amigos do Foro de São Paulo prendendo opositores). Ameaçou com o “exército do Stédile” (MST) quem atacasse o governo nas ruas. E, ao final, surtou: “O que nós estamos vendo é a criminalização da ascensão social de uma parte do povo brasileiro”. Mas o que é isso, Lula?
Li sobre a campanha por eleições limpas. E pergunto à CNBB, que mantém união estável com o PT há 35 anos: por que não começou a limpeza dentro de casa, fazendo com que suas Análises de Conjuntura não propagassem as mentiras desse partido sobre a situação nacional? Li no hino da Campanha da Fraternidade: “Os grandes oprimem, exploram o povo”. Marxismo de boteco, em pentagrama. E um velho comunista me escreve: por culpa da direita, a Venezuela era um país rico de povo pobre onde o chavismo veio redimir os pobres. Agora, a Venezuela é um país pobre, de povo pobre, digo eu. Mas a culpa, insiste ele, continua sendo da direita. Vai entender!

SENTENÇAS

28 de fevereiro de 2015 0

MADONNAMADONNA

Cantora, depois do tombaço no show do Brit Awards 2015, em Londres
“Minha linda capa foi amarrada muito apertada, mas nada consegue me parar e o amor me levantou.

 

Artigo| FORA DE CONTROLE

28 de fevereiro de 2015 2

marcosRolimMARCOS ROLIM

JORNALISTA E SOCIÓLOGO
marcos@rolim.com.br

As polícias são instituições fundamentais para a democracia porque zelam pela paz pública. Sabe-se da importância delas quando não as temos, como nas greves. Em todo o mundo, a paralisação dos serviços de policiamento acarreta a explosão de crimes e atos de violência, fazendo com que a sociedade se torne, efetivamente, refém de delinquentes perigosos. Não se trata, então, de diminuir as polícias, mas de lutar por instituições altamente capacitadas e inteligentes, submetidas ao Estado Democrático de Direito e capazes de proteger as pessoas e seus direitos. Estamos muito longe desse perfil profissional no Brasil. Pior: estamos cada vez mais longe.
Quem assistiu, na última terça-feira (25), ao “Profissão Repórter” na TV Globo, com Caco Barcellos, sabe do que estou falando. O programa mostrou que muitos policiais trabalham a partir da “lógica de guerra”, onde suspeitos são executados e, depois, enxertados com armas com numeração raspada. O “kit flagrante” inclui drogas usadas para “arrumar a cena” de tal forma que as execuções pareçam disputas com traficantes. Nesta lógica, os que obstaculizam a eliminação dos inimigos, inimigos são. Assim, repórteres como o próprio Caco (autor de “Rota 66, a história da polícia que mata”, de 1992) advogados, juízes garantistas e ativistas dos direitos humanos são “defensores de bandidos”, uma expressão que nada diz sobre os acusados, mas que revela muito sobre os acusadores. O que ocorreu na Bahia, na chacina do Cabula, é assustador. As evidências mostram que PMs, depois de fuzilarem jovens pobres e negros, vestiram os cadáveres com fardas, simulando enfrentamento com um “grupo guerrilheiro”. Aqui perto, moradores de uma ocupação no Rubem Berta afirmam terem sido torturados por PMs na noite do dia 19 de fevereiro, com sacos plásticos para sufocamento e spray de pimenta. “Ameaçaram tocar fogo em nós. Derramaram azeite dizendo que era gasolina e queimaram com isqueiro”, contou uma das vítimas. Pelo que se sabe, testemunhas estão sendo ameaçadas. Dois fatos, entre muitos outros tão ou mais graves, que sequer chegam ao conhecimento do público. Ao lado da violência, sua irmã siamesa, a desonestidade, ameaça se transformar em metástase, com policiais integrando a folha de pagamento do tráfico.
Diante dos fatos repetidos, já deveríamos ter percebido a existência de um padrão alimentado por um modelo institucional absurdamente ineficiente, caro e violento, que vitima cidadãos e também policiais. O tema da reforma do modelo de polícia no Brasil, entretanto, segue fora da agenda política. Como tudo o que de fato importa, aliás.

 

Artigo| A VIDA EM CINZA

28 de fevereiro de 2015 1

diana29DIANA LICHTENSTEIN CORSO

dianamcorso@gmail.com
Psicanalista
Imagine que você fabrique um produto qualquer: uma esponja de aço, por exemplo. Seu sonho de empresário seria tornar-se Bombril, que em nossa língua é sinônimo desse objeto. Agora imagine que os amantes almejassem o mesmo: ser tão perfeitos um para o outro que suprimissem a concorrência. Esse é o segredo de Christian Grey e Anastasia Steele, protagonistas de um amor absoluto em “50 tons de cinza”, escrito pela norte-americana Erika Leonard James.
Respeitosos às leis do mercado, os amantes da história reúnem-se em torno de uma mesa de negociações para acertar detalhes de seu contrato. Não se trata de um casamento, mas sim de um código de comportamento sexual, submissão e domínio. O acordo não é pacífico, há escaramuças e desentendimentos, como em qualquer novela romântica, mas é para apimentar o final feliz, que se dá ao cabo de três volumes e filmes.
Numa cartada só, a Sra. James conseguiu suprimir a maior parte das interrogações e tormentos que nos preenchem e ocupam. Gastamos a existência a indagar qual nosso valor e o que gostaríamos de conquistar, o que é ser um homem e o que é ser uma mulher. Além disso, atrapalham-nos para amar as lembranças infantis do prazer e do terror de ser subjugados e protegidos. Para Christian e Anastasia está quase tudo resolvido.
Eles são virgens, ela de corpo e ele de coração. Ele é riquíssimo, jovem e belo. Sim, os príncipes ainda existem. E como as Cinderelas também, esse cobiçado solteiro fica mesmerizado quando pousa os olhos na desmilinguida universitária que aparece para entrevistá-lo para um jornalzinho de faculdade. O que ocorre entre os dois é um desejo incontrolável à primeira vista, que logo se transforma em juras de amor.
Rapidamente a relação torna-se o negócio mais importante para ele e o projeto de vida prioritário para ela. Ele quer subjugar-lhe o corpo, mas acaba entregando-lhe a alma. Ela cobiça possuir a alma dele, mas entrega seu corpo com um prazer minuciosamente descrito. Apesar dos chicotes, cintos e palmatórias próprios da cena sadomasoquista, o livro difere das clássicas publicações do gênero ao dedicar grande espaço à exploração do corpo e dos prazeres femininos, dos quais Anastasia goza amarrada e amordaçada.
Pense bem nas suas dúvidas: você nunca sabe direito o que quer nem o que precisa para ser desejável. Além disso, sente-se ambivalente quanto aos prazeres da carne, nos quais sempre fantasia um tanto a mais do que realiza. Como as mulheres nunca tiveram um destino em aberto, o recato era imprescindível e as escolhas restritas, o leque dessas vacilações era para elas menos explícito. Com a liberdade, ganharam o benefício e o inferno das dúvidas. E. L. James tem a resposta para todos esses males: não enxergue cores, atenha-se ao cinza e viva uma vida Bombril.

Diana Corso escreve quinzenalmente neste espaço.

Editorial| O DESBLOQUEIO DO PAÍS

28 de fevereiro de 2015 1

EditorialsabNo dia em que a presidente Dilma Rousseff inaugurou o parque eólico de Geribatu, em Santa Vitória do Palmar, um dos eventos programados pelo governo para reverter a agenda negativa do país, o confronto entre forças policiais e caminhoneiros na cidade gaúcha de Três Cachoeiras acabou se impondo como fato principal no noticiário nacional ao lado do bloqueio da Via Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro. Mesmo com decisões judiciais e operações policiais, o protesto dos condutores de caminhões interrompeu o trânsito ontem em dezenas de rodovias de pelo menos sete Estados, incluindo Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O momento de radicalismo é preocupante, agravado pela imprevisão do governo federal e por sua inaptidão para o diálogo. Surpreendido pelo movimento, o Palácio do Planalto tentou primeiro atribuir-lhe conotação política e, tão logo começou a negociar, precipitou-se em dizer que a situação estava controlada. Não está. As interrupções de estradas continuam causando prejuízos irreparáveis à população, notadamente a setores da economia que trabalham com produtos perecíveis, como hortifrutigranjeiros e leite.
Para sair do imobilismo, o governo precisa agir com energia e sensibilidade em duas frentes. Primeiro, tem que providenciar o desbloqueio imediato das rodovias de forma civilizada mas firme, tratando extremistas e desordeiros como devem ser tratados, para que os profissionais responsáveis possam decidir serenamente se querem ou não participar dos protestos. Ao mesmo tempo, tem que intensificar as negociações e oferecer aos caminhoneiros condições dignas de trabalho, já que a atividade ficou praticamente inviabilizada com o reajuste dos combustíveis, os pedágios caros e o baixo preço dos fretes.
Na verdade, o Planalto está sendo desafiado a desbloquear o país, não apenas desobstruindo estradas, mas também promovendo os ajustes econômicos necessários e fazendo as concessões possíveis a setores que precisam de ajuda. No dia em que celebrou vento de Santa Vitória do Palmar como fonte de energia limpa e barata para ajudar no combate à atual crise hídrica, a presidente Dilma evitou tocar nas outras mazelas que atormentam o país _ a crise ética evidenciada pelo escândalo da Petrobras, a crise econômica evidenciada pela inflação e a crise política evidenciada pelo instável apoio parlamentar. Ainda assim, até mesmo os manifestantes que pedem a sua saída devem torcer para que ela acerte nas suas decisões, pois, como disse o filósofo Sêneca, se o comandante não sabe para onde ir, nenhum vento lhe será favorável.

 

 

Artigo| É PRECISO DESATIVAR O CENTRAL

28 de fevereiro de 2015 0

CARLOS ETCHICHURY

Jornalista, editor-chefe do Diário Gaúcho
A desativação do Presídio Central, prometida há 20 anos, é a ação concreta mais sensata que um governo pode tomar para reduzir a violência no Estado e aumentar a sensação de segurança entre os gaúchos.
Colocar PMs nas ruas e aumentar a capacidade de investigação da Polícia Civil são paliativos no combate à criminalidade diante das consequências de uma prisão que nos coloca no século 19. É mais do que simbólico acabar com um monumento à incivilidade edificado no coração do bairro Partenon, em Porto Alegre.
Você, caro leitor, talvez não perceba, mas o que acontece naquela masmorra patrocinada pelo Estado _ cenário de torturas, estupros, rebeliões e execuções, que abriga 4 mil homens em pavilhões projetados para receber 2 mil detentos _ tem relação direta de causa e efeito com a criminalidade nas ruas.
A fatura da incompetência dos burocratas do turno somada ao desapreço pelos direitos humanos é apresentada, todos os dias, em forma de assassinatos em áreas dominadas pelo tráfico, toques de recolher em comunidades periféricas, assaltos em bairros de classe média e aumento do roubos de veículo.
Por que isto ocorre? Não precisa ser gênio para perceber o óbvio: há uma espiral de brutalidades, que se inicia com o ingresso na cadeia superlotada, passa pela ausência do Estado na gestão da prisão (facções criminosas dominam galerias, determinam onde alguém irá permanecer de forma provisória ou cumprirá a pena aplicada pela Justiça, vendem e autorizam o consumo de drogas, coordenam o uso de aparelhos celulares, aplicam punições exemplares), se agrava com a falta de condições mínimas para que um prisioneiro seja mantido sob custódia (do papel higiênico ao colchão, tudo é negociado no cárcere) e respinga em milhares de mães e filhos de criminosos, obrigados a frequentar uma pocilga para visitar seus afetos.
A consequência objetiva desse roteiro macabro é que alguém, longe das grades, financia aquele moedor de carnes praticando todo tipo de delitos. A Grande Porto Alegre, por exemplo, com seus 1.442 homicídios registrados no ano passado (cerca de 70% das mortes têm relação com acerto de contas ou com o tráfico de drogas), é a 37ª região metropolitana mais violenta do mundo, de acordo com o levantamento da ONG mexicana Seguridad, Justicia y Paz.
Diante do óbvio, é desalentador ouvir representantes do governo Sartori justificando, e até defendendo, a existência do Central. Até quando?

Artigo| BEM-VINDO ANO LETIVO

28 de fevereiro de 2015 1

CLECI MARIA JURACH

Secretária da Smed
No dia 2 de março, se iniciará o ano letivo 2015 na rede municipal de ensino de Porto Alegre. Uma rede que aposta na qualificação de seus professores; na ampliação da oferta de atividades no turno inverso, dentro da política de Educação Integral, e na melhoria física de espaços. A Secretaria Municipal de Educação (Smed), ao dar as boas-vindas a professores, monitores, alunos, funcionários e comunidade, deseja um ano de intensa aprendizagem, criatividade e saudável convivência.
Reitero que cada dia de aula deve representar um dia de transformação e de construção. Nossas ferramentas pedagógicas mostrarão caminhos novos. São eles que nos fazem pensar e inovar diferentes práticas. O aprendizado vem acompanhado de imensos desafios, que, ao longo do ano, vão sendo vencidos e substituídos por novos. Isso nos move, nos faz buscar alternativas e nos capacita a nos sentirmos parte de uma sociedade que almeja justiça social e conhecimento.
Na Capital, o ano de 2015 começa com a nomeação de mais 135 professores para as áreas de Educação Infantil e Ensino Fundamental; mais 68 monitores que atuarão junto aos professores, garantindo a inclusão de qualidade de alunos com necessidades especiais; além de 18 nutricionistas, que irão somar-se aos servidores municipais.
A rede é formada por 96 escolas, com previsão de inauguração de mais cinco, entre Educação Infantil, Ensino Fundamental e instituições conveniadas. Somos mais de 4 mil professores e 900 servidores atendendo cerca de 50 mil alunos. Este ano marcará a aprovação do Plano Municipal de Educação (PME), objeto de debate nas escolas. O texto-base do PME se referencia no alinhamento com as diretrizes expressas no Plano Nacional de Educação (PNE).
A integralização de nossas escolas faz parte do avanço qualitativo da rede. Em 2014, 62 turmas foram atendidas, cerca de 1.550 alunos. Neste ano, o número de turmas integralizadas saltará para 94, atingindo 2.350 alunos, com atendimento de professores da rede. Um novo ano letivo começa para continuarmos fazendo a diferença.

Artigo| INFORMAR COM RESPONSABILIDADE É POSSÍVEL?

28 de fevereiro de 2015 0

BALALA CAMPOS

Jornalista

Li três vezes a manchete de Zero Hora do último sábado. Não acreditava no que via… Obra em dia e a custo menor? Até que me convenci do inusitado: a imprensa dava, sim, com grande destaque, uma notícia positiva, abordando a ampliação do Hospital de Clínicas, na contramão da avalanche das manchetes negativas. Escândalo, obras paradas, grandes crimes contra o dinheiro público, aumentos abusivos de preço dos serviços, falta de água, de energia e previsões catastróficas para 2015 estão presentes há meses, todos os dias, sempre em manchete. E eis que novamente, na terça-feira (24), outra manchete positiva: Produção de grãos deve injetar R$ 122 bilhões na economia gaúcha. Será que o cidadão percebe e valoriza essas notícias no meio do mar de escândalos da Petrobras e outros?
A imagem de um país se faz através da exposição dos fatos. E a imprensa tem o dever de informar o que se passa. Mas, vivendo de audiência, os veículos da mídia tradicional valorizam o que dá mais ibope, seja na leitura, seja na mídia eletrônica, e pesquisas indicam que notícias de catástrofes, crimes e tragédias de toda a ordem fazem mais sucesso.
A reflexão, entretanto, nos dias atuais, deveria ir mais adiante. Será que informar por informar é o valor maior? Ou a informação também deveria estar a serviço de maior cidadania, maior consciência e quem sabe poderia servir para despertar alguma atitude nos brasileiros, seja de engajamento sociopolítico, de indignação, de vontade de mudar? A overdose de más notícias não tem despertado mais do que conversas e ti-ti-tis dos cidadãos apontando as mazelas de seu país, numa espécie de letargia e total desesperança. Fica a pergunta: a imprensa deve dar apenas o que o povo quer? Tudo pela audiência? Ou os meios de comunicação poderiam contribuir para um país melhor? Até que ponto existe responsabilidade além da informação pura e simples?
Num mundo de overdose de mídias sociais, onde cada cidadão pode ser produtor e propagador de informações, o papel da mídia tradicional, mais do que nunca, é de enorme responsabilidade. A escolha, a edição, o critério e os propósitos da informação deveriam ser repensados.

Editorial| PACOTE DE REGALIAS

27 de fevereiro de 2015 5

Editorial27O pacote de vantagens para parlamentares anunciado nesta semana pelo presidente da Câmara Federal causa compreensível indignação nos demais brasileiros no momento em que a inflação dispara, os preços sobem e todos se veem na contingência de apertar os cintos. Por mais que se queira valorizar o Legislativo como poder indispensável para o funcionamento da democracia, não há como deixar sem crítica tamanha insensibilidade. Fazem parte dos benefícios anunciados pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) o famigerado auxílio-moradia, o aumento da verba de gabinete, a Cota para Exercício da Atividade Parlamentar e a liberação de passagens aéreas para cônjuges de deputados _ que custarão R$ 112,7 milhões aos cofres públicos, apenas neste ano.

As novas medidas entrarão em vigor emblematicamente no dia 1º de abril _ data folclórica, que evidencia ainda mais o descompasso entre os cidadãos que pagam impostos e os políticos que os representam. Debitar na conta do contribuinte as passagens para maridos e esposas soa tão acintoso, que parlamentares de vários partidos já anunciaram que abrirão mão da prerrogativa.
Garante Eduardo Cunha que não está havendo reajuste, mas apenas correção inflacionária para que os parlamentares possam pagar condignamente os servidores de seus gabinetes. Cada deputado passará a contar com R$ 92 mil mensais para contratar e pagar funcionários. Tal argumentação até poderia ser aceita se o país não estivesse passando por uma crise econômica, em que todos os setores da sociedade estão sendo chamados a adotar medidas de austeridade. O mandato não pode ser utilizado para livrar seus portadores do sacrifício coletivo.

O pacote de vantagens para parlamentares anunciado nesta semana pelo presidente da Câmara Federal causa compreensível indignação nos demais brasileiros no momento em que a inflação dispara, os preços sobem e todos se veem na contingência de apertar os cintos. Por mais que se queira valorizar o Legislativo como poder indispensável para o funcionamento da democracia, não há como deixar sem crítica tamanha insensibilidade. Fazem parte dos benefícios anunciados pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) o famigerado auxílio-moradia, o aumento da verba de gabinete, a Cota para Exercício da Atividade Parlamentar e a liberação de passagens aéreas para cônjuges de deputados _ que custarão R$ 112,7 milhões aos cofres públicos, apenas neste ano.
As novas medidas entrarão em vigor emblematicamente no dia 1º de abril _ data folclórica, que evidencia ainda mais o descompasso entre os cidadãos que pagam impostos e os políticos que os representam. Debitar na conta do contribuinte as passagens para maridos e esposas soa tão acintoso, que parlamentares de vários partidos já anunciaram que abrirão mão da prerrogativa.
Garante Eduardo Cunha que não está havendo reajuste, mas apenas correção inflacionária para que os parlamentares possam pagar condignamente os servidores de seus gabinetes. Cada deputado passará a contar com R$ 92 mil mensais para contratar e pagar funcionários. Tal argumentação até poderia ser aceita se o país não estivesse passando por uma crise econômica, em que todos os setores da sociedade estão sendo chamados a adotar medidas de austeridade. O mandato não pode ser utilizado para livrar seus portadores do sacrifício coletivo.