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Interativo| Editorial defende a gestão compartilhada nas escolas. Você concorda?

19 de fevereiro de 2015 11

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.

Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

 

Editorial InterativoPara participar, clique aqui.

O DESAFIO DA GESTÃO ESCOLAR

    Na semana da volta às aulas, poucas escolas da rede pública reúnem as condições ideais para um aprendizado de qualidade: instalações adequadas, salas organizadas e limpas, equipamentos funcionando, contas em dia, quadro docente completo, professores e funcionários motivados, comunidade participativa _ e, principalmente, alunos aprendendo. O que ocorre no Brasil, quase como regra geral, é o oposto disso: instalações deficientes, trabalhadores mal remunerados e desmotivados, famílias ausentes e a já tradicional falta de professores para todas as disciplinas. Neste contexto bem conhecido, um personagem torna-se especialmente importante para promover transformações: o diretor de escola. São múltiplas as suas responsabilidades. Cabe a ele, entre outras atribuições, gerenciar docentes, coordenadores, orientadores e funcionários; prestar contas à comunidade, identificar as necessidades da instituição, fazer o meio-campo com a Secretaria de Educação, comandar o projeto político-pedagógico, acompanhar a aprendizagem, estimular seus companheiros de direção e manter comunicação com os pais de alunos, atraindo-os para o processo educacional. Mais do que um diretor, ele precisa ser um gestor _ comprometido, atualizado, preparado para o seu importante papel. Dá para exigir tal desempenho de servidores que sequer receberam formação suficiente para o cargo que exercem, quando se sabe que eles geralmente são mal remunerados e pouco apoiados? Certamente não, mas todos os envolvidos no processo educacional podem contribuir de alguma maneira para que o diretor de escola centralize a transformação que a educação brasileira precisa para se qualificar. Claro, cabe a ele promover uma gestão compartilhada, exercendo sua liderança em conjunto com professores, alunos, funcionários e pais, para atrair participação e envolvimento. Mas esta relação tem que ser de mão dupla: sem ajuda e sem demanda compatível com as possibilidades de atendimento, até mesmo gestores eficientes tendem a se acomodar. Então, em tempo de volta às aulas, é importante que cada brasileiro se coloque no lugar de um diretor de escola _ e descubra o que pode fazer para ajudá-lo a administrar o futuro do país.

Comentários (11)

  • Luís diz: 19 de fevereiro de 2015

    Terá sido mera coincidência este editorial, justamente quando o MEC veicula propaganda nos veículos de comunicação divulgando sua intenção de promover curso de aperfeiçoamento dos diretores de escolas ?

    E por que o editorial não tocou na palavra “mérito”, e tampouco, da necessidade de se ter diretores escolares imunes às indicações políticas ? Nos países civilizados, os diretores de escolas são contratados como executivos, recebem um plano com metas e prazos e, caso não atinjam estas metas, são demitidos como qualquer profissional.

  • Décio A. Damin diz: 19 de fevereiro de 2015

    Creditar ao diretor e aos pais a responsabilidades de resolver as deficiência na educação não é justo! Elas decorrem da incúria governamental que só a prioriza, como alardeia, para reconquistar a popularidade que perdeu por sua propria inépcia! Valorizar os professores, principalmente os das séries iniciais onde se aprende o básico, é fundamental. A direção é importante para orientar os rumos da escola com a participação dos pais que, apesar da educação deficiente que receberam, podem, pelo desejo de sucesso dos filhos, colaborar, com suas boas intenções. ” A educação não é prioridade no Brasil”, esta é uma verdada doída que temos que admitir para começar a mudar e, para em 10 ou 15 anos, começar a colher os frutos do que plantarmos hoje

  • Milton Ubiratan Rodrigues Jardim diz: 20 de fevereiro de 2015

    E lá vem o governo novamente distribuindo responsabilidades que somente a eles cabem, só que desta vez eles querem que os pais também ajudem os filhos na escola. Se os professores e os diretores não são capazes de desenvolverem suas tarefas, entreguem seus cargos e vão trabalhar onde lhes convém, e o governo cobre do responsável o que lhe é devido. Se tiver autoridade e competência para isso, é claro!

  • Bastião diz: 20 de fevereiro de 2015

    Cabe ao governo federal, que leva a maior fatia da arrecadação, militar a favor da alteração das competências na educação, ampliando a sua atuação na educação de base, encampando ensino fundamental e médio, que andam sucateados pelo estrangulamento de recursos que passam os estados e municípios. A revisão do pacto federativo pode se dar também na redistribuição de competências.

  • Teo Halfen diz: 20 de fevereiro de 2015

    Sou professor de escola pública e vejo isso todo o dia… O poder público não tem interesse em dar uma escola de qualidade ou um sistema de saúde adequado… Querem uma educação de qualidade? Que o Estado cobre menos impostos, deixe as pessoas ganharem mais e colocarem os filhos onde os pais quiserem… Não um sistema em que os professores devem mais satisfação à burocracia que aos pais e alunos… Para o prefeito, para o governador, pouco importa se os alunos estão aprendendo, interessa é dizer que “dão” educação só para continuarem cobrando mais de 50% de impostos sobre tudo…

  • Rudimar dos Santos diz: 20 de fevereiro de 2015

    Sr. Milton Ubiratan Rodrigues Jardim. Primeiramente é necessário entender o papel da família e da escola. A educação é papel da primeira, enquanto a instrução é papel da segunda. Existem sim, alguns diretores e professores incompetentes, como existem médicos, enfermeiros, advogados e em todas as profissões. Mas a grande maioria é gente comprometida com faculdade, pós-graduação e outros cursos de aperfeiçoamento. O que precisamos é de pais responsáveis que de fato eduquem seus filhos e não terceirizem esta tarefa.
    Obs: Não sou diretor de escola. É importante conhecer a realidade antes de tecer qualquer comentário que deprecie uma categoria.

  • Magnus Cesar Ody diz: 20 de fevereiro de 2015

    Concordo. Realmente os diretores tem enfrentado inúmeros desafios na gestão. Em muitos casos a energia é aplicada na resolução de problemas, dificultando o trabalho administrativo e pedagógico. Acredito ser fundamental o apoio da comunidade escolar para uma gestão de qualidade, inovadora e preocupada com a educação dos nossos filhos. Um bom diretor faz a diferença.

  • Milton Ubiratan Rodrigues Jardim diz: 20 de fevereiro de 2015

    Sr. Rudimar dos Santos: Admiro quem cursa uma faculdade e dedica-se de corpo e alma à sua profissão, mas o que editorial quer dizer é que os diretores de escolas não tem competência, e precisam da ajuda dos pais para concluírem seu trabalho. É o que nos dá a entender. Boa Tarde e um abraço!

  • Alberto diz: 20 de fevereiro de 2015

    Para começar a discutir o tema, penso que está mais do que na hora de acabar com gestão feita por professor(a) da própria escola. A ditadura militar teve como consequência que os professores agissem para se fazerem representar na direção das escolas através do voto direto para evitar a influência ideológica e de poder, danosa ao ambiente escolar, que seria feita com “escolhidos terceirizados” pelo poder daqueles tempos. Mas esse tempo já se foi, o que vivemos hoje é um marasmo cheio de vícios com essa situação, uma democracia que não funciona. Escolher um diretor votado democraticamente entre os próprios professores e alunos não tem mais cabimento, pois ainda assim corrompido por ideologias e pessoas incompetentes ao cargo (em termos administrativos). Está mais do que na hora de se perceber que professores concursados existem para assumir carreira de magistério, não cargos administrativos em escolas, não para cuidar da merenda nem bibliotecas. Urge termos gestores administrativos independentes, concursados, para funções administrativas nas escolas, com cargo e responsabilidades bem claras, que não vai criar “panelinhas” ideológicas ou de amizade, beneficiando uns ou outros, que vai cobrar horário, que não teria medo de levar adiante a ideia de fazer avaliação profissional dos professores e exigir compromisso e eficiência. Quando gestão e corpo docente se confundem, não só está acontecendo desvio de função real como se abre a chance de nada mudar (para melhor) porque estão com hábitos e vícios encastelados, que fazem muito mal à escola e à educação. Está mais do que na hora de gestão administrativa eficiente capacitada pela formação profissional.

  • Jorge Luiz Rui Dias diz: 20 de fevereiro de 2015

    Não sei se é pura coincidência da Zero Hora fazer este debate tendo em vista que o MEC começou a fazer uma consulta publica através do “Diretor Principal” para realizar a criação de um programa para os Diretores de Escola. Este programa já deveria existir há muito tempo, pois para quem acompanha a Educação há décadas, os diretores de escola, antigamente eram nomeados pelos governos através de indicação que na maioria das vezes eram politicas, isto gerou muitas injustiças com os professores que lecionavam nas escolas. Quando as eleições democráticas para escolha dos diretores foram colocadas em práticas, onde votam os professores, funcionários de escola, pais e alunos, estas injustiças acabaram, pois a comunidade começou a participar da escolha, os professores e funcionários passaram a participar também. Ao meu ver o que falta é o estado criar condições para que os diretores tenham uma boa gestão na escola. Hoje o diretor de escola assume uma escola sem preparo nenhum da burocracia do estado, ele tem sobre a sua responsabilidade Recursos Humanos, Administrativo, Financeiro, Pedagógico, Manutenção da Escola, Merenda, Segurança, Autonomia, Licitação, Programas do Governo Federal (Mais Educação, FNDE, etc). Também tem a alimentação dos alunos que na maioria da vezes vão para escola só para se alimentar porque não tem o que comer em casa. Além de tudo isto ser criativo (rifas, sorteios de brindes, doações, etc) para criar condições ter uma arrecadação para dar presentes aos alunos nas datas especiais como Pascoa, Dia da Criança, Natal, onde a criança talvez receba só este presente porque vive numa comunidade extremamente miserável e fazendo tudo isto os recursos são escassos. Ele também tem que ser malabarista para equilibrar o corpo docente, porque também tem o lado emocional e psicológico, sendo que o quadro do magistério tem mulheres e homens que também possuem filhos, e ao mesmo tempo tem que lidar com alunos que não tem uma boa base familiar, os diretores e professores acabam fazendo este papel chegando a denunciar nos conselhos tutelares, maus tratos, abandono de incapaz, violência familiar, abusos sexuais dentro do ambiente familiar. Ele também é vitima de violências, ofensas, ameaças, por alunos e famílias e para completar é mal remunerado. E tem pessoas que ainda acham que é fácil a vida de um diretor e professor, dizer que um professor não tem competência para ocupar um cargo de diretor de escola e que vá procurar outra coisa para fazer é muito fácil. Para ser professor, tem que ter vocação, gostar daquilo que faz e não por opção.

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