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Artigo| DR. JEKYLL E MR. HYDE ESTÃO NAS REDES

30 de maio de 2015 1

Marcelo Rech blogMARCELO RECH

JORNALISTA DO GRUPO RBS
marcelo.rech@gruporbs.com.br

O ministério do bom senso adverte: excesso de rede social faz mal. Se você passa metade de seu dia atualizando perfis, replicando conteúdos de terceiros ou despejando comentários sobre comentários enfurecidos sobre tudo e todos, é hora de refletir: qual o legado desta atividade para a civilização, quanto de conhecimento útil e conteúdo original está sendo produzido e, no fundo, quanto isso está opilando ou desopilando seu fígado?
Transito por redes sociais desde que elas se chamavam BBS (seu avô tecnológico deve lembrar) e rodavam em carroças com impressionantes 512 kb de memória RAM. Passei pelos grupos de discussão, pelo Geocities, MySpace e o finado Orkut. Como se vê, rede social é um fenômeno digital antigo, embora com um conceito sempre renovado: conectar pessoas, reforçar laços, transformar o planeta em uma gigantesca e vibrante praça pública.
As redes foram e serão cada vez mais transformadoras e definidoras de um novo mundo, e isso é espetacular. Tenebroso é quando elas sugam os cérebros e a vida real que deve ser vivida lá fora. Ou seja, usadas com moderação e discernimento, mídias sociais são um elemento agregador e enriquecedor na vida de qualquer pessoa. Já o uso abusivo e irresponsável, como ocorre com a velocidade, açúcar ou álcool, se converte em vício destruidor. O usuário perde a noção, e, como se fora um doutor Jekyll em bits e bytes, passa a sofrer de um transtorno que transmuta doces avozinhas ou sensatos pais de família em serial killers digitais, dispostos a fuzilar impiedosamente reputações alheias e opiniões contrárias.
As mídias sociais aceleraram a difusão de informação (o Twitter é extraordinariamente eficaz neste sentido), mas também se tornaram a ponta-de-lança da desinformação. Sem filtros de qualidade e credibilidade, sem hierarquia e sem critérios de checagem de veracidade, boa parte do território virtual virou um ringue no qual o vale-tudo se aproveita da boa-fé dos usuários para espalhar invencionices e teorias conspiratórias. Quando se trata de fisgar a atenção dos incautos com o recurso de conteúdos BBB (a popular trinca “bichinhos, bizarrices e bumbuns”) os danos são causados apenas aos intelectos. Mas quando as desinformações atingem a economia e a política ou se somam ao discurso do ódio entre povos, religiões e valores distintos, a cizânia erode a sociedade e instala o retrocesso social. O antídoto para a desintoxicação é dar menos importância às redes, ir ler um bom livro ou apenas tomar um vento no rosto. A humanidade e você sairão ganhando.

Comentários (1)

  • Magda Lúcia Grasselli diz: 3 de junho de 2015

    Concordamos com a opinião de sair para passear e tomar um vento e sol na cara, pois faz mal aos estudos dos alunos que não conseguem se desligar das redes sociais em seus celulares. Na nossa escola, já lemos livros na atividade de livro do mês. Somos do 6º ano da E. E. E. Fundamental Wolmar Antônio Salton – Escola de Tempo Integral – Passo Fundo

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