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Artigo| TAXISTAS X CLANDESTINOS

30 de maio de 2015 0

Flavia MoaresFLAVIA MORAES

Cineasta
flavia.moraes@gruporbs.com.br
Naquele dia, o trânsito em São Paulo estava pior, como se fosse possível o pior piorar ainda mais. O rádio informava que 400 motoristas de táxi tinham saído em uma carreata que parou a cidade em protesto ao UBER.
Trancada na marginal, ouvi a declaração do presidente da Associação Brasileira das Associações e Cooperativas de Táxi: “Nós somos contra o transporte clandestino de passageiros. São carros particulares prestando serviço de táxi, o que a legislação não permite.”
As fotos na internet, mostravam os motoristas vestidos com coletes azuis onde se lia “TAXISTAS VERSUS CLANDESTINOS” e também não faltavam cartazes: “DILMA, ACABA COM ELES”, “FORA UBER!!!”, “O TÁXI É REGULAMENTADO PELA PREFEITURA, QUEM REGULAMENTA O UBER?”
A empresa rebateu dizendo que “acredita que os brasileiros devem ter assegurado o seu direito de escolha para se movimentar pelas cidades”. E que não é uma empresa de táxi, muito menos fornece este tipo de serviço, e sim uma empresa de tecnologia que criou uma plataforma que conecta motoristas parceiros particulares a usuários que buscam viagens seguras e eficientes e que, portanto, a questão do fora da lei é discutível.
A verdade é que falar de regulamentação hoje no Brasil virou uma grande piada, infelizmente de muito mau gosto. Se por regulamentado entende-se um mercado negro de licenças vendidas com ágio e que ainda coloca nas ruas alguns táxis caindo aos pedaços e motoristas tão perigosos quanto, então, por favor, eu quero sim um carro clandestino!
Isso me faz lembrar dona Rosa, que trabalha comigo e que também é uma espécie de presidenta da Associação Brasileira das Associações dos Maranhenses em São Paulo. Os maranhenses usam um serviço clandestino de ônibus que chamam de… Clandestino, claro.
O Clandestino chega sempre num lugar secreto e num horário incerto, divulgado apenas nos celulares dos seus usuários só no finalzinho da viagem. Ele vem carregado de gente, peixe frito e “jussara”, como eles chamam, o açaí. Por que usam o Clandestino? Porque todos se conhecem, é mais barato e funciona. Os maranhenses devem vir de São Luís a São Paulo comendo peixe, bebendo açaí e se divertindo com os amigos.
De volta ao UBER, quero dizer que sou cliente já há algum tempo. Meu cadastro foi feito em L.A. e uso o mesmo serviço em qualquer lugar dos Estados Unidos e em outros países, inclusive no Brasil. Os carros são impecáveis e têm até amortecedor! Os bancos, sempre de couro, são limpos e os motoristas não só abrem a tua porta e te ajudam com a bagagem, como dizem bom dia, até logo e muito obrigado.
Além disso, você não toca em dinheiro, seu cartão de crédito já foi cadastrado e você sai do carro sem precisar abrir a bolsa para pegar a carteira e, consequentemente, deixar cair o celular. O recibo e o mapa mostrando o valor e o percurso vêm via e-mail e é perfeito para você controlar as suas despesas.
Além disso, você avalia o motorista e vice-versa. Motoristas que recebem pontuação baixa mais de três vezes perdem a licença e, imagino, os maus passageiros também.
Meu artigo de hoje até parece matéria paga, certo? Mas não vendi a coluna, não; não sou sócia do Uber, aliás, quem me dera, nem tenho nenhuma vantagem com esse texto a não ser defender a modernização de serviços e qualquer sistema inteligente que melhore a minha qualidade de vida.
Estamos vivendo um tempo em que a tecnologia pode, sim, fazer uma grande diferença, mas precisamos nos desprender de velhos modelos que já não têm mais sentido e que agonizam protegidos por discursos corporativistas e enferrujados.
Pense por um minuto: 60% das profissões e das marcas que conheceremos em 2020 ainda não existem!! Ou seja, acorde, reinvente-se!!! Qualquer pessoa pode e deve inovar. Em Porto Alegre, esse é um assunto crítico, inovação também é, mas estou falando de transporte público.
A nossa frota de táxi, com honrosas exceções, é tosca! Alguns carros não têm sequer a espuma do banco e, no lugar do estofamento, eles trazem uma capa que mais parece um cativeiro de ácaros. E você vai entre eles, os ácaros, ouvindo aquela voz anasalada no rádio, recitando nomes e endereços numa espécie de rap do inferno.
E pensar que há poucas semanas, quando entrei num carro preto em L.A., o motorista ouvia Sharon Jones, exatamente a música que tocava antes de eu sair de casa. Não foi coincidência, os caras estão lançando uma tecnologia que te permite seguir ouvindo o teu playlist do Spotfy durante a viagem. Ou seja: tudo é pensado para e pelo passageiro.
Por sorte, novas empresas estão entrando no mercado e se propõem a oferecer um serviço melhor. Se você é motorista, informe-se. Se é passageiro, faça um cadastro e prestigie, pois elas só ganham se você usar o aplicativo e pagar on-line.
Quer saber outro capítulo da série CARROS BRANCOS X CARROS PRETOS?
No Unique, em São Paulo, rolou uma festa bacana e todos os bacanas da cidade pediram um carro executivo, afinal, não só é chic descer de um flamante carro preto, como é melhor ainda poder beber à vontade sem colocar em risco a vida de ninguém.
Naquela noite, todos os motoristas do UBER estavam ocupados. Na tentativa de estragar a festa, um grupo de taxistas bloqueou com seus carros a rua que dá acesso ao hotel e ameaçava qualquer carro preto com chaves de roda e tacos de beisebol. As pessoas foram obrigadas a descer dos carros e caminhar até o Unique. Mas, na saída, ninguém usou os táxis brancos.
A carreata de táxi, que resultou semanas depois em uma interdição dos serviços dos carros executivos por alguns dias, acabou sendo uma grande campanha de lançamento do Uber em São Paulo. Naquele dia. milhares de pessoas se perguntavam: “Que raios é Uber? “A” Uber ou “O” Uber??
Centenas experimentaram o serviço pela primeira vez. A ou O UBER bateu record de chamados. Assim funciona o novo mundo.

Flavia Moraes escrevemensalmente neste espaço

 

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