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Editorial| O DILEMA DA PREVIDÊNCIA

17 de junho de 2015 0

EdiPerdurou tanto tempo a injustiça do fator previdenciário que agora os sindicatos, respaldados por parlamentares indispostos com o governo, exigem do Planalto a submissão a uma mudança com potencial para inviabilizar o sistema em poucos anos. A fórmula 85/95, como alternativa ao fator, tem a legitimidade da maioria do Congresso, pois foi aprovada em plenário depois de anos de debate. Mas isso não significa que deva ser absorvida sem questionamentos, pelo governo e pela sociedade, ou seremos reféns de todas as deliberações legislativas. É o que fica claro nesse caso.
Todos os analistas da previdência são unânimes em assegurar que a fórmula, com a combinação de tempo de serviço e idade, acelera a inviabilização da previdência, com consequências para quem já se aposentou e para os que ainda irão se aposentar. Todo o ganho imediato será consumido mais adiante pelo déficit. Não há exagero nas projeções feitas por analistas, segundo as quais o governo não terá como administrar o rombo que será acumulado.
São justas as interrogações sobre a gestão da previdência e eventuais desvios de recursos para outros fins, mas a simples eliminação do fator não resolve as insuficiências de um fundo que já não dá conta das atuais demandas. Em um futuro muito próximo, o atual modelo, mesmo sem a mudança aprovada, estará diante de um impasse já em construção. O número dos que trabalham estará cada vez mais distanciado das necessidades do contingente dos que deixaram de trabalhar. É um dilema mundial, que chegou ao Brasil e exige soluções criativas e sensatas. As centrais sindicais cumprem a função de reivindicar uma aposentadorias mais justa para seus associados, mas devem limitar seus apelos ao limite do razoável. E esse limite impõe que a Presidência da República vete a mudança, considerando-se a situação da previdência e a realidade do país.

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