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Posts de junho 2015

Artigo| TODOS ENVELHECERAM

27 de junho de 2015 4

moises

 

 

 

 

MOISÉS MENDES
Jornalista
moises.mendes@zerohora.com.br

 

O PT já estava ficando velho, mas só ganhou rugas profundas na manhã de 19 de julho de 2005, uma terça-feira. Lula chamou Olívio ao Palácio do Planalto e o avisou da decisão dolorosa. Olívio deveria ceder o Ministério das Cidades a Márcio Fortes de Almeida, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento e apadrinhado do PP.
Só os mais próximos sabiam quem era o escolhido, protegido do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti. Fazia-se o sacrifício em nome da governabilidade, em meio aos furacões da CPI do mensalão.
Não foi exatamente ali que o petismo começou a virar outra coisa. Mas ali, quando Olívio se viu trocado pelo protegido de Severino (lembram dele?), tudo poderia acontecer. E aconteceu. Foi naquele inverno de exatos 10 anos atrás.
O que Lula disse no início da semana passada todos já haviam dito. Só que agora é Lula quem admite que o PT envelheceu e virou um partido em que todos brigam por cargos. “Temos que definir se queremos salvar nossa pele e os nossos cargos ou se queremos salvar o nosso projeto”, disse Lula.
Já em 2005, Olívio entregou o cargo para que o governo tentasse salvar a pele. Ampliaram-se as alianças. Os partidos velhos, novos, grandes, os médios, os sanguessugas, nanicos variados, conservadores à direita da direita religiosa, que já constrangiam petistas históricos e a classe média militante desde a eleição de 2006, lotaram a coalizão.
Eu estava em Brasília naquele 19 de julho, para cobrir a CPI do mensalão, e não a demissão de Olívio, que surpreendeu os próprios  governistas. Fui com os colegas Carolina Bahia e Klécio Santos ao Ministério das Cidades. Os corredores transpiravam desolação e constrangimento.
Um dos 12 avalistas da carta de fundação do PT em 1980 era mandado embora para dar lugar a um contumaz ocupante de funções subalternas desde o governo Collor. O pepista saiu do terceiro time para virar ministro no lugar de Olívio.
Os acertos eram fechados com o aval de José Janene, deputado do PP do Paraná, que estaria mais tarde na origem das investigações da Lava-Jato. Janene, compadre e cúmplice do doleiro Youssef, morreu em 2010.
Depois disso, Lula se reafirma como instituição acima do partido. O lulismo substitui o petismo e passa a ser sustentado eleitoralmente pelo que antigamente se chamava de proletariado. A classe média abandona as bandeiras que davam charme ao partido. O lastro eleitoral é então o da nova classe média. O fenômeno se completa em 2006 e se consolida em 2010 e 2014.
O grande projeto é a inclusão social. O país e os pobres prosperam. Mas a ressaca começa a pegar Dilma e se agrava com o refluxo da corrupção da Lava-Jato. O desencanto que Lula manifestou no início da semana já existia há pelo menos uma década. Era camuflado pela prosperidade.
O dilema do partido que ficou velho talvez nem seja o de como reconquistar a classe média dita progressista e há muito desencantada. Nem o de mobilizar uma esquerda encabulada e silenciosa. Mas de convencer os incluídos socialmente de que o projeto lá do começo só pode continuar sob o lulismo.
Não foi só o PT que virou outra coisa. O antigo pobre do começo do século 21 tem outras demandas. Lula e o PT são desafiados a entender as inquietações dessa gente que nem a ciência política sabe enquadrar direito. O incluído pelo lulismo ao consumo, ao emprego, à universidade e às viagens a Miami está pronto para se aliar à antiga classe média e se jogar nos braços de quem estiver por perto. Até a nova classe média ficou velha.

Artigo| L'ARMATA DIGITAL

27 de junho de 2015 0

 

Flavia Moares
FLAVIA MORAES
Cineasta
flavia.moraes@gruporbs.com.br

 

Para meu amigo Eduardo Brancaleone

 

O Google me deve uma. Dia desses, consultei o oráculo para descobrir a origem de uma frase que ouvi a vida inteira: a união faz a força.
Eu procurava o nome de alguém que a tivesse proferido ou berrado numa batalha heroica em que, sei lá, l’armata Brancaleone vencia um poderoso exército sarraceno. Viajei e nada. Por isso, enquanto o Google busca um resultado, vou considerar Vittorio Gassman como o autor dessa que considero uma das frases mais inspiradoras de todos os tempos, principalmente do nosso. O mundo pós-revolução digital é da união, embora ainda haja tanta desunião mundo afora. As grandes transformações do mundo moderno têm origem no resgate desta velha lição e a colaboração é a sua síntese mais perfeita.
Anthony Williams e Don Tapscott, autores do livro Macrowikinomics, estão certos quando dizem que estamos num ponto de virada na história humana e que os contornos de um novo tipo de civilização são cada vez mais claros. Milhões de pessoas conectadas começam a forjar instituições alternativas e colaborativas que usam a web como uma plataforma para a inovação e a criação de valor. Você dirá: “viajou Flavia, a internet é um tsunami de fofocas, calúnias e banalidades”. Eu diria que você tem razão, mas que não tem toda a razão.
Não dá pra negar que a mídia social está se tornando uma nova e formidável rede de Produção Social que resulta da auto-organização de grupos que acreditam que a colaboração é capaz de mudar o mundo. Parece utopia? Só que não.
Segundo Williams e Tapscott, o modelo capitalista está quebrado e instituições que nos serviram bem por décadas ou até séculos, estão chegando ao fim do seu ciclo de vida. A velha economia industrial finalmente está ficando sem combustível e não há muita escapatória, precisamos reinventar. Da educação e ciência a novas abordagens para engajamento e democracia, novas iniciativas brilhantes já estão em curso, e com elas um novo conjunto de princípios para o século 21.
Quer alguns exemplos?
“Patients Like Me” é uma ferramenta pela qual 80.000 pacientes estão compartilhando seus dados, via crowdsourcing, para ajudar médicos, cientistas e a si próprios na busca de soluções inovadoras para a saúde.
No Quênia, “Ushahidi” uma plataforma de mensagens de texto criada para documentar a violência eleitoral cresceu tanto, que acabou sendo uma mão na roda para as equipes de emergência no terremoto do Haiti. E pasmem, foi adotada pela cidade de Washington para casos emergenciais de remoção de neve e até mesmo pela BBC durante a greve do metro em Londres.
Quer mais?
O GalaxyZoo já conta com 275.000 professores e alunos que trabalham para reinventar a ciência e a educação, e ajudam os astrônomos a descobrir e mapear novas galáxias. Do modelo industrial, onde os professores falavam e os alunos eram receptores passivos de conhecimento, estamos caminhando para um modelo de aprendizagem colaborativa, personalizado. Me pergunto se iniciativas como essa poderiam vencer a indiferença de grande parte dos brasileiros com nosso sistema educacional e mobilizar pais e mães para vaiar a decoreba e os currículos que ainda preparam os seus filhos para o passado.
Você pode achar que eu estou supervalorizando as engenhocas da revolução digital. Ao contrário, eu estou convencida que o grande barato do mundo atual não é a tecnologia, mas a mudança que ela tem provocado no comportamento das pessoas. O que está botando fogo no circo não é o Facebook e o Twitter, é a consciência de que não merecemos injustiça, fascismo e segregação. As mídias sociais não criam revoluções, elas foram criadas por uma nova geração que não quer mais ser tratada como idiota.
A mudança social está no ar, como nunca antes. O vídeo “Kony 2012″ (https://www.youtube.com/watch?v=LE_DgntYbpw) foi visto por mais de 100 milhões de pessoas em apenas uma semana, e, se por um lado, levou à incrível mobilização popular que forçou o Congresso dos Estados Unidos a participar da caçada a Joseph Kony – assassino asqueroso capaz de comandar um exército de crianças – por outro, levanta questões difíceis sobre as novas redes, sua prestação de contas, legitimidade, representação e liderança. Questões que não só as novas gerações precisam abordar, assim como todos nós.
A experiência com The Communication (R)evolution me ensinou a olhar o que está acontecendo no mundo como um processo de evolução. Apesar de todos os pesares, estamos nos tornando melhores. Pondere só por um instante: corruptos, racistas, homofóbicos, fundamentalistas decapitadores e outros personagens sombrios agora estão na vitrine. Sim, é um momento perigoso, mas fundamentalmente é um momento que permite e exige grandes mudanças. Enfim, podemos construir uma era de abertura, integridade, interdependência, união e compartilhamento.
Afinal, os sarracenos não estão com essa bola toda e Brancaleone está do nosso lado.
Vambóra?

SENTENÇAS

27 de junho de 2015 0

 

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“Eu sei que não vou morrer, porque de mim vai ficar, o mundo que eu construí, o meu Rio Grande, o meu lar.”

ANTÔNIO AUGUSTO FAGUNDES (NICO)
Gaúcho de todas as querências, autor do Canto Alegretense, falecido na última quarta-feira

Editorial| PARCERIA ESSENCIAL

27 de junho de 2015 0

A presidente Dilma Rousseff chega aos Estados Unidos neste sábado com a missão de resgatar a confiança dos norte-americanos no Brasil e fortalecer uma parceria econômica essencial para a recuperação do país. É um desafio e tanto, considerando-se a conjuntura nacional e as incertezas que as indecisões do governo vinham transmitindo aos investidores. É uma oportunidade também para que se inicie uma nova etapa nas relações com os americanos, quase dois anos depois de a presidente ter cancelado uma viagem a Washington em represália às denúncias de que organismos daquele país espionavam atividades governamentais e empresariais do Brasil.
Essa é uma questão superada. Importa que o governo de Barack Obama já enviou fortes sinais de que o tratamento à delegação brasileira será diferenciado. A comitiva ficará hospedada na Blair House, onde são acolhidos os visitantes considerados especiais. Mesmo que as principais medidas do governo brasileiro, no sentido de corrigir a rota da economia, ainda dependam da aprovação do Congresso para implementação, sabe-se que não só os americanos, mas investidores de outros continentes, têm percebido mudanças na conduta do Planalto. Essa é a mensagem que a senhora Dilma Rousseff e seu ministros, em especial o titular da Fazenda, devem levar a Washington.
Trata-se, portanto, muito mais do que uma missão da diplomacia. As autoridades brasileiras terão, em pelo menos quatro, a chance de conversar diretamente com empreendedores, em reuniões e seminários, e apresentar o mais recente programa de investimentos de cerca de R$ 200 bilhões em infraestrutura. A expectativa é de retomada das relações em alto nível, para que os impasses dos últimos anos sejam finalmente esquecidos e os americanos contribuam para o início da recuperação da economia nacional.

Editorial| MALABARISMO NAS CONTAS

27 de junho de 2015 0

A engenhosa operação financeira montada pelo Palácio Piratini com a Assembleia e o Ministério Público reafirma antes de mais nada a situação de penúria das contas públicas gaúchas. Ainda que chame a atenção o tamanho do esforço empreendido para assegurar apenas R$ 32 milhões por parte de um Estado da relevância do Rio Grande do Sul, o fato é que a alternativa pode estar abrindo caminho para a colaboração entre os poderes. A crise é de todos, as soluções também têm que vir de todas as partes.
Pelo esquema acertado, o Executivo atrasa o repasse de parte dos recursos destinados ao custeio do Legislativo e do Ministério Público para facilitar o pagamento do funcionalismo no último dia do mês de junho. A contribuição assegurada em outras áreas do poder público vai contribuir tanto para garantir o salário dos servidores em dia quanto para facilitar repasses a outras áreas voltadas para o atendimento da demandas da sociedade prejudicadas pelo rigor fiscal. É o caso, entre outros, de repasses para hospitais filantrópicos e santas casas.
É lamentável constatar que o Estado vem dependendo cada vez mais de malabarismos contábeis só para cumprir o que é obrigatório. Uma situação dessa gravidade não tem como persistir por muito tempo. Por isso, as saídas precisam envolver não só alternativas emergenciais, mas sacrifícios de todos os poderes.

Artigo| PRONTO, MAS NÃO FUNCIONA

27 de junho de 2015 0

CAIO CIGANA
caio.cigana@zerohora.com.br
Repórter de Zero Hora

 

Nem deveria mais ser causa de surpresa, mas a toda hora a gestão pública no Brasil nos brinda com mais uma amostra de falta de competência. Em um país com tantas carências em áreas como segurança, saúde e infraestrutura, nem quando novas obras são começadas para tentar melhorar a péssima qualidade dos serviços para os cidadãos há garantias de avanço.
Sei que vivemos dias de dinheiro escasso, mas é revoltante ver prédios públicos prontos sem funcionar e equipamentos adquiridos parados. Nos últimos dias, esta variedade de desrespeito ao contribuinte me desperta especial curiosidade. Aqui no Estado, os exemplos são fartos.
A criminalidade assusta e há falta de vagas para detentos, mas leio que em Canoas o prédio de um presídio está pronto. Falta apenas a ligação elétrica, de água e pintura. Ocorre que o dinheiro acabou e não se sabe quando o local poderá receber presos. Na pindaíba, o Piratini também não tem verba para chamar os agentes que trabalhariam no presídio.
Na saúde, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) são promessa de um atendimento mais digno à população, mas só no Estado há 16 prontas que ainda não abriram as portas por impasse entre União, Estado e municípios. Poderiam atender 4 mil pessoas por dia.
Passo todos os dias por um trecho do corredor de ônibus da Avenida Bento Gonçalves. A aparência é de nunca ter sido usado. Mas já estão consertando. O excesso de peso dos caminhões é uma das principais causas da buraqueira nas estradas, mas nenhuma balança de fiscalização do Daer ou do Dnit está em operação. Recuperar as rodovias, depois, sai ainda mais caro.
Em Carlos Barbosa, na Serra, há uma agência do INSS que custou R$ 1,3 milhão. Tinindo de nova. E fechada. O prédio foi entregue em fevereiro, mas não atende ao público. Falta a rede de telefonia e internet. E as estações de monitoramento da qualidade do ar? Em Porto Alegre são três. Nenhuma funciona. Terão o mesmo destino os dois helicópteros para serviços aeromédicos que custaram R$ 26 milhões ao Estado?
Incompetência, burocracia e falta de planejamento se conjugam para nos apresentar este festival de barbaridades. Equipamentos abandonados por um defeito qualquer e prédios prontos e sem uso são apenas mais um sintoma do quanto somos uma obra inacabada como nação.

Artigo| NÓSOUTROS GAÚCHOS NA TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

27 de junho de 2015 0

JAIME BETTS
Psicanalista

 

O documentário A Linha Fria do Horizonte (de Luciano Coelho) mostra que no mundo da arte algo de especial está acontecendo em uma região que ignora as fronteiras entre três países ao sul do Brasil tropical. Trata-se de um grupo de artistas que, por meio de suas criações, cada um à sua maneira, reflete sobre as questões da identidade local e global permeadas pelo frio.
Se artistas conseguem atravessar as fronteiras que os separam, compartilhando semelhanças e diferenças, deixando que suas obras e pensamento dialoguem entre si, registrando suas influências recíprocas e criando cada um a sua maneira algo novo, será possível produzir uma abertura semelhante em outros segmentos?
No segundo encontro do projeto NósOutros Gaúchos, o economista Enéas de Souza colocou que vivemos um momento histórico de mutação da sociedade mundializada, imersa na terceira revolução industrial (tecnologia e informática) regida pelo capital financeiro. Considera que é o momento para o RS construir uma estratégia levando em conta nossas potencialidades geopolíticas e geoeconômicas como forma de enfrentar essa mutação global. Acredita que o Estado tem uma oportunidade histórica de atuar nesse processo caso tenha uma visão global do que está acontecendo no mundo, bem como de sua posição fronteiriça entre o Brasil tropical e nossos hermanos latino americanos.
O desafio cultural que a conjuntura globalizada nos coloca é o de passarmos da posição passional de defesa das fronteiras identitárias gaúchas para uma posição de mediação e diálogo com as diferenças e semelhanças entre o Brasil tropical e nossos vizinhos de fala espanhola. É passarmos da defesa narcisista de ‘nossas façanhas servirem de modelo a toda terra’ a uma posição de alteridade que reconhece, respeita e dialoga com as diferenças, dentro e fora do RS. Muito narcisismo promove intolerância.
O desafio é grande. Será que na vida conseguiremos imitar a arte?
Assista aos vídeos do I e II Encontros acessando www.ufrgs.br/difusaocultural/nosoutrosgauchos/

Artigo| A TEORIA DOS 20

27 de junho de 2015 0

ALBERTO MENEGHETTI
Publicitário e Conselheiro da Alap

 

Um dos maiores fenômenos sociológicos do Brasil aconteceu entre abril e junho de 2013, reunindo milhões de brasileiros em várias cidades, na chamada “Manifestação pelos 20 centavos”. Na verdade, estes brasileiros não estavam apenas contestando o aumento de 20 centavos nas tarifas de transportes públicos, mas sim representavam a nossa indignação com a situação política e econômica do momento, que ameaçava submergir e que teve seu auge neste difícil 2015, que parece não acabar. No recente 20° Festival Mundial de Publicidade de Gramado, promovido pela Alap (Associação Latino-Americana de Publicidade), que reuniu milhares de estudantes e profissionais da comunicação para discutir o business publicitário, o que mais se viu e ouviu foi a criatividade nos negócios e a mente imaginativa dos executivos brasileiros, acostumados aos desafios, relatarem casos de sucesso e de superação nestes momentos bicudos. Caso como o da agressiva empresa aérea Azul e o da JBS mostram que não existe outro caminho senão ousadia _ e muita comunicação. Aliás, o relato da diretor regional da Associação dos Jornais do Interior do Brasil (Adjori-BR), Fernando Bond, foi emblemático. Segundo Fernando, existem hoje cerca de 4 mil títulos de jornais circulando para 165 milhões de brasileiros, na contramão de quem acredita que o mundo virou totalmente digital. Sempre acreditei que o conteúdo é a bola da vez, seja ele travestido de digital ou no meio físico. E que a comunicação é fundamental para as empresas manterem suas posições de mercado. Voltando ao cabalístico número “20″, o que tenho escutado das lideranças de muitas grandes empresas nacionais é que “nossas vendas despencaram 20%”, ou “estamos cortado 20% da nossa força de trabalho” e também algo como “vamos cortar 20% dos nossos projetos”. E por aí vai. Considerando que o percentual médio sobre o faturamento bruto das empresas investidos em comunicação é de uns 3%, aconselho fortemente que a hora seja não tirar o pé do acelerador, mas aumentar em 20% este número, passando este investimento para 3,6%, neste exemplo citado. A lógica faz sentido porque, se o mercado está caindo, as empresas são obrigadas a conquistar fatias que estão em mãos da concorrência. E nada melhor do que apostar na comunicação para fortalecer a sua marca e conquistar um maior share-of-market.
#ficaadica

Editorial| NA CONTRAMÃO DA REALIDADE

26 de junho de 2015 2

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Ao estender a regra de reajuste do salário mínimo para todos os aposentados da Previdência Social, a Câmara dos Deputados apenas comprovou que boa parte dos parlamentares está na contramão da realidade brasileira. A medida pode parecer simpática aos beneficiados, mas é demagógica e desastrada, pois coloca em risco a sobrevivência do sistema previdenciário, já que o reajuste seria insuportável para os cofres do Tesouro. É preocupante que os reajustes dos vencimentos dos aposentados continuem perdendo para os do salário mínimo. Essa distorção, porém, só poderá ser corrigida quando as contas públicas estiverem numa situação menos desfavorável que a atual, o que se constitui hoje numa das principais razões para incertezas quanto ao futuro da economia.
Num cenário de dificuldades como o atual, esse tipo de decisão por parte da Câmara só ocorre porque os parlamentares estão mais preocupados em auferir dividendos políticos imediatos, deixando de lado qualquer preocupação com o futuro do país a médio e longo prazo. A decisão, se fosse avalizada pelo Senado e mantida pelo Planalto, implicaria um custo de até      R$ 9 bilhões para o Tesouro. O impacto só não é maior porque, pela regra atual, que passaria a valer para todos os aposentados, incluindo os de ganhos mais elevados, o reajuste tem por base a inflação do ano anterior mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acumulado nos dois últimos anos. Como a economia ficou estagnada em 2014 e deve regredir nesse ano, o ônus maior seria sentido só mais à frente.
A questão é que a economia brasileira voltará a se expandir um dia, e os brasileiros, já aposentados ou interessados em se aposentar, torcem para que essa retomada possa ocorrer logo. O risco de decisões favoráveis aos aposentados mas nitidamente populistas como a aprovada agora pela Câmara é o de que acabem afetando ainda mais as contas públicas. Desde o Plano Real, o salário mínimo teve uma variação acumulada de 150% acima da inflação. Se os ganhos dos aposentados passarem a seguir a mesma lógica, os efeitos podem ser explosivos.
Ninguém, com um mínimo de consciência, põe em dúvida a necessidade de preservar os ganhos de quem conquistou o direito de se aposentar. Ainda assim, qualquer tentativa de solução precisa levar em conta a realidade das contas públicas, o que não ocorreu na decisão tomada pela Câmara.

Artigo| NICO E NELSON

26 de junho de 2015 0

MOISÉS MENDES
Jornalista
moises.mendes@zerohora.com.br

Nunca tinha ouvido falar de Cristiano Araújo, o cantor que morreu em acidente esta semana e comoveu o país. Cristiano era famoso e alguns nem sabiam. Dizem que Fátima Bernardes comentou a morte em seu programa, mas o chamou de Cristiano Ronaldo. E um bom pedaço do Brasil havia parado por causa do trauma com a morte do cantor.
Quando fez sucesso de crítica e de público com a peça Vestido de Noiva, Nelson Rodrigues escreveu sobre o espanto de ter ficado famoso sem que muita gente soubesse. Mas isso aconteceu em 1943.
A peça revolucionou o teatro no Brasil. Nelson escreveu que caminhava flutuando pelo centro do Rio, certo de que havia chegado à fama. Mas os que caminhavam em volta o ignoravam como famoso. Nelson era famoso no restrito círculo dos que iam ao teatro e liam notas culturais nos jornais.
A fama de Cristiano reproduziu entre nós, 70 anos depois, o assombro de Nelson, mas de outra forma. Como era possível que eu, você e a Fátima Bernardes não conhecêssemos Cristiano? O cantor era aclamado em seu nicho, e que nicho, da música sertaneja. E nós, os que circulamos por outros mundos, não sabíamos de nada.
Só que Cristiano era um artista de massa, dos grandes públicos, e Nelson era, então como autor de teatro, uma figura de redutos. Cristiano tinha fama mesmo, Nelson tinha reputação.
E agora, trazendo essa questão um pouco mais para perto, vamos falar de Antônio Augusto da Silva Fagundes. Nico era, claro, muito famoso. E também tinha muita reputação.
Mas Nico foi candidato a vereador de Porto Alegre em 2012. Fez 1.164 votos e não se elegeu. A democracia oferece explicações variadas para o reinado de um Eduardo Cunha e até a relevância de um Zé Agripino para as liberdades.
Mas como explica que Nico, com fama e reputação, com as raízes do nativismo, com seu esforço e talento para interpretar o Rio Grande, não tenha sido eleito vereador?
Que mistério da política negou ao autor (com o irmão Bagre Fagundes) do Canto Alegretense a chance de ser vereador? Por que o próprio nativismo esnobou Nico? Ou nativista não vota em nativista?
Sei que há uma carreta de explicações, mas fica difícil de entender. Nem sei se Nico morreu com esse desgosto, ou se não dava bola pra isso. Mas até os camoatins do Inhanduí devem ter achado estranho.