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Artigo| FALÁCIA E BASE CURRICULAR PARA O BRASIL

25 de julho de 2015 2

ESTHER PILLAR GROSSI
Ex-aluna de Gérard Vergnaud

 

Sem Campos Conceituais, uma base curricular comum para todo o Brasil vai ser mais uma falácia.
Detalhar claramente, ano a ano, conhecimentos que todos os alunos têm direito de aprender, sem compreender como é que eles podem aprender de verdade, vai ser mais um incentivo à memorização imediata e transitória, sem a compreensão, que é o que interessa e que é estável e permanente.
O que as comunidades científicas mais atualizadas sabem sobre a construção, por exemplo, dos primeiros conhecimentos matemáticos.
No ensino convencional, os conhecimentos previstos são ordenados linearmente. Primeiro os números (contagem, leitura e escrita de numerais), depois adição, depois subtração, mais tarde multiplicação e por último a divisão. De acréscimo, formas geométricas, sobretudo planas (quadrado, triângulo, círculo…).
A primeira operação aritmética pela qual alguém começa a aprender matemática é a divisão e não a adição.
Muito cedo, e muitas vezes, as pessoas se defrontam com a necessidade de repartir coisas. Uma criança que tenha três balas e receba mais uma não tem nenhum problema matemático real para resolver. Mas se ela tiver que repartir irmãmente três balas com outra criança, aí, sim, ela tem pela frente um desafio de âmbito matemático, que ultrapassa até a esfera dos números inteiros, exigindo os fracionários, pois ela terá que dar uma bala e meia para cada uma.
Além do mais, a divisão não se aprende isolada, sem números, adição, espaço e lógica, isto é, num conjunto de conceitos. É isto que Gérard Vergnaud, o elaborador da teoria dos Campos Conceituais, nos ensinou: não se aprende conceito por conceito e só se aprende a partir de situações significativas do dia a dia ou bem organizadas pela escola.
É animador que essas ideias já estejam na ordem do dia da Academia em nosso país _ acabo de ser convidada para expor num colóquio internacional sobre Campos Conceituais, em Minas Gerais.
O processo de aprendizagem tem uma lógica própria: a lógica dos campos conceituais, linda, criativa e engenhosa.
Seguindo-a é que se ensina pra valer.

Comentários (2)

  • Karen Cavalcanti Tauceda diz: 27 de julho de 2015

    Olá Esther Grossi

    Sou professora da UFRGS e pesquiso os campos conceituais e o ensino de ciências. Fiquei sabendo pelo prof. Marco Antônio Moreira que haverá este colóquio e eu gostaria de participar. Como faço para entrar em contato com o evento?
    Abraços

  • wilson moreira diz: 28 de julho de 2015

    A Esther Grossi é uma legítima missionnária de uma educação inovadora em todos os níveis no Brasil – especialmente sepultando-se toda uma tradição educacional fundada em memorialismos, a vetusta e mediocrizante decoração de livros prescritos por educadores que parecem estarem no Neolítico Superior. Decorar – a vigente ‘decoreba’, marcando com cruzinha resposta certas – é um artifício improdutivo, dado que rapidamente é esgotado pelo esquecimento. As escolas brasileiras estão de costas para o futuro: ensinam decoração de trechos de livros didáticos e esquecem do fundamental que é estimular a formação de pensamentos conceituais. Parabéns, Esther, pela sua missão modernizante. Quem sabe daqui umas 50 décadas as elites e subelites educacionais do país compreendam a superioridade de suas idéias. wilson moreira de curitiba.

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