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Artigo| LEMBRANÇAS DE WATERGATE

30 de julho de 2015 0

SEBASTIÃO VENTURA PEREIRA DA PAIXÃO JR.
Advogado

 

Não faz muito, foi dito que é possível fazer o diabo para vencer uma eleição. Tal tipo de pragmatismo imoral é traço comum em personalidades despidas de inegociáveis honra e caráter que devem presidir o exercício digno da vida pública responsável. Sim, é básico que todo líder político almeja o poder para, lá chegando, fazer um bom governo e, ato contínuo, deixar o nome gravado na História. E, sabidamente, não há nada mais reconfortante do que ver nos olhos do povo o sinal de respeito, gratidão e admiração por um trabalho feito com honestidade, lisura e competência.
Nesse contexto, a boa política tem como pressuposto básico o dever de falar a verdade. Objetivamente, as pessoas não querem ser enganadas nem usadas como moedas baratas para fraudulentos ou venais projetos de poder. Aliás, aqui, convém lembrar que, por mais poderoso que seja, o próprio diabo não pode tudo; é capaz de amedrontar, ameaçar e hostilizar, mas, aberta a porta, o inferno é um caminho sem volta. Logo, é muito melhor perder uma eleição com dignidade do que vencê-la indignamente.
Nas vésperas do mês agosto, a memória me fez ir a 1974 para lembrar a renúncia de Richard Nixon no rumoroso escândalo de Watergate. Quando do início das investigações, o ex-presidente americano negou insistentemente sua participação, esforçando-se ao máximo para tentar blindar a Casa Branca e, com isso, proteger seu mandato. Não sei se houve alguma reunião secreta em Portugal, mas quando o fato é mais forte que a versão é absolutamente insustentável jogar a verdade para baixo do tapete. Iniciado o processo de impeachment, Nixon renunciou para evitar a humilhação de ser cassado.
O exemplo serve para mostrar que, em regimes políticos sérios, golpistas são aqueles que promovem o achincalhamento institucional da República, usando o crime para custear campanhas e a mentira para iludir o povo. O impeachment presidencial é um acontecimento político possível, previsto em lei e, em certas circunstâncias, absolutamente necessário para o resgate da moralidade administrativa. Quando há grandeza de espírito público, a renúncia é politicamente menos traumática. E quando não há?

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