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Editorial| A RAPINA DO ESTADO

30 de julho de 2015 0

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Sempre que estoura um escândalo numa empresa pública, como este da Eletronuclear investigado pela operação Lava-Jato, os brasileiros ficam sabendo que a estatal ou o ministério que a comanda é “controlado” por determinado partido político. Assim se faz o rateio do Estado e assim se abre a porta para a corrupção que drena recursos públicos para campanhas eleitorais ou para o bolso de políticos e empresários desonestos. O atual processo de depuração do país, comandado pelo juiz Sergio Moro e pelo Ministério Público, com a participação decisiva da Polícia Federal, precisa ir além da punição dos corruptos e corruptores, gerando um modelo de profissionalização da administração pública baseado em critérios de capacitação e eficiência, acima dos interesses políticos.
Um aspecto surpreendente na atuação de quadrilhas montadas para assaltar os cofres públicos é que nem mesmo o impacto provocado pela investigação na Petrobras foi suficiente para intimidar corruptos e corruptores. O esquema desvendado agora numa das empresas da Eletrobras não se limita a reproduzir o modelo de desvios da Petrobras. A exemplo do que ocorreu na área do petróleo, também no setor elétrico a rotina de desfalques se manteve mesmo depois de as investigações estarem em andamento. E com o mesmo roteiro: licitações viciadas para barrar a concorrência, fixação de sobrepreço e uso de empresas de fachada para o recebimento de propina endereçada a dirigentes de estatais e agentes políticos.
Só os desvios da Petrobras deram margem à abertura de investigação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de 47 políticos de cinco partidos, incluindo o alto comando do Congresso. Como o escândalo na Eletrobras reproduz o mesmo modelo, é óbvio que o dinheiro desviado também tinha políticos como destino final. Sinal de que, também nesse caso, os brasileiros vão arcar com prejuízos financeiros e também políticos, o que amplia os danos para o país.
O inédito processo de combate à corrupção em andamento no país não pode se restringir a investigar e a punir culpados, além de reaver o dinheiro surrupiado. Precisa servir também como alerta dos riscos do apadrinhamento  na máquina pública, que está na origem dos desvios de recursos. O país precisa profissionalizar a gestão pública e encontrar novas formas de financiar políticos.

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