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Editorial| CHOQUE DE REALIDADE

31 de julho de 2015 0

Exatos sete meses depois de assumir o comando do Estado, o governador José Ivo Sartori programou para este último dia de julho um verdadeiro choque de realidade _ o pronunciamento em que deverá anunciar parcelamento e atraso no pagamento dos salários dos servidores, seguido do envio para a Assembleia de um pacote com medidas de contenção de gastos, elevação de impostos e redução da estrutura da administração. Não é surpresa para ninguém. Nem é de agora: sucessivas administrações vêm postergando há décadas o enfrentamento do dilema de um Estado que gasta muito mais do que arrecada. O que surpreendeu nesses últimos dias foi a falta de transparência, motivo maior do desconforto e da revolta dos servidores, que ameaçam reagir com a paralisação das atividades.
Ainda que a suspensão do trabalho penalize prioritariamente a população, não se pode exigir que trabalhadores continuem agindo normalmente quando não recebem o combinado pelos serviços prestados, nem o suficiente para honrar seus próprios compromissos. Claro que as atividades essenciais precisam ser mantidas, especialmente nas áreas de segurança e saúde, mas é normal que os servidores lutem por seus direitos.
Como já afirmamos aqui outras vezes, o sacrifício precisa ser compartilhado por todos. Mas o exemplo deve vir de cima: primeiro, do próprio governo, reduzindo gastos e privilégios; depois, das camadas mais favorecidas da administração pública, aí incluídos integrantes de todos os poderes; finalmente, dos demais cidadãos, entre os quais se incluem os funcionários de todos os níveis e os contribuintes em geral, que terão de pagar mais tributos. Pelo menos até que o governador ponha em prática uma promessa de seu discurso de posse: “Chorar menos, agir mais. Improvisar menos, planejar mais”.

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