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Artigo| O GUERREIRO DO POVO BRASILEIRO

29 de agosto de 2015 1

Tavares

FLÁVIO TAVARES
* Jornalista e escritor

 
O maior espetáculo teatral do século ocorreu domingo passado, em São Paulo, em exuberante pantomima que humilhou nossos melhores atores. A grandeza de Paulo José e Fernanda Montenegro, mesmo somadas, jamais atingirá a dimensão de farsa que o inefável deputado Paulinho (que no parlamento usa só o diminutivo) deu à festança com que a Força Sindical homenageou o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, denunciado à Justiça por milionários subornos recebidos no assalto à Petrobras.
”Cunha, guerreiro do povo brasileiro”, gritaram durante horas centenas de trabalhadores filiados à central sindical, como se homenageassem um lutador social, não um acusado de trapaça e chantagem. Cunha agradeceu com nova declaração de guerra à presidente da República (de quem se diz ”vítima”), com a assistência pedindo a renúncia de Dilma. Sobre o suborno e o roubo, nenhuma palavra!
Em termos morais, homenagem assim significa tratar com desdém e cinismo tudo o que o Ministério Público e a Polícia Federal vêm descobrindo. Ao fantasiar o investigado de ”guerreiro do povo”, é a exaltação do delito.
Será que nem a investigação inibe o crime?

***

Mas investigar leva também a outros caminhos. Para ser reconduzido à Procuradoria Geral da República, Rodrigo Janot foi submetido a 10 horas de interrogatório na Comissão de Justiça do Senado, como um marginal suspeito de roubo numa delegacia. Sob provocações e desaforos, simulou não ouvir os palavrões que o ex-presidente da República e hoje senador Collor (denunciado por receber R$ 26 milhões em propinas) sussurrava, sentado na primeira fila dos inquisidores.
Teria sido assim se Janot não aprofundasse a investigação sobre o assalto à Petrobras e não denunciasse à Justiça 45 parlamentares (entre eles os presidentes do Senado e da Câmara) e 12 ex-deputados? Ou se não constituísse o grupo de 21 procuradores que orienta e municia a Operação Lava-Jato? Se grandes empresários, altos funcionários e políticos não estivessem presos e condenados, a inquirição do Senado teria sido quase uma versão moderna da Inquisição?
Noutros governos, a Procuradoria-Geral não funcionava assim. Mas já no ”mensalão”, a denúncia do procurador-geral Roberto Gurgel (nomeado por Dilma) foi mais dura do que a sentença do Supremo Tribunal, que absolveu o publicitário Duda Mendonça e o ministro de Transportes de Lula.
Antes de Gurgel, a Procuradoria ”esqueceu-se” de responder aos pedidos da Justiça francesa. ”Perdeu o prazo” e, assim, expirou na França o processo dos 300 milhões de dólares em nome de Maluf e que Maluf diz que ”alguém” depositou nas ilhas Jersey para incriminá-lo…
À época, casualmente, o PP de Maluf começou a integrar-se à base alugada do governo Lula da Silva e a comandar as cavernas da Petrobras.

***

O sistema de aluguel continua, porém. Agora, quem trata disso é Eliseu Padilha, do PMDB e ministro da Aviação Civil, que esta semana aterrissou no Congresso e lá distribuiu R$ 500 milhões das tais ”emendas ao Orçamento” que atendem os currais eleitorais dos parlamentares com aparatosas obras inócuas e não isentas de gorjeta na sarjeta.
Os cifrões têm voz mais potente e sonora do que as cordas vocais e, com meio bilhão, acalmou os deputados rebelados contra Dilma.
”Este é o dinheiro mais barato que há. Ganhou o governo e, principalmente, os parlamentares que ansiavam por isto”, disse Padilha aos jornais, sem qualquer pudor. Será o Congresso uma quadrilha ansiosa controlada com medicamento tarja-preta?
Ou Dilma fez de Padilha um ”guerreiro do povo brasileiro”, imitando o concubinato da Força Sindical paulista com o presidente da Câmara dos Deputados?
Onde ficam os guerreiros verdadeiros _ o juiz Sérgio Moro ou Janot e seus procuradores?

Comentários (1)

  • Alberto / Nossos impostos ‘torrados’ diz: 29 de agosto de 2015

    …e Lula cada vez mais enrolado no caso BNDES com países Bolivarianos!

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