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Editorial| ESBANJAMENTO NA ESTAGNAÇÃO

31 de agosto de 2015 0

 

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Alguns setores dos governos, em todos os níveis, estão alheios à recessão que encolheu a economia brasileira em 1,9% no segundo trimestre. É constrangedor, quando se constata que a crise atinge a todos, que o setor público se apresente como exceção, quando deveria dar o exemplo à sociedade. Dados do IBGE mostram que União, Estados e municípios aumentaram seus gastos em 0,7% entre abril e junho. Parece pouco, mas é muito se o número for confrontado com o tamanho da retração. Não há como considerar razoável, sob quaisquer argumentos, que os governos continuem gastando como se o ambiente fosse de normalidade.
Os gastos são de despesas correntes, de manutenção da máquina pública, que os governos decidiram não controlar como deveriam, apesar dos apelos que a própria União faz pela austeridade. É contraditório que um governo preocupado com o ajuste fiscal, que chega a ameaçar os contribuintes com a possibilidade de aumento de impostos, não reduza suas despesas. Cria-se um cenário conflitante com a realidade das famílias, que reduziram o consumo em 2,1% no segundo trimestre, e das indústrias, que retraíram investimentos em 4,3% no período, enquanto o desemprego continua crescendo.
O governo federal tem atribuído as despesas às dificuldades para aprovar as medidas que determinariam o equilíbrio de arrecadação e despesa. Pode até ser que tal fator contribua para a situação registrada pelo IBGE, mas certamente não é essa a causa determinante do descompasso entre o Brasil que fica mais pobre e governos que continuam gastando como se nada de anormal estivesse acontecendo.

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