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Artigo| MEDIDAS EXTREMAS

11 de setembro de 2015 2

LÍCIA PERES
Socióloga

 
O aumento da criminalidade, na primeira semana de setembro, tem produzido um efeito devastador na qualidade de vida da população, que clama por mais segurança e pelo direito de transitar. Os homicídios cresceram 100% na Capital e não existe mais lugar seguro onde seja possível estar a salvo da violência.
A ameaça de linchamento a um ladrão apanhado em flagrante quando tentava roubar um carro, no bairro Menino Deus, revela o sentimento de revolta, vingança e descrença em relação à justiça, atribuição exclusiva do Estado. Esse sentimento de insegurança e medo acaba por levar pessoas comuns a tentarem fazer justiça com as próprias mãos, o que precisa ser contido, sob risco de anomia social.
O mais surpreendente é a hesitação do governo do Estado em recorrer à Força Nacional para reforçar a segurança no Rio Grande do Sul em uma situação dramática como a que vivemos. Tudo está a indicar que sem medidas emergenciais tudo tende a se agravar. O descontentamento das forças policiais, que, privadas dos seus salários, com despesas integrais, mas recebendo aos pedaços, é compreensível e não se pode esperar milagres.
Em algumas situações, a exemplo da Conferência das Nações Unidas, a Eco 92, também conhecida como a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, quando Brizola era governador e a Capital Federal mudou-se para lá, as Forças Armadas foram convocadas para proteger a cidade e a segurança de todo o evento. Compareceu mais de uma centena de chefes de Estado para debater formas de desenvolvimento sustentável e era possível transitar por toda a cidade, a qualquer hora.
A integração do sistema de segurança durante a Copa do Mundo em Porto Alegre garantiu tranquilidade e paz e encantou os visitantes. Mas a situação era diferente : os salários eram pagos pontualmente e tudo funcionou bem, para alívio geral.
Agora, o primeiro dever dos governantes é proteger a população da crescente escalada criminosa. Não é hora para vacilações, mas de efetivas providências. As medidas podem parecer extremas, mas são, de fato, indispensáveis.

Comentários (2)

  • Maria Aparecida Vieira Souto diz: 11 de setembro de 2015

    Parabéns pelo artigo. É incompreensível que o Governo do Estado não solicite a Força Nacional. Estamos à mercê da bandidagem. Além do dinheiro de cada cidadão que está sendo perdido por má gestão e por corrupção, estamos também jogando vidas fora! E quem se importa com isso?

  • Eloá Muniz diz: 11 de setembro de 2015

    Parabéns pelo artigo. Concordo que tenhamos o apoio da Força Nacional para superar esta situação de crise no estado RS.

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