Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Artigos online"

Artigo online| Pensar globalmente e agir localmente

05 de junho de 2013 0

Preservar o
meio ambiente é
preservar a própria
pele, e fragilizar o
meio ambiente é
fragilizar a economia,
o emprego, a saúde

MIRIAN FABIANE DICKEL STRATE*

No princípio o homem se preocupava apenas com o seu bem estar, como se os recursos naturais fossem infinitos. Com o passar do tempo, a paisagem de um planeta natural, totalmente recoberto por árvores, rios limpos, solo perfeito foi desaparecendo, sendo substituído por um ecossistema artificial. O resultado é esse : hoje vivemos uma sucessão de catástrofes naturais estranhas e inusitadas como nunca antes foram vistas em nosso planeta. A poluição do ar, rios e córregos, trânsito caótico, enchentes, lixo acumulado, ocupações irregulares,  violência, são todos "sintomas" de um modelo de crescimento desordenado, causado por um processo acelerado de urbanização que nunca se pautou pelo planejamento ou gestão, tampouco pela integração sustentável entre Homem & Ambiente. Segundo o Pnud, Programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento, o mundo tem assistido a um enorme progresso em termos de desenvolvimento humano nas últimas décadas. Desde 1970, o IDH cresceu 41% em termos globais e 61% nos países com IDH baixo, refletindo fortes avanços na saúde, na educação e na renda.
No Brasil  podemos observar uma melhora nos padrões de vida da população, mas a melhoria destes padrões está associada ao aumento do consumo  o que gera efeitos colaterais como a deterioração em indicadores ambientais fundamentais, como as emissões de dióxido de carbono, a qualidade do solo e da água, a cobertura florestal e a biodiversidade. Conforme o Pnud, além de dificultar o acesso a bens e serviços essenciais, a degradação ambiental  provocará um aumento dos preços dos alimentos mundialmente em 30% a 50% nas próximas décadas e estimulará a volatilidade dos preços, com graves repercussões nas famílias mais pobres. A pergunta é: o que devemos fazer com isso? A resposta a essa pergunta atinge um caráter de urgência quando percebemos claramente os sinais de degradação e constatamos que o planeta sente, como nunca, o impacto das ações predatórias longamente praticadas pelo ser humano.
Sustentabilidade é a palavra da vez, entretanto é muito mais do que uma palavra da moda, significa muito mais do que mostrar para as pessoas que o "ser sustentável" é uma forma de vida e a única maneira de permitir que nosso planeta se recupere para que possamos viver em paz e por muito tempo ainda com os recursos naturais que ele tem para nos fornecer. Com os problemas provocados pelas mudanças climáticas aumentando em toda parte do planeta, as pessoas começaram a se interessar mais  pelo assunto. Cidadania possui estreita ligação com meio ambiente a partir do momento em que decidimos aplicar sustentabilidade em nossa  própria casa e exigir dos órgãos públicos o cumprimento da legislação ambiental, pois o artigo 225 da Constituição brasileira prevê: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações."
"Pensar globalmente, agir localmente", conceito  que contribui para mudar o comportamento  do cidadão, introduzir  a noção que cada um dos bilhões de seres humanos que habitam o planeta deve fazer a sua parte. Não vamos salvar o planeta economizando um litro de água, ao fechar a torneira, mas se os 7 bilhões de seres humanos que habitam a Terra atualmente economizarem, serão 7 bilhões de litros de água preservada. Preservar o meio ambiente é preservar a própria pele, e fragilizar o meio ambiente é fragilizar a economia, o emprego, a saúde . O certo é que não existe saída se não houver uma alteração nos costumes predatórios. É imprescindível que cada vez mais os cidadãos tomem conhecimento do seu papel enquanto agentes de conscientização e responsabilidade ambiental, optando decididamente pelos produtos de empresas comprometidas com o meio ambiente e a qualidade de vida da sociedade. Podemos sim visualizar uma "luz no fim do túnel" conforme cada um despertar para a urgência do agora.
Nossa casa não é exclusivamente a residência onde moramos, nossa casa é o planeta. É urgente fazer com que nossas populações questionem o seu modo de vida e fazê-las entender que se os recursos do planeta não tiverem "a oportunidade" de renovarem-se e de sustentarem-se sob a pressão de uma demanda constante de consumo exagerado, a vida no planeta como a conhecemos acabará de forma dramática e somente através desse processo de conscientização poderemos garantir a sustentabilidade ambiental. Não estamos falando do futuro, mas sim do presente, não adianta olhar para trás e chorar as águas poluídas e as árvores derrubadas. Nosso planeta já está com uma população superior à sua capacidade natural, porém não tem mais volta. O segredo está em unirmos nossas forças e trabalharmos em prol da sustentabilidade .Devemos sempre lembrar dos ensinamentos do cacique Seatle, em 1854 : "O que acontece com a terra, acontece com os filhos da terra."
* Bióloga e professora

Artigo online\ As mãos que afagam também carregam bandeiras

08 de março de 2013 0

As mãos
que afagam
também são
as mesmas
que carregam
grandes
bandeiras
de luta

ALTEMIR TORTELLI*

Ao longo da história o papel social das mulheres tem mudado muito. Passo a passo tem avançado e se transformado na sociedade. No século 20, as mulheres foram capazes de grandes lutas e transformações saindo de uma condição de total submissão, escravidão e exclusão. Mas isso ainda não aconteceu com grande parte das mulheres que continuam à margem dos direitos e políticas de inclusão.
Há anos as mulheres lutam pelo direito a cidadania, pela diminuição da jornada de trabalho, por melhores condições de vida e mais dignidade. Sempre foi com muita luta e organização que se conquistou direitos como a aposentadoria para as trabalhadoras rurais, o salário-maternidade, o direito à participação política e a livre expressão. Gerar a vida é uma missão que as mulheres receberam da natureza. Mas isso não significa uma carga de dor e discriminação. Isto é um exercício de escolha das mulheres e de corresponsabilidade do Estado, da sociedade e da família.
O Estado do Rio Grande do Sul tem uma tradição muito forte na agricultura e as mulheres gaúchas deixaram sua marca nas maiores conquistas e construções de novos direitos para as mulheres brasileiras. Muito nos orgulha sermos filhos e filhas dessas mulheres que tiveram que lutar dentro de suas próprias famílias pelo direito de sair de casa e buscar sua própria dignidade.
Muitas foram as conquistas dos agricultores familiares e nessas conquistas a mulher do campo exerceu papel fundamental. Com olhar diferenciado, as agricultoras familiares possuem destaque na luta pela produção diversificada e soberania alimentar e também mostram grande preocupação na preservação dos recursos naturais. Uma das maiores conquistas desse setor foi a inclusão previdenciária dos trabalhadores e trabalhadoras rurais que é considerada por todos os dados estatísticos do Brasil como a maior distribuição de renda feita no meio rural. Esse fato levou a mais uma caminhada, mais uma luta, e à conquista do salário-maternidade para as trabalhadoras rurais. Até então, as mulheres agricultoras criavam seus filhos sem nenhum reconhecimento do Estado.
As mulheres demonstram sua força na conquista de espaços importantes, como na política, nos movimentos sociais, nos sindicatos e na sociedade de maneira geral. Hoje a maior autoridade do Brasil é uma mulher, a presidenta Dilma Rousseff. Uma vitória histórica. No entanto, muito ainda há para se fazer. Uma das principais lutas é garantir o aumento da Licença Maternidade de quatro para seis meses para todas as mulheres trabalhadoras. Que este dia de comemoração dos direitos adquiridos dê ainda mais força para que as mulheres continuem lutando e mais sensibilidade aos homens para essa caminhada conjunta que demostram que as mãos que afagam também são as mesmas que carregam grandes bandeiras de luta.
* Deputado estadual (PT)

Artigo online\ Por que as mulheres são centrais para a política externa dos EUA

08 de março de 2013 0

É dia de
renovarmos
nosso
compromisso
com o fim da
desigualdade
que impede
o progresso

JOHN KERRY*

Em minha primeira semana como secretário de Estado dos EUA, tive a honra de me encontrar com um grupo de corajosas mulheres de Mianmar. Duas eram ex-presas políticas e, embora tivessem passado por tremendas dificuldades na vida, estavam empenhadas a ir em frente _  proporcionando educação e capacitação para meninas, buscando empregos para desempregados e defendendo maior participação na sociedade civil. Não tenho dúvida de que elas continuarão a atuar como poderosas agentes de mudança, levando progresso às suas comunidades e a seu país nos próximos anos.
São oportunidades como essa que nos lembram por que é tão vital que os EUA continuem a trabalhar com governos, organizações e indivíduos em todo o mundo para proteger e fomentar direitos de mulheres e meninas.  Assim como em nosso país, os problemas econômicos, sociais e políticos mais prementes do mundo não podem ser resolvidos sem a plena participação das mulheres.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, países em que homens e mulheres estão mais próximos de desfrutar direitos iguais são muito mais competitivos economicamente do que aqueles onde a diferença de gênero deixou mulheres e meninas com acesso limitado ou sem nenhum acesso a assistência médica, saúde, cargos eletivos e ao mercado.
No entanto, em um número muito grande de sociedades, mulheres e meninas ainda são subvalorizadas, não têm a oportunidade de frequentar a escola e são forçadas a casar ainda crianças. Muitas vidas têm sido perdidas ou mudadas para sempre pela violência de gênero.
Nenhum país pode progredir se deixar metade de sua população para trás. É por isso que os EUA acreditam que a igualdade de gênero é crucial para nossas metas comuns de prosperidade, estabilidade e paz e é por isso que investir nas mulheres e meninas no mundo é um aspecto crucial da política externa dos EUA.
Investimos em capacitação e aconselhamento de mulheres empreendedoras para que elas possam não apenas melhorar a situação de sua família, mas também ajudar a economia de seu país. Investimos na educação das meninas para que elas possam escapar do casamento precoce forçado, quebrar o ciclo de pobreza e se transformar em líderes comunitárias e cidadãs engajadas.
Trabalhamos com parceiros em todo o mundo para melhorar a saúde materna, fortalecer agricultoras e impedir a violência de gênero, porque todas as sociedades se beneficiam quando as mulheres são saudáveis, têm segurança e contribuem com seu trabalho, liderança e criatividade para a economia global.
Hoje, Dia Internacional da Mulher, é dia de comemoração. É também dia de renovarmos nosso compromisso com o fim da desigualdade que impede o progresso em todos os cantos do globo. Podemos e devemos nos comprometer com isso para que as nossas filhas possam subir no ônibus para ir à escola sem medo, todas as nossas irmãs alcancem sua total capacidade e todas as mulheres e meninas realizem plenamente seu potencial.
* Secretário de Estado norte-americano

Artigo online\ Mulheres: conquistas e mazelas

08 de março de 2013 0

É hora de
enfrentar o
problema e
adotar medidas
para prevenir e
erradicar a
violência
contra a mulher

MARCO MAIA*

Nunca antes na história do Brasil as mulheres alcançaram um patamar de tantas conquistas e de consolidação de seus direitos; entretanto, é por esse mesmo motivo que se desnudou uma dramática mazela social, uma praga que se aloja em nosso meio: o alto grau de violência contra as mulheres. Ao cruzarmos mais um 8 de março, data que marca a luta das mulheres, podemos sim comemorar avanços, mas temos, também, de atuar com determinação e criar mecanismos legais efetivos para não sermos cúmplices da impunidade.
Neste momento em que podemos comemorar os 81 anos da conquista do direito ao voto feminino e a eleição da primeira mulher presidenta da República, Dilma Rousseff, dois fatos que simbolizam a força política da mulher brasileira, temos, também, de admitir que ainda há muito a ser feito. Embora sendo maioria no eleitorado (hoje, a proporção é de 52 eleitoras para 48 eleitores), no Legislativo o espaço feminino ainda é muito acanhado, cerca de apenas 10%. Logo, faz-se necessária a criação de dispositivos que garantam um espaço mais representativo desse segmento social.
Na Presidência da Câmara, asseguramos a participação de representação da bancada feminina no Colégio de Líderes, onde se decide a pauta de votações semanais, uma experiência que produziu ótimos resultados. No plano social, por exemplo, aprovamos, no ano passado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 478/2010) que iguala os direitos trabalhistas entre os empregados domésticos e os outros trabalhadores brasileiros. Segundo o IBGE, há 6,6 milhões de trabalhadores domésticos no país, entre os quais, 6,2 milhões são mulheres. Uma decisão que visa acabar com trabalhadores de "segunda classe", ao mesmo tempo em que busca garantir igualdade salarial entre homens e mulheres. Aprovamos ainda, importantes políticas de Governo dirigidas às mulheres como o Rede Cegonha, o Brasil Carinhoso, a ampliação do Bolsa Família. No Minha Casa, Minha Vida, mulheres com faixa salarial de até três salários mínimos, em caso de divórcio ou dissolução de união, será de sua propriedade a casa construída dentro do programa habitacional do Governo Federal.
Mas a grande contribuição legislativa para ampliar os direitos das mulheres foi, sem dúvida, a promulgação da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), responsável pela criminalização da violência contra a mulher, já que prevê punição aos agressores. A partir da norma e com a criação da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), descobrimos que há um mundo obscuro e cruel contra a dignidade feminina: números divulgados pela Secretaria de Políticas para as Mulheres mostram que quatro entre cada dez mulheres brasileiras já foram vítimas de violência doméstica. Dados do Ligue 180 revelam um aumento significativo da formalização das denúncias: de 43.423 em 2006 para 734.000 em 2010, quase 16 vezes mais.
Diante disso, não é possível se esquivar do debate, nem postergar soluções. É hora de enfrentar o problema e adotar medidas para prevenir e erradicar a violência contra a mulher. Não só o Legislativo, mas também o Judiciário e o Executivo devem estar imbuídos desse desafio. Nos parece ser este um ponto a ser incluído na pauta do novo Pacto Federativo a ser formalizado, em breve, pelos poderes da República.
*Deputado federal do PT-RS, ex-presidente da Câmara dos Deputados

Artigo online\ Mulheres na política fazem o Brasil avançar

08 de março de 2013 0

Mais e mais
mulheres
devem buscar
protagonismo
e conquista
de espaços
de poder

MANUELA D'ÁVILA*

A atuação de nós mulheres no Congresso é central para assegurar a continuidade do desenvolvimento do Brasil, projeto bem-sucedido liderado pela presidenta Dilma Rousseff.  Somos protagonistas em discussões de matérias com grande valor social, econômico e político, mas há muito a avançar. Nesta semana comemorativa ao Dia Internacional da Mulher, temos de discutir sobre como ampliar a participação feminina na Câmara dos Deputados e no Senado, que ainda é muito baixa. Dos 513 deputados federais brasileiros hoje, apenas 46 são mulheres. Para o Senado, foram eleitas oito candidatas em 2010, sendo que há 81 parlamentares na Casa. Há apenas dois anos, a primeira mulher ocupou espaço na mesa diretora da Câmara.
Apesar de muitos tentarem considerar o papel feminino irrelevante no Legislativo, é notório o nosso trabalho estratégico na consolidação desse novo Brasil. Decididamente, a mulher não tem papel secundário no Congresso. Um dos desafios é vencer o preconceito de gênero que persiste em todos os campos e classes sociais, dificultando a consolidação de uma sociedade mais inovadora e igual em nosso país.
Nos últimos 10 anos, o Brasil experimentou profundas mudanças econômicas e sociais, garantindo a entrada de milhares de pessoas na chamada nova classe média. Em Porto Alegre, por exemplo, nós mulheres hoje já somos chefes de família em 50% dos lares (Observa POA, 2012), seguindo uma tendência nacional. Vale destacar que, há menos de um século, o homem era considerado o chefe da sociedade conjugal pelo Código Civil de 1916. Já o divórcio foi instituído por emenda constitucional somente em 1977. Esse recente protagonismo feminino, entretanto, ainda não garante representação equivalente na política.
Nesse contexto, temos de cada vez mais ocupar lugares estratégicos na sociedade. O nosso papel é fundamental na melhoria do município, do Estado e do país onde vivemos. É ocupando mais e mais espaços políticos e de poder que poderemos dar passos mais decisivos para superar as desigualdades que ainda permanecem.
Reconhecer que existem diferenças e preconceitos velados é a única maneira de superá-los. Há nove anos, tenho mandatos eletivos. À frente da bancada do PC do B, em 2013, sou a única mulher líder de partido na Câmara dos Deputados. Como muitas mulheres militantes e jovens, construí minha trajetória de forma independente no movimento estudantil. Mesmo assim, temos de provar constantemente a nossa capacidade de trabalho.
É necessário avançar na igualdade entre homens e mulheres no país. O aumento da participação política feminina é fundamental para mudar essa mentalidade machista. Mais e mais mulheres devem buscar protagonismo e conquista de espaços de poder na nossa luta coletiva. A mudança na sociedade se refletirá no Executivo e no Congresso. Mulheres no poder representam o Brasil avançado que construímos diariamente.
* Deputada federal, líder do PC do B na Câmara dos Deputados

Artigo online\ Mulher: compromisso sempre!

08 de março de 2013 0

Pautar a
questão de
gênero é
homenagear
a democracia,
o desenvolvimento,
o pluralismo  e
a liberdade

BETO ALBUQUERQUE*

Todas as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, em especial as do último século, nasceram sob a legítima inspiração da igualdade. Do direito ao voto à melhoria das condições de trabalho, da maior participação na vida pública ao combate à violência doméstica, as lutas femininas sempre buscaram uma afirmação de gênero. Além disso, esses esforços indicaram os passos para garantir as mesmas oportunidades a todos e a todas.
A riqueza de uma sociedade é fruto desse equilíbrio entre o igual e o diverso. E as mulheres precisaram provar isso na luta, muitas vezes com a própria vida. Dentro e fora de casa. Quando as diferenças causaram inferiorização, elas foram buscar igualdade. Quando as semelhanças causaram descaracterização, elas foram buscar identidade. São causas que continuam vivas e precisando de evolução, sob a liderança das nossas firmes militantes.
Tenho denso compromisso com a consolidação desse caminho. Isso não se resume à plataforma de políticas públicas voltadas à população feminina. Tem a ver também com o respeito que decorre da própria natureza humana. Tem a ver com as oportunidades que dependem de uma nação economicamente equilibrada e socialmente justa.
É verdade que a exploração, as injustiças e as desigualdades diminuíram, mas ainda há muito por fazer. Muito! E isso só é possível através do equilíbrio, virtude tão genuinamente feminina. Equilíbrio de quem entende que cada ser humano é único, mas deve organizar-se coletivamente. Equilíbrio de quem quer o bem de todos, sem que isso signifique o mal para alguns.
Trata-se, portanto, de uma construção que precisa ser permanente em nosso cotidiano, seja na vida privada, seja na atuação de quem possui representatividade. Pautar a questão de gênero é homenagear a democracia, o desenvolvimento, o pluralismo e a liberdade _ fazendo de cada nascer do sol um novo dia da mulher. Sempre, todo dia!
* Deputado Federal (PSB/RS), líder do partido na Câmara

Artigo online\ Harém

08 de março de 2013 0

Todo este
harém coexiste
em apenas
uma mulher.
Minha esposa
é o sol da
minha casa

CARLOS EDUARDO ROESLER*

Tenho muitas mulheres em casa, um verdadeiro harém. Uma delas é trabalhadora, dessas que batalham muito por seus objetivos. Atua em tempo integral, estuda à noite, e está concluindo curso superior. É determinada e busca seu espaço com humildade e perseverança.
Outra das minhas mulheres é dona de casa. Gosta de seu lar arrumadinho e cheiroso. É dessas que odeia roupas amontoadas, louça acumulada, banheiro malcheiroso. Coordena as ações de asseio na nossa residência, e nem eu consigo fugir da lida.
Minha casa também tem uma modelo. Mulher elegante, cheia de estilo, que exibe charme e delicadeza sempre. Adoro levá-la para passear, onde for. Posa para fotos, sempre alegre e faceira. Não há mulher mais deslumbrante que esta. Haja pescoço virando nas ruas por onde passa.
Há também, nesse entrevero, uma atleta. Esta gosta de caminhar, de ficar horas por semana na academia, até dança de salão ela faz! Cultiva também uma das mais primitivas formas de se relaxar, que é caminhar na praia, apreciando o mar e descansando na areia.
Mas nem tudo são flores em casa: há outra das minhas mulheres que é muito brava! Com essa aí não tem muita conversa... se ela tem razão (até mesmo se não tem), ninguém segura! Ela é daquelas que defende suas ideias com muita severidade. É capaz de transformar o meu dia em um inferno! Enquanto as coisas não estiverem do jeito que ela exige (isto mesmo, exige!), não sossega. Perde horas de sono, chora, se escabela, até que esteja tudo de acordo com a sua ordem.
Pra relaxar, conto mais uma integrante do meu harém. Não bastassem essas mulheres todas, meu lar ainda comporta uma amante. Legítima amante, que me leva ao delírio quando vem ao meu encontro, com paixão e desprendimento. Simplesmente me enlouquece, inundando meu quarto e minha alma de prazer. Ensinou-me tudo que conheço sobre o que uma mulher é capaz de ser e de fazer com um homem na sua intimidade.
Feito este relato, do qual muito me orgulho, tenho imensa alegria em dizer que todo este harém coexiste em apenas uma mulher. Minha esposa é o sol da minha casa, e não conseguiria viver sem nenhuma das mulheres que a constituem. Abençoada seja diariamente. Abençoados sejamos nós, homens, por podermos compartilhar, com essas mulheres de nossas vidas, este Dia Internacional da Mulher. Parabéns, mulheres. Nós nos curvamos a vocês. Especialmente, curvo-me à minha esposa diariamente, com muito amor.
* Bancário e professor

Artigo online\ Dia da Mulher...

08 de março de 2013 0

O difícil é
sabermos
quais mulheres,
já que são
muitas dentro
de cada uma
e infinitas

DILSO JOSÉ DOS SANTOS*

Às vezes nos perguntamos se realmente precisamos saber disso ou daquilo. Respostas sempre surgem, mas elas só vêm inteiramente para o curioso que teima em sempre ir além da simples e preguiçosa indiferença. No entanto, o elemento insiste em permanecer no mundo e, mesmo se não o soubermos em sua essência, ele continuará existindo com toda a sua força. Respostas? Essas devem ser perseguidas e entendidas em seu cerne, não através de invenções mirabolantes e românticas sobre determinados temas, mas na busca séria e comprometida de verdades que serão ponderadas com as suas. Ao construirmos uma casa, por exemplo, pensamos primeiro em seu alicerce. Fazemos isso para nos certificarmos de que, sobre essa estrutura, paredes firmes sejam levantadas... Assim é também conosco.
Pensando em nossas construções, alicercemos agora o nosso entendimento, falemos das mulheres, dos homens e de nossas casas que têm vontades de serem janelas só para espiar o mundo livre de qualquer prisão social cujas grades sãos gêneros.
Bem! Dia Internacional da Mulher. O difícil é sabermos quais mulheres, já que são muitas dentro de cada uma e infinitas quando suas fronteiras se mestiçam em uma nação inteira delas e também deles. Sim, todos somos mulheres. Todos somos homens. Falo das "mwandias", (termo que significa "canoa" em uma das aproximadas 25 línguas que andam vivas e bem falantes por Moçambique, na África), essas que trafegam dia-a-dia de uma margem à outra do rio (tempo); entre um ventre "mar-terno" à terra "mãe-terna"; entre a quentura do seio à 'friavileza' do mundo; entre um rio masculino a um "la mer" (mar, em francês) feminino. Pensemos, não em um dia do homem ou da mulher, pensemos em chegarmos juntos a uma terceira margem: a da igualdade.
Para encerrar, 'desacordando' dessas meias verdades sobre o dia, comemoremos, esqueçamos as utopias aqui deste texto. Contudo, se for possível, vamos refletindo ao menos sobre o que dá dimensão ao feminino. Pois, como diria Simone de Beauvoir, "ninguém nasce mulher. Torna-se mulher." O que ultrapassa _ acredito _ qualquer tipo de gênero (homem, mulher) que "degenera" e separa o que na verdade precisa é de construção.
* Professor, mestrando em Letras

Artigo online\ O Dia D - Santa Maria

25 de fevereiro de 2013 0

Temos nos
omitido.
Somos todos
responsáveis
por modificar
este estado
de coisas

ILSE ANA PIVA PAIM*

Apodera-se em mim esperança. Palavra que significa: ato de esperar o que se deseja; a expectativa, a espera, a fé, a confiança em conseguir o que deseja (Aurélio, 2012).
Esperança de que nosso povo brasileiro reaja: acorde e veja que assim não dá para continuar.
Temos que por um basta nas impossibilidades, um basta na inanição, um empurrão na vontade, mostrar a cara!
Depois do acontecido do dia D - em Santa Maria, temos que buscar esclarecimentos, não podemos deixar que a corda sempre estoure nos mais fracos, nos que pouco som de voz têm.
Bem próximos de nós, no Rio de Janeiro, culparam os pedreiros como imprudentes pela queda de um prédio. Como?  Quem dava ordens? Onde estava o mestre de obras? O engenheiro? O arquiteto? A fiscalização?
Estes jovens que partiram em Santa Maria devem ser lembrados em todas nossas ações futuras. Que caia sobre nós uma chuva de consciência para que saibamos discernir.
Lembro-me de uma história onde 6 milhões de pessoas também perderam suas vidas: asfixiados. Estes em câmaras de gás. Foram exterminados nelas. Naquela época, eu não estava aqui, mas me envergonho de seres humanos que lá estavam. Este episódio é hoje uma nódoa na história da humanidade. Humanidade que deveria dignificar um resumo de tudo que há de bom dentro de cada ser humano. E isto representaria o ato de praticar o Bem.
Este holocausto que presenciamos não pode passar em vão, temos que hastear bandeiras em todas as comunidades, todos os lares, para que tenhamos justiça, tenhamos segurança, que cada um na teia da vida faça o melhor de seu trabalho.
Se a corrupção existe, se a fiscalização é falha nas questões de segurança, é porque fechamos os olhos muitas vezes para tais questões. Temos nos omitido no embate destas situações. Somos todos responsáveis por modificar este estado de coisas.
Holocausto é uma palavra de origem grega que significa "sacrifício pelo fogo".  Mas nossos jovens não merecem ser sacrificados. Espero que os sobreviventes, os familiares sintam em nós a presença de pessoas vivas, solidárias, que apontem as iniquidades, que queiram a justiça, seriedade e mudança social.
* Artista plástica, mestre em educação e mãe

Artigo online\ Uma prática higienista em marcha

11 de janeiro de 2013 1

A internação
compulsória é
um retrocesso à
Idade Média,
em termos
médicos

LUCIO BARCELOS*

É pouco provável que os defensores da chamada "internação compulsória" para os usuários de drogas, crack em especial, como política pública, saibam, exatamente, do que estão falando. Alguns, bem intencionados, devem supor que, diante do fracasso das políticas estatais repressivas contra os traficantes de drogas, quem sabe uma política repressiva contra os usuários acabe funcionando. Sinto muito dizer, mas não vai funcionar. E não vai funcionar porque o problema do uso de drogas não se restringe às políticas repressivas, sejam elas quais forem. Décadas de repressão já deveriam ter servido de alerta. Existem evidências mais do que suficientes mostrando que esse tipo de medida não tem qualquer significado positivo no tratamento dos pacientes usuários de droga. A internação compulsória é um retrocesso à Idade Média, em termos médicos, porquanto o problema do uso de drogas é social e não se resolve, como dito, com políticas repressivas ou encarcerando os usuários (estudos científicos mostram que a taxa de recaída dos cidadãos internados compulsoriamente é de aproximadamente 98%). Uma sociedade como a nossa, que não consegue resolver suas questões mais elementares, como habitação, saúde, saneamento básico e educação, não vai _ até porque não interessa aos setores que se beneficiam dele _ resolver o problema do tráfico de drogas.
Para a secretária adjunta da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), o discurso que circula sobre epidemia do crack não está de acordo com a realidade: "Há no imaginário popular a ideia equivocada de que o Brasil está tomado pelo crack, mas o que existe é o uso em pontos específicos que pode ser combatido com atendimento na rua, não com abordagem higienista, com o mero recolhimento de usuários." Com efeito, dados do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) revelam que 12% dos paulistanos são dependentes de álcool e apenas 0,05% usam crack.
O que fazer, então? A adoção de um modelo econômico que permita a ascensão social do conjunto da população é medida que, por si só, irá contribuir para uma redução drástica no número de jovens e adultos usuários de droga. Um deslocamento social para melhor modificará as relações de uma camada da população, hoje excluída, com o conjunto da sociedade. Creio que exigir a adoção de uma política econômica mais inclusiva não seja pedir muito aos nossos governantes, mesmo sabendo de suas imensas dificuldades em tomar medidas concretas em defesa do conjunto da população, considerando seus compromissos com as grandes corporações e conglomerados transnacionais que pensam, acima de tudo, em seus lucros e vantagens, deixando o povo em plano secundaríssimo.
*Médico sanitarista