Preservar o
meio ambiente é
preservar a própria
pele, e fragilizar o
meio ambiente é
fragilizar a economia,
o emprego, a saúde
MIRIAN FABIANE DICKEL STRATE*
No princípio o homem se preocupava apenas com o seu bem estar, como se os recursos naturais fossem infinitos. Com o passar do tempo, a paisagem de um planeta natural, totalmente recoberto por árvores, rios limpos, solo perfeito foi desaparecendo, sendo substituído por um ecossistema artificial. O resultado é esse : hoje vivemos uma sucessão de catástrofes naturais estranhas e inusitadas como nunca antes foram vistas em nosso planeta. A poluição do ar, rios e córregos, trânsito caótico, enchentes, lixo acumulado, ocupações irregulares, violência, são todos "sintomas" de um modelo de crescimento desordenado, causado por um processo acelerado de urbanização que nunca se pautou pelo planejamento ou gestão, tampouco pela integração sustentável entre Homem & Ambiente. Segundo o Pnud, Programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento, o mundo tem assistido a um enorme progresso em termos de desenvolvimento humano nas últimas décadas. Desde 1970, o IDH cresceu 41% em termos globais e 61% nos países com IDH baixo, refletindo fortes avanços na saúde, na educação e na renda.
No Brasil podemos observar uma melhora nos padrões de vida da população, mas a melhoria destes padrões está associada ao aumento do consumo o que gera efeitos colaterais como a deterioração em indicadores ambientais fundamentais, como as emissões de dióxido de carbono, a qualidade do solo e da água, a cobertura florestal e a biodiversidade. Conforme o Pnud, além de dificultar o acesso a bens e serviços essenciais, a degradação ambiental provocará um aumento dos preços dos alimentos mundialmente em 30% a 50% nas próximas décadas e estimulará a volatilidade dos preços, com graves repercussões nas famílias mais pobres. A pergunta é: o que devemos fazer com isso? A resposta a essa pergunta atinge um caráter de urgência quando percebemos claramente os sinais de degradação e constatamos que o planeta sente, como nunca, o impacto das ações predatórias longamente praticadas pelo ser humano.
Sustentabilidade é a palavra da vez, entretanto é muito mais do que uma palavra da moda, significa muito mais do que mostrar para as pessoas que o "ser sustentável" é uma forma de vida e a única maneira de permitir que nosso planeta se recupere para que possamos viver em paz e por muito tempo ainda com os recursos naturais que ele tem para nos fornecer. Com os problemas provocados pelas mudanças climáticas aumentando em toda parte do planeta, as pessoas começaram a se interessar mais pelo assunto. Cidadania possui estreita ligação com meio ambiente a partir do momento em que decidimos aplicar sustentabilidade em nossa própria casa e exigir dos órgãos públicos o cumprimento da legislação ambiental, pois o artigo 225 da Constituição brasileira prevê: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações."
"Pensar globalmente, agir localmente", conceito que contribui para mudar o comportamento do cidadão, introduzir a noção que cada um dos bilhões de seres humanos que habitam o planeta deve fazer a sua parte. Não vamos salvar o planeta economizando um litro de água, ao fechar a torneira, mas se os 7 bilhões de seres humanos que habitam a Terra atualmente economizarem, serão 7 bilhões de litros de água preservada. Preservar o meio ambiente é preservar a própria pele, e fragilizar o meio ambiente é fragilizar a economia, o emprego, a saúde . O certo é que não existe saída se não houver uma alteração nos costumes predatórios. É imprescindível que cada vez mais os cidadãos tomem conhecimento do seu papel enquanto agentes de conscientização e responsabilidade ambiental, optando decididamente pelos produtos de empresas comprometidas com o meio ambiente e a qualidade de vida da sociedade. Podemos sim visualizar uma "luz no fim do túnel" conforme cada um despertar para a urgência do agora.
Nossa casa não é exclusivamente a residência onde moramos, nossa casa é o planeta. É urgente fazer com que nossas populações questionem o seu modo de vida e fazê-las entender que se os recursos do planeta não tiverem "a oportunidade" de renovarem-se e de sustentarem-se sob a pressão de uma demanda constante de consumo exagerado, a vida no planeta como a conhecemos acabará de forma dramática e somente através desse processo de conscientização poderemos garantir a sustentabilidade ambiental. Não estamos falando do futuro, mas sim do presente, não adianta olhar para trás e chorar as águas poluídas e as árvores derrubadas. Nosso planeta já está com uma população superior à sua capacidade natural, porém não tem mais volta. O segredo está em unirmos nossas forças e trabalharmos em prol da sustentabilidade .Devemos sempre lembrar dos ensinamentos do cacique Seatle, em 1854 : "O que acontece com a terra, acontece com os filhos da terra."
* Bióloga e professora








