Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts na categoria "Interatividade"

Editorial: Ganância e burocracia geram a cultura do suborno no país. Você concorda?

13 de março de 2014 11

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.

 

Editorial Interativo

Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

A CULTURA DA PROPINA

 

Pressionado pelas manifestações de rua, o Brasil deu um passo importante na luta contra a corrupção ao colocar em vigor uma rígida lei contra deformações nas relações entre agentes públicos e privados a partir de janeiro deste ano. Ainda assim, e até mesmo por falta de uma definição clara sobre a aplicação de sanções efetivas, o país segue acumulando casos que contribuem para reforçar, interna e externamente, a imagem associada a uma cultura disseminada da prática de propina na administração pública e na sua relação com fornecedores privados. O caso mais recente _ envolvendo denúncias relacionadas a pagamentos indevidos a servidores da Petrobras por parte de uma empresa holandesa _ dá uma ideia de até onde podem chegar os prejuízos políticos e financeiros para o país. E, ao mesmo tempo, da ineficácia ou da insuficiência de leis para punir empresas corruptoras brasileiras, pois o país é alvo fácil também de ilicitudes de megacorporações internacionais.
Só em São Paulo, o Estado economicamente mais avançado, há hoje dois escândalos típicos de pagamento de propina sob investigação. Um deles era capitaneado por uma máfia que reduzia o Imposto sobre Serviços (ISS) cobrado pela realização de obras, garantindo em troca propina para servidores da prefeitura paulistana. O outro envolve fraude em licitações e pagamento de “caixinha” para servidores por parte de um cartel de multinacionais com contratos na área de trens no governo estadual de São Paulo. O da Petrobras, que envolveria o pagamento de propina a funcionários por parte de uma empresa holandesa, é apenas o mais recente entre os mais rumorosos. Ainda assim, tem potencial para provocar estragos que vão além da imagem da maior estatal brasileira.
O ponto em comum entre esses exemplos mais conhecidos, dos muitos que circulam diariamente por baixo dos panos, é alegação dos corruptores sobre a necessidade de “apressar as coisas”. O excesso de burocracia está na origem da maioria dos registros de pagamento ilegal para a obtenção de vantagens. Quando a essa característica brasileira se associa a prática disseminada de abrigar apadrinhados políticos em empresas do setor público, muitos deles sem qualquer habilitação para o cargo exercido, a porta para os malfeitos se escancara. Todo brasileiro que concorda em cortar caminho na máquina pública mediante qualquer tipo de troca de favores acaba contribuindo para reforçar essa deturpação da normalidade administrativa.
O fato de o Brasil ter começado este ano sob a vigência de uma moderna e eficiente Lei Anticorrupção demonstra pelo menos que o clamor das ruas começa a ser ouvido. Muitos políticos continuam fazendo de conta que estão acima da lei, muitos cidadãos seguem recorrendo a jeitinhos para angariar benefícios, mas o país já não pode mais ser citado como paraíso da impunidade. Só o rigor da lei, porém, não basta. A cidadania plena exige a erradicação da cultura do suborno, mas isso só ocorrerá se cada brasileiro fizer a sua parte na construção de uma sociedade mais vigilante e mais ética.

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Interativo| Editorial diz que conduta recomendada a políticos no Carnaval deveria valer sempre. Você concorda?

27 de fevereiro de 2014 3

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.  

Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

Editorial Interativo

AUSTERIDADE SEMPRE

 

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República passou orientação aos ministros sobre o comportamento exigido e esperado das autoridades no Carnaval. No ofício, há uma recomendação tão óbvia, que poderia ser desnecessária, não fosse o Brasil um país com histórico de abusos cometidos por ocupantes do poder. Diz o texto: “Não há restrições a que a autoridade participe dos festejos de Carnaval, desde que por sua própria conta”. Percebe-se, na reiteração dessas recomendação, que o governo está preocupado em prevenir eventuais desgastes num ano eleitoral.
As normas editadas pela CEP em 2001 são claras e estão sintetizadas em três determinações: 1) É vedado à autoridade pública receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre sua probidade ou honorabilidade. 2) As autoridades públicas não poderão aceitar convites, com ou sem o pagamento de passagem ou hospedagem, de empresas privadas, seus administradores, representantes ou prepostos, para assistir ou participar de festividades e desfiles por ocasião do Carnaval. 3) Não há qualquer restrição a que a autoridade pública aceite, com relação a esses eventos, convite de órgão ou entidade pública, das administrações estadual e municipal.
Tais recomendações deveriam valer para o ano inteiro e permanentemente. Mais: deveriam se estender, também, a outros poderes da República, que também fazem parte da administração pública do país. Infelizmente, com indesejável frequência, ocupantes de cargos importantes transitam em sentido oposto ao Código de Conduta da Alta Administração Federal. Basta lembrar, por exemplo, o uso de jatinhos da FAB por ministros, para viagens de cunho pessoal, ou mordomias oferecidas por empresas a administradores.
No Legislativo, até pela maior visibilidade do poder, os escândalos são ainda mais frequentes. O próprio presidente do poder, há poucas semanas, viajou em aeronave da Força Aérea Brasileira entre Brasília e Recife, para fazer implante capilar. Cobrado pela mídia, acabou devolvendo o dinheiro da viagem aos cofres públicos.
Mesmo com a vigilância dos cidadãos, das redes sociais e da imprensa, os políticos que misturam o público e o privado continuam desafiando as regras de ética e conduta da administração pública. E essa normatização nem seria necessária se entrasse em vigor no país a sugestiva Constituição imaginada pelo escritor Capistrano de Abreu, com um único artigo:
Artigo 1º: Todo brasileiro deve ter vergonha na cara.
Parágrafo único: Revogam-se as disposições em contrário.

 

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Editorial interativo| Editorial defende revisão do tempo de internação para autores de atos infracionais. Opine.

20 de fevereiro de 2014 13

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.

Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.Interativo Ilustração Capa Online

MAIORIDADE PENAL

A Comissão de Constituição e Justiça rejeitou nesta semana uma proposta que defende a redução da maioridade penal para 16 anos para casos em que o adolescente tenha cometido crimes hediondos, tráfico de drogas com uso de violência ou reincidência em crimes violentos. Integrantes de movimentos sociais contrários à medida pressionaram os parlamentares pela rejeição e chegaram a chamar de fascista o autor do projeto, senador paulista Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB. Trata-se de um tema polêmico, que quase sempre é debatido sob alta voltagem emocional, pois costuma entrar em pauta sempre que ocorre um crime grave envolvendo menores de 18 anos _ o que já se tornou praticamente rotina no país.
No momento em que adolescentes infratores são espancados e acorrentados em postes, o debate se impõe. Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente seja uma legislação reconhecidamente humanitária, nada impede que seja revista depois de quase duas décadas e meia de vigência. A grande questão continua sendo o parágrafo 3º do artigo 121 do ECA, que diz que o período máximo de internação do adolescente em conflito com a lei em nenhuma hipótese excederá a três anos. Os defensores da flexibilização argumentam que a limitação funciona como estímulo para a criminalidade, pois os infratores e também delinquentes adultos que os aliciam têm certeza de que os autores de crimes estarão livres em pouco tempo. O sistema de liberdade assistida, que sucede à internação em casos de ato infracional grave, funciona com permissividade semelhante ao regime semiaberto dos condenados adultos.
A extensão do tempo de internação para autores de delitos graves ou reincidentes, observadas as avaliações psicológicas e sociais previstas na legislação, seria uma solução aceitável se tivéssemos instalações dignas e adequadas para jovens ainda em formação. Porém, conhecendo-se a precariedade dos locais destinados ao cumprimento de medidas socioeducativas, fica inviável qualquer internação mais prolongada.
Por isso, os brasileiros precisam vencer resistências ideológicas e enfrentar as questões que atormentam uma sociedade já demasiado sacrificada pela violência. Como fazer para que menores de 18 anos sejam responsabilizados na exata dimensão dos delitos praticados? Como evitar a sensação de impunidade e de revolta cada vez que o autor de ato infracional volta a delinquir? Como manter a legislação protetiva do ECA e, ao mesmo tempo, evitar que o estatuto seja utilizado como salvo-conduto para o crime?
Tais dúvidas não serão equacionadas com a simples redução da maioridade penal, mas está mais do que na hora de o país encarar este debate com coragem e à luz da realidade.

 

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Interativo | Editorial condena o uso de tortura em interrogatórios policiais. O que você acha?

24 de outubro de 2013 17

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.

Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

 

Editorial Interativo

O ESPÍRITO DA TORTURA

Depois de quatro meses de uma investigação policial respaldada por intensa campanha nas redes sociais, o país finalmente conheceu os detalhes do sequestro, da tortura e da morte do ajudante de pedreiro carioca Amarildo de Souza, por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha, no Rio de Janeiro. Com base nos depoimentos de testemunhas, no relato dos envolvidos e em mais de 32 mil ligações telefônicas interceptadas, além de provas periciais, o Ministério Público daquele Estado denunciou esta semana mais 15 PMs, totalizando 25 acusados pelo assassinato. São pessoas que, de alguma forma, por ação ou omissão, contribuíram com um crime inominável, que ressuscita o fantasma da tortura como método de confissão, expediente abominável dos regimes ditatoriais que, infelizmente, sobrevive em plena democracia brasileira.
A apuração mostrou que foram quatro soldados os autores diretos da atrocidade, mas vários outros colaboraram tanto para a prática do delito quanto para sua ocultação. Isso não significa que todos os envolvidos compactuam com os métodos medievais empregados pelos torturadores. O que está por trás desta conivência é o corporativismo imposto por um comando autoritário e pelo poder de intimidação dos delinquentes fardados, que ameaçam colegas para contar com o seu silêncio e para torná-los cúmplices de seus atos. Trata-se, portanto, do espírito da tortura mantido vivo por agentes policiais armados para defender os cidadãos _ e não para descarregar seus maus instintos sobre culpados e inocentes.
Mesmo que Amarildo fosse um criminoso, não poderia ter sido submetido ao tratamento desumano que causou sua morte. Segundo o relato de testemunhas ouvidas pelo MP, ele foi preso arbitrariamente num bar da comunidade, arrastado por oito policiais apesar dos protestos de sua mulher e levado para o interrogatório. Ao chegar na sede da UPP, foi colocado num depósito, submetido a choques elétricos, asfixiado com saco plástico na cabeça, afogado num balde e agredido até morrer. Então, os criminosos trataram de se desfazer do cadáver, que não foi encontrado até agora. Para isso, contaram com a proteção e o silêncio de outros policiais.
O deplorável episódio não desmerece o projeto das UPPs, que vem reduzindo a criminalidade e confortando a população em áreas até então dominadas pelo tráfico de drogas. Nem pode ser utilizado para deslustrar a imagem das polícias militares do país, majoritariamente reconhecidas pela população. Mas evidencia a permanência nestas corporações de focos de uma mentalidade incompatível com os direitos mais elementares do ser humano, que precisa ser repudiada e combatida até a sua extinção.

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Interativo| Editorial diz que governantes e autoridades são os maiores responsáveis pela violência. Você concorda?

16 de maio de 2013 24

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.

Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

 

Para participar, clique aqui

QUANDO NOS LIVRAREMOS DO MEDO?

Provocou grande repercussão o artigo do dirigente empresarial Roberto Rachewsky, publicado neste espaço na última terça-feira, afirmando que a pena de morte já existe em nosso país e vem sendo aplicada indistintamente contra cidadãos de bem, crianças, jovens, adultos ou idosos. Seu desabafo contra a violência questiona a responsabilização das vítimas e diz que só há dois culpados pela criminalidade no país: os delinquentes e as autoridades que não cumprem sua função de impedi-los de agir, pela ação policial e pela punição judicial.

Não endossamos totalmente a tese defendida pelo articulista, pois ele também sugere que a população se arme e reaja contra os criminosos _ o que, como a realidade comprova diariamente, quase sempre resulta em tragédia. Mas é inquestionável e revoltante que vivamos todos sob o regime da criminalidade, que comanda o triste espetáculo do medo nas grandes e pequenas cidades brasileiras. Vivemos aprisionados por grades, não nos arriscamos a sair à noite e, durante o dia, temos que estar sempre vigilantes, temos que desconfiar de tudo e de todos, temos que evitar lugares potencialmente perigosos, jamais portar objetos de valor e frequentar sempre locais protegidos.

Quando nos livraremos do medo? Que desgraça é essa que recai sobre o Brasil, quando até mesmo países vizinhos desfrutam de relativa tranquilidade para tocar a vida? Quantas gerações de brasileiros ainda terão que viver como nossos adolescentes e jovens, que nunca conheceram o direito de sair sozinhos com a certeza de voltar incólumes para casa?

Pode até haver razões culturais por trás dessa calamidade nacional, mas a responsabilidade maior é das autoridades que elegemos e sustentamos com elevados impostos para nos dar proteção e Justiça. Leis permissivas, polícia insuficiente e tribunais lenientes formam o tripé da impunidade, que também é sustentado por políticas sociais equivocadas.

A desigualdade social já não serve mais de explicação para a violência. Se o país retirou milhões de pessoas da miséria nos últimos anos, como explicar que a criminalidade continue aumentando e que os crimes urbanos sejam cada vez mais banais e monstruosos? Vítimas que não reagem são executadas, criminosos queimam uma pessoa imobilizada porque ela tem pouco dinheiro na conta corrente, assaltantes explodem bancos e aterrorizam cidades inteiras. Até mesmo moradores de rincões remotos são acordados na madrugada e têm suas casas invadidas por quadrilhas de delinquentes.

Acreditamos que só existe um caminho para superar este estado de terror, que passa por três pontos basilares: polícia, Justiça e educação. Polícia ostensiva, bem preparada, bem equipada e eficiente no combate à criminalidade; Justiça célere, rigorosa, exemplar e dissuasória na penalização de delinquentes de todos os calibres; e educação preventiva, transformadora, que efetivamente encaminhe os jovens para uma existência humanitária e produtiva.

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Editorial interativo\ Editorial diz que brasileiros devem aplaudir o papa argentino. Você concorda?

14 de março de 2013 24

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.  Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.


Para participar, clique aqui.

RIVAIS, MAS HERMANOS

A escolha de um argentino para o comando da Igreja Católica reacendeu o debate a respeito da rivalidade histórica entre o Brasil e seu vizinho continental mais influente. A agência de notícias Associated Press chegou a produzir uma reportagem, divulgada por meios de comunicação de várias partes do mundo, afirmando que a eleição do cardeal Jorge Bergoglio para o trono de São Pedro foi “uma adaga no coração do Brasil”, que tinha pelo menos um candidato bem cotado para o cargo. Não foi exatamente assim. Ainda que num primeiro momento possa ter havido surpresa e até uma leve frustração com a escolha do cardeal portenho, a verdade é que os brasileiros receberam com respeito e simpatia a ascensão de um latino-americano ao cargo mais elevado da Igreja. Nesta hora, vale mais o sentimento de pertencer ao mesmo continente do que a oposição fronteiriça.
Não poderia ser de outra forma: nossa rivalidade, que é acentuada no terreno esportivo, deve ter o limite do bom senso, da solidariedade e da colaboração mútua. Brasil e Argentina são parceiros comerciais e sócios fundadores do Mercosul. Descontando-se alguns momentos de conflito, inclusive a participação em lados opostos na II Guerra Mundial, têm caminhado juntos pela história da América do Sul, no rumo da democracia, do desenvolvimento e de uma vida melhor para seus povos.
Os dois povos mantêm, é verdade, um espírito de permanente competição em áreas específicas: Pelé ou Maradona? Samba ou tango? Buenos Aires ou Rio de Janeiro? Fangio ou Ayrton Senna? Tudo serve de argumento para o interminável debate patriótico que invariavelmente termina sem vencedor. Suspeita-se que esta disputa de beleza tenha origem na corrida marítima de portugueses e espanhóis pela ocupação deste continente que agora se enche de orgulho por ter gerado o novo papa.
Se o calendário da Santa Sé não sofrer alterações, a primeira viagem internacional do papa argentino será exatamente para o Brasil, que recebe em julho, no Rio de Janeiro, um dos grandes eventos da Igreja Católica, que é a Jornada Mundial da Juventude. Não pode haver dúvida de que o papa Francisco será recebido com calorosos aplausos e com o melhor da hospitalidade brasileira. Mais do que o pai espiritual dos que professam a sua fé, ele é um membro de nossa família continental, um homem que conhece bem a nossa região e a nossa gente, um vizinho histórico e leal.
Sempre é bom lembrar que os brasileiros tratam os argentinos por “hermanos” _ e, como acontece com todas as famílias, a relação entre irmãos é feita de competição, de rivalidade saudável e até mesmo de disputas por espaço, mas também de mãos estendidas nas horas difíceis e de abraços nos momentos de alegria. Sem ódios nem adagas. Brasil e Argentina estão unidos na celebração do papa sul-americano.

Editorial interativo: Editorial defende a regulamentação do lobby no país. Você concorda?

07 de março de 2013 5

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.  Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Para participar, clique aqui.

ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO

O advogado-geral da União, ministro Luís Inácio Adams, defendeu nesta semana a regulamentação do lobby no Brasil, como alternativa para a contenção do tráfico de influência nas relações entre o setor público e a iniciativa privada. Lobby é exatamente isso, uma ação política de defesa de interesses com o propósito de influenciar decisões em todas as esferas de poder. Num regime democrático, deveria ser uma prática lícita e rotineira. Mas não é assim em nosso país. O lobismo transformou-se numa atividade quase clandestina, pela qual intermediários com acesso aos governos, aos órgãos públicos e às autoridades fazem uso de meios legais ou nem tanto para levar adiante demandas de seus representados.
A sugestão do ministro Adams surge na esteira da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, que flagrou um esquema de compra de pareceres no interior da própria Advocacia-Geral da União, resultando daí o afastamento do número 2 da entidade por sua ligação com a máfia que vendia facilidades e da qual faziam parte outros funcionários graduados de agências reguladoras. Este é só um exemplo do chamado lobby do mal, pelo qual espertalhões se aproveitam da proximidade com servidores desonestos e manipulam os mecanismos do Estado para beneficiar a si próprios ou a terceiros.
Como o tráfico de influência se tornou rotineiro, devido à falta de fiscalização interna e à impunidade, o lobby também caiu na clandestinidade. Por mais íntegro que seja o lobista, sua atuação é vista com desconfiança pela sociedade, até mesmo porque invariavelmente a atividade só ganha destaque público quando ocorre algum escândalo. A ideia de regulamentar e dar transparência ao lobby não é nova. Projetos neste sentido tramitam no Congresso Nacional há mais de duas décadas, mas quase sempre esbarram no desinteresse dos parlamentares em cortar vínculos com financiadores de campanhas e com apoiadores políticos.
O lobby é uma atividade legal e regulada nos Estados Unidos e na Europa, exercida por pessoas habilitadas para defender determinadas causas privadas junto aos poderes constituídos. Funciona porque se baseia na transparência _ os lobistas são registrados, utilizam crachás de identificação e divulgam o nome das empresas que representam. Sobra menos margem para o tráfico de influência e para negociatas.
Aqui, infelizmente, o que predomina é a hipocrisia. A atividade é tão frequente e aceita na administração pública, que a Universidade de Brasília mantém um curso de especialização em “assessoramento parlamentar”, que nada mais é do que a formação de lobistas, mas os profissionais que exercem essas funções raramente assumem tal identidade, para não receberem a pecha de traficantes de influência. E quem lucra com isso são os desonestos, que se aproveitam do anonimato e da ausência de regras para promover a promiscuidade entre o público e o privado.

Editorial interativo\ Editorial responsabiliza governos e empreiteiras pela deterioração precoce de estradas. Você concorda?

28 de fevereiro de 2013 12

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.  Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Para participar, clique aqui.

DESCASO NAS ESTRADAS

A incapacidade do poder público de investir o necessário para assegurar condições de trafegabilidade nas estradas do país e, mais do que isso, de fiscalizar com um mínimo de rigor o trabalho delegado a empreiteiras agrava de forma preocupante a situação enfrentada pelos usuários de maneira geral. Levantamento recém divulgado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) reforça os temores de brasileiros que, a lazer ou a trabalho, colocam sua integridade física em risco diante da sinalização precária e das péssimas condições de pavimentação que, em alguns trechos, tornam as rodovias intransitáveis. Como se já não bastassem todos esses riscos, há um fator com potencial suficiente para causar ainda mais indignação: trechos recém recapeados apresentam problemas, deixando evidente a falta de seriedade de quem contratou a obra, por não fiscalizar, e de quem a executou, por oferecer um serviço que não vale o preço combinado, pago com o dinheiro dos contribuintes.
Baseada em obras do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) concluídas nos últimos dois anos em oito Estados, a auditoria concluída agora aponta problemas estruturais em nada menos do que nove das 11 estradas analisadas. Somente para corrigir esses problemas surgidos com uma precocidade espantosa, seria preciso gastar o equivalente a mais de 20% do valor de todas as obras analisadas, o que dá uma ideia do descontrole do dinheiro público nessa área, dos ganhos nem sempre justos auferidos por empreiteiras e do desrespeito dispensado pelo poder público aos contribuintes. A situação, no caso, diz respeito a rodovias federais. Independentemente de quem detém o controle, porém, a realidade de quem roda pelos Estados sulinos, por exemplo, não costuma ser muito diferente.
De toda a malha rodoviária gaúcha, apenas 58,7% ganhou o conceito ótimo ou bom no levantamento realizado no ano passado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A situação é ainda mais preocupante em Santa Catarina, onde o percentual cai para 40,1%. O restante está às voltas com problemas corriqueiros para os motoristas, forçados a correr riscos pessoais e a arcar com os custos aos veículos em consequência de desgastes na pavimentação, de ondulações ou mesmo de crateras de todos os tamanhos, de desgaste ou inexistência de pinturas de faixas ou de sinalização. A situação é menos desfavorável nos trechos concedidos, mas nem nesses os motoristas podem confiar plenamente.
Rodovias desgastadas aumentam os riscos para seres humanos e ampliam os custos para os consumidores, com impacto sobre o frete e, em consequência, sobre a inflação. Além de investir o necessário em infraestrutura rodoviária, o Executivo precisa impor condições rígidas para as empreiteiras, que devem ter seu trabalho fiscalizado em todas as etapas e até mesmo ressarcir os cofres públicos em casos de ineficiência ou má-fé. Só quando os responsáveis pela péssima situação das rodovias forem punidos de fato é que os usuários poderão transitar com mais segurança.

Editorial interativo\ Estupidez fatal

21 de fevereiro de 2013 4

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.  Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

Para participar, clique aqui.

Os danos causados pelo uso irresponsável de fogos de artifício não podem ser considerados fatalidade, mas sim a consequência de uma estupidez. Da mesma forma, não é inteligente nem aceitável a omissão das autoridades na vigilância e no controle de instrumentos que podem provocar mortes e tragédias, como ocorreu na última quarta-feira no episódio que vitimou um torcedor boliviano e como já havia ocorrido no terrível incêndio da boate de Santa Maria.
Quando alguém aciona um sinalizador pirotécnico num ambiente fechado ou em meio a uma multidão, está assumindo o óbvio risco de causar danos. Não existe outra possibilidade, pois esses artefatos têm potencial para queimar, ferir e até mesmo para matar, como se constatou tristemente na cidade de Oruro, onde torcedores brasileiros provocaram a morte de um jovem boliviano de 14 anos. No Brasil, o uso de fogos de artifício é proibido em estádios de futebol, mas todas as torcidas levam para as arquibancadas os chamados sinalizadores pirotécnicos, criados para emitir luz ou fumaça colorida com o propósito original de facilitar a localização de pessoas em situação de isolamento.
São igualmente perigosos, pois na maioria das vezes possuem material inflamável e explosivo. Portá-los ou acioná-los no meio de uma multidão são atos absolutamente irresponsáveis, que merecem repreensão e punição.
Mesmo em celebrações tradicionais, como as festas de fim de ano, o uso de fogos de artifício tem que ser rigorosamente controlado. Existe legislação específica para isso _ o que não existe é fiscalização suficiente nem uma cultura de segurança por parte da população, que deveria denunciar abusos e riscos, até mesmo para sua própria proteção. Na realidade, porém, há pessoas que usam até mesmo armas de fogo para fazer barulho e chamar a atenção em momentos de celebração coletiva.
A única explicação para este comportamento deletério está na frase célebre do cientista Albert Einstein: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta”. Somos falíveis, cometemos erros, muitas vezes calculamos mal os movimentos de nossas vidas. Mas nada justifica a exposição gratuita e irracional a situações capazes de provocar tragédias e causar danos irreparáveis a terceiros.
Para isso, para prevenir que indivíduos com comportamentos desviantes causem prejuízos à sociedade, existem as leis e as autoridades. A responsabilização posterior se impõe, até como forma de atenuar o sofrimento dos familiares e amigos das vítimas da insensatez. Mas o importante é prevenir, é evitar que fatos deploráveis se repitam _ e não há outro caminho senão o da fiscalização implacável e proibição de uso de equipamentos potencialmente causadores de danos.
Fogos de artifício, bombas, foguetes, sinalizadores explosivos não combinam com o futebol, nem com qualquer espetáculo que reúna grande público. Se a estupidez humana é infinita, como alertou o cientista, que pelo menos se tente torná-la menos letal.

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.

Editorial interativo| Editorial defende o horário de verão. Você concorda?

14 de fevereiro de 2013 14

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.  Ao deixar seu comentário, informe nome e cidade.

Para participar, clique aqui.

ATRASO OU AVANÇO?

Depois de quase quatro meses, os brasileiros que moram nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além dos residentes no Estado de Tocantins, terão que atrasar os seus relógios a partir da 0h deste domingo para recuperar a fração de tempo suprimida com o horário de verão, iniciado em outubro do ano passado e que, segundo os cálculos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), proporcionou ao país economia de cerca de R$ 282 milhões nesse período. Embora muitos brasileiros das regiões afetadas considerem um transtorno acordar mais cedo e dormir mais tarde nos meses de verão, a medida oficializada em 2008 por decreto presidencial tem se mostrado positiva para o país, especialmente em períodos de risco de racionamento de energia.
O principal objetivo da mexida nos ponteiros é aliviar as redes de transmissão de energia nos momentos em que o consumo é mais intenso, principalmente entre 18h e 21h, que é quando a iluminação pública é acionada e as pessoas ligam diversos aparelhos em suas casas. O adiantamento do relógio impede principalmente a coincidência entre o início da iluminação de ruas e residências e o consumo do comércio e da indústria, que cai significativamente após as 18h.
Não é uma invenção brasileira. A ideia de usar tal artifício para explorar por mais tempo a luz solar foi lançada em 1784 pelo inventor norte-americano Benjamin Franklin, com o propósito de economizar a cera das velas, pois sequer havia eletricidade naquela época. Mas só foi adotada oficialmente em 1916, pela Alemanha, para economizar carvão durante a I Guerra Mundial. Desde então, vários países passaram a mexer nos relógios para aproveitar os dias mais longos do verão e reduzir o consumo de energia.
O Brasil adotou o horário de verão pela primeira vez em 1931, em todo o território nacional, mas só a partir de 1985 passou a utilizá-lo todos os anos. Atualmente, abrange apenas três regiões, mas desperta tanta oposição, que já tramitam no Congresso Nacional pelo menos três projetos com o propósito de extingui-lo, sob o pretexto de que afeta a saúde das pessoas e compromete segurança pública. Realmente, os médicos reconhecem que a mudança pode desregular o relógio biológico de indivíduos mais sensíveis.
Mas em poucos dias ocorre a adaptação e os ganhos coletivos são inegáveis, especialmente para a economia dos Estados da Região Sul. Portanto, enquanto a população brasileira não desenvolver uma cultura de austeridade em relação ao consumo, a imposição oficial terá que continuar sendo tolerada, até mesmo porque os números comprovam que a medida, considerada em seu âmbito social, traz mais vantagens do que desconforto.
Só o fato de reduzir o risco de desabastecimento já seria suficiente para justificá-la.

Para que possamos avaliar seu comentário sobre este editorial, com vistas à publicação na edição impressa de Zero Hora, informe seu nome completo e sua cidade.