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Posts na categoria "Interatividade"

INTERATIVO| Editorial defende órgãos fiscalizadores mais eficientes. Opine.

18 de junho de 2015 5

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.

 

 

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FISCALIZAÇÃO EFICIENTE

PARA OS GASTOS PÚBLICOS

 

Um dos assuntos mais polêmicos da semana foi o verdadeiro ultimato do Tribunal de Contas da União à presidente Dilma Rousseff, para que justifique em 30 dias as irregularidades encontradas nas contas de seu governo, referentes ao ano passado. A origem do problema é bem conhecida: 2014 foi o ano da reeleição, e o governo gastou mais do que estava autorizado a gastar. Para fechar as contas e manter a imagem positiva, apelou para a chamada contabilidade criativa (pela qual o governo manipula sua realidade patrimonial, flexibilizando ou omitindo normas contábeis) e também para as pedaladas fiscais (pagamentos de programas governamentais com recursos de bancos públicos, retardando os repasses do Tesouro para cobrir o empréstimo). Ao todo, o TCU contabilizou 13 irregularidades que a presidente terá de explicar sob o risco de ver suas contas rejeitadas. É a primeira vez que um presidente da República é convocado pelo Tribunal sob tal pretexto.
Ainda que exista um componente político na convocação, o Tribunal de Contas da União está cumprindo o seu papel constitucional ao examinar com rigor as contas do Executivo em vez de simplesmente aprová-las com ressalvas, como tem feito historicamente. Além disso, o impasse tende a ser resolvido pelo Congresso, do qual o TCU é um órgão de assessoria. E o Congresso terá a oportunidade de se confrontar com suas próprias omissões, pois não analisa as contas do governo desde 2002.
Independentemente do seu desfecho, o episódio evidencia também a inoperância dos mecanismos de controle de contas públicas. O mesmo sistema de freios e contrapesos que embasa a democracia tem que ser observado em cada poder, em cada órgãos estatal, por meio de auditorias e tribunais que efetivamente garantam o direito dos cidadãos de acompanhar e fiscalizar os gastos públicos.
Vigiar a correta aplicação dos recursos do contribuinte é ato indispensável para o bom funcionamento da democracia. Infelizmente, no Brasil, a maioria dos órgãos fiscalizadores descumpre essa premissa, até mesmo porque muitos deles são formados por apadrinhados políticos dos governantes que deveriam fiscalizar. Em contrapartida, o país tem registrado avanços, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Acesso à Informação, que, no mínimo, causam constrangimento a quem as infringe. Falta chegar ao razoável, que é a efetiva responsabilização dos infratores.

 

 

Interativo| Editorial: faxina no futebol deve se estender a outros esportes. Você concorda?

04 de junho de 2015 3

Zerohora.com adianta o editorial que os jornais da RBS publicarão no próximo domingo para que os leitores possam manifestar concordância ou discordância em relação aos argumentos apresentados. Participações enviadas até as 18h de sexta-feira serão selecionadas para publicação na edição impressa.

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A HORA DA FAXINA NOS ESPORTES

 

O Brasil já dispõe de motivação suficiente para que não só o futebol, mas todas as estruturas esportivas do país passem por uma profunda reavaliação, sob a inspiração do que deve ocorrer na Fifa e também na CBF. A oportunidade é única. A sucessão de escândalos no futebol cria o ambiente propício à apuração do que se passa em outros esportes, muitos dos quais com instituições igualmente viciadas. Considere-se também que estamos às vésperas da Olimpíada de 2016, quando o Brasil será submetido a testes de eficiência, a exemplo do que pôs à prova a viabilização da Copa. Desta vez, o país terá de oferecer, além da capacidade de organização, a transparência que faltou à gestão do Mundial.
É uma tarefa grandiosa, que deve ser iniciada dentro dos clubes e das federações, para que pendências, algumas crônicas, sejam resolvidas. São muitos os questionamentos sobre perpetuação no poder, administrações autoritárias, irregularidades contábeis e indícios de corrupção. Para citar apenas dois exemplos, confederações de vôlei e de tênis já estiveram sob suspeita, e nem sempre as situações investigadas foram amplamente esclarecidas. Repete-se, em entidades variadas, o que ocorria na CBF e na Fifa, com o compadrio e a omissão dos próprios dirigentes, além de falhas nos mecanismos de prevenção e controle.
Mesmo que o futebol seja o reduto preferido para a atuação de quadrilhas dispostas a desfrutar dos benefícios de uma atividade popular e sustentada pela paixão, o certo é que outras áreas merecem atenção. É preciso que a delinquência, com a disseminação de propinas, lavagem de dinheiro e outras formas de corrupção, saia das sombras e seja bem identificada. A missão de moralizar o esporte brasileiro passa, é claro, pelos organismos que disso se ocupam, na polícia, no Ministério Público e na Justiça, mas será parcial se não for assumida pelas próprias entidades _ federações, clubes, atletas e torcedores, através dos sistemas de representação. Mesmo que tardia e, provavelmente, com segundas intenções, é um bom início a decisão da CBF de convocar filiadas para discutir o fim de mandatos continuados e por tempo indefinido.
Todos os esportes precisam passar pela faxina. Não há como relevar o fato de que o entretenimento foi contaminado por ações delituosas. Governo e Congresso não podem ficar alheios a esse desafio, para que leis e mecanismos de controle e vigilância sejam aperfeiçoados e os esportes _ e as verbas milionárias que movimentam, provenientes em boa parte de recursos públicos _ deixem de estar sob permanente desconfiança.

 

INTERATIVO| Editorial condena o financiamento empresarial de campanhas. O que você pensa a respeito?

28 de maio de 2015 7

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CONGRESSO MANTÉM
A FONTE DA CORRUPÇÃO

 

Bem ou mal, a reforma política está sendo debatida no Congresso, mas o corporativismo parlamentar ameaça impedir a correção da maior de todas as distorções, que é a doação de empresas às campanhas eleitorais _ reconhecida como a principal fonte de corrupção no país. Uma manobra liderada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na última quarta-feira, ressuscitou o financiamento privado a partidos políticos, depois que as doações a candidatos e legendas haviam sido barradas. A doação exclusiva às agremiações partidárias interessa ainda mais às grandes siglas por favorecer as chamadas contribuições ocultas.
Embora a matéria dependa ainda de aprovação do Senado, que promete impor restrições nos valores, condicionando-os ao faturamento das empresas doadoras, o princípio da imoralidade tende a permanecer. Como reconhecem os próprios ministros do Supremo que já se manifestaram favoráveis à proibição, as doações de pessoas jurídicas afetam o equilíbrio dos pleitos e privilegiam o poder econômico sobre o direito democrático dos cidadãos de elegerem seus representantes pelo voto livre e espontâneo. Além disso, qual a empresa que vai dispensar recursos generosos para uma campanha eleitoral sem esperar uma retribuição dos candidatos beneficiados?
O simples regramento de limites para as doações não resolve o problema, pois inexistem mecanismos fiscalizadores eficientes para evitar o chamado caixa 2, ou recursos não contabilizados _ como costumam chamar tesoureiros flagrados em irregularidade. Neste contexto, o melhor para o país seria que o STF concluísse o julgamento já iniciado e declarasse a inconstitucionalidade do financiamento privado de campanhas, como pede a Ordem dos Advogados do Brasil.
O desejável é que a normatização de temas políticos seja feita pelo Legislativo, e não pelo Judiciário, mas o atual parlamento não parece disposto a promover as reformas que a sociedade exige, especialmente quando as mudanças afetam os interesses dos detentores de mandatos. As articulações políticas pela manutenção do financiamento privado para campanhas eleitorais evidenciam essa resistência corporativista e aumentam o desencanto dos eleitores com seus representantes.

INTERATIVO| Editorial diz que crise gera também oportunidades. Você acredita?

21 de maio de 2015 12

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A CRISE NÃO PODE IMOBILIZAR

 

O Brasil atravessa inegavelmente um dos momentos mais preocupantes de sua trajetória democrática: crise econômica, turbulência política, corrupção generalizada, desgoverno, investigações policiais rumorosas, retração dos negócios, ajustes no setor público, inflação e desemprego, violência urbana, ódio nas redes sociais e precariedade em serviços básicos como educação, saúde e segurança. Parece o caos. Mas não é. A história comprova fartamente que os problemas, por maiores que sejam, já se apresentam com as próprias soluções embutidas. O desafio dos brasileiros é encontrá-las e implementá-las com trabalho, criatividade e seriedade.
Como bem adverte a presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, a crise não pode paralisar o setor produtivo. A empresária lembrou recentemente que o índice de confiança da população tende a ser diretamente influenciado pelo cenário negativo. A disseminação de uma notícia ruim, mesmo que tenha uma causa circunstancial, acaba afetando e retraindo naturalmente todo o mercado. Por isso, a executiva recomenda que empresários e cidadãos devem manter-se atentos à crise, mas não podem deixar que ela os imobilize.
_ O ideal é que ela nos incentive a pensar com cabeça de solução e que a encaremos como uma oportunidade.
Crise e oportunidade andam juntas, costumam dizer os chineses, que agora, mais do que nunca, se transformaram em protagonistas da geopolítica internacional. Ao buscar novos mercados para investir e para ampliar suas relações comerciais, num momento de retração da própria economia, eles dão o exemplo de que o Brasil precisa para reagir.
O momento é de expectativa, mas não de imoblismo. Ainda que não se vislumbre um cenário de superação da crise, só saberá primeiro quais são as saídas quem assumir riscos, quem deixar de lado as lamúrias e partir para a ação. Vale para a iniciativa privada e para o setor público, que concentra poder e representatividade para gerar boas ou más notícias. Ainda que os ajustes pareçam necessários e inadiáveis, tão logo sejam implementados é imprescindível que os governos mudem o discurso e apresentem visões mais otimistas do país e das unidades federativas que comandam.
O Brasil só vencerá a crise se todos os brasileiros conjugarem ao mesmo tempo dois verbos mágicos: acreditar e agir.

Interativo| Editorial defende a gestão compartilhada nas escolas. Você concorda?

19 de fevereiro de 2015 11

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O DESAFIO DA GESTÃO ESCOLAR

    Na semana da volta às aulas, poucas escolas da rede pública reúnem as condições ideais para um aprendizado de qualidade: instalações adequadas, salas organizadas e limpas, equipamentos funcionando, contas em dia, quadro docente completo, professores e funcionários motivados, comunidade participativa _ e, principalmente, alunos aprendendo. O que ocorre no Brasil, quase como regra geral, é o oposto disso: instalações deficientes, trabalhadores mal remunerados e desmotivados, famílias ausentes e a já tradicional falta de professores para todas as disciplinas. Neste contexto bem conhecido, um personagem torna-se especialmente importante para promover transformações: o diretor de escola. São múltiplas as suas responsabilidades. Cabe a ele, entre outras atribuições, gerenciar docentes, coordenadores, orientadores e funcionários; prestar contas à comunidade, identificar as necessidades da instituição, fazer o meio-campo com a Secretaria de Educação, comandar o projeto político-pedagógico, acompanhar a aprendizagem, estimular seus companheiros de direção e manter comunicação com os pais de alunos, atraindo-os para o processo educacional. Mais do que um diretor, ele precisa ser um gestor _ comprometido, atualizado, preparado para o seu importante papel. Dá para exigir tal desempenho de servidores que sequer receberam formação suficiente para o cargo que exercem, quando se sabe que eles geralmente são mal remunerados e pouco apoiados? Certamente não, mas todos os envolvidos no processo educacional podem contribuir de alguma maneira para que o diretor de escola centralize a transformação que a educação brasileira precisa para se qualificar. Claro, cabe a ele promover uma gestão compartilhada, exercendo sua liderança em conjunto com professores, alunos, funcionários e pais, para atrair participação e envolvimento. Mas esta relação tem que ser de mão dupla: sem ajuda e sem demanda compatível com as possibilidades de atendimento, até mesmo gestores eficientes tendem a se acomodar. Então, em tempo de volta às aulas, é importante que cada brasileiro se coloque no lugar de um diretor de escola _ e descubra o que pode fazer para ajudá-lo a administrar o futuro do país.

Interativo| Você concorda com o editorial de que falta boa governança para a melhoria dos serviços públicos?

01 de janeiro de 2015 10

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HORA DE COBRAR EFICIÊNCIA

A posse dos novos ministros do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff e dos secretários de Estado do governo José Ivo Sartori renova a expectativa entre os contribuintes de que o clamor por serviços públicos de mais qualidade seja finalmente ouvido. O apelo, válido para todos os integrantes do primeiro escalão, em ambas as esferas da federação, faz mais sentido ainda em áreas nas quais as carências são mais visíveis: da educação à saúde, passando por segurança pública. São essas nas quais fica mais visível o que ficou conhecido como corrupção silenciosa, resultante de más práticas de prestadores de serviços públicos que não envolvem troca de dinheiro. A saída vai depender da disposição dos novos gestores, de perseguir pressupostos até agora negligenciados na administração oficial: elevados níveis de transparência e eficiência de gestão, que são as bases da boa governança.
Em âmbito federal, levantamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) confirmam em estudos o que os brasileiros constatam no seu cotidiano quando buscam uma vaga para o filho em escola pública, ou procuram atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), ou não têm a quem recorrer numa situação de insegurança. No último levantamento envolvendo mais de 300 órgãos da administração pública federal, o Tribunal de Contas constatou que, em nada menos de 55,4% deles, as boas práticas de governança estão num estágio inicial. As razões estão na falta de treinamento, de avaliação de gestores, de planejamento e metas e de desempenho.
Tanto a União quanto o Estado precisam criar, no menor prazo de tempo possível, as condições para que o setor público possa investir o necessário em suas atribuições específicas. Aos contribuintes, o que interessa não é como os governantes vão acertar suas contas _ o mínimo que se pode esperar de um bom gestor _, mas se vão ou não propiciar uma retribuição à altura do que é pago sob a forma de impostos. E é justamente isso o que não vem ocorrendo. No caso dos serviços concedidos, o agravante é que falta eficiência tambem às agências de regulação, em grande parte pela excessiva politização de seus quadros.
As novas administrações precisam se comprometer com princípios de boa governança. Os contribuintes não podem mais se conformar com a sonegação sistemática de serviços públicos de qualidade aos quais têm direito.

 

Interativo| Editorial critica brechas da Ficha Limpa que permitiram volta de Paulo Maluf à Câmara. Você concorda?

18 de dezembro de 2014 10

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A VITÓRIA DOS FICHA-SUJA
O político apontado como exemplo negativo de homem público, punido pela Lei da Ficha Limpa pela sua extensa trajetória de delitos, está livre para voltar a exercer atividades parlamentares. O deputado federal eleito Paulo Maluf (PP-SP), beneficiado por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, será diplomado e irá retomar sua cadeira na Câmara. A candidatura de Maluf havia sido cancelada, às vésperas da eleição, por decisão do mesmo TSE, em decorrência da sua condenação por improbidade administrativa quando era prefeito de São Paulo, nos anos 1990. Como cabia recurso, seu nome foi mantido nas urnas e ele recebeu votos suficientes para se eleger. Nesta semana, o Tribunal revisou a decisão anterior: para surpresa geral, Maluf foi considerado elegível, tomará o lugar de outro deputado eleito e retornará ao Congresso.
É um deboche, por mais que a deliberação tenha um controverso amparo legal. Alegam os ministros que, em maioria de quatro a três, votaram pelo registro da candidatura o fato de Maluf não ter sido condenado por atos dolosos no caso do superfaturamento de obras e desvio de recursos da prefeitura. Isso quer dizer que teria participado involuntariamente de um esquema de corrupção _ ou, dito de outra forma, Maluf cometeu improbidade sem querer. É absurdo que um político condenado por envolvimento em caso amplamente comprovado _ e com o dinheiro desviado localizado em paraísos fiscais _ seja considerado participante distante ou passivo de um sistema de superfaturamento e desvio de dinheiro do município.
Está provado que Maluf participava de um conluio com empreiteiras, é dono das contas identificadas no Exterior e ainda responde a ações criminais no Supremo. Mas Maluf escapa quase sempre e dá sinais de que pode estar escapando mais uma vez, graças às manobras de interpretação das leis e às chamadas chicanas jurídicas, que manobram com prazos, prescrições e toda forma de recurso diversionista. É inacreditável que uma lei criada para evitar que políticos corruptos ou envolvidos em outros crimes continuem atuando livremente enfrente obstáculos pela falta de clareza. Por que o senhor Paulo Maluf dispõe do benefício de uma interpretação enviesada da Ficha Limpa, se é notório e provado seu envolvimento com a corrupção?
A desculpa de que o TSE está sendo rigoroso na obediência à lei deixa dúvidas. Primeiro, porque falta convicção à decisão. Maluf foi barrado na primeira vez pelo mesmo escore que agora o absolveu. Os eleitores e a população em geral têm abalada, com mais esse episódio, a esperança de que os políticos flagrados em delito deixariam de desfrutar da impunidade. Os legisladores e os tribunais terão de ser menos evasivos em questões decisivas para a moralização da atividade pública.

 

Interativo| Editorial condena agressão de Bolsonaro e defende cultura de tolerância. Você concorda?

11 de dezembro de 2014 24

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SEM CONCESSÕES AO PRECONCEITO

O país ainda convive com a repercussão provocada pelo gesto extremamente agressivo do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que voltou a se comportar de forma preconceituosa diante de uma mulher que é também sua colega de parlamento. Nesta semana, Bolsonaro referiu-se à deputada Maria do Rosário (PT-RS) com palavras que não merecem ser repetidas. Foi a segunda vez que isso ocorreu, tendo os dois como protagonistas de um confronto que deveria se restringir ao campo das ideias. Bolsonaro rompeu com os códigos de conduta do Congresso e da sociedade e afrontou também as pessoas que o elegeram, no Rio, além dos eleitores gaúchos que conduziram a parlamentar petista ao Legislativo.
A ofensa do deputado atinge as mulheres e a civilidade e não pode ser analisada apenas no contexto de uma democracia que se afirma pela liberdade de expressão. Bolsonaro defende a tortura, a pena de morte, a discriminação de mulheres no trabalho e o julgamento sumário de criminosos. Expressar-se livremente é um direito que a Constituição lhe assegura. Na contrapartida, como qualquer cidadão, ele deve igualmente responder pelas consequências de seus atos. A situação de Bolsonaro é ainda mais grave quando se leva em conta que integra a Casa que formula leis. O deputado é um legislador e deveria dar o exemplo da submissão às normas de convivência civilizada. Sua trajetória é marcada, ao contrário, por atos de discriminação a minorias, por declarações em defesa do autoritarismo e por agressões sistemáticas ao bom senso.
Ressalve-se que as posições expressas pelo parlamentar fazem parte de um contexto de recrudescimento de ações preconceituosas. É preciso admitir que parcela significativa da população apoia seus gestos, ou o deputado não teria sido o mais votado no último pleito em seu Estado, ao mesmo tempo em que combate, por intolerância, a postura de políticos que defendem posições opostas _ como é o caso da deputada agredida. Compreender o que suas ideias representam não significa, de forma alguma, admitir que devam ser assimiladas com naturalidade. Não é natural, num ambiente de diversidade, que prosperem as vozes contra uma sociedade que deve ser cada vez mais plural e tolerante.
A eventual punição de Bolsonaro por seus pares é apenas parte da reparação de um caso específico. O país precisa mais. Os brasileiros devem potencializar condutas que estimulem a aceitação das diferenças, nas famílias, escolas, nas empresas, nas instituições. É uma questão de respeito às leis e à civilização, para que a sociedade se previna contra o surgimento de outros Bolsonaros e de pessoas que os idolatram.

Interativo| Você concorda com o editorial que condena ganhos acima do teto no setor público?

27 de novembro de 2014 6

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SUPERSALÁRIOS NO SERVIÇO PÚBLICO

 

Depois de marchas e contramarchas, a Câmara dos Deputados decidiu cortar salários de seus servidores que excedem o teto legal de R$ 29,4 mil. Está claro na Constituição Federal que nenhum funcionário público pode ganhar mais do que um ministro do Supremo Tribunal Federal. É uma determinação que deveria ser cumprida sem contestações, mas que, a exemplo de muitas outras, continua a desafiar as leis, o bom senso e a moralidade. Tanto que, só no Congresso, 2 mil servidores recebem vencimento acima do teto, protegidos por uma liminar do STF e, posteriormente, desde outubro, respaldados pela presidência da Casa, que resolveu manter os pagamentos até que fosse publicado o acórdão contra o pagamento dos supersalários. Registre-se que os servidores não precisarão devolver o que receberam a mais. Tudo o que foi pago às custas do contribuinte continuará com quem embolsou os recursos, como se o passado devesse ser ignorado em favor dos privilegiados. Lamentavelmente, esta não é uma situação isolada. Também em outras áreas dos demais poderes, incluindo Executivo e Judiciário, há funcionários ganhando mais do que a lei permite ou do que merecem, como alguns servidores da Justiça que recebem R$ 27 mil, enquanto a grande maioria dos servidores _ em especial do magistério e da Segurança Pública _ recebem salários às vezes vergonhosos. Os vencimentos exagerados são protegidos por truques contábeis que disfarçam ganhos cumulativos, subsídios, remuneração indireta e outras formas de driblar a lei. É uma prática disseminada, que transformas esses casos, mesmo como exceções, em exemplos lamentáveis de abuso e descontrole. Recentemente, soube-se de servidores de Justiça Militar de Minas Gerais que recebiam cerca de R$ 160 mil por mês. Outro episódio de repercussão nacional apontou para descalabros na área acadêmica, com a divulgação dos supersalários da respeitada Universidade de São Paulo, mantida pelo Estado. Nesses momentos, a indignação da maioria ainda é confrontada com argumentos de quem se sente no direito de defender os vencimentos, como se esses, mesmo ilegais, pudessem ser considerados razoáveis e até mesmo éticos. Não são. Salários fora da lei e da realidade, examinados no contexto em que são pagos, levando-se em conta mercado, habilitação e competências, não podem ser aceitos com resignação. São distorções que conspiram contra tudo o que vem sendo feito, nas diversas esferas do setor público, pelos que, na contramão dos demandos, procuram preservar a austeridade e a moralidade.

Interativo| Editorial defende a Copa, mas pede acerto de contas depois. Você concorda?

24 de abril de 2014 22

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A COPA DO ACERTO DE CONTAS

 

Faltando 45 dias para o início do Mundial, o Brasil ainda não apresenta um clima festivo de Copa do Mundo, mas já tem mais certezas do que dúvidas: a competição organizada pela Fifa será, sim, realizada pelos brasileiros e todos temos que nos esforçar para que seja bem-sucedida. Todos é modo de dizer, pois os discordantes têm todo o direito de não fazer nada para ajudar, desde que, logicamente, também não façam nada para atrapalhar. O que se espera, agora que o evento se tornou inevitável e assumiu a dimensão de compromisso do país, é que apoiadores e opositores ajam civilizadamente, exercitando a pleno seus direitos democráticos.
Ainda que a Fifa não seja a Miss Simpatia, que as obras tenham atrasado e que os gastos tenham ultrapassado as previsões, já é certo que teremos estádios modernos e bonitos para os jogos e algumas melhorias importantes nas cidades escolhidas para sediá-los. O mais importante, porém, é que o Brasil cumpra o compromisso assumido perante a comunidade internacional e ofereça tanto aos visitantes quanto aos locais condições dignas de segurança e comodidade.
Não conta a nosso favor o atraso nas obras e algumas decisões deixadas para a última hora, quando já sabíamos que a Copa seria aqui há sete anos. Basta um olhar retrospectivo para se perceber erros imperdoáveis no planejamento e na execução do trabalho preparatório. Mas agora que estamos na reta final, faltando pouco mais de um mês para o jogo de abertura, não adianta ficar lamentando as falhas. O melhor é concentrar a energia no que falta fazer.
Depois, sim, caberá fazer um balanço geral, especialmente dos gastos públicos, que ultrapassaram em muito todos os orçamentos iniciais. Terminado o Mundial, o Brasil fica na obrigação de realizar internamente uma outra Copa _ a Copa do acerto de contas com os contribuintes.
Agora, porém, é fundamental que governantes, homens públicos, lideranças esportivas e cidadãos caminhem no mesmo sentido, até mesmo para administrar democraticamente as manifestações de grupos inconformados. Se a Copa das Confederações foi um sucesso, mesmo tendo sido realizada no momento mais agudo dos protestos, pode-se esperar o mesmo da Copa do Mundo. Obviamente, as ameaças não devem ser subestimadas. Ninguém ignora que grupos organizados, corporações profissionais e organizações políticas já estão se articulando para aproveitar o momento de grande visibilidade do Mundial e promover atos públicos. É do jogo. Desde que a ordem pública seja mantida.

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