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Sentenças| Frase da Semana

12 de setembro de 2015 0

“Vocês sabem o que está acontecendo no Brasil, né? Desordem e roubalheira, é uma quadrilha.”

 

FÁBIO Jr.
Cantor, durante show no Brazilian Day, em Nova York

Editorial| CHEGA DE HESITAÇÃO

12 de setembro de 2015 0

 

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A manifestação conjunta das maiores entidades do setor industrial do país, Fiesp e Firjan, expressa o que a grande maioria dos brasileiros, e não só os empresários, pensa da inércia governamental. Em nota assinada por seus presidentes, as federações manifestam contrariedade com o que definem como quadro de inação, enquanto se agrava o estado de deterioração da economia. A inquietação empresarial acontece na sequência de uma série de notícias ruins. A pior delas foi a decisão da agência Standard & Poor’s de retirar o grau de investimento do Brasil, que abalou ainda mais a confiança na capacidade de reação do Executivo e expôs os dilemas do ministro Joaquim Levy.
O titular da Fazenda também passa a ser vítima das hesitações do governo, que chegou a enviar ao Congresso um Orçamento com R$ 30 bilhões de déficit, considerado o gesto provocador do rebaixamento. A direção da agência deixou claro que o orçamento com o rombo foi o sinal mais evidente de que o governo não havia assumido com determinação o desafio de fazer o ajuste fiscal. A nota das entidades reforça esse ponto de vista, que não é apenas de avaliadores de risco e de empresários, de que o governo não mais passa segurança sobre o que pretende fazer.
A definição da Fiesp e da Firjan, de que a economia está esfacelada, exige resposta imediata da presidente e do ministro, principalmente na redução de gastos que evite ou pelo menos adie o recurso fácil do aumento de impostos. O governo precisa, como advertem as entidades, reassumir a prerrogativa de condutor da economia, sob pena de agravar a própria imagem e a situação do país.

Editorial| A RETOMADA DOS SERVIÇOS

12 de setembro de 2015 0

Agem com sensatez os servidores de áreas essenciais, como segurança pública e educação, ao decidirem suspender a paralisação que vinha se constituindo em motivo adicional de preocupação para a sociedade. A simples garantia de que as ocorrências policiais voltarão a ser atendidas, e não apenas as mais graves, e de que as aulas nas escolas estaduais serão retomadas na segunda-feira já significa um alento para a população. Ainda assim, é importante que o diálogo entre todas as partes envolvidas se mantenha de forma objetiva e sem emocionalismos, para evitar a perspectiva de futuras descontinuidades em serviços essenciais.
As decisões tomadas ontem estão longe de garantir a normalização das atividades em áreas de grande impacto no cotidiano dos cidadãos. E seria importante que pudessem inspirar outras categorias, para evitar prejuízos ainda maiores para os gaúchos.
A população gaúcha tem consciência tanto da gravidade da situação das finanças públicas do Estado quanto do quadro de penúria enfrentado pelo funcionalismo. Ao mesmo tempo, sabe que iniciativas tomadas pelo Piratini com o objetivo de enfrentar essa situação caótica impactam mais os servidores do Executivo, quando deveriam ser distribuídas de forma equânime entre todos os poderes.
Nos últimos dias, ficou evidente a abnegação de servidores que, mesmo compreensivelmente inconformados com o parcelamento de seus salários, continuaram atuando em áreas nas quais é impossível suspender as atividades. É importante que, ao ajustar suas contas, o Piratini leve isso devidamente em conta, comprometendo-se com a valorização constante de seu quadro funcional.

Artigo| A MULHER E A ROTINA DO ASSÉDIO

12 de setembro de 2015 0

KYANE VIVES
kyane.vives@zerohora.com.br
Repórter de ZH

 

O assédio à figura feminina caiu na rotina. A buzina e o assobio já viraram praxe. E quem sempre tem de mudar os hábitos para evitá-los, somos nós, mulheres. Estranho, não? Digo isto lembrando de uma situação, infelizmente, quase corriqueira. Caminhando em uma avenida da Capital com roupa de ginástica, vejo ao meu lado um carro diminuindo a velocidade, quando deveria estar a, no mínimo, 40 km/h. O passageiro baixa o vidro, estica o pescoço e grita insultos que toda mulher já ouviu pelo menos uma vez na vida. Por mais bem-educada que eu seja (ou tente ser), não me contive e retruquei com gestos e xingamentos.
O carro parou, e por um instante minha respiração também. Pensei que os dois homens de dentro do veículo iriam me sequestrar, me raptar, estuprar, fazer qualquer coisa para revidar o que fiz. Senti culpa. A culpa era minha? Não. Mas fugi para deixar de ver o que aconteceria depois. Corri o mais rápido que eu pude por temer pela minha segurança. Entrei em um salão de beleza próximo e inventei a primeira desculpa: “Quanto custa o corte de cabelo?”. Ali, no meio de outras mulheres, encontrei um refúgio.
Em outro caso, uma amiga de infância, dentro da academia, foi assediada por um homem que mostrou seu pênis enquanto ela malhava. Ela fez ocorrência policial, mas trancou a matrícula no estabelecimento e nunca mais voltou. Quem perdeu? Ela. Aliás, a ficha corrida do sujeito já apontava uma lista de vítimas da academia.
Tem ainda a história de uma colega de faculdade. Parada na escada de um ônibus para “dar um passinho à frente”, sentiu quando uma mão cheia tascou um aperto na bunda dela. Atrás, um homem de cerca de 40 anos sorria. A primeira reação foi desferir um soco no sujeito e começar um escândalo. Gritou para que motorista e cobrador não deixassem ele entrar e ameaçou chamar a polícia. Ironicamente ele dizia: “Essa menina é louca. Não fiz nada”. Com a raiva que guardava, conseguiu dar um pontapé no peito do cara, o que o fez saltar para fora do veículo. Quando o coletivo finalmente arrancou, a reação das pessoas foi de repulsa. Afinal, a louca escandalosa era ela.
Infelizmente, para fugir de assédios sexuais, nós, mulheres, temos de adotar práticas que não solucionam o problema, mas o evitam. Procurar sentar ao lado de mulheres, colocar a bolsa atrás para que ninguém ouse “chegar mais perto”, fazer cara feia ou até mesmo se passar por louca. Quem nunca? Nos últimos tempos, adotei uma “tática”, mesmo sabendo que é perigosa, facilita assaltos e não evita o assédio, mas impede que você o escute. Uso fones de ouvido com música no volume máximo. Alivia a angústia e a impotência de ter nascido mulher em uma sociedade extremamente machista.

Artigo| TRIBUTO: O PREÇO DA LIBERDADE?

12 de setembro de 2015 0

CASSIANO MENKE
Advogado, mestre e doutor em Direito Tributário pela UFRGS

 

Faz tempo que leio e ouço uma frase pronunciada repetidamente por aqueles que lidam com a matéria tributária: “O tributo é o preço da liberdade”. Diz-se que ao Estado cabe a tarefa de assegurar a existência de um ambiente propício ao livre desenvolvimento da pessoa humana. Cabe a ele prover as condições para que o cidadão possa exercer livremente sua profissão e sua atividade econômica. É do Estado a função de permitir que o indivíduo, por seu trabalho, produza riqueza, gere lucro e crie empregos. E, em razão do desempenho dessas tarefas, ao poder público cabe financiar-se por meio dos tributos. Ou seja, ele cobra um “preço” visando a assegurar o direito de o cidadão exercer direitos.
Ocorre, contudo, que o que estamos assistindo na realidade brasileira atual é a cobrança de um “preço” manifestamente abusivo pela nossa liberdade. Estamos pagando uma conta visivelmente desproporcional por aquilo que recebemos de contraprestação do Estado. E o pior: assistimos a um movimento crescente por meio do qual o Estado vem transferindo à iniciativa privada a realização de funções que lhe são próprias, sem, no entanto, reduzir o preço cobrado em contrapartida pela sua (não) atuação. A saúde privada surge como alternativa ao SUS; as obras públicas são feitas por meio de parcerias público-privadas; organizações não governamentais sem fins lucrativos prestam a assistência social negada pelo Estado. Ou seja, a sociedade já não espera mais pela atuação estatal.
No entanto, o mais paradoxal dessa realidade é que, em vez de falar-se em redução de tributos pela ausência da atuação estatal direta, fala-se, isto sim, em aumento da carga tributária. Cogita-se, agora, aumentar o Imposto de Renda. E os problemas, por exemplo, na segurança pública continuam graves. Passear por Porto Alegre à noite é, hoje, uma temeridade. Ou seja, pagamos um preço exorbitante ao Estado pela liberdade que já não temos mais. Enfim, se o tributo é o preço da liberdade, o certo é que esse preço não deve ser ilimitado, ao contrário do que parecem pensar nossos ilustres governantes.

Artigo| POR QUE "GAMIFICAR" A EDUCAÇÃO?

12 de setembro de 2015 0

RAFAEL PARENTE
PhD em Educação pela New York University, fundador e Diretor do LABi e da Aondê Educacional

 

O Brasil tem 1,5 milhão de jovens entre 15 e 17 anos fora da escola, principalmente por desinteresse, e 45 milhões de pessoas usando jogos digitais. Se uma das principais queixas dos professores é a desmotivação e a indisciplina dos alunos, crianças e jovens nem piscam enquanto estão jogando. Não precisamos adorar os games para entender que “gamificar” o processo de aprendizagem pode ser uma boa estratégia. Mas o que significa gamificar a educação?
Gamificar significa utilizar dinâmicas, características e arquiteturas presentes nos jogos para promover comportamentos em outros contextos. Não se trata de, necessariamente, usar jogos _ digitais ou não _, distribuir pontos ou outros incentivos. As melhores experiências de gamificação aproveitam elementos como a curiosidade, a permissão para falhar, o feedback imediato, a colaboração entre jogadores, a apresentação de novos conteúdos por meio de histórias e desafios contextualizados e o sentimento de controle na tomada de decisões para motivar, estimular comportamentos desejados e promover descobertas.
Ao jogar, aprendemos algo novo para “passar de fase”, desenvolvemos habilidades para resolver problemas, reconhecemos a necessidade e o valor do esforço, da persistência e da criatividade para aniquilar vilões ou desbloquear universo. Temos de compreender sistemas de regras para conhecer, experimentar e compreender algo novo; sentimos emoções diversas, como alegria, curiosidade, frustração e orgulho; socializamos, competimos, colaboramos e desenvolvemos a empatia ao assumir novas identidades e perceber diferentes perspectivas apresentadas.
A educação ainda não se convenceu de que novas tecnologias, gamificação, storytelling transmídia e outros elementos são realmente válidos. Nós, educadores, podemos escolher continuar evoluindo lentamente ou abraçar a inovação para redesenhar e ressignificar rotinas e processos, levando nossos alunos a compreender a importância social da Escola. A gamificação da educação é uma das melhores estratégias atuais para que nossos jovens voltem a se apaixonar pelas aulas e pela escola.

Editorial| CONSERTANDO O ESTRAGO

11 de setembro de 2015 0

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A perda do grau de investimento do país, anunciada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, significa um retrocesso que precisa merecer resposta à altura, como as ensaiadas ontem pelo Planalto. Foi justamente essa agência de avaliação de risco a primeira a elevar a nota da economia brasileira em 2008, incluindo-a entre as recomendadas como destino para grandes investidores internacionais. Se quiser evitar que as demais instituições sigam o mesmo caminho, como ocorreu na época da melhora da nota, o país precisa enfrentar de vez as razões de ter caído para o nível especulativo.
Nas explicações para o fato de ter antecipado a decisão, que ocorre poucos dias depois de o Planalto enviar ao Congresso uma proposta orçamentária com déficit primário de R$ 30,5 bilhões para 2016, a própria agência dá uma ideia clara do que precisa ser enfrentado. A principal alegação é o fato de o governo, logo depois reduzir a meta fiscal, ter partido para uma projeção de déficit. Outra questão apontada é a “falta de coesão” dentro da equipe oficial. Por mais que membros do governo insistam em minimizar o impacto da retirada do selo de bom pagador, é evidente que resta agora administrar os danos.
A perda de uma conquista importante para o país, como o grau de investimento, tem impacto sobre todos os brasileiros. Por isso, o Planalto deve ações firmes e imediatas. O simples fato de o país passar a ser visto como de maior risco implica redução nos investimentos, pressões sobre o câmbio como as registradas ontem e crédito mais caro para empresas e pessoas físicas. Num segundo momento, tende a gerar ainda mais desemprego. Por isso, não bastam apenas reuniões de emergência como a convocada ontem pela presidente da República, nem as reiteradas manifestações tranquilizadoras do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. É preciso ação.
O governo deve fazer agora o que não fez antes, quando ainda havia tempo de evitar consequências drásticas de suas falhas de gerenciamento, como as previstas a curto e médio prazos. Isso significa, antes, acertar-se internamente e com o Congresso para, de imediato, promover reformas corajosas e eficazes que levem as contas do setor público a recuperar o equilíbrio.

Artigo| A COLEGA NEONAZISTA

11 de setembro de 2015 2

MOISÉS MENDES
Jornalista
moises.mendes@zerohora.com.br

 

Depois da imagem do menino Aylan Kurdi morto na praia, mais uma cena para nos atordoar. É o vídeo de uma cinegrafista derrubando o homem que foge da polícia húngara com o filho no colo. O homem e a criança estão entre refugiados de vários países que atravessam em desespero a fronteira com a Sérvia.
A cinegrafista húngara Petra Laszlo, do canal N1TV, espicha a perna e passa uma tranca no homem. Pai e filho rolam no chão. Petra cumpre sua missão de jornalista engajada a uma causa. Ela e a empresa em que trabalha se esforçam para humilhar as famílias que tentam entrar na Europa.
Um colega a denunciou. A crueldade foi flagrada pelo alemão Stephan Richter. Ele filmou Petra chutando outros refugiados.
Richter fez o que todo jornalista deveria fazer, para que não sejamos cúmplices de trancas e chutes covardes. Muitos, como a repórter assumidamente neonazista, também aqui no Brasil espicham, não as pernas, mas suas línguas xenófobas e racistas contra os que os incomodam.
Não são poucos os dissimulados dispostos a derrubar quem passa por perto. São os contrariados crônicos com os avanços sociais. Podem ser tão cruéis quanto Petra, mas se escondem nas sutilezas do livre pensar. Alguns são jornalistas. Quantos gostariam de passar a tranca em negros e pobres que finalmente chegaram à universidade?
Vejam o que disse o neurocientista americano Carl Hart, envolvido numa história de que teria sido (e não foi) barrado por ser negro em um hotel de São Paulo. Hart publicou artigo na Folha de S. Paulo em que recomenda: não se preocupem comigo, mas sim com o racismo cotidiano contra brasileiros comuns.
O caso de Hart virou assunto nas redes sociais. Daí o estranhamento do cientista: aqui, racismo só vira notícia de repercussão quando a vítima é uma celebridade. De preferência, estrangeira.
Pois uma das piores faces do jornalismo é a da complacência com os atos cotidianos de que fala o americano e que têm semelhança com o gesto da cinegrafista húngara _ apenas não são expressos por chutes, mas por pontos de vista muitas vezes murmurados.
O jornalista alemão nos oferece um exemplo de como quebrar a cumplicidade silenciosa com os engajados a todo tipo de preconceito. Stephan Richter me representa.

***

Aqui está o vídeo com a jornalista que chuta refugiados:

https://twitter.com/richtersteph

Artigo| PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO E SUAS METAS PARA O MAGISTÉRIO

11 de setembro de 2015 0

SIMONE VALDETE DOS SANTOS
Diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

 

O Plano Nacional de Educação (PNE), instituído pela Lei 13.005/2014, inclui em seus princípios, artigo 2º inciso IX, a valorização dos (as) profissionais da educação, sendo as metas 15, 16 17 e 18 focadas na formação inicial e continuada e valorização salarial. A meta 18 é sobre o cumprimento do piso salarial nacional dos professores, atualmente R$ 1.917,78 por 40 horas semanais e formação de nível médio. Acompanhamos no mês de julho o primeiro parcelamento da remuneração dos servidores do Poder Executivo, os quais recebiam acima de R$ 2.150,00.  Dos 156 mil professores estaduais, 62 mil (quase 40%) tiveram seu salário parcelado, mais da metade do magistério estadual não recebe acima de R$ 2.150,00! A dramática situação do parcelamento de salários nos mostra que os professores estaduais, na sua maioria, não recebem o piso nacional salarial.
A estratégia 17.3, do PNE, determina a implantação da jornada de trabalho em uma única escola. Nos grandes centros urbanos, é comum o deslocamento docente de uma escola para outra, a fim de completar sua carga horária. Nas escolas do campo, o profissional dá conta de uma série de atribuições, muitas vezes, sem a formação pedagógica e de gestão adequadas. O vínculo somente a uma escola possibilitará o envolvimento docente ao projeto político pedagógico e a convivência qualificada com os estudantes e as famílias. O fracionamento da jornada é sinônimo de muitas turmas e alunos, impossibilitando o acompanhamento mais individualizado das atividades e avaliações.
Os últimos dados da inscrição no Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que possibilita o acesso às vagas nas universidades federais, demonstraram alta procura, nas licenciaturas, somente ao curso de Pedagogia, o qual abre para uma abordagem interdisciplinar, foco nos anos iniciais do Ensino Fundamental e amplia a atuação profissional para além da docência. Nas demais licenciaturas, nas quais o foco é sobretudo o Ensino Médio e os anos finais do Ensino Fundamental, a procura é baixa, desafiando os cursos de formação de professores para abordagens por área do conhecimento, inclusive para contemplar o vínculo docente a uma escola. O cumprimento das 20 metas do PNE possibilitará a qualidade da Educação Básica, qualidade esta condicionada à valorização do magistério.

Artigo| MEDIDAS EXTREMAS

11 de setembro de 2015 2

LÍCIA PERES
Socióloga

 
O aumento da criminalidade, na primeira semana de setembro, tem produzido um efeito devastador na qualidade de vida da população, que clama por mais segurança e pelo direito de transitar. Os homicídios cresceram 100% na Capital e não existe mais lugar seguro onde seja possível estar a salvo da violência.
A ameaça de linchamento a um ladrão apanhado em flagrante quando tentava roubar um carro, no bairro Menino Deus, revela o sentimento de revolta, vingança e descrença em relação à justiça, atribuição exclusiva do Estado. Esse sentimento de insegurança e medo acaba por levar pessoas comuns a tentarem fazer justiça com as próprias mãos, o que precisa ser contido, sob risco de anomia social.
O mais surpreendente é a hesitação do governo do Estado em recorrer à Força Nacional para reforçar a segurança no Rio Grande do Sul em uma situação dramática como a que vivemos. Tudo está a indicar que sem medidas emergenciais tudo tende a se agravar. O descontentamento das forças policiais, que, privadas dos seus salários, com despesas integrais, mas recebendo aos pedaços, é compreensível e não se pode esperar milagres.
Em algumas situações, a exemplo da Conferência das Nações Unidas, a Eco 92, também conhecida como a Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, quando Brizola era governador e a Capital Federal mudou-se para lá, as Forças Armadas foram convocadas para proteger a cidade e a segurança de todo o evento. Compareceu mais de uma centena de chefes de Estado para debater formas de desenvolvimento sustentável e era possível transitar por toda a cidade, a qualquer hora.
A integração do sistema de segurança durante a Copa do Mundo em Porto Alegre garantiu tranquilidade e paz e encantou os visitantes. Mas a situação era diferente : os salários eram pagos pontualmente e tudo funcionou bem, para alívio geral.
Agora, o primeiro dever dos governantes é proteger a população da crescente escalada criminosa. Não é hora para vacilações, mas de efetivas providências. As medidas podem parecer extremas, mas são, de fato, indispensáveis.