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Posts de junho 2008

Bolo de aniversário recheado de bons sons

30 de junho de 2008 0

Old Machine ajuda a apagar velinhas com guitarras demolidoras/Salmo Duarte

Como diz aquele surrado clichê publicitário, “nós fazemos aniversário e quem ganha o presente é VOCÊ!”. Pois o amigo Rafael Weiss preparou um bolo bem recheado pra comemorar o primeiro ano de vida (e os 110 mil acessos) do site Mundo47, um dos principais canais do rock catarinense na internet.

Será no dia 13 julho – ahã, Dia do Rock -, no JB Pub, em Balneário Camboriú. O line-up não deixa dúvidas de que a festa é grande: os notáveis Aerocirco e Daca e Os Faixa Preta (Florianópolis), o demolidor Old Machine e o ascendente Ursulla (Joinville) e o Parachamas (de Blumenau, que ainda não ouvi). Começa às 17 horas e os ingressos custam meros 10 pilas.

E já que falamos no Ursulla, neste sábado (5) a banda joinvilense sobe ao palco do lendário Curupira pra cumprir sua agenda de shows pré-disco de estréia. O quarteto divide a noite com Sabonetes, boa novidade da cena curitibana que vem mostrar seu Ep “Descontrolada”, e o Startruck, de Blumenau. Se você chegar até as 23 horas, paga R$ 7. Depois, sobe pra R$ 10, mas o entretenimento continua valendo a pena.

Postado por rubensherbst

Guitarras e eletrônica no novo do Primal Scream

29 de junho de 2008 0

A banda britânica vem bem acompanhada no novo disco, que sai em julho/Divulgação

Parece que de novo vem coisa boa dos lados do Primal Scream. Digo isso baseado nas duas prévias que a banda do genial Bobby Gillespie soltou de “Beautiful Future”, que sai oficialmente no dia 21 de julho. Uma semana antes, o primeiro single, “Can`t Go Back”, chega às lojas, como anunciado no site da turma. Mas não precisa esperar até lá – basta clicar aqui e conferir a nova malandragem eletrônica do grupo britânico. Claro, envenenada por uma sairavada de guitarras, que é pra não deixar globo sobre globo nas pistas de dança mundiais.

Coisa fina também é “Urban Guerrilla”, disponível pra download na página oficial da banda. Essa já aponta pras referências sessentistas do PS, mais precisamente Stones e Faces, sobre as quais o grupo joga uma pimenta forte e tão bem foram mostradas no CD anterior, “Riot City Blues” (2006). A faixa ganhou um videofan tosquinho, que tá aí embaixo, mas o importante é ouvir a música, que é ótima.

Para registrar: “Beautiful Future” terá participações de Lovefoxx (do CSS), Josh Homme (Queens of the Stone Age) e da lenda folk Linda Thompson. A produção está a cargo de Bjorn Yitling (Peter, Bjorn and John) e de Paul Epworth (Bloc Party). A questão é: pra qual lado o disco penderá? Qual você prefere? O eletrônico, o roqueiro ou o lesado, aquele do clássico “Screamadelica”?

 

 

Postado por rubensherbst

De Chapecó pro mundo, o rock`n`roll dos Variantes

29 de junho de 2008 2

Power trio bebe na fonte sessentista e deita e rola no CD de estréia/Divulgação

O Marquinhos Espíndola já referendou em sua coluna no DC, e eu confirmo as boas impressões depois de receber o disco diretamente de quem esteve há pouco no ninho dos caras. A estréia (auto-intitulada) dos Variantes, de Chapecó, é uma das agradáveis surpresas fonográficas deste ano em Santa Catarina. É mais uma prova de como anda boa a safra no Oeste e o quanto os grupos de lá sofrem influência – e não poderia ser diferente – do rock gaúcho.

Basta essa referência pra mostrar onde pisa o trio: naquele terreno fértil que Beatles, The Who e Stones semearam e dá frutos até hoje. Claro que a banda deve ter ouvindo muito Chuck Berry, Elvis, Little Richard, punk rock e dado umas orelhadas em Johnny Cash… Gustavo Faccio carimba e passa recibo da proposta quando canta “o moderno é o 50tão/que consegue refletir/ao que todos querem ouvir todo dia/na hora boa ou na agonia”.

“Só no Rio Grande deve ter umas 500 bandas iguais”, você pode estar pensando. Hum, deve ser. Mas os Variantes mostram ótimas credenciais pra não suscitar suspeitas desse tipo. A parceria com o descolado produtor Ray Z faz valer o rótulo power trio e desencadeia guitarras raivosas (vide “Jorge e a Repressão 70″ e “Corrente”), sotaque country rock legítimo (“Descontrole”) e peças pra sair rodando pelo salão (“Do Mod ao Rocka”). E a gana com que Gustava canta tira qualquer gosto ruim que as letras (acima da média) possam eventualmente deixar.

Vale muitíssimo dar um pulo no myspace do grupo e tirar a prova dos nove. E mais ainda encomendar a sua cópia pra se deleitar com as bacanas ilustrações de Rogério Puhl. Agora dá licença que eu vou lá botar o CD no repeat.

Postado por rubensherbst

Novo disco do Oasis já tem data pra sair

27 de junho de 2008 0

Os irmãos Gallagher querem hipnotizar o ouvinte no novo CD/Divulgação

Pode colocar aí na agenda: 6 de outubro. Essa é a data prevista pro mundo conhecer “Dig Out Your Soul”, o novo disco do Oasis. Se fosse há dez anos, já teria gente agora na porta das lojas de discos (há uma década elas existiam, oras) esperando o álbum chegar às prateleiras – que seriam limpas em minutos, diga-se de passagem. Mas estamos em 2008, e os irmãos Gallgher já não suscitam mais tanta ansiedade. Ainda assim, um consideráveljl tremor deve ser sentido daqui a três meses, ao menos na Inglaterra, onde o Oasis ainda é beeem grande.

Oficialmente, a prévia sai em 29 de setembro, com o single “The Shock Of The Lightning”, mas alguém vai se adiantar e a espera será minimizada. Outra novidade quanto ao Oasis é que Zak Starkey, filho do beatle Ringo Starr, agora é oficialmente baterista da banda. E dos bons, diga-se de passagem (tem que ser, pra segurar as baquetas do Who e agüentar o humor de Noel e Liam).

Não dá, a essas alturas, esperar que os Gallagher repitam a inspiração de “Definitely Maybe”, o primeirão, lá de 1995. Se eles ficaram na média de “Don`t Believe the Truth” (2005), que renovou a confiança da crítica e dos fãs no grupo, já estará muito bom. No site oficial da banda, Noel diz que no novo disco buscou “um som mais hipnótico, com uma maior conexão com o ouvinte”. Tá, mas isso é bom ou ruim?

Deixo vocês com “Lyla”, hit do último CD, tocada ao vivo no programa de TV britânico “Top of the Pops”, em 2005.

Postado por rubensherbst

Tem banda nova no baralho musical joinvilense

26 de junho de 2008 2

Divulgação

Essa não dá pra resistir: tem carta nova no baralho musical de Joinville. Trata-se d`Os Curingas, banda que mal fez seis meses de vida mas já está apta a fazer sua estréia nos palcos. Será neste sábado (28), no Liverpool Snooker Bar. O que ajudou no rápido entrosamento da galera é que três dos quatro integrantes – o batera Malcon, o baixista Marden e o guitarra-base e vocalista Fabio – vêm de uma formação que já fez muita gente dançar com samba-rock e demais incursões pela black music: a Fuzo.

“Acho que ainda bebemos na mesma fonte da Fuzo, com levadas ritmadas, brasileiras, porém, também percebemos uma diferença bem marcante no som das duas bandas. Os Curingas, por várias razões, tem uma formação mais de rock, mais enxuta”, avalia Fabio. O ponto crucial nesse direcionamento, diz ele, é o guitarrista Gabriel, que estudou na escola do heavy metal e contribui pra pesar o resultado.

Isso transparece em músicas próprias como “A Entradera” e “O Preço da Alma”, que mostram um som mais agressivo e pesado. Falando nisso, a banda tem 12 composições na manga, e seis devem aparecer no show deste sábado.

Mas quem for ao Liverpool não vai bater cabeça, pelo contrário. Pode ir colocando óleo no esqueleto porque o repertório tem versões bem salientes pra Mundo Livre S/A, Chico Buarque, Buena Vista Social Club, Lenine, Mutantes e Jimi Hendrix. “O que posso dizer é que gostamos de tocar música boa, não gostamos de rótulos, tocamos o que nos dá prazer, o que gostamos de ouvir, o que faz parte da nossa formação musical”. Falou e disse, Fábio. Nos vemos lá.

Postado por rubensherbst

O cenário da música mudou. Saiba como

26 de junho de 2008 1

Myspace é hoje um dos melhores meios de divulgar música/Reprodução

Todo mundo sabe que a indústria musical, como a conhecemos há anos, está indo pro brejo. CDs estão virando peça de museu, lojas de discos estão fechando as portas e as estantes agora são virtuais. Comércio (legal ou não), divulgação, troca, informação, tudo está a um toque do mouse aí do seu lado, basta querer. Nessa toada de comunicação rápida e facilidade de acesso, artistas e pequenos selos sacaram que a independência é uma boa, a união faz a força, criatividade e qualidade é o que contam e que o ouvinte de hoje também é outro. Já as grandes gravadoras ainda tateiam esse novo cenário pra se adequarem e não sumirem de vez do mapa.

Isso é um resumo muito do superficial do que são as formas de fabricar, ensacar e consumir música no século 00. Se você estiver a fim de algo bem mais abrangente e aprofundado, sugiro uma passada no site da revista Movin`up. Lá, sob o título “O fim do mundo como o conhecemos e o novo mercado da música”, o jornalista Maurício Angelo disseca essa metamorfoses – mais aparente nos últimos cincos -, desde a decadência da indústria musical e o avanço da música digital até a afirmação dos selos independentes, a formação de coletivos e a necessidade de filtragem de novidades. Junte informação com texto legal e entrevistas com gente boa e tem-se um trabalho de fôlego. Depois volte pra agradecer.

Postado por rubensherbst

Flesh Grinder em clima de náusea total

25 de junho de 2008 0

Divulgação

Quem assistiu a “O Senhor dos Anéis” e “King Kong” nem imagina que um dia Peter Jackson já fez “Náusea Total” (1987), trash sem limite de nojeira, bom humor e criatividade – item básico pra quem filma contando as moedinhas. A história trata de um bando de alienígenas que transforma uma cidadezinha num abatedouro pra suprir de carne humana uma espécie de rede fast food intergalática. Então, tome membros decapitados, sangue jorrando e fluídos corporais saindo por todos os lados. Podre não, divertidíssimo!

Diante dessa trama, digamos, sangüínea, não surpreende que uma das maiores bandas splatter do Brasil tenha se inspirado nela pra compor seu quinto CD. “Crumb`s Crunchy Delights Organization”, recém-lançado, é a estréia dos joinvilenses do Flesh Grinder pelo selo local Black Hole e o primeiro do grupo fora dos temas médicos/patológicos que o tornaram conhecido. De resto, títulos cândidos como “Kicking a Decapited Torso in the Balls”, “Vomitous Delicious” e “Brains are Spoon Food” mostram que o trio botou o estilo metralhadora a serviço do sarcasmo do longa.

“Crumb`s Crunchy…” foi gravado em 2007 em São Paulo, e é assinado por Ciero, que já trabalhou com o Krisium. “Resolvemos pegar alguém bom, que sabe o que faz. Em termos de som, esse disco supera os outros em 100%”, garante o guitarrista Fábio, que tem “Náusea Total” entre seus favoritos.

Fora do IML e com a cabeça no espaço, o Flesh Grinder agora se prepara pra botar o pé na estrada. Além de datas em Floripa, Curitiba e no interior paulista, a banda tem três shows marcados no início de julho no Chile – um deles é num grande festival de grind/splatter no qual será a atração principal. Mais um passo internacional para quem passou 32 dias rodando a Europa em 2005. “Abrimos shows de bandas grandes, até dos Estados Unidos. Foi aquela coisa de banda na estrada mesmo. São 24 horas juntos, tocando direto. Voltamos mais afiados do que nunca”, relembra Fábio.

Pra quem quiser encarar o novo açougue sonoro do Flesh Grinder, “Crumb`s Crunchy Delights Organization” está à venda na Rock Total Discos (Joinville), no site da Black Hole e pelo e-mail fabio.gorresen@gmail.com. Ou então aproveite os petiscos oferecidos no myspace da banda. E bom apetite. Bleearrghhh!!

Postado por rubensherbst

A volta com fôlego renovado do Canela Brasil

24 de junho de 2008 1

Depois de se estruturar, banda joinvilense quer mais é botar o pé na estrada/Divulgação

Depois de ficar um bom tempo longe dos holofotes, a banda Canela Brasil vai, aos poucos, retomando o caminho que começou a traçar quando lançou o disco “Aqui ou Lá” em 2006. Era um trabalho de certa forma pretensioso, repletos de detalhes visuais e instrumentais e letras cheias de subtextos que falavam da condição humana. Apesar das boas críticas e vendagens (quase 700 cópias), o grupo joinvilense tocou menos do que queria e acabou se recolhendo para repensar o futuro.

O ano passado serviu quase todo para armar uma estrutura que pudesse sustentar a banda. Isso significou investir na produtra/estúdio Ocotéia – por hora, o ganha-pão de parte dos integrantes -, arregimentar uma equipe que tanto apoiasse tecnicamente o grupo quanto tocasse trabalhos paralelos e fazer contatos de negócios em outras praças. Em outras palavras: profissionalização.

O resultado começa a aparecer. Desde fevereiro, o Canela Brasil imprimiu ritmo aos trabalhos. Ficou uma hora e meia no ar durante o programa “Na Pilha” (TVCom), imprimiu uma segunda tiragem (mais enxuta) de “Aqui ou Lá” e, mais importante, abdicou das grandes produções para voltar a fazer shows. Primeiro, tocou no Paiol, e na semana passada, fez um belo pocket show na Livrarias Curitiba.

“Vimos que precisávamos ser mais flexíveis. Estamos abraçando as oportunidades, dentro das possibilidades. Queremos é botar a banda na estrada e divulgar”, explica o guitarrista e vocalista Anderson Dresch, louco para levar o Canela Brasil para além dos limites joinvilenses. Com o planejamento dando certo, ele percebe inclusive um crescimento musical do grupo. “A gente tá mais consciente, amadurecemos.”

Confira o clipe de “O que Fica” e preste atenção quando o Canela Brasil passar na sua frente.

Postado por rubensherbst

Floripa Noise muda de data (e de tamanho?)

24 de junho de 2008 4

Parem as rotativas! Mudanças na data do Floripa Noise, festival independente organizado pela Monstro Discos e a Insecta na capital catarinense. De agosto passou para 25 e 26 de setembro, para não haver choque com outros festivais que estão no calendário da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin). No entanto, essa data pode mudar mais uma vez em breve.

Tudo porque os organizadores da parada – leia-se XuXu (ex-Pipodélica) e Zimmer (Ambervisions) – ficaram sabendo nesta terça (24) que o Floripa Noise foi contemplado pela lei do mecenato da Capital, o que faz as pespectivas quanto ao tamanho do festival crescerem consideralvente. O problema, a partir de agora, é tempo hábil para conseguir captar os recursos junto às empresas da cidade até a data marcada. Segundo XuXu, “se for interessante, podemos transferir para novembro ou dezembro”. A outra alternativa é manter o evento para setembro, com a estrutura já pensada, e guardar a carta (digo, a verba) na manga para o ano que vem.

O que está límpido e claro é que o Floripa Noise sai, para alegria de quem curte bom rock`n`roll. A Célula é o palco acertado, mas XuXu prefere não confirmar as atrações – até porque, com os novos recursos, tudo pode acontecer. Sabe-se que Ambervisions e Kratera estão dentro, e MQN e Relespública podem vir. E a seleção de quem enviou material para a Monstro também já foi feita. Agora é esperar.

Postado por rubensherbst

Um bate-papo não instrumental com o Macaco Bong

23 de junho de 2008 0

Trio de Cuiabá desafia o ouvinte com longas e complexas viagens instrumentais/Divulgação

É bom sinal quando uma banda instrumental vira hype na cena independente brasileira. Isso significa abertura de pensamento, diversidade e um total desapego à mínima fórmula que aponte para os meios fáceis de chegar às paradas. Afinal, que caminho pode ser pedregoso do que abrir mão dos clichês melódicos e românticos para se embrenhar por longas e tortuosas peças sonoras, amparadas apenas no trinômio guitarra/baixo/bateria?

Foi isso o que fez o trio Macaco Bong, de Cuiabá (MT), cujo disco de estréia, “Artista Igual Pedreiro”, está saindo pelo valente selo Monstro Discos. No belo digipack, a banda entorta o sistema auditivo com um rock sangüíneo por onde correm jazz, funk, metal e dissonâncias de todo tipo. Às vezes direto, quase sempre complexo, o MB desafia o ouvinte com dez viagens cheias de paradas estilísticas, como em “Bananas for You All” e “Vamodahmaisuma” (e os títulos engraçadinhos não páram aí…).

A virulência instrumental jogou o grupo no olho do furacão. Sacudiu a cena na sua cidade natal, botou o nome em dúzias de festivais independentes e virou tema do dia na mídia especializada. É merecido, como você pode comprovar indo lá na página da banda no myspace ou adquirido o CDzinho pelo site da Monstro. Orelhada bateu um papo via e-mail com o guitarrista Bruno Kaypy e comprovou que a letra do rapaz é forte, sim.

 

PS: como este será o único post do dia, vocês terão muita coisa pra ler, portanto, aproveitem.

 

Queria saber as influências da banda…

Cara, a influência da banda é derivada de várias vertentes e gêneros. Não temos uma banda específica que nos influencia. Toda nossa influência vem por meio de desafios sonoros que fazem parte de um turbilhão auditivo, ou seja, tudo aquilo que nós ouvimos e que diante do nosso alcance pode ser subvertido dentro das milhares de possibilidades que o universo da música oferece. Mas não irei responder a essa pergunta sem dar um pequeno norte quanto a essas influências: Ebinho Cardoso, Dimebag Darrel (Pantera), Meshuggah, os minimalismos de Kurt Cobain, Pat Metheny, Richard Bona, Charlie Parker, Jaco Pastorius, Nico Assumpção e Billy Cobham são somente alguns dos nomes.

Como é o cenário em Cuiabá? A exposição de vocês ajudou a melhorar a cena matogrossense?

Cara, o cenário de Cuiabá se encontra num momento de difusão na cadeia produtiva cultural local muito interessante. Vou começar falando da relação classe x poder público, que através de ações coletivas entre entidades dos demais segmentos da cultura vem fazendo com que a cena se consolide e cresça muito a cada ano. O diálogo com o poder público está cada vez mais avançado… As bandas daqui enxergam com muita clareza o fato de serem autogestores de seus trabalhos, o artista igual pedreiro, saca? Muitas delas vêm se consolidando tanto profissional quanto politicamente, visando sempre se inserirem em grupos coletivos na cadeia produtiva local e fazer disso um meio, e não um fim. Já temos três festivais muito bacanas que acontecem anualmente aqui (Grito Rock, Calango e Volume), além de outros que sao de outras vertentes e segmentos. Não acho que a exposição do Macaco tenha influenciado na melhoria da cena local, acho que isso foi somente mais um valor agregado, como é o caso do Vanguart, que hoje está superhypado na cena indie nacional. Macaco e Vanguart obterem essa projeção com certza foi conseqüência de todo um trabalho exercido na cena por meio da inclusão de bandas em atividades organizadas e, claro, com o cubocard. O cubocard foi responsável por viabilizar todo esse suporte – ao Macaco, ao Vanguart e outras bandas locais que vêm se autogerindo, utilizando a estrutura do Espaco Cubo como laboratório de formação e o cubocard como ferramenta principal para a viabilização de seus recursos, formações, produções, viabilização de estruturas físicas e estruturais.

 

Em função da duração das faixas e das evoluções dentro de cada música, vocês diriam que há algo de progressivo no trabalho do MB?

Sim, claro, faz parte total da mesma forma que tem o minimalismo, mas queria deixar muito claro que não nos consideramos nem um pouco virtuoses. O Macaco não é uma banda de músicos virtuosos feitos de teoria. O MB não tem essa cara, tipo progressivo ou minimalista, saca? A gente acredita que tudo que a música oferece neste universo está a disposição de cada um fazer o que quiser. Isso é arte, saber utilizar a seu favor toda a natureza que a música oferece, da mesma forma que o samurai utuliza do reflexo da luz e seu favor para vencer seu inimigo.

 

Seria o Mars Volta uma referência? O que vocês acham da banda?

Cara, não deixa de ser referência, mesmo não sendo uma banda que acostumamos ouvir. Achamos uma puta banda, adoro Arcarsenal, acho que é uma das músicas mais sinceras em termos de pressão sonora que eu já ouvi. Mas eu prefiro o At the Driven-in, apesar de não conhecer muito a trajetória de ambos. Viemos de uma safra totalmente noventista, a fusão entre o grunge, o metal e o fusion.

 

Algumas músicas começam cheio de climas e depois desembocam na maior pauleira. Em qual dessas partes se ouve o verdadeiro MB?

Eu cito aqui em músicas como Blacks Fuck, Amendoim, Vamodahmaisuma e Bananas for You All, que são músicas que quando compusemos nos encontramos mais maduros e seguros pra enfrentar esse tipo de desafio, criar climas, isso é Macaco Bong. Se estiver de bom humor, mau humor, pilhado, triste ou feliz, creio que a música lhe levará a bons picos de reflexão. Digo isso não por algum tipo de dedução, mas sim pelo fato da forma estrutural das músicas. Não é um som que dá pra ouvir conversando com alguém, a não ser que o cara enjoe da música (risos).

 

Como vocês chegam ao nome das músicas?

Foi a coisa mais fácil do mundo. Como já não tinha letra, invetavamos tudo na hora em que finalizávamos os arranjos, tudo numa vibe bem comédia mesmo, tirando onda horrores, tipo qualquer nome que se colocar ali já flui porque racionalmente nunca fará sentido algum com a música. Quando se trata de um tema que é nosso lema, o nome é artista igual pedreiro, e está como nome título do nosso disco, pronto (risos). Cara, nome de música no Macaco é igual dar nome pra animal de estimação, se ela tem cara de Nina, se chamara Nina. Colocamos, por exemplo, Blacks Fuck porque achamos que a música parecia com uma cena de um negão trepando com uma negona bem gata. E por aí vai.

 

Imagino que ao vivo a improvisação deva rolar solta. Foi assim durante a gravação do CD?

Não, tudo que está no disco é extamente o que executamos ao vivo, não mudamos nada, nem nos improvisos e nem nos arranjos, foi tudo bem elaborado, um trabalho bastante cansativo. Quando estamos no estúdio compondo um tema, a gente atira para todos os lados praticamente, testamos milhares de formas para a execução de cada parte, ou seja, só de passar por esse processo te dá a linha exata do que a música pede. O Macaco trabalha traduzindo o que os ouvidos nos pedem. Se em um determinado momento não for tocada aquela exata nota ou aquele exato acento, a música perde toda sua espontaneidade e intenção. Por isso trabalhos com nossas linhas de improviso todas bem elaboradas. Alguma coisa e outra pode acontecer, mas nada que fuja da real intenção da música.

 

Há alguma música com letra e melodia na gaveta? Vocês já fizeram algo assim ou pensam em fazer?

Cara, em Vamodahmaisuma rola um coro que foi gravado influenciado pelo canto de um grupo de dança dqui de Mato Grosso chamado Dança do Congo, localizado em Vila Bela da Santissima trindade. Mas vamos vendo o que os ouvidos nos pedem, achamos muito interessante isso, mas serão letras sem nexo, letras com sentido percussivo e melódico de acordo com cada vogal e sílaba.

 

Nos últimos tempos começaram a surgir mais bandas instrumentais de rock – Continental Combo, Estumental, Pata de Elefante, além da cena surf music, que sempre foi forte. Alguma explicação pra isso?

C ara, acho que isso é uma tendência. Daqui a um tempo, vocês vão ver, vai aparecer cada maluco fazendo umas doideras instrumentais. Acho que tem alguns fatores que influenciam nisso é que hoje tá muito acessível ter um home estudio em casa. Com a internet, o cara tem como baixar softwares de áudio, plugins, e gravar em sua própria casa. Como estamos numa fase em que o convencional vem se tornando não-convencional e o fato dessas bandas que você citou acima tam bém estarem dispostas e difundir suas idéias – e é claro que o alvo vai ser o instrumental -, acho que a tecnologia seja um dos responsáveis justamente pelo fato de o cara que era somente músico mergulhar no mundo do áudio e pesquisar novas vertentes sonoras. Estamos numa era de difusão e surgimento de novas tendências. Acho que vai rolar muita água ainda quanto a isso.

Postado por rubensherbst