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A odisséia do Orelhada no Tschumistock foi assim

17 de novembro de 2008 7

Gente de todas as tribos e muitos freaks apareceram na festa rock de Rio do Sul/Glaicon Covre

Não é mole chegar ao Tschumistock. De Joinville a Rio do Sul, são quase 200 quilômetros, a maior parte deles por uma SC não duplicada e com vários trechos bem sinuosos. Três horinhas bem andadas depois, topa-se com a estrada que leva ao sítio da família Tschumi – de terra, íngreme, ladeira acima. Já no topo, o carro sofre pra vencer a areia e as pedras (soltas) colocadas pra facilitar o acesso em caso de chuva. No sábado (15), ela não apareceu, mas fiquei pensando no terror que deve ser aquela estrada quando ela vem com vontade. Ainda não bem que não era o dia.

Bom, mas tudo, tudo mesmo, é recompensado no pedaço de terra do Tschumistock, que este ano chegou a sua 14ª edição. A belíssima paisagem do sítio, a gentileza e atenção de todos os envolvidos no festival, o clima de “paz e amor”, a camaradagem, a estrutura oferecida pras bandas (palco, som e luz muito bons), a organização, a boa música encontrada… O Tschumistock é mais uma prova de que é possível ser independente e ser profissional ao mesmo tempo sem perder a aura familiar e espontaneidade do “faça você mesmo”.

Como eu disse, fiz minha primeira incursão ao festival no sábado graças à providencial carona do pessoal do Fevereiro da Silva (valeu, Guto, Hélio e Moura), e a impressão foi a melhor possível. Até porque peguei um dia quentíssimo, tanto em termos de temperatura quanto de shows. Agüentei as 12 horas praticamente ininterruptas de rock ao lado de bons amigos como Rafael Weiss e Marquinhos Espíndola, e nos intervalos aproveitei pra papear com um e outro que ajudaram a fazer esta grande festa catarinense, que começou na sexta (14) e só terminou no fim da tarde de domingo (16). Pra vocês, alguns desses momentos.

 

* Logo de cara sou apresentado a Rafael Tschumi, o sujeito que, junto com amigos do colégio, formou a sociedade Mamado`s e em 95 organizou uma festinha no sítio de sua família com duas bandas pra animar. Foi o embrião do evento que hoje, 13 anos, se tornou uma das maiores vitrines do rock independente do Estado. De tanto se envolver com o festival, Rafa virou ele próprio um músico – após várias projetos, agora ele faz parte do Costeletas, banda de rock clássico que se apresentou na sexta. Enquanto não está tocando, se apresentando ou trabalhando na loja da família, Rafael está com a cabeça no Tschumistock. E, obviamente, há muito no que pensar.

* O trabalho pesado começa em junho/julho, quando os organizadores se reúnem pra botar as idéias pra próxima edição na mesa. Uma das partes mais complicadas é definir a escalação. Por lei interna, cerca de 50% das vagas fica com bandas locais. Depois, segue-se a norma do ecletismo, digamos, 5 vagas pro metal, outras 5 pro indie, um tantinho pro punk, algo de blues e por aí. Dentro de cada área é que são escolhidas as bandas.

* Rafa garante que todo o material enviado é escutado. Este ano, mais de 100 bandas se ofereceram pra tocar, além daquelas já conhecidas que solicitam vaga pelo e-mail. “Se fosse pelo critério de qualidade, daria pra fazer dois, três festivais. Por isso é sempre doloroso escolher quem vai ficar de fora”, diz Rafa.

* Este ano, os custos do Tschumistock – que envolvem gastos com bandas, alvarás, segurança, sonorização e publicidade – deve ficar em torno R$ 18 mil, dinheiro que retorna com a bilheteria e os patrocínios. “Geralmente empata. Este ano, com o sol, esperamos que sobre alguma coisa pra investir no sítio”, avisa Rafael, que já vislumbra melhorias nos banheiros – que viram um mar de lama lá pelas tantas da noite – e chuveiros.

* Nenhuma banda ganha cachê pra tocar no Tschumistock. O pagamento vem na forma de uma ajuda de custo pra transporte e alimentação. Pro Rafael, a cobrança de cachê é um divisor de águas no festival e determinante pra participação nele.

* Rafa prometeu que no ano que vem vai encher o saco pro Reino Fungi – que apareceu na primeira relação de bandas participantes – estar na próxima edição.

* No palco, com o sol ainda lá em cima, o Headcutters sofreu com o calor, mas não abriu mão da elegância e muito menos da eficiência. Os caras estão encarando uma verdadeira maratona. Na quinta, tocaram duas vezes em Itajaí e Balneário Camboriú. Na sexta fizeram Joinville e no sábado estavam em Rio do Sul. Quinta, tocam pra Caxias do Sul, pra participar do Moinho da Estação Blues Festival.

* Lenzi Brothers fez aquele show alto, incendiário e musculoso de sempre. No set list, músicas que estarão no próximo disco do trio, prometido pelo guitarrista Marzio Lenzi em pessoa ao Orelhada. Cinco músicas já foram gravadas.

* Um dos shows que mais me entusiasmou foi o do Liss. Não foi surpresa porque já tinha visto (e gostado) a banda em outras duas oportunidades. Mas me espantou o nível de qualidade – em matéria de composição, execução e energia – a que chegou o power pop do quarteto, espécie de ponta-de-lança da crescente cena roqueira de Rio do Sul. Mais surpreendente ainda foi saber que o Liss tem entre 70 e 80 composições, algumas delas registradas em uma demo e dois eps. O terceiro deve sair até dezembro (junto com um dvd). O disco de estréia está agendado pra 2009, e pelo que ouvi, já aposto minhas fichas nessa futura bolachinha como uma das melhores do ano. Quem quiser conhecer mais pode entrar no site dos caras e se inteirar sem risco de decepção.

* Perdi o show do Apicultores Clandestinos, outra boa nova riosulense, que foi na sexta. Rafael “Mundo47″ Weiss assistiu e ficou encantado com a performance dos moços, que tocam com a indumentária completa de apicultores, incluindo o capacete (ou seria uma máscara? Ou um caixote?). Diz ele que lembrou do Man or Astroman?. Mas no sábado, um dos integrantes da banda sacou de uma demo e jogou na minha mão. Topei com uma mistureba de temais psicodélicos, instrumentais esquisitos, surf music, indie e hardcore batizados com títulos engraçadinhos (“Ladrãozinho de Guitarra”, “Pescaria com Lima Duarte”, “Satanás Boliviano”, “Rap do Fritz”, “Chuck Norris é Feliz”) que deve funcionar melhor ao vivo mesmo. Mesmo assim, dê um pulinho no www.myspace.com/apicultoresclandestinos .

* O ecletismo na escalação das bandas acaba se refletindo no público que aparece no sítio, seja só pra assistir aos shows, seja pra passar os três dias acampado (e olhe que não são poucas as barracas). Bangers, punks, indies, rockers e freaks de todos os naipes se misturam sem medo. Teve um que passou metade do sábado andando pra lá e pra cá de cueca, com jeito de quem não tinha a menor noção de onde estava. Talvez na Enseada…

* Bati um papo com o gente-fina Mancha, baixista e vocalista do Euthanasia, banda ilhoa que fez no Tschumistock um dos últimos shows de sua carreira de 16 anos. Eles ainda cumprem datas em Jaraguá (28/11), Floripa (29/11) e Guaramirim (6/12) e aí, adeus. Por quê? “Começamos a nos sentir meio deslocados. O grande lance é fazer ao vivo não estávamos mais fazendo”, explicou Mancha, orgulhoso da trajetória de seu grupo, que conseguiu ir além das fronteiras catarinenses com seu metal/hardcore violentíssimo, chegando a abrir pra Sepultura, Cólera e Garotos Podres, entre outros. Com o ciclo fechado, no primeiro dia de 2009 eles já passam a se dedicar integralmente ao A Estrutura Limbo, projeto que reúne membros do Euthanasia com integrantes do Esquadrão da Rima, Superbox e o Vitão, do Bring Your Dosage.

* As quatro bandas joinvilenses passaram por momentos diferentes no sábado. Fevereiro da Silva (que tocou música nova, “Posso ser o Autor?”) e Ursulla estiveram entre as primeiras a se apresentar, por isso, pegaram um público pequeno e ainda disperso. Já Old Machine e Karadura foram as últimas atrações do dia, digo, da madrugada. O quarteto liderado por Chacal – que estreou a linda guitarra Gretchen vermelha que trouxe de Nova York – fez a apresentação insana de costume, mas para um público diminuto e cansado. Não sei de onde, começou a aparecer gente e mais gente pra ver o Karadura, isso já passando das 3h30 da manhã. Talvez pelo virtuosismo endiabrado de Alan nas seis cordas, talvez pelos covers de Made in Brazil e Velhas Virgens, o certo é que o trio arrancou o último fôlego da galera.

* Na volta, dentro da van que trazia Old Machine e Karadura, foi impossível pregar o olho, tanto pelo desconforto quanto pela incapacidade de Alan de parar de falar. O homem é um monstro tocando e emitindo opiniões – não sossega um segundo. Prato cheio pra Chacal, que também é rápido no gatilho. Uma verdadeira batalha verbal entre os dois guitarristas se deu até Joinville, cheia de momentos hilários. Que figuraças…

* Por essas e por outras é que mal espero o Tschmistock 2009 chegar. De agora em diante, pretendo bater ponto no sítio dos Tschumi. Isto é, se conseguir chegar lá.

 

* Aí vai um frame do show do Fevereiro. Até quarta, prometo mais alguns registro bem amadores feitos em Rio do Sul.

 

Postado por rubensherbst

Comentários (7)

  • Doug diz: 18 de novembro de 2008

    Com toda a certeza do mundo que esta programação do Tschumistock 2008 estava perfeita…..

    A melhor de todas as que já fui!!!

    agora, desejo um sucesso imenso pros destaques:

    Karadura blues brothers
    the Headcutters
    a velha e conhecida Lenzy Brothers
    Costeletas e
    Ninguem sabe

    um festival contendo esses nomes, já pode ter a assinatura dos Deuses do Rock!!!!!

    Talvez por isso rolou o Sol!!!

  • Germano Busch diz: 17 de novembro de 2008

    Fala, Rubão!!!
    Segunda vez que tocamos no Festival, e é mais do que um prazer perceber que a galera de lá está curtindo o som do KARADURA, em especial sons da banda como PAPEL DE PAREDE e VAI SER MOLEZA que tem tocado com bastante frequência nas rádios e programas da região.
    Quanto ao Tschumi, tudo perfeito!!
    Ótimas bandas, astral altíssimo!!
    Que venham o Magick e outros tantos festivais bacanas como este..
    Aos poucos vamos postar alguns vídeos no youtube para quem quiser conferir.
    Até mais!!

  • Ricardo diz: 19 de novembro de 2008

    Foi muito foda. Tudo de primeira.

    Rubens, valeu a força de sempre.

    Tschumistockers, só sei dizer obrigado.

    aBRAço!

  • Chacal diz: 18 de novembro de 2008

    Ano que vem eu não quero ir mais com o Alan !!

    Quero ficar acamapado.. é mais sossegado !!!

    Abraço Rubão !! Carona está sepre à disposiçaõ !!!

    Chacal

  • Lucas diz: 17 de novembro de 2008

    Foi muito bom.. deu vontade de ficar e dormir na grama mesmo. Ano que vem, Fevereiro tocando ou não, vou de barraca e tudo! Linguarudos vem aih! Abss

  • Setor de Metais diz: 17 de novembro de 2008

    O Lucas disse tudo. E olha que eu avisei: “O Tschumi é muito louco!” No fim, acabei levando a culpa. “Pô, você deveria ter avisado que era assim!”
    Eu falei sobre o Tschumistock quando o Fevereiro da Silva ficou hospedado lá em cima na casa da família Tshumi. Agora, paciência! Só ano que vem!

    Dois fatos atípicos proferidos por um dos organizadores: sol e mulherada. Haha

    Abraço!

  • Marcel diz: 18 de novembro de 2008

    Faltam 361 dias para o Tschumistock 2009!

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