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Axl Rose demora 14 anos pra soltar CD sem graça

23 de novembro de 2008 1

Axl Rose caiu na própria armadilha ao tomar o Guns n` Roses pra si/Chang W. Lee/The New York Tïmes

E “Chinese Democracy”, hein? Vocês já ouviram? Em resumo, é assim: 14 anos de enrolação pra lançar isso daí? Se o disco saísse, digamos, em 95, dois anos depois de “Spaghetti Incident?”, o último com a formação semi-clássica do Guns n` Roses, ele seria recebido como um lance ousado da banda, mas agora, em pleno 2008 (mais especificamente neste domingo, 23, data oficial do lançamento), aí não tem como ser benevolente com Axl Rose. Na verdade, a qualidade do álbum é inversamente proporcional ao ego do vocalista e dono da marca GNR.

Sem Izzy Stradlin pra compor canções marcantes, em Slash pra bolar uns riffs bacanas e solos decentes e achando que é o gênio da raça, Axl caiu na própria armadilha. Se enfurnou no estúdio, contratou e despediu músicos, chamou um caminhão de produtores, assimilou diferentes gêneros, gastou milhões de dólares, marcou e desmarcou datas de lançamento, criou expectativas, e não conseguiu fazer mais do que um disco pra ser ouvido e descartado logo em seguida. Ele reflete esses anos de confusão, pois já chega cansado, meio esquizofrênico, sem identidade.

Não há uma melodia que grude no cérebro, não há um riff marcante, nem os esforços em soar diferente vão estremecer o fã. Esse, na verdade, vai continuar com saudade do velho Guns de “Appetite for Destruction” e dos hits de “Use Your Illusion”. De que vai adiantar pra ele o pop pesadinho de “Better”, os relances industriais de “Shackler`s Revenge” e “Scraped”, o arranjo orientalizado de “Madagascar”? Não se surpreenderá com a grandiosidade vazia de “This I Love”, nem com a frieza da baladona “Catcher in the Rye”. Pouco também tirará do hard rock 2.0 de “IRS”, “Riad n` the Bedouins” e a faixa-título. Já a sutileza do arranjo de “If the World” e a melodia inspirada de “Street of Dreams” são destruídos pela interpretação histérica de Axl. Voto em “Sorry”, sombria e vigorosa, como a melhor da bolacha.

Aliás, o pior de tudo é que “Chinese Democracy” está sendo tratado como mais um  trabalho do Guns n` Roses. Mais digno seria se Axl assumisse a carreira solo, mesmo que não conseguisse fugir das comparações. Mas não tem como largar um osso milionário desses. A marca ainda vende horrores, e o novo disco venderá muito nestas primeiras semanas. Porém, como acontece com os filmes capengas, as más críticas (e quase todas são) e o boca-boca negativo se encarregará de abrir os olhos do público. E, assim, “Chinese Democracy” continuará sendo uma grande piada.

Taí o clipe da faixa-título.

Postado por rubensherbst

Comentários (1)

  • Rachel Sardinha diz: 25 de novembro de 2008

    Oi Rubens, acho que esse clipe não é oficial, é só uma montagem feita por fã – acredite, somos muitos ainda, hehehe!

    Parabéns pela coluna no AN. Sucesso!

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