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Um papo com Clemente, dos Inocentes

13 de fevereiro de 2009 3


Pessoal, a entrevista deste sábado (14) no Orelhada impresso é com o Clemente, líder dos Inocentes e lenda viva do movimento punk brasileiro. Aproveitando que o grupo está perto de completar 30 anos de carreira e está lançando um DVD ao vivo, mandei algumas perguntas pro cara, que respondeu na boa, quase num piscar de olhos. No final, vai o clássico absoluto “Garotos do Subúrbio”, extraído do DVD “O Som e a Fúria dos Inocentes”.

 

Que leitura você faz da trajetória dos Inocentes?

Clemente - Bem a trajetória do Inocentes foi dura, mas prazerosa, marcada pela honestidade, por isso a dureza. Nunca seguimos tendências ou modas, nunca procuramos agradar críticos ou fizemos parte de determinadas panelas, por isso a dureza da trajetória. Nunca foi fácil participar desse ou daquele evento, desse ou daquele programa, ou sair nessa ou naquela revista, por que nunca puxamos o saco de ninguém. Nem para o bem, nem para o mal. E o mais legal: continuamos produzindo sempre.

 

Quando você começou, o que era legitimamente brasileiro no movimento punk?

Clemente – Ora, tudo era genuinamente brasileiro! (risos) Nunca tentamos imitar o som de Nova York ou de Londres, tanto é que soávamos diferentes das bandas gringas e isso que era legal na nossa época. As bandas italianas cantavam em italiano e eram diferentes das bandas da Finlândia, que por sua vez cantavam em finlandês, as alemãs em alemão e nós em português, e cada uma tinha características próprias. O punk inglês e o americano eram classe média e tinha saído das escolas de artes, nós inventamos o punk proletário. Só pra você entender, em janeiro fui capa do “Maximum Rock`n`Roll”, um histórico fanzine punk de Nova York, com uma entrevista de duas páginas sobre o documentário “Botinada”.

 

A entrada numa grande gravadora foi boa em que sentido pra banda? E o que teve de ruim?

Clemente – O que teve de ruim é que éramos muito imaturos na época para entender e tirar melhor proveito daquela estrutura, de resto foi tudo bacana. Estávamos de saco cheio do movimento punk paulista, que só queria saber de brigas e confusões, por isso, caímos fora e fomos integrar o rock paulista com Ira! e Mercenárias. Quando chegamos na Warner, fomos recebidos por André Midani, figura antológica da música brasileira, e tivemos carta branca para fazer o que quiséssemos.

 

A maioria das bandas punk da sua época não conseguiu sobreviver…

Clemente – A maioria não, mas as mais importantes sim. Tocamos direto com o Cólera, Garotos Podres, Ratos de Porão, 365, Fogo Cruzado e por aí vai.

 

Com quase três décadas de estrada, você se sente à vontade com essas novas formas de distribuir, divulgar e até produzir música? Não tem algo de “faça você mesmo” nessa parada?

Clemente – Não é que tem algo, É o “faça você mesmo”. Finalmente o lema máximo do punk pode ser realizado. Nossos primeiros discos foram todos independentes e sofríamos muito para distribuir e divulgar, por isso a opção de ir para uma major. Hoje não, tudo isso é possível. Eu não me sinto apenas à vontade, eu me sinto no paraíso, tanto é que fazemos mais shows hoje do que na década de 80.

 

No DVD, me surpreendeu a quantidade de adolescentes na platéia. Acontece o mesmo com você? Será que é mais difícil pros punks envelhecerem?

Clemente – (Risos) Síndrome de Peter Pan. Mas desde 95 nosso público sempre se renova e é composto basicamente por adolescentes. Não que os velhos fãs não vão mais, vão sim, e ainda levam os filhos, mas a linha de frente dos shows é a molecada, tanto é que a rapaziada mais velha tá no piso superior e nem aparece no DVD! (risos) Mas é bom saber que seu discurso e seu som continuam atuais, não ficaram datados, é motivo de orgulho saber que empolgamos gerações.

 

E o trabalho com a Plebe Rude? E disco de inéditas dos Inocentes? O último saiu em 2004…

Clemente – Estou firme e forte na Plebe Rude, aliás, nunca toquei em tantas bandas. Tem o Combat Rock, que é um tributo ao Clash, junto com o Redson, do Cólera, o Ari do 365, e o Mingau, do Ultraje e ex-Ratos. Tem o Jack&Fancy, um duo com a Sandra, das Mercenárias. Estou com o meu tempo tão comprometido que não consegui colocar as letras num monte de música que o Ronaldo me mandou. O disco tem até nome, “Cemitério de Automóveis”, mas esse ano sai.

 

O que você achou do documentário “Botinada”, do Gastão Moreira?

Clemente – Achei ótimo, muita gente não conhecia a história do punk nacional, não tínhamos nenhum registro, ficou bem legal. Ajudei na produção do documentário. O Gastão mandou muito bem como diretor, a maneira como ele abordou foi muito satisfatória.

Postado por rubensherbst

Comentários (3)

  • domingos diz: 13 de fevereiro de 2009

    a primeira resposta já resume tudo! Grande cara!

  • diego pinto diz: 13 de fevereiro de 2009

    Cara muito boa entrevista! Seu blog é o melhor para quem gosta de musica~na região.
    valeu.

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