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Posts de dezembro 2010

Às listas! O melhor de 2010

30 de dezembro de 2010 16


Então, é chegada a hora. Ao menos pro Orelhada, esta é uma época de meditação profunda, de analisar ações, de fazer escolhas doloridas, de mergulhar em julgamentos e dirimir dúvidas. Sim, é isso mesmo: é tempo das listas de melhores do ano!! Não que 2010 tenha sido um ano espetacular em termos de lançamentos, mas a triagem do que mais apeteceu os ouvidos é sempre um exercício um tanto angustiante, ainda que divertido. Se bem que os três primeiros lugares deste ranking particular vieram sem dificuldades – os discaços do Black Rebel Motorcycle Club, Arcade Fire – o grande destaque da temporada, de um modo geral – e The National vinham ocupando o pódio há mais de seis meses e assim cruzaram a linha de chegada.
Nesta sexta-feira (31), o Orelhada impresso traz as listas de algumas camaradas da imprensa roqueira catarinense. A minha, eu adianto aqui, junto com outras escolhas que o espaço resumido o papel não suporta. Obviamente, espero todo tipo crítica (sejam educados, por favor), adendos ou protestos, assim como o top ten dos diletos leitores – QUEREMOS A SUA LISTA! Lembrando que agora não é mais necessário cadastrar-se pra fazer comentários nos posts.
E vamos nessa:

O Top Ten de 2010:

Beat the Devil’s Tattoo – Black Rebel Motorcycle Club

The Suburbs – Arcade Fire

High Violet – The National

- Phosphene Dreams – Black Angels
– Majesty Shredding – Superchunk
– Hawk – Mark Lanegan & Isobel Campbell
– Hippies – Harlem
– Sea of Cowards – Dead Weather
– Leave your Sleep – Natalie Merchant
– Infinite Arms – Band of Horses

Na suplência:

- History from Below – Delta Spirit
– Saturday – Ocean Colour Scene
– Beneath this Shoreline – Cherry Ghost
– Sleep Forever – Crocodiles
– The Lady Killer – Cee-lo Green
– Grinderman 2 – Grinderman
– The Monitor – Titus Andronicus
– Contra – Vampire Weekend
– Shadows – Teenage Fanclub
– Band of Joy – Robert Plant

Brasileiros honrosos:

- Escaldante Banda – Garotas Suecas
– Aos Abutres – Lestics
– Quase – Ecos Falsos
– Superguidis – Superguidis
– La Vaporisation – Les Responsables
– 12 Arcanos – Mechanics
– Feito pra Acabar – Marcelo Jeneci
– Amigo do Tempo – Mombojó
– Tiro Williams – Tiro Williams
– Watson – Watson

E agora, os catarinenses:

- Invisivelmente – Aerocirco
– Fora de Estoque – Lenzi Brothers
– Volte Sempre – Pärächämäs
– First of Many Others – Yer
– Ação Terrorista Socialmente Aceitável – ZoidZ
– Solar Flares – Serotonina
– Jardim das Américas – Marujo Cogumelo
– Et Voilá… – La Belle Excuse
– Sim/não – Sambaia Sound Club
– Com Prazer – Variantes

Rock joinvilense: altos e baixos em 2010

29 de dezembro de 2010 5

Provoca uma certa dó reler hoje o balanção do ano no rock joinvilense que a coluna publicou no último dia de 2009. Dó porque aquela temporada foi espetacular (para os padrões locais), e o sentimento de otimismo prevalecia entre os componentes da cena e, consequentemente, na retrospectiva do “Orelhada”. Em outras palavras, havia motivos pra esperar que 2010 não só seguisse no mesmo passo como tomasse uma trajetória ascendente. Vãs esperanças. A curva apontou levemente pra baixo.
É possível até estranhar essa afirmação diante de certos fatos. A cidade perdeu uma casa de rock (o Don Rock) e ganhou duas (o Bovary e a Touch Music), além do Moinho, que surgiu e morreu. Juntas, as três cooptaram cerca de 70 shows de bandas autorais ao longo do ano. Acrescente duas iniciativas de peso – o Condado Rock, o Palco Autoral da Amuj  e, sem falsa modéstia, a Noite Orelhada -, mais algumas ações isoladas (os shows do Nazareth, Cidadão Instigado, Dado Villa-Lobos, entre outros), e os motivos pra reclamar desaparecem. Por esse prisma, tudo beleza. Mas há uma outra questão.
Comparado com 2009, a produção dos grupos locais foi ínfima. A impressão é que os estúdios só foram ocupados pra ensaios. Quem lançou algo? Pelas minhas contas, Uhul, Smokers, Comanches e Pistolêra. Nada que tenha repercutido além dos limites municipais, pouco pra uma cena com grandes pretensões uns meses antes. Sim, porque estão nas novas ideias o combustível de uma cena musical, e é criando, gravando e lançando que ela aparece e se mantém viva. Sem produção própria, o marasmo domina e os covers atacam. Que a reação venha em 2011.

Eleja o melhor vídeo catarina

28 de dezembro de 2010 0

Nossas saudações a Alexandre Gonçalves, que segue fazendo história com o seu portal Rock SC, a casa virtual dos clipes catarinenses. Agora, ele toma a iniciativa de promover uma votação pra eleger, por voto popular, o melhor videoclipe de 2010 – o Válvula Rock fez coisa semelhante, mas o número de opções aqui é bem maior. Concorrem 36 trabalhos, incluindo aqueles produzidos pelas próprias bandas, todos lançados e publicados ao longo do ano no portal. Gravações ao vivo não-oficiais e foto-clipes não entraram na disputa. A votação já tá valendo e vai até 17 de janeiro no http://twtpoll.com/64aavl (pra votar, clique na bolinha e depois, no final da página, em “vote”). A banda vencedora, além da divulgação vinculada ao resultado da votação, vai ganhar uma página no Rock SC que permanecerá ativa por 3 meses e incluirá todos os links da banda na internet.
Já que estamos no assunto, faltou postar aqui o clipe de Nova Manhã, faixa do disco Jardim das Américas, que o quinteto xanxerense Marujo Cogumelo lançou no fim de novembro. Bonito e profi pra cacete, o trabalho é sério candidato a levar o troféu oferecido pelo Rock SC.

Os tribalistas estão chegando

28 de dezembro de 2010 0

Como adiantado pelo Gurcius, em entrevista ao Orelhada… O último baile do ano:

Mistura fina

27 de dezembro de 2010 0

Dica pra quando os camaradas Marcos Espíndola e Fabio ‘Mutley’ Bianchini se meterem atrás das picapes neste longo e abusado verão na Ilha: The Brothers of Chico Dusty, mash-up invocado de Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty, da dupla de rappers Big Boy, e Brothers, disco do duo Black Keys que comparece forte entre os prediletos da mídia em 2010. Um tal de Wick-it é responsável pela mistura fina, capaz de provocar comichões dançantes até nas portas da boate.



De letra

27 de dezembro de 2010 0

Caso não esteja ocupado demais com os afazeres domésticos, Noel Gallagher deve estar se mordendo com os novos e bons sons que o irmãozinho anda soltando com o Beady Eyes, que nada mais é que o Oasis sem ele. Depois da trip rock-soul do single de estreia, Bring the Light, agora surge o vídeo de Four Letters World, um rockão de estádio nos moldes do velho Oasis que aguça a espera por Different Gear, Still Speeding, cujo lançamento oficial tá marcado pra 28 de fevereiro. Taí o clipe novo, e de lambuja, o anterior também.


Trecho do futuro

22 de dezembro de 2010 0

O Yellow Box, de Itajaí, passou 2010 gravando e burilando seu álbum de estreia, mas sem deixar os palcos completamente – em Joinville, é comum ver a banda tocando os clássicos a cada dois meses. Mas a expectativa é de uma virada já no começo do ano que vem, com a chegada ao mercado de This Side up, o tal primeiro registro autoral. Torçamos pra que a “metamorfose” seja bem sucedida, porque, pelo teaser do making of, o futuro promete.

Uma obra rara

20 de dezembro de 2010 1

Foram dois meses de espera e angústia – especialmente para o autor, bem dito -, mas livro Rock Raro – o Maravilhoso e Desconhecido Mundo do Rock finalmente foi descarregado na porta de Wagner Xavier. Isso significa que o enciclopédico livro tá disponível aos igualmente aficionados por obscuridades roqueiras dos anos 60 e 70, épocas nas quais a obra centra fogo. Colaborador do ótimo site Scream & Yell e dono de um blog com dicas interessantes, o paulista radicado em Joinville desencavou 352 pérolas do seu acervo de cinco mil discos pra montar a obra, que leva o selo da editora carioca Expressão. Cada página é dedicada a uma descoberta musical, com informações gerais sobre o álbum e a banda em questão, que pode vir de lugares fora do mapa roqueiro como Israel, Turquia, Zâmbia ou Islândia. Interessado em um exemplar? Então o autor aguarda o seu contato pelo wagner2505@yahoo.com.br.

Morreu Captain Beefheart

20 de dezembro de 2010 0

Registro aqui, com certo atraso, a morte, sexta-feira (17), de Don Van Vliet, que ganhou fama nos anos 60 como Captain Beefheart. Ao lado da sua Magic Band e a bordo de discos como Trout Mask Replica, The Spotlight Kid e Clear Spot, ele entortou gêneros, abraçou o surrealismo e produziu uma mistureba difícil de digerir, mas fundamental na cabeça de artistas transgressores e igualmente influentes como Tom Waits, Nick Cave e, ouso dizer, Tom Zé.




Um turbilhão de ideias

17 de dezembro de 2010 0

Era pra ser uma simples entrevista, do tipo “quem é e o que faz Gurcius Gewdner?”, um esclarecimento introdutório à mostra de filmes do sujeito que rola neste sábado (18), às 22 horas, no Gutz Bar, em Joinville. Mas não se pode esperar algo burocrático de alguém que passou esta década expressando visões artísticas incomuns, provocadoras, em filmes indigestos que se banham em tantas referências que resumí-los ao erotismo e ao sangue na tela é ignorar sua urgência cultural/espiritual. Como nem todo mundo cai nessa, Gurcius é tido em alta conta no cinema underground e sua obra bate ponto em festivais pelo País. Tanto é que ser cofundador d’Os Legais, banda joinvilense ícone da antimúsica no Estado, passou a ser um detalhe a mais em sua biografia. Enfim, Gewdner sofre de convulsão de ideias e é inimigo declarado de rótulos, normalidade e acomodação, motivos pelos quais o papo com “Orelhada” foi muito além do esperado. Tão rica de opiniões – que vão além de questões sobre o cinema ou a música - que não deu pra acomodar toda a entrevista na coluna impressa. Por isso, ela tá aqui, na íntegra.

Como você passou de (anti)músico pra videomaker?
Gurcius Gewdner – Foi tudo ao mesmo tempo. Meu primeiro filme é de 1996, mesmo ano que eu e o Marcius formamos Os Legais. Fizemos um filme de 13 minutos e uma série de curtas que somavam 20 minutos. Infelizmente, perdi essa fita. Nosso plano na época era vender os filmes pra TV. Acabamos deixando esse negócio de filmes um pouco de lado, entre 1997 e 2000, época que mais fizemos shows com Os Legais. Em 2000, Marcius foi pra Campinas, que é quando voltei a filmar. Vendo a repercussão e viagens de graça que o (Petter) Baiestorf ganhava, resolvi entrar nessa também. Fazer filmes e música é a mesma coisa, e desenhar engloba os dois. Lembrando que é sagrado sempre permanecer de peito aberto e mente nas nuvens.

Você diria que seus filmes são uma extensão do que faz n’Os Legais?
Gurcius - Sim, a câmera é um instrumento tão musical quanto qualquer outro! E lidar com Os Legais me fez aprender uma coisa muito importante desde o início: tudo se transforma, todo mundo é substituível, inclusive eu. A vontade de fazer pode transcender até mesmo os participantes. As decisões que tomamos influenciam tudo o que acontece no futuro, logo, toda evolução é fruto do primeiro passo.

Então, como você definiria seus filmes? Tem tantas referências de cinema, fotografia, dança, música, regionalismos…
Gurcius
- Melhor definirmos as coisas quando todos estiverem mortos! A única função realmente prática dos rótulos é na hora de ajudar a ganharmos viagens pra festivais temáticos e pra vender filmes pra pessoas que só conseguem consumir coisas com rótulo. Nunca vou fazer nada de uma frente só, só a favor da mistura total, sempre. Pela ausência de gêneros e a pluralidade de vontades. Que todas as línguas do mundo se misturem e se completem!

Quem vê seus filmes não engole essa de “cineasta do amor”…
Gurcius
– Ah, mas as coisas mais preciosas são sempre as escondidas. Todo o amor está lá, acredite. Desde meu amor pela música extrema em “Pequeno Panda” até meu amor pelo que já foi embora, pela vida que vai passando, em “Freddy Breck Ballet”. Cheguei a essa conclusão vendo as reações do público. Faço meus filmes exclusivamente para o público feminino, as meninas e pessoas com alma feminina, gays ou não. Seres iluminados que respiram as energias do amor. Por isso todos os personagens são brilhantemente pulsantes, altamente determinados e explosivos. Pros machos insensí­veis, faço música e alguns desenhos (às vezes).

O YouTube acabou virando o grande veí­culo pra videomakers como você, não? Ainda acredita no DVD?
Gurcius
– Acredito, mas também não me importo muito com os formatos. O DVD acaba, surge outra coisa. Ainda insisto em lançar os filmes com menu, capinha, extras e tudo mais, porque adoro o formato, adoro ver a coisa pronta, o motivo nunca vai ser dinheiro. E insisto em manter um padrão de qualidade para as produções independentes. Não exige tanto assim pra se fazer um lançamento bacana, que faça valer o preço, uma capinha bonita e umas informações a mais pra alegrar quem compra. Eu amo o exagero. O “Mamilos em Chamas” saiu em quatro discos, poderia ter saí­do com seis! E, sim, o YouTube é lindo! Cumpre o papel de resgate da memória, que a televisão nunca teve (e dá pra escolher o que assistir). Quem imaginaria isso na metade da década de 90, com o povo trocando cartas lotadas de K7 e VHS?

De onde vem inspiração e grana pros seus ví­deos? Como é seu processo artí­stico?
Gurcius
– Não tenho inspiração pra fazer o que não gosto, e isso até agora sóme fez feliz. O que não significa que a grana vem junto. Pro meu filme novo, Viatti Arrabbiatti, estou filmando com a mesma grana que estou usando pra comer. Se tenho um pouco a mais nos bolsos, colaboro com a gasolina, compro material melhor pro dia, se não, pago os motoristas em discos e uso o que dá. Nem sempre é o melhor, e gostaria muito de fazer um filme com grana sobrando, mas não é esse detalhe que vai nos impedir de fazer o que quisermos. Desta vez, ao menos tenho a vantagem de estar filmando com equipamento de primeira. Minha vida é uma sucessão infindável de milagres. Consigo grana das formas mais absurdas, mas sempre trabalhando no que eu gosto. Fico rico e pobre algumas vezes por ano. Não sei muito bem definir processo artistico, mas acho que ele é essencialmente musical, não consigo fazer nada sem música, hábito que saudavelmente herdei do meu pai. Tipo um polvo tocando piano e bateria gritando com megafone. Trabalho muito em torno da “sugestão”, o que significa que todo dia faço propostas e sugestões pra todo mundo, mais do que posso aguentar, e vou vendo quem vai me devolvendo as idéias. É a mesma ideia que o John Zorn tem sobre colaborações: existe uma prateleira no topo dos céus, onde você vai jogando tudo que consegue, com quem consegue. Nem sempre me devolvem as propostas, e nem sempre elas terminam do jeito que foi planejado. Na maioria das vezes, terminam muito melhor. E pode acontecer de começar uma ideia com alguém e encerrar com  alguém totalmente diferente, de outra cidade. Esse épico de quatro horas que falei no iníco da entrevista, por exemplo, começou estrelado por mim e terminou nas mãos de meu irmão, Amauri Gewdner, que será o grande astro dos filmes!

Em que pé tá o documentário dos Legais? Aliás, qual o presente e o futuro da banda?
Gurcius
– Esse filme tem um material bruto de mais de 60 horas filmadas por mim ao longo dos anos, mais todo o material de entrevistas que o Caselli pegou em abril/junho. É um monstro de proporções descomunais, que o Caselli está encarando sem minha ajuda no momento. A partir de fevereiro, volto ao proceso de digitalizaçío de material pra repassar pra ele, que com certeza não vai usar todo esse material, mas sim, dar a visão dele sobre a coisa, que é sempre infalível, quem já viu os filmes dele sabe. Semana passada, marquei com uma amiga de fazermos a foto que provavelmente vai ser o pôster do filme(ou uma capa d’Os Legais, ou outra coisa, hehehehe). Além desse filme, tem uma produção paulista sendo preparada, que inclui a gente também. É um panorama das performances mais incomuns do underground brasileiro. Desde o ultimo disco d’Os Legais que liberamos, chamado “Ar Silvestre”, de 2009, fiz 5 discos com outras pessoas, 3 deles duas semanas atrás, se chama “Chatran 2000: The New Adventures of Chatran”, em 3 volumes!! Pra 2011, vou tentar desovar dois discos de musicas inéditas, que já tem nome e tudo mais, e vamos tentar entrar em estúdio pra gravar o “Persian Love Nights”, nosso disco de música oriental tribal (é claro que, se der vontade, talvez isso saia com outro nome de banda, nem me interesso pelos nomes mais). Também no primeiro semestre lançamos um DVD ao vivo do Damo Suzuki, onde sou um dos bateristas! Dia 30 agora, aqui em Florianópolis, na Célula, Os Legais fecha o ano com o último capítulo da série  2010, “O Ano em que Perdemos Tudo”, com o segmento “Picareta: o Baile de Réveillon fora de Época”.  

Ouvi dizer que a Gisele Ferran (musa de Gurcius) andou tendo problemas na cidadela dela, Pouso Redondo. Algo a ver com filmes pornôs…
Gurcius
- É a bola de neve da desinformação. Alguém catou algumas fotos do meu filme, mais algumas do filme que o Baiestorf fez com a Gisele e espalhou um e-mail sófalando besteira. Isso não é só problema de cidade pequena, acontece em qualquer lugar habitado por gente infeliz que fez as escolhas erradas quando deveria ter corrido atrás da vida com menos pressa. Caras que nunca vão conseguir chegar perto dela e meninas que morreriam pra estar no lugar dela, mas não podem. O mundo anda mais moralista e sem graça do que o normal. Não é à toa que caras como eu e o Baiestorf acabamos virando heróis, filmamos sem pudor, o que há alguns anos era o que mais atraí­a o povão pro cinema: gente pelada e senso de humor! Parecemos alienígenas, fazendo algo que a pouco tempo foi a cara do melhor de nosso cinema. Me parece que a internet, ao invés de ampliar o pensamento libertário, realizou exatamente o contrário em certos momentos, dando voz à cabeças mais estúpidas, que antes não tinham pra quem despejar lixo (é obvio que o mesmo pode ser dito contra a gente por aqueles que não gostam das nossas tralhas, heheheh). Se os filmes que fizemos esse ano são pornôs, os videoclipes dos Smiths também são (e pra algumas pessoas de educação culposa, eles são mesmo).

E esse novo filme, épico mafioso, 40 atores e etc? Superprodução?
Gurcius
- É um filme de tensão telefônica, pela primeira vez vamos mostrar o que acontecia por trás das linhas telefônicas da máfia italiana durante a década de 70. Se passa na Calábria, em uma região de dialeto italiano muito particular, uma terra que possui estranhas ligações com os fantasmas do passado e do futuro, assim como ligações com dimensões paralelas também. É meu filme com melhor equipamento até o momento, assim como a quantidade de pessoas envolvidas. A filmagem está em ritmo lento pro que estou acostumado, mas cada segundo capturado é mais lindo que o anterior. Tenho filmado entre as bordas de tempo de todo o povo envolvido, dezembro é um mês de duas semanas. Mas, mesmo assim, tenho conseguido alguma coisa nova dele a cada dia. Tem cenários de Carlos Dias, alguns astros estreantes, algumas pontas de antigos colaboradores (como Hans Konesky), colaboração de diversas produtoras amigas e uma chuva de musas e brotos! Era pra eu ter feito este filme em março, mas as cruéis e imprevisiveis garras do implacável destino me fizeram perder o rumo em fevereiro, pra sóvoltar a pensar na beleza da existência em julho. Meu ensaio para o filme foi o disco “Un Solo Cornottollo Abbandonatto”, com a Orchestra Filarmônica Giuseppe Filipi.