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Motörhead, curto e grosso na Ilha

21 de abril de 2011 0

O Motörhead bateu o ponto quarta-feira em Floripa. Veio, tocou, pegou a grana e foi embora, deixando atrás de si um mar de camisetas pretas com os tímpanos comprometidos até o Natal. Ser protocolar, na linguagem muito própria de Lemmy Kilmister, é isso – fazer um show curto e grosso, entregar o que o público espera e partir pra próxima. Firula, só nos habituais (e dispensáveis) solos do guitarrista Phil Campbell e do baterista Mikkey Dee, que, aparentemente, enfrentou problemas em seu kit gigante. Talvez os fãs merecessem mais do que 75 minutos de apresentação. Onde foram parar Motörhead, Bomber, Orgasmatron, Stone Deaf Forever, (We Are) the Road Crew e outros clássicos da banda?
Bom, talvez esse seja o máximo que aguentaríamos de superexposição a um som alto e acachapante, que bomba o coração ao mesmo tempo em que fatia o cérebro. É a hipnose pelo som pesado, um estado de quase elevação entre o frenesi e a chapação sonora. E tem Lemmy ali, a poucos metros, todo chapéu, bigodão, baixo troglodita e vocal cavernoso. Uma lenda viva que comanda uma espécie de sessão de descarrego banger assim que a senha é dada: “We are Motörhead, and we play rock’n’roll”. Imagino que o pastor da igreja localizada atrás do Floripa Music Hall teria uma síncope ao ver centenas de dedos em forma de chifre em meio à balbúrdia escura da platéia.
Mas era bom que ele soubesse que não tinha ninguém perdido ali, visto a recepção calorosa a Stay Clean, Iron Fist, Metropolis, as espantosas Going to Brazil, Killed by Death e Get Back in Line (esta, do último disco) e, no único bis da noite, uma Overkill que deve estar reverberando até agora nos arredores da ponte. É, não dá pra reclamar. Acho até que aguentamos demais.



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