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Posts de julho 2011

O troco de Celso Blues Boy

31 de julho de 2011 8

“Esse disco é um coice em quem me oprimiu com um contrato que eu não podia romper”. Sinceridade é uma bela qualidade, mas não garante uma obra artística de alto nível. Não é o caso de Por um Monte de Cerveja, o primeiro álbum de inéditas de Celso Blues Boy desde 1998, lançado na semana passada. Sem pressões de qualquer natureza e com os Detonautas como banda de apoio, ele concebeu um disco esplêndido, comparável à clássica estreia de 1984. Não só pelo desfile de grandes e ecléticas canções ou solos bem calibrados, mas, principalmente, pelo modo com que Celso destila sua filosofia de vida, alternando bom humor e melancolia. Aprenda a Dar o Troco, Vim Tocar na sua Cidade, Conversando com Horácio Braum, O que Essa Humanidade Fez, Toneladas de Solidão e as outras oito faixas mostram um bluesman abrindo o coração sem receio, do mesmo modo com que ele faz na entrevista abaixo, concedida em seu refúgio no bairro Bom Retiro, em Joinville. A íntegra da conversa tá no blog.

Há mais de uma década que você não lança um disco de inéditas. O que aconteceu?
Celso Blues Boy
– Pra responder a isso é preciso voltar no tempo. Foram anos e anos compondo, e quando alguém chegou e disse “agora você vai gravar seu primeiro Lp”, eu tinha um leque de escolhas enorme. O que acontece depois? Você grava esse primeiro Lp, ele faz sucesso pra caramba e você começa a tocar, praticamente de quarta a sábado, no Brasil inteiro. E onde fica o tempo pra compor? A gravadora exige que você lance, e o que você vai dizer? Não vou lançar? Mas eu não podia fazer uma obra tão boa quanto a anterior, porque tive anos pra fazer a primeira, e quanto tempo pra fazer a segunda? Tanto é que na mídia existe a tal da “síndrome do segundo disco”. Esse processo durou dos anos 80 até o final dos 90, no Rio. Quando chegou em 2000, 2001, falei: “Peraí, não aguento mais. Quero parar, quero voltar a compor como compunha, com tempo pra analisar, ver arranjo”. Então me fechei, tanto pra mídia quanto pra obrigações, pra me recompor como compositor. Não é que eu fosse mau compositor nas outras coisas que fiz, mas não era aquilo que eu sabia que poderia extrair.

Nesse período, você encontrou o que procurava?
Celso
– Reuni uma enorme quantidade de canções, uma variedade que até pode ser vista neste CD, onde também incorporo, sem mudar meu estilo, linguagens que gostaria de ter incluído há algum tempo na minha obra, mas não foi possível por causa do sistema ditatorial do mercado.

Algo nessa nova leva de canções lhe surpreendeu?
Celso
– Algumas coisas surpreenderam, e surpreenderam ainda mais porque fui gravar com uma banda jovem. Eles acharam essas músicas que me surpreenderam legais pra caramba. Achei que por parte deles rolaria um tipo de estranhamento.

Então, dentro da sua obra, tem muita mais coisa do que as pessoas supunham.
Celso – Exatamente. Só que, por imposições do mercado, não me deixavam gravar certas coisas.

O que o Detonautas acrescentou a sua sonoridade?
Celso
– A resposta é estranha. Tipo assim: quando o Tico (Santa Cruz, vocalista da banda) me convidou pra gravar um disco com os Detonautas me acompanhando, confesso que achei a ideia legal, mas logo depois pensei: “Caramba, os caras não devem saber tocar o que eu gosto. São muitos novos”. Foi a maior surpresa que já tive. Com os Detonautas inteiros foi só uma faixa, o resto foi com o guitarrista e baterista da banda, eu e o Roberto Lee. Eles trouxeram as lembranças da gravação do meu primeiro Lp. acho que esse foi o grande mérito deles, inclusive do Tico. Quando ouvi o resultado pela primeira vez, sem mixagem, disse: “Nada como esse disco pra redimir toda a contrariedade que eu senti com o sistema”.

Então esse disco é, de certa forma, uma volta no tempo?
Celso
- O sentimento é real, a história é a mesma. Tive muito tempo pra compor, e o frescor também me parece igual ao da primeira obra. Não quero, em absoluto, denegrir todos os CDs que gravei, mas fui obrigado a incluir neles coisas que, às vezes, não estavam como eu queria.

Você consegue explicar em palavras a música que tá na cabeça de Celso Blues Boy?
Celso
– Se você pegar este CD e o primeiro disco, você vai ver uma coisa bacana. Eu já fiz essa experiência. Antes, era um garoto, agora um cara de idade. Se você pegar do ponto A ao ponto B, você vai entender perfeitamente o que Tô dizendo. Era um garoto que tinha um primeiro Lp bacana e seguiu uma trajetória de vida que o levou a lançar este CD.

Você vai excursionar com os Detonautas?
Celso
– Não existe essa possibilidade. Talvez houvesse a possibilidade de fazer algum show de lançamento com eles no Rio ou em São Paulo, mas não é essa a proposta.

Como vai ser o seu show daqui pra frente?
Celso
– A verdade é que a gente tem noção das coisas. Num universo de 12 músicas, que é o meu show, eu não posso tirar um monte de músicas. Não posso chegar e apresentar todas as inéditas. Já tentei fazer isso, foi a única vaia que levei na vida (risos). Não interessa se tá lançando um disco novo, as pessoas também querem ouvir “Aumenta que Isso Aí é Rock’n’roll” e mais essa e aquela. A fórmula ideal é colocar duas, três músicas, no máximo. Você tem que ir vendo a resposta do público à obra pra saber o que pode substituir sem causar apedrejamento público (risos).

O que você pretende fazer com as várias músicas que ficaram de fora do disco?
Celso
– Vou lançar mais um (disco) inédito, um da Legião Estrangeira (banda que integrou nos anos 70) e outro de compositores brasileiros.

Depois disso você vislumbra uma aposentadoria?
Celso
-  Não, vislumbro não gravar mais disco. Essas obras que ainda vou lançar são em respeito a mim próprio, sem querer respaldo de mídia ou coisa parecida. Quero simplesmente concluir o legado da Legião, meu último CD autoral e uma ideia que sempre tive que é fazer um disco só de músicas brasileiras. Na verdade, nem me importo com o resultado dessas coisas. É mais um projeto meu, que, se for abraçado por gravadoras, muito bem, se não, será lançado da mesma forma.

"Is This it" 10 anos: foi isso mesmo

29 de julho de 2011 3

Diz aí: há quanto tempo faz que você não ouve Is This it, dos Strokes? Deixe pra pensar outra hora. Agora, tire a sua cópia da prateleira e ponha pra rodar no aparelho, tendo em mente que lá se vão dez anos do lançamento desse disco fundamental para o rock da década passada. Exatamente uma década atrás, o quinteto nova-iorquino pedia, com certa arrogância, pra chacoalhar o mainstream, meio carente de guitarras e gente com fogo no olhar. Como o Nirvana tinha feito dez anos antes, os Strokes abriram, com seu disco estreia, uma picada no lamaçal pop pra outras bandas bacanas alcançarem a porta da frente.
Mais do que isso, Is This it – que foi lançado em 30 de julho de 2001 primeiro na Austrália, mas já causava furor bem antes nos EUA e na Inglaterra – insuflou um revival do pós-punk do fim dos anos 70/começo dos 80, o que acabou definindo uma espécie de “som dos anos 00″. Os pouco mais de três minutos de faixas como The Modern Age, New York City Cops, Someday, Hard to Explain, Take it or Leave it e, principalmente, Last Nite, trazem um misto de fúria e dolência amparado em guitarras e ganchos melódicos (sem contar o visual cuidadosamente desleixado dos rapazes) típicos do Television, Iggy Pop, Patti Smith, PIL, Gang of Four e Suicide, entre outros ícones do período. O grande sucesso comercial do álbum é o de menos. Mesmo que ele soe bem menos impactante hoje, resistir como marco e referência – coisa que as listas de melhores discos da década endossam – é o maior dos prêmios.



Passando o chapéu

29 de julho de 2011 2

Felipe Ricotta, que escudou Marcelo Adnet no extinto 15 Minutos (MTV), é o mentor da coletânea Artista Igual Mendigo Vol. 1, uma ação que não se presta a nada mais do que estimular a cena musical independente. Dentre os 70 (!) nomes selecionados de todos os cantos do País, oito são de Santa Catarina: Serotonina (Jaraguá), Strato Feeling (Joinville), Sillen (Itajaí), Valerie, Balanço Bruxólico (Floripa), Prólogo (Criciúma), Parachamas (Blumenau) e Cangrenalnc (Araranguá). A ideia é que por meio do download das músicas, os artistas consigam do público uma remuneração voluntária e marquem shows. É, em referência ao próprio nome da compilação, uma passada de chapéu pra manter os trabalhos de pé. Portanto, acesse AQUI o link e dê uma força para o pessoal.

Só não vai o ursinho

29 de julho de 2011 2

Mas que cartaz mais fof.. da??

Pessoal do site Válvula Rock (e produtora, e selo…) não para quieto e nem brinca em serviço. Fosse só armar um tremendo balacobaco sonoro com Macaco Bong, Cassim & Barbária (lançando o disco novo) e Lenzi Brothers, tudo bem, mas vai rolar muito mais em Balneário Camboriú, no dia 6 de agosto. Além dos shows no bar Santa República, uma programação durante todo o dia na Fundação Cultural local incluirá workshops sobre produção independente com a Casa Fora do Eixo (Macaco Bong) e os catarinenses Cassim & Babária e Marcinho (Célula), mais lançamento de dois documentários (o Escute!, sobre o Clube da Luta, e outro enfocando a cena hardcore de Balneário) e exposição de quadros de Diego Lara. Dia cheio e neurônio a toda.

Fratelli solo

29 de julho de 2011 0

“Senti como se a banda tivesse cumprido seu curso. É bom continuar indo em frente”. A frase de Jon Fratelli não deixa dúvida de que The Fratellis, uma das bandas mais legais a sair da Escócia (e da Grã-Bretanha) nos últimos cinco anos, acabou, ou, no mínimo, tá por um fio. Pena. Menos mal que o líder do trio não ficou no discurso e foi tocar a vida, tanto lança seu primeiro disco solo (Psycho Jukebox) na próxima segunda-feira (1/9). Por Santo Domingo aí na janelinha, também é bom saber que o sujeito não perdeu o jeito pra compor canções ganchudas e um tanto fora dos esquadros. Bem, ao menos nessa faixa, porque o disco em geral foi detonado pela imprensa inglesa.

Ferro na boneca

29 de julho de 2011 0

Capitão América – o Primeiro Vingador estreia nesta sexta (29) nos cinemas. A quem for assistir, um conselho: fique até depois dos créditos finais pra ver um trailer do filme dos Vingadores, que chega aos cinemas no ano que vem e dá pinta de ser o maior blockbuster de superheróis desde sempre. E quem tá lá? Nosso amigo Tony Stark (Robert Downey Jr.), revelando no peito qual é a sua banda favorita. Ou seria a do seu alter-ego, o Homem de Ferro, “homenageado” pelo Black Sabbath na clássica Iron Man?

Do fundo do baú barriga-verde

28 de julho de 2011 7

O grande Edson “The Power of the Bira” de Souza esqueceu de nos avisar, mas uma pessoa com tal senso de coletividade a gente perdoa. “Tomando vergonha na cara” (palavras dele mesmo), Edson reativou o blog Joinroll, espaço virtual criado em 2010 com o objetivo de recuperar das entranhas do tempo registros do rock undeerground de Joinville e região. Só que nessa volta ele já avisou que vai ampliar o radar pra todas as praças catarinenses, o que é muito bom.
E o retorno do Joinroll veio em forma de caminhão cheio: as discografias completas do do Butt Spencer e Fly-X (deste, inclui a raríssima demo Unstable Sand, de 98); a coletânea Squema (saiu por volta de 1999), do selo jaraguaense Grito Records, com bandas como Fel, Deltacid, Repulsores, Enzine, Euthanásia e Schnaps; duas demos dos lendários punk brusquenses do Bandeira Federal; e mais duas gravações ao vivo, não oficiais, da Tensão Superficial, feitas entre 1987 e 1988.
Ah, não sei se precisa, mas sempre é bom avisar: tudo isso, e mais alguma coisa postada anteriormente estão bonitinhos pra download AQUI. É só passar e pegar.


Venha ver qual é

28 de julho de 2011 1

O camarada Pablo Geratti atiça o colunista pra ouvir Wilderness, novo disco da banda americana The Features. As dicas do rapaz sempre são pertinentes e a capa do dito-cujo, lançado oficialmente anteontem, é uma coisa linda. Antes que o disco caia virtualmente em mãos, me aparece essa performance arrebatadora do quarteto no programa Jimmy Kimmel Live, que revela uma pegada indie carregada de vigor e boas melodias. Pra finalizar a “abertura” do apetite, um vídeo promo de Wilderness, feito só pra divulgar a chegada do álbum, mas acaba sendo uma animação curtinha e finesse.


OK Dance!

28 de julho de 2011 1

All is not Lost é mais uma prova de o OK Go faz um som chatinho, mas faz clipes como poucos. Vejam o vídeo da faixa retirada do disco Of the Blue Colour of the Sky (2010), que apresenta a companhia de dança americana Pilobolus encarnando um caleidoscópio humano. Coisa linda. Aliás: Instituto Festival de Dança de Joinville, traz esse grupo na próxima edição.

Mortos aos 27

27 de julho de 2011 5

A morte de Amy Winehouse desencadeou novamente o falatório sobre a tal “maldição dos 27″, que já carregou muito artista talentoso pro além, geralmente no auge da carreira e por mecanismos, digamos, pouco naturais. Nesse cada vez mais estufado clube de finados notáveis, pouca gente lembra de Chris Bell, ex-guitarrista do Big Star, morto em 1978, e Pete de Freitas, baterista original do Echo & The Bunnymen, que se foi em 1989. Mas o blog lembra de ambos, que também morreram com 27 anos, mas em acidentes de carro (Bell) e moto (Freitas).