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Posts de agosto 2011

Ryan Maiden

31 de agosto de 2011 1

Os admiradores do Iron Maiden que me perdoem, mas Wasted Years é uma das únicas músicas que me fazem parar pra ouvir a banda. Vai daí que esta versão límpida e pura de Ryan Adams, registrada nesta semana durante um programa na rádio BBC, comprova: essa melodia é um tremendo achado do seu Adrian Smith.

Sujeira sergipana: The Baggios

31 de agosto de 2011 4

Júlio Andrade (voz e guitarra) e Gabriel Carvalho (bateria) parecem ter um modelo bem claro a seguir: The Black Keys, um dos nomes mais abrasivos do rock americano hoje. Com essa formação ultrabásica, a dupla sergipana também pode assimilar White Stripes e The Kills (sem o fator eletrônico). Mas, na forma de The Baggios, eles carregam consigo uma carga abrasileirada para seu terceiro registro oficial, homônimo, recém-lançado pelo selo Vigilante (Deck). Calma, não existem misturas exóticas aqui. Embalado num projeto visual espetacular, o disco turbina sua base blueseira, abrindo ferozmente com O Azar me Consome. Em vez de tosqueira, como se poderia supor, o peso e a cozinha “cheia” impulsionam os bons riffs de Meu Eu, Pare e Repare e Get Out Now, e os elementos renovadores – os sopros em Candango’s Bar e Quanto Mais Eu Rezo, o piano endiabrado de Aqui Vou Eu - sublinham o potencial dançante da dupla. Quanto ao dito DNA brasuca, é uma herança do rock setentista nacional e do sotaque de Júlio, que aqui e ali provocam a lembrança de Raul Seixas, caso de Oh Cigana e Morro da Saudade - esta com a participação de Hélio Flanders, do Vanguart. Encardido e combativo, The Baggios soa como ruidosa resposta a essa leva de artistas brasileiros por demais sutis e sensíveis.



Sorria! "Smile" será finalmente lançado

31 de agosto de 2011 0

Nesse fosso largo e profundo que é a história da música pop, uma das lendas mais fascinantes diz respeito a Smile, o disco que sucederia o clássico Pet Sounds na carreira dos Beach Boys. Comenta-se que o álbum – parcialmente gravado entre 1966 e 1967 – seria tão desafiador, complexo e maluco que acabou arquivado e provocou um “tilt” na mente do líder Brian Wilson. Em 2004, o próprio regravou algumas das músicas em um trabalho solo homônimo e até saiu em turnê com ele. Mas, agora, Wilson e os beach boys sobreviventes Al Jardine e Mike Love se uniram pra terminar o que faltava e, finalmente, encerrar a mitologia. The Smile Sessions sairá no mês que vem em diversos formatos, um mais recheado de atrativos do que o outro (o pacote mais completo é mostrado no vídeo abaixo) , acompanhado de um projeto da gravadora EMI que pedirá aos fãs que colaborem com os clipes de Heroes and Villains e Good Vibrations. Passe AQUI pra ter mais detalhes.


Porrada a milhas de distância

31 de agosto de 2011 5

A programação das próximas 72 horas da banda Sodamned, de Guaramirim, é esta: embarcar num avião, atravessar o Atlântico, pousar em Frankfurt, pegar uma van dirigida por um croata, seguir até Zurique e tocar. Nos 30 dias seguintes, a rotina do quarteto – um dos destaques do death metal catarinense – será viajar e fazer shows, e quando a turnê terminar, terão sido 16 apresentações em oito países europeus. Um sonho de qualquer banda que se preze, mas essencial praquelas que militam no rock pesado, devido à força do estilo (público e gravadora) naquele continente. O Sodamned, porém, só o concretiza agora, 12 anos depois de sua fundação. Os motivos da demora não vêm ao caso. Bom mesmo é que o plano vira realidade num ótimo momento da banda, de estabilidade da formação e do lançamento, na semana passada, do álbum de estreia, The Loneliest Loneliness, cuja capa é assinada pelo mesmo Gustavo Sazes que já trabalhou com nomes de peso como Krisium e Arch Enemy. “Nossa maior expectativa é fazer contatos pra uma próxima turnê, com mais estrutura, e lançar este ou o próximo CD lá fora”, resume o batera Gilson Lange. Boa sorte, rapazes.

Na fonte do barulho

30 de agosto de 2011 2

Relembrar é preciso, principalmente se a memória em questão for relativa ao histórico e fundamental Velvet Underground. Nos manuscritos do rock, consta que em dezembro de 1968 a banda era uma das atrações do Boston Tea Party, um dos mais importantes festivais americanos da era hippie. Ok, o Velvet pouco ou nada combinava com a atmosfera paz & amor, mas lá estava ele. Um fã colocou o gravador DENTRO do amplificador da guitarra de Lou Reed, o que garantiu um registro, digamos, peculiar do som do grupo – na verdade, uma trip sônica que elevou os níveis de distorção de músicas como Sister Ray, White Light/Whit Heat e What Goes on e deixou o restante do instrumental como coadjuvante de luxo. Além da percepção modificada, a “experiência” resultou num dos famosos bootlegs do rock, The Velvet Underground Boston Tea Party.


"Contracapa" convida pro fim

30 de agosto de 2011 1

O release da festa de 5 anos da Contracapa do DC é tão bom que reproduzo o texto, na íntegra, aí embaixo. Quem assina é ninguém menos que o próprio Marcos Espíndola, o sumo-sacerdote que recepcionará os convivas (eu, você e o resto do mundo) do festerê final:

Antecipando o Fim do Mundo. Sim, afinal a vida é curta, a arte longa, o sucesso está longe demais e parece que não chegaremos aos 27 anos (já está difícil aturar-me nestes cinco anos), porque segundo os Maias e os “profetas”, o mundo frita em dezembro de 2012. Ou não? Das duas uma: ou foi o maior migue do milênio ou você é um (a) sortudo (a) sacana que vai herdar todo esse mundinho arrasado junto com as baratas, o Lemmy Kilmister e o ‘Todo Poderoso’ Mekron. Daí que a gente não esperou e resolveu decretar a abertura dos trabalhos para receber a alvorada apocalíptica com a festa de cinco anos da Contracapa.
Dia 3 de setembro, na Célula Cultural. Eis que evocamos a Camarilha dos Quatro Cavaleiros da Freakolândia: Zuleika Zimbábue & Os Ambervisions, Os Skrotes, Andrey e a Baba do Dragão de Komodo e Falcatrue.
Ei, vocês estão ligados que o mundo não vai acabar ano que vem, não é? Mas que depois dessa festa, novas vidas começarão (inclusive daqui a nove meses!).

Do fundo do baú: Lopez

30 de agosto de 2011 5

“O CD-demo traz cinco boas faixas, com destaque para Coleção e Nem que te Roubem, mas nem de longe mostram o que é o Lopez ao vivo. No palco, a base garageira ganha mais pronúncia, urgência, graças a performance alucinada de Helliot e os riffs economicamente sujos que Robson tira de sua guitarra asseada.”
Este textinho é um recorte da resenha escrita por este blogueiro no distante ano de 2003, quando o Lopez soltou seu primeiro e registro oficial. Vieram outros dois na sequência, antes de o trio de Araquari, Norte de Santa Catarina, dizer adeus, ali por volta de 2005/2006.
De algum canto esquecido de seu enorme arquivo, Helliot resgatou (e postou pra download AQUI) a gravação de um ensaio aberto feito em 2004, composta de dez canções e muita tosqueira rocker. A esperança do cara é reunir os ex-colegas – que inclui ainda a baixista Keit – e promover um revival pra lembrar os 10 anos da banda. Vai saber…

Fly-X libera B-side

30 de agosto de 2011 1

A título de curiosidade – e pra deleite de quem gosta da banda, claro -, Killer Memorie, uma sobra de Despertar, disco de 2007 do trio guaramirense Fly-X. Na verdade, a faixa foi registrada dois anos anos e acabou ficando de fora do corte final, resultando num B-side que aparece agora como aperitivo pro novo álbum, previsto pra sair nos próximos meses.

Cantem comigo...

29 de agosto de 2011 1

Agradeçam pela União Soviética não ter ganho a Guerra Fria, caso contrário, o “rei do rock” poderia ter sido outro…

Obra do Jesus & Mary Chain volta ao mercado

28 de agosto de 2011 2

Dia desses, me peguei elaborando mentalmente uma lista das minhas cinco “bandas do coração”. Nada a ver com as melhores, as mais conceituadas ou influentes da história. Apenas aquelas que ocupam os quartos cinco estrelas na minha afetividade musical e desfrutam de regalias como ter alguma de suas obras requisitada regularmente e os (raríssimos) erros perdoados com um sorriso no rosto. Pensei que esse ranking emocional sairia fácil, mas só cheguei à quarta colocada. No entanto, uma das escolhidas veio de imediato: The Jesus & Mary Chain. Equivocadamente, muita gente lembra dos irmãos Reid apenas como aqueles que revalidaram o noise como elemento artístico em 1985, ou, pior, só os conhecem pelo hit Just Like Honey.
Confesso que até hoje tenho dificuldades em ouvir as guitarras em forma de serra elétrica de Psychocandy, um divisor de águas que ecoa até hoje no universo indie. Sou mais a tríade que veio a seguir: Darklands (87), Automatic (89) e Honey’s Dead (92). Se contada a coletânea de B-sides e raridades Barbed Wire Kisses (88), temos uma obra que condensa, com relances de genialidade, surf music, o pop reluzente dos anos 60, garage rock, punk, pós-punk e eletrônica. Referências que, junto a microfonia, nunca soterraram as majestosas melodias da banda, cândidas linhas encharcadas de chuva, escuridão e paixões tempestuosas. “Você foi meu dia ensolarado de chuva/ você era as nuvens no céu”, canta Jim em Happy When it Rains, faixa do segundo álbum. No Stoned & Dethroned (94), esse mundo cinzento da banda ignorou o levante grunge e abraçou o folk semi-acústico. Quatro anos depois, veio o canto do cisne – o barulhento e irregular Munki - antes da separação dos Reid (que durou até 2007).
Tirando as compilações, toda a discografia do J&MC retorna à pauta do dia por meio de reedições pensadas pra tirar o sono de qualquer fã. Cada um dos seis álbuns vem com o repertório original remasterizado; um segundo CD com sobras, lados B, versões demo e gravações ao vivo; um DVD com videoclipes e registros de shows e apresentações na TV; além de um livreto com fotos, entrevistas e informações contextualizadas. Puro sonho de consumo. Neste endereço AQUI, dá pra fazer um passeio virtual por cada disco, só acessíveis via importação e muitos dólares.