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A pausa definitiva do Sanchez

17 de julho de 2012 3

Na sexta-feira passada (13), durante o show do Somaa no Sesc, Rafael Zimath anunciou o fim oficial do Sanchez e emendou uma canção da banda, Eu me Sinto Sozinho nos Dias de Chuva. A faixa não é a única a fazer referência às peculiaridades joinvilenses, algo que ajudou a construir o que acabou virando um mito no underground local. O som indie e cheio de guitarras do Sanchez surgiu em 1996 como um projeto de Marcos Maia (ex-The Power of the Bira, foto acima). Tomou corpo em 1999 e, então, percorreu uma trajetória errática, alternando picos de visibilidade com longas pausas. Como legado, deixou uma demotape (Gangsta Way of Life, de 2000), várias gravações avulsas, shows memoráveis e, nas palavras de Maia, uma atitude íntegra. "Fomos uma banda que militava muito em prol da cultura. Colocávamos o equipamento nas costas e íamos tocar. Era tudo muito espontâneo. Não vejo mais isso com as bandas atuais", diz o líder, pra quem o Sanchez "perdeu o fio da meada" e bateu de frente com as dificuldades da vida adulta.
A mais recente formação do grupo contava com Maia, Lucky (baixo), Marcelo (bateria) e Jean Douat (guitarra), e foi essa que fez a derradeira aparição do Sanchez, em novembro, no Plug Bar. Falando em shows, Maia considera que o excesso deles em determinado momento impediu mais registros em estúdio. "Muitas ideias foram ficando pra trás", diz. É algo que ele faria diferente em um eventual novo projeto.
Que fique claro que não há nada nesse sentido, mas, ao refletir sobre isso, Maia acredita que não se distanciaria muito do que fez no Sanchez - timbres, o modo de tocar, ele encontrou uma identidade própria. "Na verdade, é tudo muito simples", arremata Marcos, sem muita disposição pra fazer elocubrações a respeito da sonoridade da agora ex-banda. Talvez porque Marcos não seja um cara nostálgico, ainda que sinta saudades de um momento especial do underground joinvilense e barriga-verde. E é por causa desse passado que ele é referência por aqui. A história ainda há de fazer justiça ao Sanchez e ao próprio Marcos Maia.

* Clique AQUI pra acessar o blog Joinroll e baixar a demo do Sanchez e o áudio do show da banda no Festival É Rock! de 2002.

Comentários (3)

  • Rafael Zimath diz: 17 de julho de 2012

    Uma pena. Mas estar vivo é compreender e aceitar que certas coisas são cíclicas e que às vezes a chama que mantêm um projeto aceso se apaga. O Sanchez foi uma banda muito importante pra cidade e particularmente pra mim. Basta se dar conta quantos músicos importantes do cenário local já fizeram parte da formação da banda. Sempre admirei o Marcos como compositor e a sua preocupação com o texto e o conteúdo artístico de uma canção. Provavelmente, ele não fazia esforço algum e as coisas saiam muito naturais, como ele mesmo enfatizou. Por tudo isso, quis fazer esta singela homenagem no show que o Somaa fez na última sexta-feira, fechando a semana do rock no SESC. E se agora as coisas voltam a se aquecer na música autoral da cidade e se eu ainda continuo levando nas costas o meu equipamento pra tocar é por causa de caras como o Maia.

  • Edson Luís diz: 17 de julho de 2012

    Tive o prazer de tocar na THE POWER OF THE BIRA (1992 a 1996) e na CAMISA-DE-FORÇA (1991 a 1992) com o Marcos. É um músico brilhante! Muito culto e a frente do tempo. Tenho certeza que não conseguirá ficar parado. Se a SANCHEZ' se foi paciência. A banda nova dele sempre é a melhor! A história está aí para provar...

  • daniel diz: 20 de julho de 2012

    RIP Sanchez. uma das melhores bandas do Sul do Brasil.

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