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Viper, nesta quinta, em Joinville

19 de julho de 2012 0

Entre o fim dos anos 80 e o começo dos 90, não tinha pra ninguém: o Sepultura era não só a maior banda brasileira no exterior, como também um gigante do metal mundial. Mas a segunda potência do rock pesado brasuca podia muito bem ser propriedade do Viper. Com bons músicos em suas fileiras – notadamente, o vocalista André Matos, que depois tocou com Angra e Shaman -, dois discos hoje clássicos (Soldiers of Sunrise, de 1987, e Theater of Fate, de 1989) e status de estrela no Japão, a banda paulista assegurou lugar especial na memória dos bangers. Não que o Viper seja um artigo do passado – a banda esteve na ativa até 2009, com um pausa considerável entre 1996 e 2004. Este 2012, porém, é especial, já que marca o retorno da formação clássica do Viper à estrada – a única “baixa” é Yves Passarell, hoje no Capital Inicial, substituído por Hugo Mariutti. As razões da To Live Again Tour, que passa nesta quinta-feira (19) por Joinville, o guitarrista Felipe Machado explica nesta entrevista exclusive à coluna (a íntegra dela tá no blog, junto com vídeos recentes). O show na JK Music Stage será aberto pela Just Face, às 22 horas. Informações no site da casa.

Quem tomou a iniciativa de reagrupar a formação clássica?
Felipe Machado - Foi uma série de fatores: o baterista Guilherme Martin ficava sempre me colocando pilha para voltar a tocar com o Viper; o disco Soldiers of Sunrise faz 25 anos, que é uma data importante; e a produtora Wikimetal chegou com o projeto pronto e bem legal. Daí, conversamos e chegamos à conclusão de que era a hora certa para fazer esse tipo de turnê.

Com que olhos vocês veem aqueles dois primeiros discos hoje? Estão mais críticos em relação a eles?
Machado
– Pelo contrário, eu era mais crítico há alguns anos do que agora. Quando começamos a tocar esse repertório novamente, me dei conta de que ele é extremamente atual, forte, com grandes canções. Acho que a gravação do Soldiers, por ser muito crua e, digamos, “primitiva”, acaba prejudicando um pouco, mas a música em si é muito boa. No Theatre, a boa produção já amplifica a qualidade das composições do Pit.

Houve alguma mudança em relação ao modo como a banda tocava essas músicas, 20 anos atrás?
Machado
– Em termos de arranjos, até que não. Mas a entrada do Hugo Mariutti na guitarra, no lugar do Yves Passarell, com certeza trouxe uma mudança grande. O Yves era um guitarrista mais solto, mais rock and roll. O Hugo é mais preciso, então tivemos que adaptar o som para ficar tudo bem mais coeso, o que acaba soando mais definido ao vivo. E mais pesado também.

O foco é em cima dos dois primeiros álbuns, mas vocês também tocam algo do Evolution, não?
Machado
- Às vezes entra uma ou outra surpresa, mas o foco é nos dois primeiros discos mesmo. Até porque só aí já dá mais de duas horas de show.

Como têm sido os shows da turnê? E a plateia, mais garotada ou pessoal “das antigas”?
Machado
– É engraçado porque está um público híbrido. Tem muita gente “das antigas”, gente que quer reviver aquela época em que eram mais jovens, sei lá. Ou lembrar de um tempo que era mais romântico, idealista. Mas há também garotada, gente que ouvia falar do Viper e nunca teve a oportunidade de ver.

Existe uma data pra essa turnê terminar?
Machado
- Termina no dia 21 de julho, em Porto Alegre. Mas como muitas cidades ficaram fora, acho que vamos fazer mais algumas datas em setembro.

Há planos pra depois da turnê? O que pode sair daí?
Machado
– Ainda não sabemos. Há alguns papos sobre levar a turnê para o exterior, temos que ver se será possível de acordo com a agenda de todo mundo. Mas que seria muito legal, ah, isso seria.

Já saiu alguma música nova?
Machado
- Ainda não, até porque nem deu tempo. Os ensaios foram pesados, e agora o ritmo da turnê é bastante intenso e cansativo.

Que cenário do heavy brasileiro o Viper clássico encontra nesta volta? Muito diferente daquele dos anos 80?
Machado
- Bem diferente, muito mais profissional. Na época, era tudo muito na raça, romântico, não tinha dinheiro nem lugar decente para tocar. Hoje, há várias casas legais, contratantes mais profissionais, um público exigente e acostumado a ver shows internacionais… Enfim, o heavy metal no Brasil virou uma realidade, não mais apenas uma possibilidade.

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