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HQs: bravura barriga-verde

06 de agosto de 2012 1

Um ser escapa de seu planeta natal e acaba na Terra, que adota como lar e passa a defender de todo tipo de ameaça. Super-Homem, é você? Parece, mas, apesar de o kriptoniano ter sido a maior referência de Samicler Gonçalves pra sua criação, o Cometa possui uma característica exclusiva: ele é um super-herói catarinense, e Floripa é seu QG. Combater o crime na Ilha já rendeu ao personagem dez edições desde 2004. Junto à marca, batida há poucas semanas, o Cometa ganhou uma exposição (que vai até o dia 13) em Chapecó, cidade de Gonçalves, publicitário que criou o herói nos anos 90 e, por causa dele, contabiliza prêmios e um trabalho pra gigante dos quadrinhos americanos DC Comics. Por e-mail, o artista desvendou os segredos dessa produção independente.

Você já cresceu lendo e desenhando super-heróis?
Samicler Gonçalves - Sim, comecei com o Fantasma, Zorro, Tex e, posteriormente, Super-Homem.

Como surgiu a ideia do Cometa?
Samicler
- Sempre fui muito fã do Super-Homem. Desde 1985, meu sonho era desenhá-lo, mas logo percebi que era um sonho distante, então resolvi criar meu próprio herói, alguém que pudesse ser a representação do Super-Homem sem ser igual. Então, criei o Cometa com características distintas aliadas a personagens que eu curtia, como He-Man, Homen-Aranha, Super-Homem e um pouco da simbologia da Mulher maravilha. Coloquei no liquidificador por cinco minutos e saiu o Cometa (risos).

Por que você acha que um super-herói catarinense funciona e por que ele atua em Floripa, e não em Chapecó, a sua cidade?
Samicler
- Creio que ele funciona porque em nosso País só tínhamos, até então, personagens que não podiam ser explorados mensalmente e nem tivessem uma identidade universal, como os americanos têm. Muita gente fala que faço algo que eles já fizeram e deveria fazer algo novo. Não acho que estou errado, pois se olharmos com cuidado, nada do que vimos até hoje foi criado do nada, tudo teve influências. Mas, voltando à pergunta, acredito que precisamos de ícones bons, estamos sedentos por isso e a proposta do Cometa é levantar essa bandeira. Ele mora em Floripa pois além de ser uma linda e charmosa cidade, serve como cenário de muitas e ecléticas aventuras. Em Chapecó não vejo isso. Quem sabe no futuro.

Apesar de publicado desde 2004, o Cometa só chegou agora à décima edição. Quais as maiores dificuldades?
Samicler
- Dinheiro para produção e espaço para venda e distribuição.

Como você divide suas atividades publicitárias com as de desenhista de quadrinhos?
Samicler
– Eu sou bem rápido para criar, desenhar e desenvolver campanha. Graças a Deus, isso nunca me impediu de fazer o que curto, mesmo porque HQ é meu hobby e profissão. Então, tudo funciona muito bem quando se faz com prazer.

Você banca a publicação e a circulação? Onde é possível achar as revistas?
Samicler -
Não é barato produzir quadrinhos, seja aqui, nos EUA, na Europa ou no Japão. Uma parte eu banco e a outra busco patrocínio. Minhas revistas podem ser compradas em lojas especializadas de quadrinhos, como Comix, Itiban e Devir, bancas aqui do Oeste ou pelo e-mail vendas@sgarte.com.br.

Você diria que o maior poder do Cometa é a persistência?
Samicler
– (Risos) Acho que sim! Acho que sou um louco teimoso.

Quais os seus projetos futuros em relação ao personagem?
Samicler -
Tem muito por vir. Já temos varias histórias prontas dele, falando do seu dia a dia, de seu relacionamento com a namorada Silvana, a perseguição do C.1.br, a sua dimensão e muitas outras apresentando novos heróis. Meu objetivo não é só contar historias localizadas em Santa Catarina. Há personagens que moram, por exemplo, na Amazônia, em São Paulo, Belém, Natal, Caçador… No Cometa, procuro mostrar a cultura e a arquitetura do local onde acontece a aventura e quero explorar novas regiões.

Como foi a experiência com a DC Comics?
Samicler
– Foi pouca coisa, só uns 200 cards do Batman.

Qual o peso das premiações na sua carreira?
Samicler
- Sabe que eu não me apego muito a premiações? Só falo delas se vejo que é necessário para dar credibilidade. No meu ponto de vista, ninguém tem o direito de dizer que isso ou aquilo é melhor. Todos têm valores e potenciais, somos sempre vencedores quando olhamos para algo que fizemos e podemos dizer: “Meu coração se alegra com o que fiz.”

Comentários (1)

  • Wagner Oedis diz: 6 de agosto de 2012

    Cometa , mais uma HQ catarinense que acabei de conhecer ! Show !

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