Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

Um crédito pra Billy Corgan

06 de agosto de 2012 0

Quem ainda acredita em Billy Corgan? Sua inconstância e suas remodelagens do Smashing Pumpkins transformaram um dos pilares do rock alternativo dos anos 90 num ponto de interrogação. Inegável é que, por trás do gênio difícil, há um ser extremamente criativo que produz às pencas e ainda é capaz de coisas interessantes. Surpresas, Oceania, o oitavo disco da banda, não tem, mas talvez seja o mais perto que Corgan chegou de seu auge artístico, representado por Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995). Como conceito, o SP é uma banda de guitarras estridentes com nuances eruditas. O título das faixas já aponta pra isso, mas, aqui, ela assume de vez as aspirações progressivas de uma legítima banda do gênero dos anos 70. O álbum abre com dois mísseis de médio alcance (Quasar e Panopticon), logo passa ao sublime com The Celestials e por aí fica um bom tempo, como que tateando sonhos e divagações instrumentais em busca de uma nova 1979 (o hit do disco de 17 anos atrás). One Diamond, One Heart trabalha com a eletrônica vintage (algo que Billy experimentou em seu disco solo), enquanto Pinwheels é puro Pink Floyd viajante, mas não tanto quanto a faixa-título, três décadas de rock concentradas em nove minutos de psicodelia. Poderia parar por aí, mas Corgan força mais e entrega aos velhos fãs The Chimera, uma fabulosa ode guitarrística. Ainda assim, é possível que eles já não tenham tanta paciência para o ego do líder. Mas é preciso conservá-la um pouco mais: em meio a tanta grandiloquência, há beleza suficiente em Oceania pra justificá-la e dar crédito extra ao Smashing Pumpkins.

Envie seu Comentário