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Um passo gigantesco

30 de setembro de 2012 0

Há uma semana, o curta-metragem O Gigante, que conta com recursos do Funcine (Floripa), papou o troféu de melhor animação pelo júri popular no 45o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Portanto, chegará com honras à pré-estreia na Capital, no dia 10, na Fundação Cultural Badesc, e também aos festivais gringos (na Espanha, Alemanha e Colômbia) e nacionais para os quais foi selecionado. Mas o filme acumulou uma vasta quilometragem antes mesmo de chegar às telas. Com direção dos portugueses Júlio Vanzeler e Luís da Matta Almeida, ele foi erguido com leis culturais do Brasil, de Portugal, da Espanha e da Inglaterra, países que detiveram núcleos criativos específicos. O Brasil assinou animação e desenho de animação 2D, além da produção executiva e da direção artística, a cargo do ilhéu Igor Pitta Simões, diretor do curta animado O Pescador de Sonhos (2006), que até hoje detém o maior número de prêmios dados a um filme catarinense. Dono de um currículo extenso e celebrado na área da animação, Simões concedeu esta entrevista à coluna/blog:

Como surgiu a idéia de O Gigante?
Igor Pitta Simões -
Ela surgiu da observação do (co-diretor) Julio Vanzeler sobre a própria filha. A historia fala do amor incondicional dos pais sobre os filhos e do excesso de zelo, e do momento em que os filhos crescem e querem construir seu próprio destino, ou seja, fala do amor incondicional dos pais e do crescer e partir dos filhos.

Foi difícil administrar produções em quatro países?
Igor
- Não, pelo contrario! Penso que se torna mais fácil produzir uma obra delegando e dividindo a produção com todos os envolvidos do que tentar fazer tudo sozinho. Tanto a nível logístico como financeiro.

No que esse “compartilhamento de culturas” foi benéfico para o resultado do filme? Qual a maior dificuldade?
Igor
- Desde que comecei a trabalhar com animação, sempre tive o contato com profissionais de outras nacionalidades e co-produções nacionais e internacionais. Não me vejo fazendo cinema de animação de outra forma, sem parcerias. Principalmente no que tange à captação de recursos humanos e matérias para viabilizar uma produção. Essas parcerias e trocas de conhecimento são tão importantes para o desenvolvimento da obra quando para a realização dela, além de darem uma boa perspectiva de aceitação por parte de um público diversificado. Até o momento, não tive nenhuma dificuldade nem problemas em relação às parcerias, nacionais ou internacionais. Talvez tenha dado certo por priorizar a amizade e a confiança entre as pessoas envolvidas. Sei de muitos casos que não funcionaram.

Parte da animação foi feita no Brasil. Com o país está neste ramo?
Igor
- O Brasil tem crescido muito na quantidade de produções de animações e na qualidade da produção. Mas ainda é preciso progredir mais. Para isso, é preciso que haja uma política de Estado mais eficaz, para que se possa haver produções constantes, de forma a que os técnicos não emigrem nem sejam absorvidos pelo mercado publicitário. Um grande avanço que tivemos foi a lei 12.485/2011, que cria um novo marco legal de TV por assinatura. Acredito que ainda seja cedo para ver o grande potencial que ela vai trazer para a produção nacional a profissionalização do setor.



Qual o peso dos festivais pra carreira do curta?
Igor
- Sem os festivais, os curtas-metragens ficariam marginalizados. Eles são a principal janela de exibição dos trabalhos de autores. Sem os festivais, faríamos filmes para exibir para a família e os amigos e depois iriam para uma gaveta.

Falando em carreira, qual será o futuro dele?
Igor -
Os curtos geralmente fazem um circuito de dois a cinco anos de festivais e mostras nacionais e internacionais. Entre esse tempo, provavelmente haverá exibições em TVs públicas e, principalmente, fechadas. Isso depende muito também dos prêmios que o curta for conquistando. Eventualmente, depois de três anos de festivais, terá uma tiragem em DVDs, mas eles não costumam ter muita saída. Desde que trabalho com animação, as produtoras, de um modo geral, não costumam pôr os curtas na internet antes de cinco  anos de circuito de festivais. Há também as exibições em escolas e cinematecas nacionais, que fazem parte dos circuitos dos festivais em que o curta for selecionado.

Vida de curta animado no Brasil é complicada, não?
Igor
- Sim, é muito complicada. Principalmente porque o setor depende exclusivamente das políticas públicas para a cultura. O nosso Estado não tem feito bem a lição de casa, dificultando ainda mais a viabilização das obras que surgem a cada ano que passa, e que acabam não saindo do papel.

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