Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

O eclipse de Cat Power

28 de novembro de 2012 0

Quem é musa indie nunca perde a majestade, certo? Errado, porque Cat Power nunca usou coroa ou cetro, apesar de crítica e fãs lhe concederem o merecido respeito e, em casos mais agudos, adoração. A americana sempre caminhou, descalça, entre o fio da navalha e a beira do precipício, exalando uma melancolia que transita naturalmente entre o derrotismo e a esperança. Apesar do título, Sun (Matador/Lab 344), seu nono disco (e o primeiro de material inédito em seis anos), segue assim, nublado e envolvendo o ouvinte num buraco negro de faixas que soam igualmente deslocadas. Mas esse estranhamento é peça-chave do script da raiva contida no disco, espirrada em versos como “Se eu morrer antes da hora, me enterre de cabeça para baixo” e “Eu sempre estive por conta própria/ Olhe nos meus olhos e veja a bomba”. Movendo-se do folk/blues encardido para a eletrônica discreta, Chan Marshall conduz a ilusória calmaria através de belezas como Cherokee, Real Life, Manhattan e a apoteótica Nothing But Time, que tem Iggy Pop nos vocais de apoio. Já Silent Machine é orgânica e leva um acento soul, mas é sinuosa e “perversa” como as demais. Um disco de gosto forte e amargo, mas que desce surpreendentemente fácil. Coisa de majestade.

Envie seu Comentário