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Videoclipes do século 19

25 de março de 2013 0

No próximo domingo (31), no Teatro Juarez Machado, o diretor carioca Rubens Lima Jr. manterá uma tradição que vem desde 2005: estreará uma nova peça à frente da Cia. Atos Teatro, e novamente tendo um clássico da literatura brasileira em sua base. O trabalho da vez – o sétimo dirigido por Rubinho em Joinville, fora as oficinas – é uma adaptação de O Ateneu, que Raul Pompéia publicou pela primeira vez em 1888. A partir da crítica à aristocracia contida no livro, o grupo passou um ano montando o espetáculo infantojuvenil que, ao atualizar o texto, enfatiza temas rotineiros (escolares ou não) e identificáveis pela garotada. A “ousadia” é um dos assuntos desta entrevista com Rubens Lima Jr., também professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio), onde conheceu a diretora da Atos, Eliane Ramin, e começou a duradoura parceria.

Por quê O Ateneu?
Rubens Lima Jr.
– Foi uma escolha natural. Todos os anos pesquisamos autores de teatro e literatura brasileiro do século 19 para o nosso projeto teatral anual e, dessa vez, Raul Pompéia se encaixou bem. Há tempos queríamos fazer um espetáculo infantojuvenil e também apresentar profissionalmente ao público de Joinville um grupo de novos atores formados no Atos a partir do projeto contemplado pela Fundação Cultural em 2012.

Quais os riscos de dar contornos modernos a um clássico da literatura como esse?
Rubens
- Bem , acho que nenhum! Os meu projetos dentro do Atos sempre tiveram uma ligação bem forte, do clássico ao moderno e contemporâneo. Meu espetáculo anterior na companhia, A Moça mais Bonita do Rio de Janeiro, um conto clássico de Artur Azevedo, se transformou num musical brechtiniano; a opereta O Primo da Califórnia se transformou num musical e por aí vai. Agora, com O Ateneu, estou utilizando cenas curtas, quase como um clipe com muito rock pesado para costurar tudo.

Isso não é facilitar demais para a plateia?
Rubens
- Não vai facilitar, pois a dramaturgia que eu concebi tem um jogo de personagens ora adulto, ora criança, sendo construído aos poucos, o que a torna original. Tem que prestar uma certa atenção, pois nada virá mastigado. As cenas de ligação são fundamentais, pois todos os atores fazem um verdadeiro “balé moderno”, movimentando 12 carteiras de escola, transformando-se em tudo que você possa imaginar. Esteticamente, o resultado é muito complexo e impressionante. Acho que tem, antes de tudo, uma proposta muito original, que vai encantar a plateia.

Quando se fala em peça infanto-juvenil, logo se pensa em algo com atores globais, Malhação
Rubens
- Sim , mas não é o nosso caso. A dramaturgia da história original foi mantida com temas atuais e pertinentes até hoje. Bulling, aprendizado ultrapassado, castigos, descobertas sexuais e muitas outras coisas vão criar identificação com os jovens e reflexão para os adultos que forem assistir. Malhação é algo meio pasteurizado e só imita a realidade dos jovens das grandes cidades, sem nunca fazer refletir.

Como alguém que vive num epicentro do teatro nacional, que tipo de projeto você gostaria desenvolver por aqui?
Rubens
– Trabalhar no Atos como diretor artístico há quase 12 anos já me fez realizar muito sonhos por meio de tudo que montei. É uma pergunta difícil, pois adoro todos os estilos, mas adoraria montar em Joinville um Shakespeare, adaptado à realidade e à atualidade da cidade que já adotei no meu coração.

Paralelamente, você está desenvolvendo um musical? Isso está bem em voga no Brasil, não?
Rubens
– Sim, o musical já é uma realidade em praças do Rio de Janeiro e de São Paulo, o público adora e lota. Já somos o terceiro maior produtor de musicais do mundo, só perdendo para a Inglaterra e, obviamente, os EUA. No Rio de Janeiro, além de professor da Unirio, trabalho profissionalmente com todas as linguagens, mas nos últimos tempos tenho desenvolvido diversos trabalhos em musical, inclusive o meu mestrado foi sobre esse tema. No dia 29, estarei nos Arcos da Lapa dirigindo o musical “Paixão de Cristo”, com mais de 60 atores e figurantes, para um público estimado em 70 mil pessoas e com o patrocínio da Arquidiocese do Rio, Rede Globo e Prefeitura.

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